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domingo, 12 de janeiro de 2014

Lenine- Isso é só O Começo




 Lenine é um artista plural. Poético , lírico e inquieto, o pernambucano está em um patamar artístico inclassificável tamanha é originalidade de sua obra. É essa originalidade e este ser único que o documentário “Lenine- Isso é só O Começo" retrata com extrema grandeza e fidelidade.


Dirigido por Bruno Levinson e ancorado pelo próprio Lenine que percorre uma viagem ao seu inicio e ao começar na vida artística e sua postura como homem e cidadão. Mas o documentário não fica refém dessa estrutura. Como seu protagonista o filme revela uma abrangência pois ao mesmo tempo que remonta a figura artística do cantor é um material precioso pela forma pulsante que as coisas estão ali colocadas.


Lenine nos oferece seu ser desbravador, assim como sua obra. Ele está lá inteiro , de corpo presente no filme dando-nos uma pequena amostra de seu lirismo e poesia impar. Poética e lírica aliás que são colocadas em sua obra como uma força da natureza. Abstrata mas muito palpável a alma.

O documentário foge de todos os padrões possíveis- não poderia ser diferente se tratando de Lenine. Com uma poética e energia pulsantes o filme se estabelece como esteio para o cantor desaguar seu experimentalismo poético abstrato seja por si próprio remontando e recordando sua carreira , seja seu “Eu” Homem tão presente na vida artística e vice versa, sendo impossível dissasociar suas “Personas” está tudo interligado e refletido.

Embora essencialmente autoral e puramente único(Pois a força lírica e performática que expressa é só dele) Lenine também é um artista propicio a encontros artísticos- e por que não dizer também espirituais já que como combustão explode artisticamente e cria verdadeiras obras primas mantendo-se sempre em ritmo de criação constante e aonde tudo(e todos) pode sinalizar o próximo passo. Nesse quesito destacam-se álbuns como “Baque Novo” e “Olho de Peixe”.


Destacando-se pela sua amplitude e abrangência( o que é de se elogiar dado ao formato um pouco restrito da faixa “BIS Docs” do canal BIS onde o documentário foi exibido) O Diretor Bruno Levinson dispõe desse espaço á Lenine ao mesmo tempo que subverte o formato convertendo a poesia lúdica e inebriante do cantor servindo como um palco pra onde Lenine pode transportar sua magia transformadora em forma de canção.







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Agenor- Canções de Cazuza


O cantor Cazuza deixou uma gigantesca obra musical. Não só aquelas gravadas por ele em carreira solo ou na época em que era vocalista do Barão Vermelho, composições suas que foram sucessos na voz de outros artistas. O fato é que o cantor deixou um imenso repertório de “B-Sides” canções pouco conhecidas mas de imenso valor artístico e afetivo.


Resgatar esse “lado B” do cantor tendo sua obra visitada(ou revisitada) pela nova geração essa é ideia do projeto “Agenor- Canções de Cazuza que visa revisitar a obra do cantor pela nova geração da cena independente. Esse documentário de Tatiana Issa e Guto Bessa é o registro dessa empreitada.

Concebido para registrar a experimentação que resultou nesse projeto que rendeu show e cd “Agenor- Canções de Cazuza” foge dos padrões de um documentário exibido exclusivamente na TV e também pela sua estrutura ousada fugindo dos padrões daquele esquema “entrevista- música- flashbacks”. Pelo contrário, os documentaristas não tem medo de registrar o ensaio, a experimentação daquelas canções pelos artistas, o treino, o encontro do timbre, a repetição até encontrar a perfeição. Essa repetição não cansa o espectador por dois motivos: Primeiro pela beleza da musicalidade das canções e pela grandeza artística de cada artista tentar encontrar a sua “voz” dentro da música de Cazuza mas principalmente pela montagem paralela que intercala esses artistas permitindo um mosaico mais abrangente e múltiplo da obra do cantor.


O filme tem um aspecto de resgate não só da memória cultural e artística do país através de uma figura de extrema importância mas também de resgate afetivo daqueles jovens procurando reconhecer suas lembranças da figura do cantor e o primeiro contato com a sua obra. O Filme tem esse viés de resgate , de tributo , de uma homenagem mas por outro lado também tem outras vertentes como apresentar outras facetas desconhecidas da obra de cazuza mas também um projeto ousado de expressão artística genuína e performática assim como redescobre canções do cantor com novas versões tais como “Gatinha de Rua,”Mais Feliz” e “Amor, Amor” por exemplo. Também é um projeto de multi plataforma engrandecedor que rendeu show e cd além do documentário.

