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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ensinando a Viver


"Ensinando a Viver”(Martian Child, no original) é um belíssimo e emocionante filme, e certamente me inspirou a escrever sobre ele.

Inspirado no livro “ Martin Child” de David Gerrold o filme conta a história de um popular escritor de ficção cientifica, David Gordon(John Cusack – ótimo ) que ficou viúvo enquanto ele e sua esposa estavam no processo de adoção. Após dois anos , ele se vê encantado por uma criança com problemas de sociabilidade e acredita ser de marte, Dennis(Bobby Coleman). Juntos, eles aprendem a conviver um com o outro e superam as adversidades com o lema de “Nunca nunca nunca nunca nunca desistir”.

“Ensinando a Viver” é um filme tão perfeito e tocante que eu não sei por onde começar. Vou tentar dizendo que é bela a forma como o filme constrói e aborda a temática das diferenças e da aceitação sobre ser quem é através da relação de Dennis(Bobby Coleman) e David(John Cusack) e do fato do escritor sempre dizer pro filho ser ele mesmo.


A forma natural e comovente com que o roteiro aborda a relação entre David e Dennis é absolutamente linda.  Os atores demonstram química e entrosamento entre eles é encantadora. John e Bobby conseguem transparecer essa ligação para os personagens. O amor incondicional e aceitação são fatores abordados de forma muito naturalista no roteiro através das relações dos dois personagens. O fato de David(Cusack) abrir o coração para Dennis(Coleman).

É interessante mencionar as metáforas entisicas a narrativa. Através da relação entre David e Dennis são abordados temáticas importantes como aceitação, respeito as diferenças, relações familiares e principalmente afetivas.

Essas metáforas são tão bem colocadas na historia de maneira comovente através da relação afetiva entre os protagonista pela belíssima relação entre David e Dennis e pelo fato de David adentrar o “mundo marciano” de Dennis e não subjugá-lo. Pelo contrário, participar desse universo ativamente e assim se unir ao seu filho adotivo.

A questão da união afetiva entre pai e filho é colocada de forma sem igual. A maneira perspicaz e inteligente que Dennis coloca em xeque os ideais de David a respeito da ficção cientifica- sendo ela uma forma fantástica e metafórica da própria vida levando- o a reavaliar suas teorias é brilhante.


O filme trata das relações afetivas e familiares de forma incrível. E através dela observamos nas entrelinhas, a questão da incapacidade social, abandono, das formas de se relacionar com a perda, da imaginação como refugio , crenças.


É difícil dizer porque o filme me encantou tanto. Particularmente talvez porque trata da aceitação , do ser diferente, do ser diferente, do ser você mesmo e de nunca nunca nunca nunca desistir dos meus sonhos. É uma história sobre ser você mesmo e amor genuíno comovente. Façam um favor a vocês mesmos e se deixem emocionar por esse lindo filme.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Definitely Maybe: The Documentary




Em 2014, se comemora os 20 anos do álbum de estreia do Oasis , “Definitely Maybe” e como infelizmente não teremos uma turnê de comemoração, essa data não poderia passar em branco, o documentário sobre a produção do disco homônimo está sendo relançado.

Sinceramente, devo dizer que esperava mais de um documentário que está sendo relançado pra comemorar uma data tão emblemática para o rock mundial. O documentário é sim interessante para os fãs da banda pois reafirma a posição de renovação que o Oasis trouxe para a música e detalha a composição e produção do cd detalhadamente. Porém, se não fosse o fator curiosidade e nostalgia que assola os fãs da banda, o documentário poderia passar despercebido.

O documentário tem sim preocupação em ressaltar os bastidores da produção do álbum, as histórias por trás de cada música, ressaltando as dificuldades de produção e adaptação da banda ao estrelado mas não sai muito disso.

Sim, o diretor Dick Carruthers lança mão de preciosas imagens de arquivo e tal, deixando qualquer fã da banda empolgado. Mas Charruthers não ousa na estrutura do filme, se assemelhando a um simples documentário ou mais parecendo um talk show americano, onde os convidados respondem as perguntas mecanicamente.

Há sim, uma preocupação com a estética e a montagem do filme, no sentido de ilustrar os depoimentos com as imagens de arquivo e música mas, acaba sempre retomando aquele antigo formato padrão de documentários pautado em entrevistas que cansa.

O documentário conquista o espectador pela nostalgia (seu próprio formato e recursos utilizados evidenciam isto) mas entretanto não se preocupa em conquistar novos fãs. Talvez isso seja um reflexo da data de produção do filme(foi produzido em 2004, quando a banda ainda estava na ativa), por isso não há a preocupação de mostrar o trabalho da banda a uma nova geração.

