O Cinema discutido e analisado de forma simples e direta, mas mágica e transformadora.
sábado, 28 de abril de 2012
Punk´s not dead
“faça você mesmo” esse era o lema do movimento punk. Jovens que ansiavam por seu lugar no mundo, não se adequavam ao “sistema“, não gostavam de seguir regras e principalmente, não se adequavam com a musica que era executada.
Então eles resolveram fazer eles mesmos um som com o qual se identificassem com forte crítica social e onde o principal não era como se tocava, mas sim o que se cantava.
Bandas como o sex pistols e ramones foram os percussores do movimento punk, seguidos por bandas como NOFX e Bad Religion entre outras.
O gênero musical ganhou adeptos e cresceu consideravelmente saindo das fronteiras regionais, modificou o estilo de se vestir e ganhou subgêneros.
Foi pensando na importância desse estilo musical, que o diretor Susan dyner, um fã confesso do gênero dirigiu esse documentário que traça um panorama do punk rock através de imagens de arquivo, concertos e entrevistas com fãs e bandas, o diretor monta um painel do punk rock desde seus primórdios, evoluções, a chegada ao mainstream...
O diretor Susan Dyner munido de um rico material de arquivo, conferiu filme um dinamismo e agilidade impressionantes.
Susan dividiu o documentário por fases, acompanhando a evolução do punk por meio de bandas representativas do período.
As entrevistas acabam recaindo em uma pergunta inevitável: ainda faz sentido ser punk hoje em dia ou a proposta ideológica do principio se perdeu?
Vale ressaltar o trabalho de tratamento das imagens de arquivo. Excelente.
Super recomendo o documentário para todos, sendo fã de punk rock, ou não, pois o filme é além de tudo uma viagem cultural.
sábado, 21 de abril de 2012
Cazuza- O tempo não para
“Vida louca vida, vida breve, se eu não posso te levar,
quero que você me leve”.
Os versos da canção “vida louca vida” sintetizam bem o que
foi a vida de seu interprete, o cantor cazuza, que morreu de complicações decorrentes
da AIDS em 1990.
O filme autobiográfico Cazuza – O tempo não para foi lançado
em 2004 dirigido por Sandra Werneck e Walter carvalho. O roteiro de Fernando
bonassi e Victor navas teve como ponto de partida o livro “cazuza – só as mães
são felizes”, escrito pela mãe do cantor, Lucinha Araujo.
O filme possui uma narrativa ágil e utiliza de elipses de
tempo sempre que necessário, mantendo o dinamismo e a rapidez, porque afinal como
diz a musica que da titulo ao filme, o tempo não para.
Daniel de oliveira é visceral ao interpretar cazuza (desculpa,
mas não tenho outra palavra para definir a atuação de Daniel). O filme
demonstra o jovem cazuza, inquieto e rebelde, a primeira cena já demonstra sua inquietude,
ele procura na atuação seu lugar no mundo e já na cena seguinte se encontra com
os integrantes do barão vermelho, banda da qual faria parte.
Com uma sucessão rápida de planos e o roteiro vai mostrando
quem foi cazuza e qual era seu espaço (amigos, família, etc.).
O filme mostra um fôlego impressionante ao se revelar como um quebra-cabeça que vai se
montando cena após cena, (você só entende a cena seguinte se estiver assistido
a anterior e assim por diante.).
Os pensamentos de cazuza (Daniel de oliveira) são expostos
ao publico conferindo ao filme a figura do narrador over.
O roteiro de Fernando navas e Victor bonassi é inspirado. Os
diálogos são inteligentes e bem colocados com nada fora do lugar, contendo inúmeras
citações de canções do próprio cantor e de outros artistas e ainda referencias
a obras e autores.
A direção do filme feita a quatro mãos por Sandra Werneck e Walter
carvalho é um show a parte.
Enquanto Sandra
Werneck foi habilidosa na direção de atores, Walter Carvalho trabalhou os
planos com maestria, além de ser responsável pela fotografia do filme.
Como dito , Walter carvalho também foi responsável
pela fotografia do filme e talvez esta tenha sido sua maior contribuição ao
longa.
A fotográfia foi fundamental para resssaltar os pontos de virada do filme. Na primeira parte que evidencia a juventude e
a descoberta profissional do cantor é mais solar, por isso predomina o uso de câmera
na mão e eu efeito granular na imagem, no ponto de virada, onde o foco passa a
ser a AIDS e a pressa de viver do cantor, a câmera na mão é deixada de lado
dando lugar ao movimento de câmera circular.