A presença de Cazuza ecoa durante todo o documentário. Ele não está ali de corpo presente mas, a força de suas músicas é o que da vigor ao documentário e enaltece a grandeza do projeto encabeçado pela Jornalista Lorena Calabria e do DJ Zé Pedro.



Considero “Agenor- Canções de Cazuza” um excelente documentário por ser ousado e experimental mas, principalmente por prestar ao mesmo tempo um tributo ao um grande artista que merece todas as homenagens como apresentar outras facetas de sua obra.       



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes


Ronnie Von é um artista que sempre andou na contramão. Essa é a mensagem que o Documentário “Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes”  passa ao espectador. Um artista transgressor, ousado e principalmente vanguardista porém muito incompreendido.


O filme dirigido por Caco Souza remonta a carreira de Ronnie com uma atenção especial a sua fase psicodélica representada por uma trilogia de álbuns que tem ganhado o status de Cult com passar dos anos. Pautado em uma dinâmica interessante de entrevistas, fotos e vídeos de arquivo e performances musicais de Ronnie acompanhado pela banda “Os "Haxixins”. O filme possui uma dinâmica e estética muito particular e ai que mora a sua beleza.

Intercalando entre essas três vertentes (depoimentos, arquivo e performances musicais) o documentário reconstrói a carreira artística de seu biografado. Dessa maneira reforça a ousadia do cantor, seu pioneirismo em frente ao popular meloso da época da Jovem Guarda ao mesmo tempo desfazendo estigmas como a alcunha pela qual se tornou famoso “O Príncipe”. Essa ousadia é ressaltada pelo diretor de uma maneira muito sutil e recheado de muita música é claro.

O aspecto musical de grande relevância no documentário tem um viés de resgate. Resgate de uma carreira , de uma época de um artista que cavava um espaço a duras penas mas que vencia mesmo sendo alvo de preconceito pela sua origem burguesa , pela proposta musical que não se encaixava(era influenciado pelos Beatles em uma época de modismo exagerado). Ao mesmo tempo em que a música ilustra os depoimentos(aliás ela permeia todo o documentário como pano de fundo, uma ótima sacada) ela também  serve como uma maneira de o cantor resgatar sua carreira através das performances musicais do cantor acompanhado pela banda Os Haxixes.

O diretor Caco Souza soube orquestrar através de um excelente trabalho de montagem todas as fases de Ronnie em uma linha artística não cronológica. Ali é possível constatar através do farto material de arquivo e de depoimentos do próprio Ronnie e de artistas de calibre como Rita Lee e Arnaldo Saccomani a evolução e o sangue novo que o trabalho do cantor sempre tiveram. Fato que o levou a experimentar outros caminhos como a aproximação com o Tropicalismo e a disputa  entre Ronnie e a Jovem Guarda que se punham em lados opostos não só na televisão com programas concorrentes mas de estilo mesmo. O documentário é bem sucedido em demonstrar essa evolução de forma clara e sutil apoiando se principalmente no aspecto musical que ecoa no documentário e com suportes de riquíssimo valor- Os Depoimentos.

O filme não tem uma pegada saudosista de maneira nenhuma. Mas ai você me pergunta: “Ué mas ele não está revisitando a obra?” Sim ele está revisitando mas agora a sua obra possui outro valor e ele está revisitando com outro olhar. No fundo o documentário te convida a embarcar numa viagem psicodélica pela carreira do Príncipe.

“Quando Éramos Príncipes” é um filme honesto e sincero a altura da grandiosidade de Ronnie Von”       





sábado, 13 de julho de 2013

Especial: Filmes de Rock



Hoje dia 13 de julho se comemora o Dia Mundial do rock. A data foi assim intitulada em homenagem ao Live Aid um festival que contou com bandas como Black Sabbath, U2, Led Zappelin, Queen, David Bowie e The Who. Desde então, o dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock.

Pensando nisso elaborei um especial com filmes de rock. Afinal, o cinema e o rock tem uma relação muito próxima. A lista tem origem totalmente afetiva de filmes que eu gosto e queria compartilhar com vocês. E tem de tudo: Comédias, dramas, documentários.

