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terça-feira, 2 de julho de 2013

O Clube dos Cinco








O diretor John Hughes foi o pai das comédias teens dos anos 80 e 90. Seus filmes tratam de diversos temas a cerca do universo adolescente como a questão do estereótipos e a divisão de alunos em diferentes grupos sociais como é o caso do clássico “O Clube dos Cinco”(“ The Breakfast Club”).

Cinco jovens de diferentes grupos sociais devem escrever um texto contendo mil palavras sobre quem vocês pensam que são”. O Problema é que eles não se conhecem mas no decorrer do sábado em detenção uma amizade nasce entre Brian(Anthony Michael Hall) , Andrew(Emilio Estevez), John Bender(Judd Nelson),Claire(Molly Ringwald) e Alisson(Ally Sheedy). Nesse período eles acabam vivendo muitas aventuras em meio ao ócio do ambiente escolar mas principalmente conhecendo a si mesmos.

Rodado inteiramente em plano sequencia , “O Clube dos Cinco” possui uma agilidade narrativa permeada pelo potente jogo de câmera de Hughes. Na primeira cena no interior da escola , o diretor utiliza um contra-plongeê com o claro objetivo de evidenciar o quão sufocante o ambiente escolar é para aqueles jovens. O uso do travelling e da panorâmica conferem uma dinâmica ao longa que narrativamente é muito preso a um só cenário(a escola).

Um dos acertos de Hughes na direção foi o fato de que ele conferiu ao longa uma direção coreografada porém orgânica o que permitiu que o elenco atuasse com naturalidade e com direito a improvisos sem ser maniqueístas. O fato do diretor colocar a câmera muitas vezes no rosto de seus atores permite a ele usufruírem desse artifício diretivo para expressar as angustias de seus personagens e o elenco as expressa com a verdade e naturalidade cênicas necessárias.


A música exerce aqui um papel de expressar as emoções dos personagens sem que eles falem,servindo de pano de fundo para a ilustrar o cotidiano daqueles personagens. A musica -tema do filme “Don´t You(Forget About Me) do Simples Minds  sintetiza os momentos pelos quais os jovens estão passando em detenção e naquela fase da vida.

O roteiro escrito pelo próprio John Hughes chama a atenção pela naturalidade com que descreve o universo adolescente o retratando de forma verossímil. A desconstrução dos estereótipos presentes no ambiente escolar repressor retratado é outro ponto positivo do roteiro de Hughes. E por fim, os diálogos criveis que se encaixam perfeitamente na narrativa são de uma simplicidade brilhante.

O elenco jovem atua de forma natural e convincente. Anthony Michael Hall(Brian), Emilio Estevez(Andrew), Judd Nelson(John Bender), Molly Ringwald(Claire) e Ally Sheedy(Alisson) possuem um entrosamento cênico admirável. Talvez pela aproxímidade dos atores com o universo retratado. Todo o jovem elenco evolui junto com os seus respectivos personagens desabrochando.

Um clássico “O Clube dos Cinco” trata de temas atemporais e universais. Com uma produção simples mas esmerada o longa afirma a capacidade de Hughes não só como diretor mas como porta-voz de gerações.

sábado, 25 de maio de 2013

21 and Over




Quando um filme faz sucesso é natural que se explore esse mesmo filão cinematográfico ao máximo transformando o filme em uma franquia, copiando ideias ou até mesmo fazendo versões. Esse é o caso de “21 And Over” versão juvenil de “Se Beber Não Case”.

Escrito e dirigido pelos roteiristas do primeiro filme da franquia estrelada por Bradley Cooper “21 and over” trata da premissa de um jovem Jeff Chang (Justin Chon) que acaba de fazer 21 anos e é praticamente intimidado pelos seus amigos Miller (Milles Teller) e Casey (Skylar Austin) a sair pra comemorar. O problema é que Jeff Chang precisa estar sóbrio e mentalmente capaz de realizar o seu exame de admissão de medicina na manha seguinte.

Vendido como “uma versão juvenil de “Se Beber Não Case” 21 and Over” é o primeiro trabalho á frente das câmeras dos roteiristas da famosa franquia de humor Jon Lucas e Scott Moore que também assinam o roteiro desse filme.

A inexperiência da dupla de diretores/roteiristas na direção cinematográfica é algo evidente durante todo o filme. Entretanto Jon e Scott primam pela agilidade apostando no frenesi cênico causado pelas aventuras dos três amigos possam conquistar o espectador.
Lucas e Moore fazem algumas tentativas ainda que tímidas de mostrar seus talentos como diretores. Essas tentativas se revelam falhas á medida que a dupla investe em alguns vícios diretivos como o uso exacerbado e sem sentido do slow motion com a clara intenção de dar um tom iminente de comédia ás cenas.

Se essa é a intenção da dupla de diretores devo dizer que eles atingiram seu objetivo, mesmo que ás custas das situações sem sentido na maioria das vezes. Investido na agilidade tanto cênica quanto narrativa, Jon Lucas e Scott Moore constroem seu filme (ainda que em uma base tão pouco sólida).

O roteiro de Jon Lucas e Scott Moore revela situações e piadas sem sentido, mas que pinceladas pelo talento da dupla ganha algum brilho sem capaz de provocar risos involuntários se você está disposto a rir de si mesmo.

A agilidade com que Jon e Scott conduzem as situações assim como os diálogos é algo realmente impagável (com destaque para as cenas da fraternidade latina). Os roteiristas conseguem construir uma narrativa divertida e envolvente que mais prima pela falta de noção de que pela coerência. Não é nada extraordinário nem que alcance um triz da genialidade de “Se Beber não Case”, mas ainda assim garante boas risadas. O melhor acerto da dupla está em construir a relação entre o trio protagonista. Pois, à medida que eles vão conhecendo as mudanças no velho amigo, conhecem a si próprios.

A música tem um papel de extrema importância em “21 and Over”, pois ela serve para a transposição do espectador para dentro da história servindo como pano de fundo além de ser responsável por grande parte do frenesi causado no espectador.

O trio principal Justin Chon (Jeff Chang), Milles (Milles Teller) e Casey (Skylar Austin) revela um entrosamento cênico além de um ótimo timing pra comédia. Justin, Milles e Skylar também se revelam atores despudorados ao não ter pudores e a habilidade de rir de si mesmos.

Poucos outros atores ganham destaque nesse longa além dos protagonistas. Dos que conseguem se sobressair podemos destacar Sarah Wright que interpreta Nicole a amiga descolada de Jeff Chang que é alvo da paixão de Casey (Skylar Austin). Sarah atua com graça e uma dose escrachada de sensualidade além, de possuir um talento natural para a comédia o que lhe garante algumas das melhores tiradas do filme.


Jonathan Keltz atua como Randy, o namorado de Nicole e a perfeita personificação dos valentões que encontramos no ambiente escolar. Keltz é responsável pelo antagonismo presente em “21 and Over” ainda que sua participação seja pequena infelizmente.

“21 and Over” é capaz de divertir o espectador que abandonar o senso crítico durante o filme. Á custa de uma comédia escrachada e sem sentido Jon Lucas e Scott Moore pouco mostraram á frente das câmeras nesse filme. Mas é justamente a inexperiência da dupla aliado a um roteiro que provoca risos involuntários e ao carisma dos protagonistas que garante o “plus” do filme. Não é nada engrandecedor no nível do primeiro “Se Beber não Case”, mas garante boas risadas se o espectador se permitir a isso.