Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Documentário. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Definitely Maybe: The Documentary




Em 2014, se comemora os 20 anos do álbum de estreia do Oasis , “Definitely Maybe” e como infelizmente não teremos uma turnê de comemoração, essa data não poderia passar em branco, o documentário sobre a produção do disco homônimo está sendo relançado.

Sinceramente, devo dizer que esperava mais de um documentário que está sendo relançado pra comemorar uma data tão emblemática para o rock mundial. O documentário é sim interessante para os fãs da banda pois reafirma a posição de renovação que o Oasis trouxe para a música e detalha a composição e produção do cd detalhadamente. Porém, se não fosse o fator curiosidade e nostalgia que assola os fãs da banda, o documentário poderia passar despercebido.

O documentário tem sim preocupação em ressaltar os bastidores da produção do álbum, as histórias por trás de cada música, ressaltando as dificuldades de produção e adaptação da banda ao estrelado mas não sai muito disso.

Sim, o diretor Dick Carruthers lança mão de preciosas imagens de arquivo e tal, deixando qualquer fã da banda empolgado. Mas Charruthers não ousa na estrutura do filme, se assemelhando a um simples documentário ou mais parecendo um talk show americano, onde os convidados respondem as perguntas mecanicamente.

Há sim, uma preocupação com a estética e a montagem do filme, no sentido de ilustrar os depoimentos com as imagens de arquivo e música mas, acaba sempre retomando aquele antigo formato padrão de documentários pautado em entrevistas que cansa.

O documentário conquista o espectador pela nostalgia (seu próprio formato e recursos utilizados evidenciam isto) mas entretanto não se preocupa em conquistar novos fãs. Talvez isso seja um reflexo da data de produção do filme(foi produzido em 2004, quando a banda ainda estava na ativa), por isso não há a preocupação de mostrar o trabalho da banda a uma nova geração.

Duas grandes sacadas do documentário são o de exibir o contexto musical/ cultural na época do lançamento do álbum. E de colocar os especialistas do mercado, equipe da banda e os –na época atuais integrantes Andy Bell e Gem Archer.

O filme também peca por não dar o devido espaço a Liam Gallagher, se centralizando no processo criativo de Noel. Dessa forma, o documentário se revela um retrato belo mas desigual ao não considerar da maneira correta a importância do vocalista.

Pois convenhamos, se Noel compôs as canções FODAS desse álbum, foi a INTERPRETAÇÂO de Liam que contribuiu para eterniza-las no imaginário popular. O diretor até tenta se redimir mais pro fim destacando a figura de Liam Gallagher, não é o suficiente para alguém da sua magnitude.

“Definitely Maybe: The Documentary” é curioso e interessante , mas é mais do mesmo.







sábado, 17 de maio de 2014

Teenage Paparazzo







Chocante, essa é a melhor definição pra minha reação ao assistir ao ótimo documentário “Teenage Paparazzo” dirigido pelo ator e diretor Adrian Grenier sobre a rotina do jovem paparazzo Austin Visschedyk de 13 anos na época do filme.

A ideia de Grenier de inverter os papeis e realizar um documentário sobre a rotina do jovem foi ousada e perigosa. Ao mesmo tempo, em que subverte os papeis e se permite adentrar a rotina do garoto com uma relação completamente livre e não invasiva, embora a idéia a principio possa parecer exibicionista de utilizar a sua posição de “celebridade” para conseguir contato e uma relação profissional e pessoal com o seu entrevistado o diretor acaba por desconstruir qualquer imagem de superioridade que o seu status social possa lhe conferir. É impossível não fazer uma relação entre a figura do ator de Grenier e o interesse que provoca no público (em especial no jovem Austin).

“Teenage Paparazzo” é um documentário ousado pela sua proposta de retratar o cotidiano de uma figura no mínimo singular dessa “indústria da fama”, mas, sobretudo porque possui muitas nuances, o que o torna um material de análise extremamente rico do papel da mídia no momento atual. Grenier, não se preocupa apenas em registrar a rotina do jovem paparazzo-em um delicado trabalho de imersão- o que lhe permite entender o seu ator social mas sobretudo, ele quer chegar a raiz da questão e analisar todas as camadas que a amplitude do tema lhe permite.