Pra ficar mais fácil reduzi os muitos filmes ao “Top 10”

10) Escola de Rock (Rock of School, 2003)

Nesta comédia de 2003 Jack Black é Dewen Finn um guitarrista falido que se disfarça de professor em uma rigorosa escola preparatória para crianças (uma clara alusão ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”). Finn ao descobrir a aptidão musical das jovens crianças monta uma banda clandestina com a intenção de se apresentarem em um festival local. “Escola de Rock” é uma deliciosa e divertida comédia que mostra como a música pode ser um agente transformador na vida de qualquer pessoa.


Neste filme dirigido por Alan Moyle que dirigiu “Um Som Diferente” (que eu nunca achei pra assistir, portanto, se alguém quiser deixar um link nos comentários com o filme eu agradeço.) Somos apresentados a um grupo de jovens que trabalham em uma loja de discos ao mesmo tempo em que perseguem seus sonhos. Com trilha eclética e abrangente (Dishwalla, Coyote Shivers, The Cranberries) e com inúmeras referencias musicais como á musica “Crazy” do Aerosmith (que Liv Tyler que esta no filme protagonizou o clipe da música) e ao Alice In Chains. Também foi um dos primeiros filmes de muitos atores que hoje são estrelas como a própria Liv e Renée Zellweger) além de outros astros como Coyote Shivers e Debi Mazar- quem assistiu a série “Entourage” deve lembrar de Debi como a impagável assessora de imprensa Shauna.



Fazer um especial de filmes de rock e não citar um filme do Cameron Crowe é quase um crime. Por essa e por outras inúmeras razoes “Singles” está aqui. A ideia de Crowe foi realizar um filme sobre a cena musical de Seattle (que ele conhecia de perto devido ao seu trabalho como jornalista musical). A principio o estúdio foi contra a ideia, mas com a explosão do movimento grunge decidiram produzir “Singles” com uma trama sobre jovens solteiros que dividem um conjugado de apartamentos em Seattle (notaram onde os criadores daquela série medíocre chamada “Friends” chuparam a ideia? Só trocaram Seattle por NY) estes jovens vivem em meio à explosão da cena musical de Seattle. Filme representativo do estilo Grunge- o único eu acho e com uma trilha sonora perfeita que casa com o universo retratado e se tornou eterna mais até que o próprio filme. O filme conta com participações dos integrantes do Pearl Jam e Alice in Chains. A trilha absolutamente perfeita conta com bandas como os próprios pearl Jam e Alice in chains além do Soundgarden e Paul Westerberg que canta a música tema do filme “Waiting for Somebody”.



Após a cinebiografia de gosto e veracidade duvidosas dirigido por OliverStone. Os integrantes remanescentes dos Doors manifestarem a vontade de ter sua história novamente contada- dessa vez tendo um compromisso com a realidade dos fatos. O documentário narrado por Johnny Depp impressiona pelo tratamento das imagens de arquivo bem pela como condução narrativa que a narração de Depp confere ao filme. Vale resaltar que documentário abrange todos os integrantes da banda como um todo – ao contrário do filme de Stone que prioriza a figura mítica de Jim Morrison.


6) Alta Fidelidade (High Fidelity 2000)

Baseada no romance homônimo de Nick Horby “Alta Fidelidade” nos apresenta a Rob Gordon (John Cusack) um simplório dono de loja que leva um pé na bunda e resolve reavaliar sua vida amorosa elegendo um “top Five”- da mesma maneira que cataloga seus discos preferidos. O filme possui um excelente uso da metalinguagem e das trucagens fílmicas. A trilha é repleta de clássicos que seria injusto citar só uma. Atuação brilhante de John Cusack. Jack Black também esta nesse filme em outro papel impagável.



Acredite ou não Martin Scorsese tem raízes roqueiras. Tendo dirigido alguns documentários sobre rock como esse em que documenta um show dos Rolling Stones. Mas Scorsese fez mais: Matou a curiosidade de todo e qualquer fã dos Stones e abriu o behind the scenes revelando o processo de composição do documentário. Além de ricas imagens de arquivo. Excelente filme.



Quem se não Cameron Crowe seria capaz de produzir um documentário sobre o Pearl Jam? Só o Crowe mesmo. Produzido em comemoração aos 20 anos da banda o documentário revela a formação, os percalços além do sentido de muitas músicas, contextualizando assim o Pearl Jam como um dos principais responsáveis pela solidificação do Grunge. A longa amizade do diretor com os integrantes garante ao filme um aspecto de conversa intima.