Duas grandes sacadas do documentário são o de exibir o contexto musical/ cultural na época do lançamento do álbum. E de colocar os especialistas do mercado, equipe da banda e os –na época atuais integrantes Andy Bell e Gem Archer.

O filme também peca por não dar o devido espaço a Liam Gallagher, se centralizando no processo criativo de Noel. Dessa forma, o documentário se revela um retrato belo mas desigual ao não considerar da maneira correta a importância do vocalista.

Pois convenhamos, se Noel compôs as canções FODAS desse álbum, foi a INTERPRETAÇÂO de Liam que contribuiu para eterniza-las no imaginário popular. O diretor até tenta se redimir mais pro fim destacando a figura de Liam Gallagher, não é o suficiente para alguém da sua magnitude.

“Definitely Maybe: The Documentary” é curioso e interessante , mas é mais do mesmo.







segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes


Ronnie Von é um artista que sempre andou na contramão. Essa é a mensagem que o Documentário “Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes”  passa ao espectador. Um artista transgressor, ousado e principalmente vanguardista porém muito incompreendido.


O filme dirigido por Caco Souza remonta a carreira de Ronnie com uma atenção especial a sua fase psicodélica representada por uma trilogia de álbuns que tem ganhado o status de Cult com passar dos anos. Pautado em uma dinâmica interessante de entrevistas, fotos e vídeos de arquivo e performances musicais de Ronnie acompanhado pela banda “Os "Haxixins”. O filme possui uma dinâmica e estética muito particular e ai que mora a sua beleza.

Intercalando entre essas três vertentes (depoimentos, arquivo e performances musicais) o documentário reconstrói a carreira artística de seu biografado. Dessa maneira reforça a ousadia do cantor, seu pioneirismo em frente ao popular meloso da época da Jovem Guarda ao mesmo tempo desfazendo estigmas como a alcunha pela qual se tornou famoso “O Príncipe”. Essa ousadia é ressaltada pelo diretor de uma maneira muito sutil e recheado de muita música é claro.

O aspecto musical de grande relevância no documentário tem um viés de resgate. Resgate de uma carreira , de uma época de um artista que cavava um espaço a duras penas mas que vencia mesmo sendo alvo de preconceito pela sua origem burguesa , pela proposta musical que não se encaixava(era influenciado pelos Beatles em uma época de modismo exagerado). Ao mesmo tempo em que a música ilustra os depoimentos(aliás ela permeia todo o documentário como pano de fundo, uma ótima sacada) ela também  serve como uma maneira de o cantor resgatar sua carreira através das performances musicais do cantor acompanhado pela banda Os Haxixes.

O diretor Caco Souza soube orquestrar através de um excelente trabalho de montagem todas as fases de Ronnie em uma linha artística não cronológica. Ali é possível constatar através do farto material de arquivo e de depoimentos do próprio Ronnie e de artistas de calibre como Rita Lee e Arnaldo Saccomani a evolução e o sangue novo que o trabalho do cantor sempre tiveram. Fato que o levou a experimentar outros caminhos como a aproximação com o Tropicalismo e a disputa  entre Ronnie e a Jovem Guarda que se punham em lados opostos não só na televisão com programas concorrentes mas de estilo mesmo. O documentário é bem sucedido em demonstrar essa evolução de forma clara e sutil apoiando se principalmente no aspecto musical que ecoa no documentário e com suportes de riquíssimo valor- Os Depoimentos.

O filme não tem uma pegada saudosista de maneira nenhuma. Mas ai você me pergunta: “Ué mas ele não está revisitando a obra?” Sim ele está revisitando mas agora a sua obra possui outro valor e ele está revisitando com outro olhar. No fundo o documentário te convida a embarcar numa viagem psicodélica pela carreira do Príncipe.

“Quando Éramos Príncipes” é um filme honesto e sincero a altura da grandiosidade de Ronnie Von”       





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Eu Não Quero Voltar Sozinho


A adolescência é uma fase de descobertas e se você por ventura têm algum tipo de limitação essa fase se torna ainda mais complicada mas, ao mesmo tempo esse “terreno novo”proporciona um imenso paraíso de possibilidades.


As diferenças e as descobertas nessa fase da vida é o tema principal de “Eu Não Quero Voltar Sozinho” Curta Metragem de Daniel Ribeiro.

“Eu Não Quero Voltar” conta a história de Leonardo vulgo Léo(Guilherme Lobo) um adolescente cego que encara as dificuldades da vida com muita perseverança e otimismo. Léo têm em Giovanna(Tess Amorim) sua melhor e única amiga. Tudo muda com a chegada de Gabriel(Fábio Audi) um aluno novo que muda sua forma de ver o mundo.