Sendo assim, o diretor da voz a celebridades, profissionais da mídia e historiadores para entender a questão por diferente viés.

É notável e admirável a preocupação de Grenier em construir um documentário de valor e não somente um retrato fútil da indústria das celebridades. Sua preocupação em conhecer as diferentes vertentes daquele universo, torna seu documentário um material de riqueza imensurável, um estudo sociológico de primeira linha, pois “Teenage Paparazzo” não é só um documentário sobre a vida do paparazzo adolescente Austin Visschedyk mas é sobre as diferentes visões e perspectivas sobre a cultura da fama, o filme é sobretudo um estudo sobre o comportamento humano.

Grenier fez escolhas que enriquecem a discussão em torno de seu documentário. Uma delas é o fato de não julgar e sim tentar entender o jovem Visschedyk. Granier vai fundo na compreensão da magnitude e porque não dizer dignidade daquele trabalho. Explorando todas as vertentes, o diretor busca explorar não só o cotidiano daquele jovem mas também a relação entre os artistas e esses profissionais, o viés histórico dessa cultura e o sua própria representação naquela indústria.
Particularmente, eu nunca imaginei  que esse documentário fosse mudar tanto a minha perspectiva sobre essa industria. Eu tenho curiosidade como todo mundo mas o “famous for being famous” me incomoda um pouco ao mesmo tempo em que atiça a curiosidade.

O documentário é dirigido de maneira exemplar por Adrien Granier que subverte a todo o momento a sua própria relação enquanto diretor com o seu ator social Austin Visschedik construindo uma relação fraternal de amizade entre eles e principalmente nos momentos em que Granier derruba qualquer linha que possa separar ele de Visschedik quando se propõe a duas experiências no mínimo bizzaras. Granier não se contenta em apenas acompanhar a rotina de Visschedyk e seus colegas de profissão mas quer estar na pele deles. Pra isso Grenier se disfarça de paparazzo, o acaba lhe permitindo ter um outro olhar sobre toda aquela situação. Em outra situação Grenier após entrevistar seus colegas de elenco da série “Entourage” e constatar que muitos deles foram vitimas de boatos, Granier ao lado de Paris Hilton se propõe a criar um falso boato de um possível relacionamento entre os dois e acompanha a relação da industria e do próprio jovem paparazzo a noticia.

Essa intenção de compreender o mecanismo da indústria e não exercer julgamentos estando do outro lado constitui muito da riqueza de “Teenage Paparazzo”. O que Adrien Granier se propõe aqui é provocar uma reflexão em torno dessa temática tão em voga nos dias de hoje.

O retrato dessa cultura das celebridades e toda a indústria em volta dela, bem como a posição das próprias ditas celebridades-artistas não os “famous for being famous” assim como a dos profissionais da indústria, promovendo discussões sobre o direito a privacidade e direitos e deveres de cada um nessa indústria. O filme nos leva a questionamentos muito pertinentes como “será que por ser artista, eles são obrigados a se permitir ser invadidos a todo o momento. Onde começa o trabalho do paparazzo e termina o respeito com o outro. Todas essas e muitas questões fazem de “Teenage Paparazzo” um documentário muito rico na amplitude de sua abordagem e nem um pouco vazio como a temática  poderia ocasionar em um diretor sem sensibilidade e habilidade.
Porém, sensibilidade e habilidade Adrien Granier tem de sobra . Revelando uma faceta desconhecida(ao menos pra mim) a de cineasta. Granier revela-se tão talentoso como diretor quanto é como ator. O fato é que Adrien Granier conseguiu ir além e fazer de “Teenage Paparazzo” um documentário com viés crítico sem entretanto esboçar julgamentos. A crítica aqui é realizada através da reflexão, sendo o documentário capaz de mudar a perspectiva sobre a cultura das celebridades.







domingo, 9 de fevereiro de 2014

Um Dia na Vida


Um dos últimos documentários de Eduardo Coutinho é uma experiência ousada, provocadora e rara. Isto porque “Um Dia na Vida” trata-se do registro de Coutinho da programação da televisão brasileira.