Cinebiografia do cantor Cazuza. Demonstra de maneira ficcionalizada o inicio da carreira de Cazuza á frente do Barão Vermelho sua explosão como letrista e o inicio da sua carreira solo bem como o agravamento da AIDS – doença que colocaria fim a sua vida em 1990 aos 32 anos. O filme conta com atuações excepcionais de Daniel de Oliveira como Cazuza, Leandra leal como a cantora Bebel Gilberto amiga do músico, Emilio de Mello como o amigo e orientador Ezequiel Neves (Zeca) e Marieta Severo e Reginaldo Faria como Lucinha e João Araújo os pais do cantor.      



Se cazuza foi um símbolo do rock dos anos 80 Brasília foi o epicentro. Centrado na história de jovens bandas (na época) que influenciadas pelo punk inglês produziram letras de contestação política e social de bandas como Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana. Documentário possui uma direção ágil de Vladimir Carvalho. Maravilhoso.



Cameron Crowe resolveu compartilhar as suas vivencias no mundo do rock com seus espectadores com este filme eternamente delicioso e inspirador. O filme conta a história de William Miller alter-ego do diretor que como ele foi convidado a excursionar com uma banda a serviço da revista Rolling Stone no caso a fictícia Stillwater para publicar uma matéria na famosa revista musical. Eterno e inspirador com uma trilha formidável que vai desde Elton John com a inesquecível cena de Tiny Dancer no ônibus até os clássicos do The Who, The Allman Brothers e Led Zeppelin. Cameron Crowe marcou seu nome para sempre no coração dos fãs de boa musica e popularizou a expressão “Uncool”. Como não se identificar? Um Clássico moderno e inspirador.


Gosta de algum filme que não está na lista , um filme pouco conhecido? Deixe sua sugestão nos comentários
  

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tropicália




O documentário Tropicália de Marcelo Machado sobre o movimento tropicalista no Brasil e sua difusão no mundo é puramente nostálgico.

Nostálgico no sentido do longa ser pautado nas ricas imagens de arquivo e nos depoimentos para formar um panorama de que foi este movimento de inovação artística e estética dos anos 60 que mais tarde faria frente à ditadura militar vigente na época.

O tropicalismo foi um movimento de inovação musical que dialogou com as demais artes: O cinema engajado de Glauber Rocha e o teatro experimental de Zé Celso Martinez Correa.

Desse modo, Glauber e Zé Celso ocupam um espaço importante no documentário para a devida contextualização da época ao espectador. O mesmo ocorre com o músico Rogério Duarte e com o maestro Rogério Duprat.

O documentário é fundamentado essencialmente na figura de Gilberto Gil e Caetano Veloso- os principais expoentes do movimento e também seus fundadores. Desse modo que eles guiam o filme.

A agilidade presente no longa, combinando muito bem com a efervescência cultural do movimento é resultado da câmera nervosa do diretor Marcelo Machado o que garante as sequencia um ritmo de frenesi.

Ao abordar os depoimentos, Machado prioriza o entrevistado de modo que ele protagonize aquele momento. Sendo assim, o diretor diminui o frenesi presente nas demais sequências, focalizando única e exclusivamente o entrevistado.

A fotografia de Eduardo Piagge merece destaque especialmente devido ao tratamento e reconstituição das imagens presentes no longa.

O tropicalismo eclodiu para todos os lados. Sendo assim, o movimento foi ganhando novos adeptos como Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa entre outros.

 O movimento teve seu ápice no festival internacional da canção (um dos melhores do longa, especialmente devido a performance excepcional e graciosa de Rita Lee). Ali, o tropicalismo deixaria sua marca na historia da musica brasileira.


O resultado do documentário é o de um registro fiel e esclarecedor, sem, entretanto se tornar didático, histórico sem se tornar antigo. Afinal, o tropicalismo deixou frutos que perduram até hoje e que fazem dele um movimento eterno na historia cultural do país.  







sábado, 10 de dezembro de 2011

When You´re Strange



O cinema tem a capacidade de eternizar as coisas. Foi com esse pensamento que os integrantes remanescentes do grupo The Doors, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore, que junto com o diretor Tom Dicillo produziram esta que foi planejada para ser a “Biografia definitiva” da banda, ao contrario do filme dirigido por Oliver Stone lançado em 1991, que acarretou inúmeras críticas dos fãs e integrantes dos doors pela sua falta de compromisso com o real.

O documentário começa de uma maneira inteligente: um fã sósia de Jim ouve a noticia da morte de Jim no radio e logo a câmera salta para uma sucessão de rápidas imagens da banda em ação terminando assim o prólogo do documentário.
O documentário mostra todas as fases da banda, desde o inicio quando Jim e Ray eram estudantes de cinema na UCLA, até o inicio do sucesso repentino.