O diretor Daniel Ribeiro possui um talento especial de abordar temáticas polêmicas com sensibilidade e destreza como no seu Curta anterior “Café Com Leite” sensibilidade essa que atinge níveis emocionantes e inspiradores.

Desenvolvendo a dinâmica entre os três protagonistas de forma gradual e suave Ribeiro centraliza sua história através do ponto de vista de Léo(Guilherme Lobo) e sua relação com os outros personagens. A dinâmica estabelecida entre eles –Léo , Gabriel e Giovanna constrói uma relação fraternal de amizade verdadeira entre os protagonistas ao mesmo tempo em que são personagens absolutamente humanos e criveis possuindo sentimentos como o ciúme e o amor por exemplo.

Construindo uma narrativa pura e simples Ribeiro aborda temas importantes nas entrelinhas como a descoberta da sexualidade , o ser diferente e a superação.
A abordagem da deficiência visual de Léo(Guilherme Lobo) é feita de forma absolutamente verdadeira,natural e com otimismo. Por exemplo, quando Gabriel(Fábio Audi) pergunta a Léo se ele sempre foi assim se referindo a sua deficiência visual e ele responde : “Assim como? Moreno ou cego?”. Esta frase sintetiza de certa forma a noção de igualdade social e do respeito as diferenças que o longa aborda. Importante salientar a forma brilhante que esses temas são abordados tanto a descoberta da homossexualidade quanto a deficiência de Léo(Guilherme Lobo). Esses temas surgem ou melhor brotam no Curta de maneira natural gradativamente – um excelente trabalho de construção de narrativa feito pelo diretor e roteirista Daniel Ribeiro.

Quanto a abordagem da deficiência visual de Léo(Guilherme Lobo) ela é feita de uma maneira muito crível,sem maniqueísmos e nenhuma abordagem panfletista pelo contrário a mensagem é passada através das entrelinhas de uma forma muito sensível e a trajetória de superação do personagem frente a suas limitações e descobertas é feita de forma natural e poética.

Pautando o filme em uma narrativa sensorial o filme abre espaço para inúmeras interpretações e simbolismos frente á delicadeza e naturalidade que os temas brotam na tela. No fim, é como se o diretor estivesse “convidando” o espectador a se auto descobrir junto com os personagens.

A trilha sonora reforça o aspecto emocional de descobertas por quais passa o personagem Léo(Guilherme Lobo) pela sua sexualidade e pelos novos sentimentos que surgem. Dando o tom das cenas, reforçando o aspecto poético ,lírico , romântico e fraternal que envolta a trama. As Canções “Beijo Roubado em Segredo” de Tatá Aeroplano e Juliano Polimeno e “Janta” de Marcelo Camelo e Malu Magalhães tem funções narrativas importantes na história servindo como pano de fundo para a trama e com funções narrativas exercidas em momentos do filme. Enquanto “Beijo Roubado em Segredo” sintetiza o filme sendo sua musica tema, “Janta” funciona como pano de fundo para um ponto de virada primordial no filme.

O trio de atores principais Guilherme Lobo(Léo),Fábio Audi(Gabriel) e Tess Amorim(Giovana) esbanja sintonia e entrosamento cênico  (ótima direção de atores de Daniel Ribeiro). O trio aposta muito em uma atuação refletida nos olhares e gestos do que propriamente na força do diálogo. A beleza aqui está no sub texto.


Me faltam palavras para descrever “Eu Não Quero Voltar Sozinho” mas eu vou tentar. É um Curta Metragem singelo, com uma história bonita repleta de simbolismos e significados. Não estou falando na beleza visual apesar de que neste quesito o filme não deixa nada a desejar mas da beleza da mensagem , da vida. Resumindo: É um filme que emociona , te faz refletir, te cativa e te deixa em êxtase puríssimo com sua forma bela e delicada de abordagem. E não para por ai, o curta será transformado em um longa intitulado “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”. Aguardaremos com ansiedade.

  
   
 Assista o Curta no Vídeo Abaixo:




         




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Lord Don´t Slow Me Down





Eu sou um grande fã do Oasis então quando eu descobri que existia um filme sobre a banda, assisti-lo virou questão de honra. “Lord Don´t Slow Me Down” acompanha a Banda na turnê do álbum “Don´t Believe the Truth”.


O documentário dirigido por Balilie Walsh assume uma postura observacional de adentrar com sua câmera indiscreta o cotidiano da banda e de quebra convida o público para ser seu convidado nessa jornada. Fantástico não? Imagine poder olhar pelo buraco da fechadura da sua banda preferida? Eu não sei vocês, mas a mim parece extremamente tentador.