Concebido como fonte de pesquisa para outro filme “Um Dia na Vida” tomou vida própria e foi quase que condenado ao anonimato devido a questões de direitos de imagens. Mas se você me pergunta o que há de tão provocador e ousado em uma simples registro aleatório da programação. E eu lhe digo que a resposta está na intenção de Eduardo Coutinho e na sua proposta de registrar e constatar a “qualidade” da nossa TV. A forma com a qual Coutinho seleciona e monta o que retratar(pois é obvio que houve uma edição de  material para caber na 1h e35mn de filme) expõe um alegorismo e voyeurismo nosso de cada dia.

 Mas as imagens ali presentes pareciam ter uma razão obvia de estar ali. Coutinho parecia querer nos dizer algo a selecionar programas de gosto duvidoso e muitos com a tarja de “sensacionalista” como “Balanço Geral” , “Brasil Urgente” e “Márcia” e momentos non-sense como Ana Maria Braga tocando Guitar Hero. O diretor ao selecionar esses momentos parecia querer provocar questionamentos de quem por ventura fosse assistir esse material. Questionamentos da percepção da qualidade do que assistimos diariamente. Ao mesmo tempo que gostaria de provocar uma reação no telespectador médio, Coutinho também se vê anestesiado e provocado pelo material que assiste. Posso imaginar Coutinho , um homem de tanta cultura abismado ao presenciar a alegoria vergonhosa que assola a nossa TV aberta(com raras exceções).

É difícil saber o que o diretor pretendia ao elaborar esta experiência fílmica de gosto duvidoso (pelo seu conteúdo puramente asfixiante na maioria do tempo e não pela proposta enriquecedora de Coutinho em compreender este meio de comunicação universal que é a televisão. Há um despudor na seleção do material seja pelas pegajosas e insistentes ações de merchandising que toma conta da nossa TV, pelos programas sensacionalistas e policiais ou por aqueles de cunho religioso que se proliferou como água nos últimos anos e que tenta a todo o custo “doutrinar” o telespectador.

O fato de Eduardo Coutinho um documentarista que há meu ver, flertou com outras mídias em seus trabalhos(“Jogo de Cena” utiliza a dramatização teatral e “Edifício Master” se aproxima da estética confessional dos Realitys Shows). Nota-se uma necessidade do cineasta em compreender esse mecanismo poderoso que é a televisão ao mesmo tempo em que fica estapafúrdio na sua constatação do material exibido.
O telespectador embarca em uma “Bad Trip” televisionada que pode ser comparada a sensação de prisão que temos ao ler 1984 de George Orwell pela constatação de somos reféns de um “sistema”. Sistema enganador, cultural, non-sense ou burro como a banda Titãs canta na música “Televisão” do álbum homônimo.


“Um Dia Na Vida” foi fruto de uma pesquisa de Eduardo Coutinho fez para um documentário nunca realizado, acredito que o diretor percebeu o potencial que tinha nas mãos ao conferir o material e assim viu a possibilidade de estreitar relações e dialogar com o panorama da TV atual. Uma experiência fílmica riquíssima, é difícil apontar qual a real intenção de Eduardo Coutinho ao realizar esse filme e infelizmente nunca vamos saber ao certo, por razão de seu recente falecimento(motivo dessa crítica homenagem) mas, acredito que o cineasta gostaria de provocar uma reação em torno do que consumimos artisticamente.  




domingo, 12 de janeiro de 2014

Lenine- Isso é só O Começo




 Lenine é um artista plural. Poético , lírico e inquieto, o pernambucano está em um patamar artístico inclassificável tamanha é originalidade de sua obra. É essa originalidade e este ser único que o documentário “Lenine- Isso é só O Começo" retrata com extrema grandeza e fidelidade.


Dirigido por Bruno Levinson e ancorado pelo próprio Lenine que percorre uma viagem ao seu inicio e ao começar na vida artística e sua postura como homem e cidadão. Mas o documentário não fica refém dessa estrutura. Como seu protagonista o filme revela uma abrangência pois ao mesmo tempo que remonta a figura artística do cantor é um material precioso pela forma pulsante que as coisas estão ali colocadas.


Lenine nos oferece seu ser desbravador, assim como sua obra. Ele está lá inteiro , de corpo presente no filme dando-nos uma pequena amostra de seu lirismo e poesia impar. Poética e lírica aliás que são colocadas em sua obra como uma força da natureza. Abstrata mas muito palpável a alma.