Além de Daniel de oliveira, o elenco possui vários outros destaques:
Werneck foi habilidosa na direção de atores, Walter Carvalho trabalhou os
planos com maestria, além de ser responsável pela fotografia do filme.
Como dito , Walter carvalho também foi responsável
pela fotografia do filme e talvez esta tenha sido sua maior contribuição ao
longa.
A fotográfia foi fundamental para resssaltar os pontos de virada do filme. Na primeira parte que evidencia a juventude e
a descoberta profissional do cantor é mais solar, por isso predomina o uso de câmera
na mão e eu efeito granular na imagem, no ponto de virada, onde o foco passa a
ser a AIDS e a pressa de viver do cantor, a câmera na mão é deixada de lado
dando lugar ao movimento de câmera circular.
Além de Daniel de oliveira, o elenco possui vários outros destaques:
Marieta Severo que interpreta Lucinha Araujo, mãe de cazuza é talvez o maior
destaque depois de cazuza, além de ser importante na vida de cazuza como mãe, é
de autoria dela o livro em que se baseia o roteiro. Reginaldo faria também ganha destaque como João
Araujo, pai do cantor. Sua interpretação alterna entre a segurança paternal e a
surpresa ao ver o talento do filho desabrochar. Não poderia pensar em outra
pessoa para interpretar João Araujo senão Reginaldo faria.
Cadu Fávero que interpreta Roberto Frejat é um elemento
importante na narrativa, companheiro de banda do cantor e amigo é o único dos
integrantes da banda que se sobressai, embora às vezes seja posicionado
erroneamente como antagonista do cantor, o que não condiz com o real.
Leandra leal e Emilio de Mello são outros grandes destaques.
a primeira interpreta bebel Gilberto, grande amiga e parceira musical de cazuza
(brilhante a cena em que cazuza, bebel e dé palmeira, interpretado no filme por
Arlindo Lopes compõem a canção “Eu preciso dizer que te amo”, grande sucesso da
parceria entre bebel Gilberto e cazuza). Uma pena que não tenha tanto destaque
e tenha sua importância diminuída, mesmo assim Leandra se destaca com sua interpretação
marcante e rouba todas as cenas em que aparece.
Emilio de Mello interpreta “Zeca”, o produtor Ezequiel neves,
amigo e mentor de cazuza. Emilio da a Zeca energia e uma interpretação quase poética,
uma pena que às vezes Emilio oscila entra a energia e a poesia saindo tom e
tornando alguns momentos risíveis.
Infelizmente o filme peca em não se aprofundar em certos
aspectos e personagens como “Dani” Denise
Dumont, jovem com quem cazuza manteve um relacionamento e outros
integrantes do barão que não ganham o merecido destaque.
Analisando o filme como um todo, vimos que ele tem duas funções
primordiais: 1) serve como uma espécie de tributo a este talento que foi cazuza
2) apresentar a vida e obra do cantor às novas gerações. É um filme belo em sua totalidade, uma pena
que não possua profundidade na vida e obra do seu tema, fazendo do livro “Cazuza”-só
as mães são felizes, um bom complemento àqueles que fizeram a operação inversa
(primeiro assistiram o filme e depois leram o livro), contudo pode frustar
aqueles que leram a obra antes de assistir o filme, pelo motivo do livro ser
muito mais rico em detalhes e em profundidade.
Frase que encerra o filme ao som da música “Vida louca vida”
Emilio de Mello interpreta “Zeca”, o produtor Ezequiel neves,
amigo e mentor de cazuza. Emilio da a Zeca energia e uma interpretação quase poética,
uma pena que às vezes Emilio oscila entra a energia e a poesia saindo tom e
tornando alguns momentos risíveis.
Infelizmente o filme peca em não se aprofundar em certos
aspectos e personagens como “Dani” Denise
Dumont, jovem com quem cazuza manteve um relacionamento e outros
integrantes do barão que não ganham o merecido destaque.
Analisando o filme como um todo, vimos que ele tem duas funções
primordiais: 1) serve como uma espécie de tributo a este talento que foi cazuza
2) apresentar a vida e obra do cantor às novas gerações. É um filme belo em sua totalidade, uma pena
que não possua profundidade na vida e obra do seu tema, fazendo do livro “Cazuza”-só
as mães são felizes, um bom complemento àqueles que fizeram a operação inversa
(primeiro assistiram o filme e depois leram o livro), contudo pode frustar
aqueles que leram a obra antes de assistir o filme, pelo motivo do livro ser
muito mais rico em detalhes e em profundidade.