É isso que acontece nesse documentário onde a banda versa sobre a evolução da sua música, os fãs , o sucesso e a sua dinâmica enquanto grupo principalmente na relação entre Noel e Liam Gallagher. Construído de maneira ágil o filme segue essa dinâmica frenética da turnê onde as entrevistas tem um espaço importante e é onde percebemos que a banda nos expõe seu intimo e nos permite adentrar momentos particulares como o aniversário de Liam e o ônibus da turnê por exemplo. O fato da própria banda assumir o controle acaba por resultar em um filme ágil e frenético. Assim os fãs são convidados a embarcar na viagem com a banda e a fazer parte dela.


O ponto de vista é uma questão importante no filme pois assim poderemos saber qual foi a impressão sobre aquele público além de ser ressaltada a sua importância na realização do que o Oasis se tornou. Os fãs são sem dúvida uma parte integrante do filme e para nós isso é extremamente gratificante saber que contribuímos para o Oasis ser o que é.

Mas o gratificante mesmo é presenciar o espetáculo catalisador que a banda nos proporciona no palco. É algo difícil de explicar é algo mágico , místico a química que os irmãos apresentavam em conjunto era algo impressionante, ali todas as diferenças eram colocadas de lado e eles se igualavam musica e fraternalmente, se tornavam um só.

A fotografia do filme é de uma beleza estética excelente. Tornando o filme dotado de um visual maravilhoso e da a impressão de que estamos diante de algo raro e precioso.

É um documentário totalmente aberto e disponível onde somos apresentados á pessoas que se expõe sem pudores como quando Liam e Noel falam sem amarras sobre seus desentendimentos inclusive recordando o passado. Ver Noel reconhecendo o talento de Liam e sua importância e ressaltando sua importância além de expressar sobre a natureza da relação afetiva que os une é de arrepiar. Bem que Noel poderia se lembrar disso e aceitar fazer uma reunião da banda ou até mesmo voltar como a banda em definitivo. Nós fãs iríamos amar e saltitar de felicidade não é mesmo.


Quem é fã gostaria de ter o seu dia “Quase Famosos” e acompanhar a sua banda? Todos eu imagino e mais saber como eles enxergam o tamanho sucesso que conquistaram. Isso fica evidente quando eles tocam em lugares como Hollywood e no Madisson Square Garden. Tópicos como “vocês imaginavam chegar até aqui?” e o que é ser um rockstar pra vocês”? se fazem presentes ressaltando a importância da banda no cenário musical mundial e quando eles chegam ao Japão e podem constatar que sua música realmente quebrou barreiras.

É de fato um privilégio acompanhar a banda nessa viagem, um deleite pra quem é fã assistir a isso e ser colocado do “lado de dentro” é algo impossível de descrever pois me faltam palavras para isso (aliás eu nem sei como consegui escrever esta resenha).


Eles bem que poderiam fazer a nossa felicidade e fazer nem que fosse uma turnê de reunião- e que passasse pelo Brasil evidentemente. Sobretudo porque em 2014 se comemora 20 anos do álbum de estreia da banda “Definitely Maybe”.

Eu amo Oasis pra mim eles são de uma categoria elevada. Suas canções transbordam de maneira visceral e atingem a alma. Infelizmente me faltam dons musicais para expressar a minha adoração pela banda então está resenha.



Obrigado por tudo Oasis e eu aguardo ansiosamente a sua volta pois a esperança é a ultima que morre. De um eterno e incondicional fã, Marcelo. 



domingo, 4 de agosto de 2013

West of Memphis




Em 1993 três adolescentes Jessie Misskelley, Damien Echols e Jason Baldwin foram presos acusados do assassinato de três jovens garotos em Memphis no Arkansas Christopher Byers, Steven Branch e Michael Moore. O júri condenou Misskelley, Echols e Baldwin a prisão pelo crime com base em teorias inconclusivas e estapafúrdias como ligação com o oculto por exemplo. Misskelley e Baldwin foram condenados à morte por prisão perpetua e Echols á morte por injeção letal.





A trilogia de documentários “Paradise Lost” produzida pela HBO e o livro “Devil´s Knot” da jornalista americana Mara Leveritt chamou a atenção da mídia e de celebridades como Johnny Depp e Eddie Vedder que passaram a colaborar na defesa do trio. Em 2010, após um longo período de pedidos de revisão do caso com base em novas evidencias um novo julgamento foi realizado libertando Misskelley, Echols e Baldwin após um acordo com o júri.

West Of Memphis reconstitui o caso desde seu principio com base em imagens de arquivo- algumas provenientes dos documentários da HBO. De certa forma “West Of Memphis” joga luz sobre o caso no sentido de que se concentra especificamente na falha judicial e nas provas antes inconclusivas.



Com um apuro investigativo o documentário tem seu foco nos documentos e na reconstituição das provas não do crime em si. O que eu particularmente achei uma escolha acertada, pois as cenas dos corpos já mostradas em “Paradise Lost” em demasia e aqui quando aparecem são tão dolorosas quanto.