A narração de Johnny Depp torna tudo ainda mais intenso por assim, quando ele diz “os anos 60 começaram com um tiro” para evidenciar o contexto em que a banda se encaixava no momento em que surgiu: O movimento da contracultura, movimento estudantil, a luta pelos direitos civis, a guerra no Vietnã.

Trazendo imagens raras de entrevistas, bastidores e apresentações, o diretor utiliza de montagem paralela para relacionar a trajetória da banda com os acontecimentos sociais, afinal o The Doors foi à banda de uma geração inteira da juventude dos anos 60 e todos os seus ideais.
O foco desse documentário é o The Doors enquanto banda por isso suas vidas pessoais são pouco mostradas, apenas quando tem alguma relação com o grupo.
A montagem paralela é usada frequentemente no filme, seja para fazer um paralelo com o movimento de contracultura seja para mostrar as noticias que o sósia de Jim ouve no radio sobre sua morte.
Composto de inúmeras imagens era natural que houvesse uma “seleção” do que era seria destaque, para isso Tom Dicillo utiliza a elipse de tempo, pois do contrario, a duração de uma hora e 25 minutos do filme não seria suficiente.

O filme desconstrói os integrantes da banda como mitos, especialmente Morrison, é fiel a realidade em todos os momentos, ao contrario do filme de Oliver Stone que construiu uma versão caricata de Jim e excluiu os demais integrantes da banda do filme, os colocando como “elenco de apoio” na narrativa do filme.

Composto de ricas imagens de arquivos, bastidores, performances ao vivo e gravação de discos, Tom Dicillo foi criterioso na escolha das imagens, priorizando os mais importantes como a apresentação no Ed Sullivan show quando após a banda sofrer uma tentativa de boicote na letra da canção “Light my Fire”, devido ao trecho “Girl, we couldn't get much higher” que em tradução seria: Garota não poderíamos estar mais chapados”, fazendo alusão ao uso de drogas. Jim ignorou o pedido do apresentador e cantou a musica exatamente como ela estava escrita, assim a banda foi banida do programa.

Outros momentos importantes retratados no documentário que é impossível de destacar: os incidentes em Miami e Long Island, sendo o de Miami o mais sério, pois Jim foi condenado por atentado ao pudor e linguagem obscena.

O filme expõe sem pudores a fragilidade de seus integrantes, os problemas de relacionamentos, o vicio em drogas etc.

O álbum “Waiting for the Sun”, que marcou um distanciamento das origens da banda e houve a recusa do produtor em colocar o poema musicado de Morrison “a celebração do lagarto” em um dos lados do disco.

 Mais uma vez Tom Dicillo utiliza a montagem paralela para visualizar o poema narrado por Johnny Depp em off, alias, a narração de Johnny em todos os momentos é absolutamente incrível, foi um grande acerto do diretor chamá-lo para ser o narrador.
A restauração das imagens merece aplausos. Nem parece que as imagens têm mais de 30 anos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

1972



´´ 1972´´ , é um filme do Gênero romance lançado em 2006.

O filme conta a historia de Julia ( Dandara Guerra) , uma jovem jornalista de classe alta , que tenta emplacar uma materia sobre música no jornal onde trabalha, mas não é ouvida por sua editora , Dona Iracy(Luise Cardoso) .

Sua chefe lhe aconselha , a procurar um emprego onde ela tenha espaço para escrever sobre música.
Julia então aceita um emprego de secretaria e eventual jornalista freelancer de um jornal a beira da falência de seu amigo Guti (Lucio Mauro Filho) , para buscar inspiração , ela vai assistir ao documentario ´´ Gimme Shelter ´´ dos Rolling Stones , e lá ela conhece Snoppy ( Rafael Rocha) , um jovem musico de baixa renda , que sente os efeitos da ditadura militar na comunidade onde mora.
Esse primeiro encontro é abalado pela presença dos militares que proibem a exibição do filme. Julia procura snoppy para fazer uma materia sobre sua banda eles quase não escondem a atração que sentem um pelo outro , mas eles precisam enfrentar Monique( Débora Lamm), amiga de julia , que gosta de snoppy, mas sobretudo suas diferenças para ficarem juntos.

O roteiro é bem amarrado mas não traz inovaçoes. O filme merece destaque pela trilha sonora repleta de clássicos do rock e pelas referências musicais , além de destacar Dandara Guerra, Lucio Mauro filho e Rafael Rocha , que mostram segurança em suas atuaçoes.