O documentário foge de todos os padrões possíveis- não poderia ser diferente se tratando de Lenine. Com uma poética e energia pulsantes o filme se estabelece como esteio para o cantor desaguar seu experimentalismo poético abstrato seja por si próprio remontando e recordando sua carreira , seja seu “Eu” Homem tão presente na vida artística e vice versa, sendo impossível dissasociar suas “Personas” está tudo interligado e refletido.

Embora essencialmente autoral e puramente único(Pois a força lírica e performática que expressa é só dele) Lenine também é um artista propicio a encontros artísticos- e por que não dizer também espirituais já que como combustão explode artisticamente e cria verdadeiras obras primas mantendo-se sempre em ritmo de criação constante e aonde tudo(e todos) pode sinalizar o próximo passo. Nesse quesito destacam-se álbuns como “Baque Novo” e “Olho de Peixe”.


Destacando-se pela sua amplitude e abrangência( o que é de se elogiar dado ao formato um pouco restrito da faixa “BIS Docs” do canal BIS onde o documentário foi exibido) O Diretor Bruno Levinson dispõe desse espaço á Lenine ao mesmo tempo que subverte o formato convertendo a poesia lúdica e inebriante do cantor servindo como um palco pra onde Lenine pode transportar sua magia transformadora em forma de canção.







segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Live Forever: The Rise and the Fall of Brit Pop



Eu sou muito fã do Oasis em especial de Liam Gallagher. Mas apesar de considerar o Oasis não só uma grande banda, mas também a última banda de rock genuína em muito tempo (posto que a meu ver só seria desbancado pela Beady Eye (a banda liderada por Liam Gallagher após a dissolução do Oasis) Eu nunca havia relacionado à sua musica a fatores sócio-culturais até assistir o documentário “Live Forever: The Rise and the Fall of Brit pop dirigido por John Dower.

O filme remonta o surgimento do que convencionou a chamar de “ BritPop”. Através de um excelente material de arquivo, entrevistas e, sobretudo munido de elementos visuais e sonoros impactantes o documentário reconstrói o surgimento desse movimento pelo nome de duas bandas- Oasis e Blur que se colocaram em lados sociais opostos do ressurgimento da música britânica após o apogeu do grunge nos EUA.

O documentário reafirma essa rivalidade social que havia na música das duas bandas. O Oasis representava a classe trabalhadora e o Blur a burguesia. Mas por debaixo dos  panos havia uma mudança política acorrendo com a saída de Margareth Thatcher o que significava uma mudança e a musica dessas duas bandas representou para as suas respectivas classes a esperança do novo.

O Oasis talvez tenha uma amplitude e aceitação maior porque surgiu em um momento  caótico para a musica mundial após o suicídio de Kurt Cobain e a carência de um novo ídolo genuíno e não pré-fabricado como  o blur era- e ainda é.

O documentário evidencia de forma ágil ou melhor dizendo frenética o surgimento dessas bandas bem como o crescimento da popularidade delas (a medida que sua rivalidade aumentava sendo reforçada pela mídia).

A explosão do movimento se deu quando Oasis e Blur resolveram lançar singles no mesmo dia. Os singles “Roll with it” and Country House respectivamente. Tal fato condicionou as duas bandas a uma posição de dominância do mercado  e acabou colocando todas as outras bandas em compasso de espera ao não tomar partido nessa “Batalha do Brit pop”.

O documentário relaciona o britpop com fatores externos(políticos , sociais e culturais) mas o que faz de “Live Forever: The Rise and the Fall Of Brit pop” é a desconstrução do formato documental engessado. O filme traça um panorama do movimento de forma ágil , utilizando elementos visuais e sonoros em abundância. O filme possui  um ritímo, uma energia vibrante  que pulsa sendo muito bem costurado resultando não só em panorama do movimento mas em um filme cheio de energia vibrante.





Os tempos áureos do Britpop acabaram ou só estão renascendo? Está é a pergunta que fica no final desse ótimo documentário que apesar de ser muito bem costurado como falei anteriormente peca por ser inconclusivo e não abordar o movimento inteiramente.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Elena




Acabo de assistir á “Elena” documentário de Petra Costa sobre sua irmã Elena Andrade e ainda estou em transe, me faltam palavras para definir o que acabei de assistir mas enquanto eu remonto o filme na minha cabeça eu vou ao menos tentar defini-lo.