O longa foca na figura de Demien Echols e é a partir dele que o filme se desenrola focando nas novas evidencias- ou seriam evidencias omitidas? do caso. Não só nos exames de DNA, mas também em relatos, fotografias, objetos e falso testemunho. O falso testemunho nos leva a uma reflexão profunda das consequências desse ato, mas também o que leva a este ato. Seria o poder intimidador das autoridades policiais? Seria a incapacidade da justiça ou o preconceito?

De fato inúmeros fatores contribuem para a reflexão e formação desse pensamento sobre quem seria o culpado- “West Of Memphis” nos aponta a Terry Hobbis como um possível culpado e nesse sentido se torna revelador ao evidenciar a personalidade daquele homem e os conflitos familiares dos quais aquele menino passava, mas também me leva a refletir sobre o quanto o uso da montagem e a existência de mise-en-scene me levam a formular essa linha de raciocínio. Veja bem, a inocência de Damien Echols, Jessie Miskelly e Jason Baldwin é algo inegável, mas a necessidade incessante de se apontar um culpado se torna maçante.

Os usos apropriados das imagens de arquivo bem como os dos depoimentos enaltecem o documentário de forma a constituir um panorama geral e mais aprofundado do caso. A maneira como é constituído – vide a montagem oferece aos espectadores clareza para aspectos antes mal explicados ou imperceptíveis do caso.

Esse documentário é mais abrangente e toma um aspecto quase que cientifico do ponto de vista jurídico abordando a evolução do caso ao longo dos anos. A forma que o documentário toma de estruturar suas bases em aspectos judiciais e não mais no filme em si permite que acompanhamos o desenrolar incessante dessa historia.
A maneira com que as evidencias é colocada tornam o caso um objeto de analise e avaliação do espectador. Pela primeira vez o caso ganha um documentário que o analisa de forma quase que inteiramente como um erro judicial e dessa forma acaba por deixar o crime bem como as fotos e reconstituições de lado –as exibindo somente quando necessário.

O uso dos depoimentos atrelado a imagens de arquivo e ao “tempo real” constrói um painel interessante que nos permite conhecer os diversos fatores desse caso que se tornou de comoção mundial. Por exemplo, de um lado penetramos através dos meandros que possibilitariam um novo julgamento e todos os pareceres que levariam a isto. Por outro conhecemos os defensores do trio através de entrevistas e depoimentos reveladores e extremamente humanos.

O documentário foi concebido com a clara intenção de ser o mais abrangente sobre o caso até então e cumpre seu objetivo. Mas “West Of Memphis” vai além: promove uma intensa discussão sobre as falhas no sistema judiciário não só o americano, mas mundial. E que este caso nunca seja esquecido para que injustiças como esta não voltem a se repetir.







Pra quem quer conhecer mais sobre o caso sugiro a leitura dos seguintes livros e artigos:







Ps: A Trilogia de documentários "Paradise Lost" está no youtube.

Ps2: O livro "Devil´s Knot" está sendo adaptado para o cinema em formato de ficção. O filme tem estreia prevista ainda para este ano. 










terça-feira, 16 de julho de 2013

Start Anew



Após a dissolução do Oasis em 2009 os irmãos Gallagher seguiram caminhos diferentes. Enquanto Noel formou o “High Flaying Birds” Liam em conjunto com os integrantes remanescentes Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock o Beady Eye.

Lançando o seu segundo disco intitulado “BE” em 2013 a banda ganhou o documentário de curta metragem “Start Anew” – mesmo nome de uma das canções do disco. Dirigido por Alex Hoffman.

O documentarista acompanha a banda durante a preparação e pré- divulgação do disco. Hoffman constrói nos 27 minutos do curta um terreno neutro para que a banda possa revelar seu intimo e demonstrar a sua qualidade artística. Hoffman acaba por realizar um panorama do processo criativo da banda.

É claro que as comparações com o Oasis é um tema recorrente do curta e os integrantes deixam clara a liberdade artística que existe na banda- ao contrario do Oasis onde Noel era possessivo e controlador.
Essa mesma liberdade que existe na banda é que o documentarista confere ao curta permitindo assim que os integrantes se expressem tal como são e falem sem rodeios sobre todo e qualquer assunto em um ambiente neutro e descontraído.

Hoffman tem uma opção interessante de não interferir no contexto do filme, sua presença ali é quase imperceptível e que faz toda a diferença no sentido que ele transmite o controle do filme para a banda e da ao espectador uma perspectiva “Backstage”.

O documentário retrata com notável agilidade a pré estreia do álbum e mais os ensaios, a harmonia entre os integrantes, sua ansiedade.