Frase que encerra o filme ao som da música “Vida louca vida”
O amor é o ridículo
da vida, a gente procura nele uma pureza impossível... que está sempre se
pondo,indo embora.
A vida veio e me levou com ela...Sorte é se abandonar e aceitar essa ideia de paraíso
que nos persegue..bonita e breve,como borboletas que só vivem 24 horas".
sábado, 31 de março de 2012
Quebrando o Tabu

A legalização e descriminalização é um assunto que precisa ser discutido e reavaliado. A discussão deste tema é o que se propõe o documentário Quebrando o Tabu dirigido por Fernando Grostein Andrade.
Âncorado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o filme busca apresentar alternativas de descriminalização e/ou legalização das drogas tomando como ponto de partida que as drogas sempre existiram e que a medida de combate adotado por alguns governos, sobretudo o brasileiro é falho.
Buscando entrevistar médicos, governantes e usuários de drogas nas mais diversas nacionalidades como a Holanda e Portugal que já evoluíram neste aspecto, cada um a sua maneira.
A âncora de Fernando Henrique Cardoso possibilita ao filme uma abertura para falar desse assunto polemico com pessoas importantes como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton entre outros.
Traçando um paralelo entre o uso de drogas, o trafico e a criminalidade, o filme aponta que a legalização enfraqueceria o tráfico e o comercio de armas , pois haveria controle no consumo.
Com depoimentos de personalidades como o escritor Paulo coelho e o medico Dráuzio Varella, o documentário ousa ao desmembrar as vertentes do problema, apresentando exemplos de soluções eficientes em países como a Holanda onde foi adotado o método de cofee shops, além de programas de reabilitação entre outros.
Apesar de inicialmente parecer uma idéia distante da nossa realidade, o documentário mostra que o primeiro passo para se começar a se pensar no assunto é exatamente ao que ele se propõe: O debate e a reflexão.
É questão de se botar na balança e constatar que as atitudes tomadas para tratar desse assunto são ineficazes. “Como bem diz no documentário:” utopia não existe” .
A direção de Fernando Grostein Andrade é ágil, conferindo ao filme um dinamismo muito interessante. A maneira com que conduz a narrativa no filme vai de acordo com os depoimentos e assunto abordado. Há sempre um elo de ligação entre os aspectos antecessor e sucessor, um excelente trabalho de direção e montagem.
Além de depoimentos, visita a favelas, coffee-shops e etc, o filme utiliza de animações sobre o surgimento das substancias ilícitas e imagens do movimento de contracultura por exemplo. Isto quebra o gelo inicial do espectador, que busca um ponto de identificação, ou como o titulo sugere “Quebra o Tabu“.
É importante salientar que o documentário em NENHUM MOMENTO faz apologia ao uso de drogas, apenas apresenta soluções alternativas para que a sociedade lide com o fracasso da guerra as drogas e abre espaço para a formação de opinião própia.
Concluo que o filme é antes de tudo necessário, sobretudo neste momento em que vivemos. A abordagem proposta por Fernando Grostein Andrade em seu filme é clara e objetiva, além disso, “Quebrando o tabu” coloca o diretor como um nome no qual devemos continuar prestando atenção, ele tem muito a dizer, ou melhor, a mostrar e não vai parar por aqui.
sábado, 10 de dezembro de 2011
When You´re Strange

O cinema tem a capacidade de eternizar as coisas.
Foi com esse pensamento que os integrantes remanescentes do grupo The
Doors, Ray
Manzarek, Robby Krieger e John Densmore, que junto com o diretor Tom Dicillo
produziram esta que foi planejada para ser a “Biografia definitiva” da
banda, ao contrario do
filme dirigido por Oliver Stone lançado em 1991, que acarretou
inúmeras críticas dos fãs e integrantes dos doors pela sua falta de
compromisso com o real.
O documentário começa de uma maneira inteligente:
um fã sósia de Jim ouve a noticia da morte de Jim no radio e logo a câmera
salta para uma sucessão de rápidas imagens da banda em ação terminando assim o
prólogo do documentário.
O documentário mostra todas as fases da banda,
desde o inicio quando Jim e Ray eram estudantes de cinema na UCLA, até o inicio
do sucesso repentino.