Primeiro Petra você foi de uma coragem absurda ao remontar o seu passado, foi um exercício de superação extremo que eu não sei se eu seria capaz. Só pela sua coragem Petra você já merece elogios.

Mas “Elena” é mais. Enquanto filme “Elena” é um resgate e uma descoberta. Um resgate pra você enquanto Irmã e diretora e uma descoberta pra você enquanto Irmã e para nós espectadores.

A forma como você abre o seu baú de memórias no documentário convertendo-o á material fílmico é fascinante. Mais fascinante ainda é a maneira como você mantêm o espectador inerte a essa história (por essa inércia e por esse êxtase encontro dificuldades de “remontar” o filme na minha mente nessa hora em que escrevo as minhas impressões sobre o filme.

Petra você coloca o espectador em um “salto no escuro” do seu poderoso baú de memórias sobre Elena ou será sobre você mesma. Tem momentos em que a persona de uma se misturam e eu realmente acredito que contar a história de Elena você está contando sua própria historia de vida também.

Sobre o “Salto no escuro”, sua narrativa fílmica evolui de forma imperceptível desse modo, o espectador perde a noção do tempo e do espaço fílmico e quer saber? Pouco importa pois quando nós aceitamos embarcar nessa viagem de conhecimento sobre essa figura mítica que é Elena sabíamos que seria uma viagem indescritível só que eu não imaginava que iria mergulhar numa viagem dentro de mim mesmo.

“Elena” é um filme de sonhos e sobre a trajetória da sua protagonista Elena Andrade, uma jovem determinada cheia de sonhos. É também um filme sobre duas irmãs que se conectam pela força dos laços que as une através de uma viagem.

Sabe Petra, eu também tenho o sonho de me tornar ator. Ator e Cineasta assim como você. Estudei interpretação na infância e adolescência e entrei na faculdade de Cinema para melhorar as minhas críticas e atuar nas produções da faculdade. Acabei me apaixonando pela arte cinematográfica como um todo. Mas como Elena eu estou sempre em busca de MAIS e com a mesma determinação que a da sua querida irmã eu tenho certeza que vou conseguir.

Assim como você Petra também uma viagem que me conectou novamente a minha irmã Roberta que eu amo de paixão por tudo mas principalmente pela garra dela assim como eu tenho certeza que você amava sua querida irmã Elena também pela determinação dela.


Desculpe ficar falando de mim na crítica do seu filme Petra, mas acontece que “Elena” me proporcionou uma experiência como um espelho pra dentro de mim mesmo. É isso, essa é a definição para o seu filme: “Elena” é um espelho pra dentro da sua história e pra dentro de nós mesmos.


Eu só tenho a agradecer Petra pelo seu filme belíssimo, pela transformação que ele me provocou , pela sua generosidade em partilhar sua história conosco. Seu filme foi á faísca de coragem que me faltava para também contar a minha história.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes


Ronnie Von é um artista que sempre andou na contramão. Essa é a mensagem que o Documentário “Ronnie Von- Quando Éramos Príncipes”  passa ao espectador. Um artista transgressor, ousado e principalmente vanguardista porém muito incompreendido.


O filme dirigido por Caco Souza remonta a carreira de Ronnie com uma atenção especial a sua fase psicodélica representada por uma trilogia de álbuns que tem ganhado o status de Cult com passar dos anos. Pautado em uma dinâmica interessante de entrevistas, fotos e vídeos de arquivo e performances musicais de Ronnie acompanhado pela banda “Os "Haxixins”. O filme possui uma dinâmica e estética muito particular e ai que mora a sua beleza.

Intercalando entre essas três vertentes (depoimentos, arquivo e performances musicais) o documentário reconstrói a carreira artística de seu biografado. Dessa maneira reforça a ousadia do cantor, seu pioneirismo em frente ao popular meloso da época da Jovem Guarda ao mesmo tempo desfazendo estigmas como a alcunha pela qual se tornou famoso “O Príncipe”. Essa ousadia é ressaltada pelo diretor de uma maneira muito sutil e recheado de muita música é claro.