Um aspecto bastante resaltado em “Start Anew” é a diferença entre o Beady Eye e o Oasis e as inúmeras comparações que fazem entre as duas bandas. De fato são projetos bastante diferentes e o Beady Eye é uma banda muito mais evoluída musicalmente e há uma diferença gigantesca na sonoridade e nos riffs e acordes. É uma simbiose harmônica.

O dinamismo e o magnetismo imposto nas imagens em conjunto com a agilidade da montagem acabam por ressaltar a potencia e qualidade musical da banda, funcionando como um registro da sua evolução musical nos momentos que antecedem o lançamento do álbum.

Uma coisa que me impressiona em documentários musicais e em “Start Anew” funciona perfeitamente é o fato do fã ser uma parte integrante do filme para que possam ter todas as perspectivas dentro do filme.

Um fator reforçado pelo documentário é o que o Beady Eye é um projeto único de qualidade artística incomparável e certamente a banda tem uma sonoridade impressionante jamais vista antes. A experiência musical dos integrantes acabou por resultar em uma banda entrosada e com uma sonoridade visceral.

“Start Anew” acaba por se tornar um registro verdadeiro de uma banda que caminha em direção ao sucesso com sonoridade única buscando construir sua marca. Nunca olhar pros bastidores foi tão divertido.










segunda-feira, 4 de março de 2013

Foo Fighters:Back and Forth




O Foo Fighters é uma banda que nasceu da “Dor”. Da dor de Dave Grohl pelo fim do Nirvana (motivado pelo suicídio de Kurt Cobain em 1994) e pelas saídas dos outros representantes Nate Mendel e William Goldsmith de suas respectivas bandas. Tendo uma trajetória cheia de altos e baixos é natural que a banda tenha sua história contada em um documentário.

 É o que acontece em Foo Fighters: Back and Fourth dirigido por James Moll.
O filme é ancorado pelo Dave Grohl e retrata com veracidade o processo que levou ao Foo Fighters junto à reconstrução de seu vocalista como músico após a trágica dissolução do Nirvana.

O fato é que o Foo Fighters viveu em seus primeiros anos á “sombra” do Nirvana. A banda também sofreu inúmeras mutações internas até encontrar a química musical que tem hoje e todas essas “mutações” ocorreram aos olhos do público.

O diretor James Moll construiu uma narrativa intimista ao permitir ao espectador entrar na intimidade profissional e pessoal da banda sem restrições. Os integrantes se mostraram totalmente abertos ao expor seus conflitos musicais e inclusive pessoais. Moll se aproveitou dessa “abertura” dos músicos para traçar um panorama interessante do crescimento deles enquanto banda ao tentar encontrar o entrosamento musical e pessoal que os une hoje (o que acabou incluindo algumas trocas de integrantes).

O documentário é bem sucedido ao enfatizar as origens da banda liderada por Dave Grohl. Porém peca ao dedicar tempo excessivo da projeção nos bastidores profissionais da mesma, parecendo um “Big Brother” do Foo Fighters. Mas talvez, isso seja inevitável, pois a banda cresceu aos olhos do público (com todos os pós e contras que isso acarreta).
Mas não pense que “Back and Forth” é somente conflitos deixando a parte musical de lado, pelo contrario o filme expõe muito bem o processo criativo e inspirações para que o Foo Fighters acontecesse musicalmente falando.

Um aspecto muito bem evidenciado em “Back and Forth” é a liderança de Dave Grohl. Não só como frontman, mas também como uma espécie de diretor criativo. Somando isso ao grande talento e presença de palco de Grohl, foi realmente difícil para Dave aprender a dividir e a agir como uma banda, um grupo. Isso, por outro lado oprimiu os demais integrantes que frente ao talento incontestável de seu líder, precisaram encontrar seu lugar naquela dinâmica já pré-estabelecida por seu vocalista, ao mesmo tempo em que Dave aprende a fazer concessões.

O filme pode ter demorado a tratar especificamente do aspecto musical performático da banda, mas quando o faz compensa a demora excessiva. O diretor James Moll estabeleceu um dinamismo e uma abertura para que demais linguagens artísticas possam coexistir dentro do documentário, o que acabou conferindo ao filme uma vitalidade impressionante.

Ao expor a escalada gradativa da banda rumo ao topo, James Moll prepara o espectador para o verdadeiro espetáculo cênico que o Foo Fighters faz no palco. A banda liderada por Dave Grohl tem uma incrível presença de palco realizando sempre uma atuação visceral. Nesse ponto, o diretor imprime a grandiosidade da presença de palco do Foo Fighters em suas lentes.