A narração de Johnny Depp torna tudo ainda mais
intenso por assim, quando ele diz “os anos 60 começaram com um tiro” para
evidenciar o contexto em que a banda se encaixava no momento em que surgiu: O
movimento da contracultura, movimento estudantil, a luta pelos direitos civis,
a guerra no Vietnã.
Trazendo imagens raras de entrevistas, bastidores e
apresentações, o diretor utiliza de montagem paralela para relacionar a
trajetória da banda com os acontecimentos sociais, afinal o The Doors foi à
banda de uma geração inteira da juventude dos anos 60 e todos os seus ideais.
O foco desse documentário é o The Doors enquanto
banda por isso suas vidas pessoais são pouco mostradas, apenas quando tem
alguma relação com o grupo.
A montagem paralela é usada frequentemente no
filme, seja para fazer um paralelo com o movimento de contracultura seja para
mostrar as noticias que o sósia de Jim ouve no radio sobre sua morte.
Composto de inúmeras imagens era natural que
houvesse uma “seleção” do que era seria destaque, para isso Tom Dicillo utiliza
a elipse de tempo, pois do contrario, a duração de uma hora e 25 minutos do
filme não seria suficiente.
O filme desconstrói os integrantes da banda como
mitos, especialmente Morrison, é fiel a realidade em todos os momentos, ao
contrario do filme de Oliver Stone que construiu uma versão caricata de Jim e
excluiu os demais integrantes da banda do filme, os colocando como “elenco de
apoio” na narrativa do filme.
Composto de ricas imagens de arquivos, bastidores,
performances ao vivo e gravação de discos, Tom Dicillo foi criterioso na
escolha das imagens, priorizando os mais importantes como a apresentação no Ed
Sullivan show quando após a banda sofrer uma tentativa de boicote na letra da
canção “Light my Fire”, devido ao trecho “Girl, we couldn't get much higher”
que em tradução seria: Garota não poderíamos estar mais chapados”, fazendo
alusão ao uso de drogas. Jim ignorou o pedido do apresentador e cantou a musica
exatamente como ela estava escrita, assim a banda foi banida do programa.
Outros momentos importantes retratados no
documentário que é impossível de destacar: os incidentes em Miami e Long
Island, sendo o de Miami o mais sério, pois Jim foi condenado por atentado ao
pudor e linguagem obscena.
O filme expõe sem pudores a fragilidade de seus
integrantes, os problemas de relacionamentos, o vicio em drogas etc.
O álbum “Waiting for the Sun”, que marcou um
distanciamento das origens da banda e houve a recusa do produtor em colocar o
poema musicado de Morrison “a celebração do lagarto” em um dos lados do disco.
Mais uma vez
Tom Dicillo utiliza a montagem paralela para visualizar o poema narrado por
Johnny Depp em off, alias, a narração de Johnny em todos os momentos é
absolutamente incrível, foi um grande acerto do diretor chamá-lo para ser o
narrador.
A restauração das imagens merece aplausos. Nem
parece que as imagens têm mais de 30 anos.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Análise fílmica : Beijos proibidos

Beijos proibidos (Baisers Volés) é um filme de 1968 dirigido
por François Truffaut, dando prosseguimento as historias do seu alter-ego
Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud). Historias estas que começaram a ser
retratadas no autobiográfico “Os incompreendidos” (Les quatre cents coups). Este é
o terceiro filme no qual o personagem Antoine Doinel é retratado, sendo
“L'amour à vingt ans (1962), Domicile conjugal (1970) e L'amour en fuite
(1979), os outros quatro filmes com o personagem.
Em “Beijos Proibidos”, Antoine Doinel (Jean-Pierre
Léaud) é expulso do exercito por indisciplina. Após ser expulso, Antoine vai
jantar na casa dos pais de Christine Darbon (Claude Jade), a jovem por quem
Antoine é apaixonado. Os pais de Christine lhe arranjam um emprego, no qual ele
não dura muito, e assim Antoine pula de emprego em emprego, sem ter certeza do
que deseja para sua vida, pois ele só cresceu por fora, pois por dentro
continua o mesmo jovem inconsequente de antes.
Truffaut começa o filme de uma maneira espetacular:
o movimento de câmera circular detalha Paris enquanto são exibidos os créditos
iniciais, tudo isso acompanhado por uma trilha sonora instrumental maravilhosa
(aliás, toda a trilha é de tirar o fôlego).
Após a apresentação dos créditos iniciais, o zoom
diminui, enquanto a câmera “entra” no exercito, com Antoine sendo dispensado de
seus serviços.
