domingo, 30 de março de 2014

Análise Visual: O Cozinheiro , o Ladrão, sua Mulher e o Amante


O filme “O cozinheiro , O Ladrão , Sua Mulher e o Amante” de Peter Greenaway , não é um dos filmes mais fáceis de se assistir, entretanto, o espectador é brindando com três aspectos excelentes(Uma direção excelente,atuações devidamente teatrais e uma rica direção de arte). Munido de um excelente trabalho de composição é na direção de arte que se encontra a força narrativa do longa e é ela que evidencia através de mudanças drásticas no aparato visual do filme(que aliás não se restringe apenas aos objetos de cena mas ao uso de cores e a vestimenta dos atores) As mudanças de cores evidenciam a curva da tensão dramática , podemos reparar pelo uso de cores vivas , fortes e vibrantes que o diretor escolheu como uma forma de usar metáforas e simbologias através do uso da cor não só para reforçar a tensão dramática e dar força e energia as cenas de forma a aumentar a tensão iminente e não permitir que o filme caia no lugar comum de forma que não soe repetitivo. “O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante” é um excelente exemplo de que construção fílmica se da pela união e harmonia de todos os elementos presentes e nisso , o filme de Peter Greenaway.


Abaixo 5 cenas de belíssima união plástica e narrativa. 


1-5:15 a 6:31: ambiente nada sofisticado, representa visualmente a pobreza daqueles que ali trabalham de forma exaustiva, aparentemente sendo massacrados pelo Sr Albert Spica, a Criança na cena simboliza a miséria e o alto fardo de trabalho. O fato dela cantar , representa sua esperança.
A cor na cena predominante é um verde musgo e muito mal aparado. Os próprios objetos de cena, como utensílios de segunda mão são reluzentes naquele ambiente pobre,é uma das poucas coisas que dão vida a cena(embora aja ausência de cor) refletindo as péssimas condições de trabalho. O único componente vivo da cena é a cortina da cor verde que representa o espetáculo promovido pelo Sr com sua chegada, demonstrando temor e hierarquia.


 2-A conversa de Albert  com o chef de cozinha Richard se passa em dois ambientes onde o verde musgo também predomina , embora aqui já aja maior presença da cor e uma cortina branca que serve para dar um equilíbrio á tensão dramática que predomina na cena. Esse equilíbrio ocorre porque o chef tem a ousadia de não se rebaixar a figura de dominância do Sr. Spica.










3-
8:02 a 9:48 acontece um apagão devido a megalomania do Senhor Spica de trazer um letreiro colorido ao restaurante. Neste momento há uma ausência quase que total de cor mas ao contrário da segunda cena há os figurinos vivos , e velas que ajudam a dar um pouco de vida ao ambiente.



4- 9:49 a 10:33 A luz volta e com ela toda a preparação para o jantar de Albert Spica. Há um requinte na construção dos mínimos detalhes da cena, Velas, talheres, utensílios caros, representado por um vermelho vivo. A cena simboliza dois pontos importantes: A grandeza social do senhor Spica(que condiz com a sua prepotência, com a qual maltrata a mulher Georgina) e retrata o embate entre Sr. Spica e o chef Richard que ousa a criticar a postura arrogante do patrão incomodado com o tratamento que ele da a sua mulher. 














5-10:35 a 13: retoma a situação do homem agredido por Albert  Spica , mas dessa vez há uma maior luminosidade na cena e ela é bem reveladora , no sentido que a câmera do diretor nos permite observar outras pessoas na mesma cena como uma açogueira , um chef e o jovem menino que volta a pedir paz. Predomina cores fortes e bem vivas como o verde reluzente e o vermelho sangue.


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