O documentário permitiu ao espectador colocar os olhos sobre o “Buraco da Fechadura” da sua banda preferida ou conhecer suas origens (como foi o meu caso) e passar a admira-la. Entretanto, o documentário não traduz a banda e sua música na totalidade, mas certamente é um caminho para conhecê-los e entende-los.





























terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tropicália




O documentário Tropicália de Marcelo Machado sobre o movimento tropicalista no Brasil e sua difusão no mundo é puramente nostálgico.

Nostálgico no sentido do longa ser pautado nas ricas imagens de arquivo e nos depoimentos para formar um panorama de que foi este movimento de inovação artística e estética dos anos 60 que mais tarde faria frente à ditadura militar vigente na época.

O tropicalismo foi um movimento de inovação musical que dialogou com as demais artes: O cinema engajado de Glauber Rocha e o teatro experimental de Zé Celso Martinez Correa.

Desse modo, Glauber e Zé Celso ocupam um espaço importante no documentário para a devida contextualização da época ao espectador. O mesmo ocorre com o músico Rogério Duarte e com o maestro Rogério Duprat.

O documentário é fundamentado essencialmente na figura de Gilberto Gil e Caetano Veloso- os principais expoentes do movimento e também seus fundadores. Desse modo que eles guiam o filme.

A agilidade presente no longa, combinando muito bem com a efervescência cultural do movimento é resultado da câmera nervosa do diretor Marcelo Machado o que garante as sequencia um ritmo de frenesi.

Ao abordar os depoimentos, Machado prioriza o entrevistado de modo que ele protagonize aquele momento. Sendo assim, o diretor diminui o frenesi presente nas demais sequências, focalizando única e exclusivamente o entrevistado.

A fotografia de Eduardo Piagge merece destaque especialmente devido ao tratamento e reconstituição das imagens presentes no longa.

O tropicalismo eclodiu para todos os lados. Sendo assim, o movimento foi ganhando novos adeptos como Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa entre outros.

 O movimento teve seu ápice no festival internacional da canção (um dos melhores do longa, especialmente devido a performance excepcional e graciosa de Rita Lee). Ali, o tropicalismo deixaria sua marca na historia da musica brasileira.


O resultado do documentário é o de um registro fiel e esclarecedor, sem, entretanto se tornar didático, histórico sem se tornar antigo. Afinal, o tropicalismo deixou frutos que perduram até hoje e que fazem dele um movimento eterno na historia cultural do país.  







quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tropa de Elite 2 : O Inimigo Agora é Outro


Filme evoluiu em comparação ao primeiro filme tanto na proposta, narrativa quanto na construção dos personagens.





Em Tropa de Elite 2, a dedicação extrema do capitão nascimento (agora coronel) ao trabalho tem seus bônus e ônus. O bônus é que graças a uma operação malsucedida aos olhos da sociedade, mas bem sucedida aos olhos do governo. Tal fato lhe garante o cargo de subsecretário de segurança o que o coloca em posição melhor para defender o que acredita, mas lhe custa à relação com Mathias (André Ramiro) e principalmente a relação com a ex-mulher Rosane (Maria Ribeiro) e o filho adolescente Rafael (Pedro Van Held). O fato é que Rosane agora está casada com Fraga (Irandhir Santos), o antagonista de Nascimento tanto na vida pessoal quanto profissional.


Tropa de Elite 2 não é apenas uma simples continuação com a intenção de explorar um filão de destaque no cinema nacional. Pelo contrário. É uma evolução ao primeiro filme, tanto na proposta e temas abordados quanto na construção dos personagens. ( o que talvez tenha faltado ao primeiro filme).


É interessante observar alguns aspectos ali presentes. A questão do tempo na narrativa, à agilidade e a dilatação do mesmo (quando necessário). De fato tropa de elite é um filme ágil tal como foi o primeiro. A diferença aqui é que há uma maior preocupação com os diálogos e a humanização dos personagens (mérito dos roteiristas José Padilha e Bráulio Mantovani). A opção pela montagem paralela que percorre todo o filme com ênfase nas cenas de Fraga (Irandhir Santos) e Nascimento (Wagner Moura) reforça o antagonismo ideológico, mais do que pessoal presente entre eles.


A fotografia de Lula carvalho reforça o contraste entre a milícia e o lado honesto da policia representado por Nascimento (Wagner Moura). Se de um lado há um interessante jogo de luzes e sombras de outro há uma clareza visual representando Nascimento.


Colocar o filme sobre a perspectiva de nascimento conferindo a ele a figura do narrador contribuiu para humanizar o personagem de modo que entendemos suas razões por ele expor seus pensamentos.