Truffaut utiliza os planos descritivos à exaustão,
sem que isso prejudique a qualidade do filme, pelo contrario só acrescenta.
O movimento de câmera panorâmica aparece em todo o
filme, com o intuito de acompanhar Antoine, sempre com a cidade de paris como
pano de fundo e é claro com a já citada trilha sonora que é maravilhosa.
A fotografia do filme é essencial para marcar as
mudanças na vida de Antoine. Enquanto o prólogo, créditos e a cena inicial são
permeados com cores escuras e com um aspecto obscuro, as demais cenas após sua
dispensa do exercito , são predominantes as cores quentes, com um aspecto mais
vivaz e colorido.
Um detalhe que não posso deixar de citar, o filme tem planos curtos no
geral e a maneira que Truffaut escolheu para saltar de uma cena para outra é
absolutamente incrível: ele escurece a tela por algum tempo e quando volta ao
“normal” já na cena seguinte. Certamente uma homenagem de Truffaut a época do
cinema mudo e uma alternativa inteligente.
Truffaut construiu mais um filme terno, envolvente
e cativante, com um personagem igualmente envolvente e muito bem desenvolvido,
Truffaut correu um risco alto a meu ver, afinal fazer varias continuações pode
cansar, mas não com um personagem riquíssimo como Antoine é impossível cansar.
Truffaut sabia como ninguém fazer um filme poético,
conseguiu manter o frescor daquele personagem que é seu alter-ego, Antonie
Doinel e que todos nós temos um pouco dentro de si. Além disso, fez um filme em
que tudo se encaixa perfeitamente como um quebra- cabeça é uma pena que seja
tão curto.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Análise Fílmica: Os Incompreendidos

Em seu primeiro filme de longa- metragem, François Truffaut buscou
referencias em sua própria biografia.
Em “Os Incompreendidos”
(Les quatre cents coups), Truffaut buscou contar a sua historia de vida, para
isso criou um alter- ego, Antoine Doinel, um jovem que como a própria
tradução já aponta é incompreendido principalmente por duas das
principais instituições da sociedade: A escola e a família.
O primeiro aspecto a ser analisado é a trilha
sonora, Truffaut utilizou da música incidental para criar uma
criar a atmosfera presente no filme durante grande parte do filme, este
elemento contribui para que os telespectadores embarquem no universo fílmico em
sua totalidade. A música acompanha o personagem principal de modo que podemos
observar outros elementos tais como a Montagem.
A utilizar a montagem narrativa linear, Truffaut permite
que conhecêssemos o enredo sobre a perspectiva do jovem Antoine (Jean-Pierre Léaud),
suas angustias e sentimentos.
Neste momento, Truffaut utiliza outro
artifício: O movimento de câmera panorâmica acompanha o protagonista,
descrevendo o ambiente em que ele se encontra.
Para evidenciar o sentimento de inadequação vivido
pelo protagonista, principalmente nas cenas ocorridas no ambiente escolar
neste momento é utilizada a câmera alta (plongeé) para demonstrar a
opressão de Antoine perante seu professor.
Outro momento em que esse recurso é utilizado é
quando a mãe de Antoine (interpretada por Claire Murier vai ao reformatório visitá-lo,
para dizer a ele que desistiu dele.
Por outro lado nas cenas em que Antoine aparece
cometendo pequenos delitos ou faltando aula, acompanhado pelo amigo René,
é utilizado a câmera baixa (contra-plongeé), com o intuito de
demonstrar o espírito livre e rebelde de Antoine.
A cena final é no mínimo instigante: Antoine foge
do reformatório, a câmera Panorâmica acompanha o seu trajeto,
até que ele entra no mar, brinca e o filme termina com Antoine “encarando”
o telespectador. É realmente uma maneira singular de terminar o filme.
Segunda parte da análise:
Incorporar e
entender os elementos:
O filme “Os Incompreendidos” é claramente uma
obra com um sentido emocional antes de tudo. Ele (O filme) arrebata o
espectador pela identificação com o universo fílmico e neste aspecto, a
música tem papel fundamental no sentido de que ela “Guia” o protagonista e
exprime através do som seus sentimentos e questionamentos.
Porém a música não trabalha sozinha, em conjunto
com a montagem (a organização da cena, os planos...) para alcançar o objetivo desejado.
A montagem neste caso é linear, o que permite que acompanhamos a vida de Antoine
em “tempo real”, a música então funciona como um “apoio” a montagem e
sobretudo ao enredo. A música é um dos principais (se não o principal)
responsáveis pelo processo de imersão do espectador no filme.