  Aliás um dos principais motivos que tornou o personagem mais humano nessa sequência é o fato de que agora coronel Nascimento é pai. A relação atribulada que possui com o filho Rafael (Pedro Van Held). Dois personagens explosivos (cada um a sua maneira) que encontram na luta um elo em comum, uma forma de comunicação. A propósito a cena em que pai e filho lutam juntos expondo o amor e suas fragilidades já vale o ingresso tamanha emoção e verdade cênica transmitida pelos dois atores. É neste momento que Nascimento se permite sair da “casca” que se formou em torno dele mesmo e se expor sem armaduras. A química entre Wagner Moura e Pedro Van Held transcende a tela de modo que não é exagero apontar o jovem ator como a revelação do longa.



Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro evoluiu consideravelmente em relação ao primeiro filme. Não se tratando de uma simples sequencia feita por motivos comerciais. Pelo contrario é uma sequencia que tem razão de existir pela amplitude de temas que apresenta em seu enredo. É uma outra vertente desse tema tão rico, além do filme apresentar uma constante evolução no que diz respeito à estética, narrativa e construção de personagens. É um filme de contrastes temáticos e de extremo cuidado técnico e artístico. Só uma palavra pode exprimir o que “Tropa 2” representa: Perfeição.   



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pearl Jam Twenty




Dirigido por Cameron Crowe documentário em homenagem aos 20 anos da banda Pearl Jam funciona tanto como um tributo quanto conquista novos fãs.

 


Desde Elizabethtown (2005) Cameron Crowe não lançava um filme. O longo intervalo, porém resultou em uma volta tripla no ano passado em que Crowe lançou nada menos que três filmes - O longa de ficção “Nós compramos um zoológico” e os documentários “The Union” e “Pearl Jam Twenty” sobre a banda “Pearl Jam”.

 

Narrado pelo próprio Cameron Crowe, o documentário mergulha fundo na historia do grupo liderado por Eddie Vedder. O filme começa por narrar a breve trajetória da Mother Love Bone- banda que acabou devido ao falecimento de Andrew Wood.

 

O documentário narra os primordios do Pearl Jam a sua ascensão meteórica. Combinando entrevistas e imagens de arquivo.  Cameron Crowe realizou um documentário que atende a dois públicos: Para os fãs antigos funciona como um tributo (embora o filme possua uma linguagem atual em sua narrativa) e para os novos fãs é um intenso mergulho na historia da banda.

 

Um mergulho intenso e verdadeiro, diga-se de passagem. Estão presentes ali a camaradagem entre os integrantes, os problemas e o seu já conhecido ativismo, além da recusa de se tornar algo meramente comercial.

 

A opção de Crowe pela montagem paralela lhe permite fazer um painel passado-presente junto aos integrantes devido às imagens de arquivo e entrevistas.

 

Por falar em entrevistas, a escolha de Cameron Crowe de assumir a postura de entrevistador faz toda a diferença. Devido a sua relação próxima com os integrantes esta escolha parece natural e não mecânica como é comum ver em outros documentários.

 

A agilidade e o dinamismo- características da obra de Cameron Crowe estão aqui presentes, contribuindo para tornar o filme mais interessante visualmente do que já é por si só.

 

 

A escolha de Cameron Crowe de realizar um documentário próximo dos fãs (algo que o Pearl Jam respeita muito), tornando-os parte da narrativa do filme foi um grande acerto. O resultado é um documentário extremamente rico, por isso eu ouso afirmar que “Pearl Jam Twenty” é o documentário definitivo da banda.  

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Losers


 

 
O bullying sempre existiu, porém nos últimos anos ganhou a devida atenção. Trata-se de qualquer forma de exclusão, intimidação, violência física e psicológica. É mais comum ocorrer no ambiente escolar, porém pode ocorrer fora dele também.

 

Particularmente, o tema me desperta grande interesse pelo fato de que eu fui vitima de bullying (algo que deixei claro na minha crítica de Elefante, outro filme sobre o tema).

 

O curta metragem dirigido pelo grupo Everynone, apresenta uma série de jovens no ambiente escolar e em momentos de lazer, colocando em foco a exclusão e os atos dos bullys.

 

O curta utiliza-se da montagem paralela e da sucessão rápida de planos para demonstrar os atos de violência e intimidação.

 

 
Como o objetivo do curta é tratar o tema de forma realista e crível possível, a direção optou pela predominância de closes dos rostos dos atores durante os atos de violência física, verbal e psicológica, dessa forma coloca as potenciais vitimas em primeiro plano.

 

Um fato interessante é que durante as cenas de agressão verbal, o bully, não é colocado em foco, sua voz vem de fora de campo (talvez para evidenciar o poder agressor de simples palavras).

 

 

Concluindo, eu acredito que este curta cumpriu seu papel de alertar e fazer as pessoas refletirem sobre o problema (sem, entretanto ser didático). A qualidade do curta e a forma como o assunto foi tratado é de grande valia para conscientizar as pessoas para este problema.