Com o espectador tendo comprado a idéia (assistir
ao filme) , é necessário ambientá-lo.
Para isso entra em ação o movimento de câmera panorâmica
que descrevendo os ambientes pelos quais Antoine passa
nos permite compreendê-lo com mais clareza.
Os ângulos de câmera plongeé e
contra-plongeé são utilizados para evidenciar os momentos de inadequação ,tanto
na escola , quanto na família (plongeé) e os momentos de liberdade ao lado do
amigo René . Assim conhecemos as “duas faces” da personalidade de Antonie :
por um lado um jovem “rebelde” por outro um adolescente comum a fim de
estabelecer laços.Todos estes elementos constituem juntos a beleza de “Os Incompreendidos”.
De modo geral podemos dizer que a trilha “nos
convida” a assistir , a montagem “nos arrebata” , os movimentos de câmera nos
introduz a historia e os movimentos de câmera nos geram compaixão e
carinho pela historia
.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A Fita Branca
Investigar as origens do nazismo. Esta é o tema proposto em “A fita Branca” (Das Weisse Band), dirigido por Michael Haneke.
O filme se passa em um pequeno vilarejo na Alemanha, onde tudo corria em “harmonia” até acidentes inexplicáveis começarem a acontecer. Digo “harmonia”, porque a violência já está presente, embora não seja explicita aos olhos dos outros.
O filme tem inicio quando o medico da região (Reiner Bock) sofre um acidente ao cair do cavalo, após se enroscar em um arame aparentemente invisível, o desaparecimento misterioso do filho do Barão (Ulrich Takur), Martin (Leonard Proxauf).
Enquanto isso o celeiro é misteriosamente incendiado e o filho do barão é encontrado com marcas de violência também sem explicação.
Acontece que todos esses acontecimentos são utilizados para desviar a atenção dos moradores para os atos cometidos por aqueles que para o povo estão acima de qualquer suspeita, O barão (Ulrich Takur) é um homem frio que acredita na violência como método de disciplina e o aplica sem dó nem piedade em seu lar e no trabalho.
O medico da cidade por sua vez mantêm um caso extraconjugal com a empregada e abusa sexualmente da filha Anna (Roxanne Duran), além de supostamente ter assassinado a falecida esposa.
Outro homem importante no vilarejo é o pastor (Burghart Klaussner) que sem empenha em garantir a pureza de seus filhos, em especial a de gustav (Thibault Série), quando este começa a se masturbar.
A única pessoa que parece enxergar a raiz dos mistérios acontecimentos é o professor de piano da cidade (Christian Friedel), porém suas teorias sobre o verdadeiro autor das atrocidades o levam a ser visto como um louco.
Com uma visível crítica ao moralismo aos métodos disciplinares, a força de trabalho entre outros infinitos assuntos constitui o panorama traçado pela “A fita Branca”, sobre o período anterior a primeira guerra mundial.
O diretor Michael Haneke tem o claro objetivo de nos provocar, e ele consegue isso no bom e no mau sentido e ele consegue isso. Seja pela fotografia em preto e branco que se revela perturbadora e irritante ao telespectador ou pelo ritmo monótono em que avança a narrativa cansando o telespectador propositalmente.
O fato é que Michael Haneke provoca tanto com o objetivo de causar reflexão, que não chega a lugar nenhum.
Ao colocar nas mãos do telespectador o compromisso de acreditar (ou não) na historia contada (como diz o narrador: “eu não sei se a historia que vou contar aconteceu mesmo” .) Michael Haneke instiga o espectador a descobrir a verdade , embora seus objetivos caiam por terra, quando provoca tédio no espectador com a forma de narrativa e artimanhas usadas e isso deve em especial a fotografia utilizada no longa : Escura demais.
Michael Haneke fez essa escolha para colocar a capacidade de condução do longa em seus atores. E ele realmente tem em “A fita branca” atores fortes, com uma densa capacidade dramática. Mas as brilhantes atuações não tiram a sensação de que a historia poderia ter tomado um rumo diferente (dramaturgicamente falando).
O final confirma todas as minhas suspeitas: não há clímax e muito menos uma resolução plausível. Ai eu me pergunto: Foi proposital deixar o fim entreaberto ou o diretor Michael Haneke deu tantas voltas que já não tinha mais pra ir.
A sensação que fica de “A fita branca” é que um tema que deveria ter tido outra abordagem, o tema delicado e interessante foi jogado fora.
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