O aspecto musical de grande relevância no documentário tem um viés de resgate. Resgate de uma carreira , de uma época de um artista que cavava um espaço a duras penas mas que vencia mesmo sendo alvo de preconceito pela sua origem burguesa , pela proposta musical que não se encaixava(era influenciado pelos Beatles em uma época de modismo exagerado). Ao mesmo tempo em que a música ilustra os depoimentos(aliás ela permeia todo o documentário como pano de fundo, uma ótima sacada) ela também  serve como uma maneira de o cantor resgatar sua carreira através das performances musicais do cantor acompanhado pela banda Os Haxixes.

O diretor Caco Souza soube orquestrar através de um excelente trabalho de montagem todas as fases de Ronnie em uma linha artística não cronológica. Ali é possível constatar através do farto material de arquivo e de depoimentos do próprio Ronnie e de artistas de calibre como Rita Lee e Arnaldo Saccomani a evolução e o sangue novo que o trabalho do cantor sempre tiveram. Fato que o levou a experimentar outros caminhos como a aproximação com o Tropicalismo e a disputa  entre Ronnie e a Jovem Guarda que se punham em lados opostos não só na televisão com programas concorrentes mas de estilo mesmo. O documentário é bem sucedido em demonstrar essa evolução de forma clara e sutil apoiando se principalmente no aspecto musical que ecoa no documentário e com suportes de riquíssimo valor- Os Depoimentos.

O filme não tem uma pegada saudosista de maneira nenhuma. Mas ai você me pergunta: “Ué mas ele não está revisitando a obra?” Sim ele está revisitando mas agora a sua obra possui outro valor e ele está revisitando com outro olhar. No fundo o documentário te convida a embarcar numa viagem psicodélica pela carreira do Príncipe.

“Quando Éramos Príncipes” é um filme honesto e sincero a altura da grandiosidade de Ronnie Von”       





terça-feira, 26 de novembro de 2013

Edifício Master



    Os documentários de Eduardo Coutinho se originam de experiências fílmicas propostas pelo diretor e do registro delas. Em “Edifício Master” Coutinho se propõe a registrar o cotidiano de um famoso edifício em Copacabana e as memórias de seus moradores.


Apostando na força de seus “atores sociais” Coutinho estabelece uma dinâmica de maneira que seu documentário toma forma através dos depoimentos dos moradores. É através dos depoimentos que o espectador toma conhecimento da importância histórica ,social e cultural daquele prédio bem como as histórias folclóricas que a cercam reforçando seu misticismo.

Há uma curiosidade do documentarista pelas trajetórias de vida daqueles personagens, construindo um histórico de vida sobre como foram morar naquele lugar repleto de lendas. Deixando seu entrevistado em posição confortável Eduardo Coutinho estabelece um ambiente de liberdade proporcionando que os depoimentos sejam extremamente sinceros e cru em alguns momentos. O papel social de Coutinho dentro do documentário (além é claro de ele ser o diretor) é a de um buscador e contador de histórias. É impressionante a maneira com que ele busca e instiga o entrevistado a revistar o passado e compartilhar suas histórias com naturalidade e de maneira sutil. Isso contribui para o despudor que os personagens tem de revelar passagens tristes da sua vida.

Os personagens estabelecem uma relação de cumplicidade com a câmera(resultado do terreno confortável a que Coutinho expõe seus entrevistados). Essa relação cúmplice permite ao espectador conhecer mais sobre aquelas pessoas aquele lugar e a transformação destes.

A forma instigante que o documentário tem exerce uma curiosidade absurda no espectador. Seja pela forma da direção de Coutinho que é muito limpa(ao contrário de “Um Lugar ao Sol” de Gabriel Mascaro que bebe em fonte semelhante mas com proposta extremamente diferente). O filme por si só instiga a acompanhar aquelas pessoas e suas histórias de maneira parecida a proposta dos Realitys Shows. “Edifício Master” pode ser encarado dessa forma pelo formato que possui de acompanhar e retratar vidas alheias ou pelo retratado da degradação daquele conjugado de apartamentos e seus moradores ou até mesmo pelo passado “marginal” do lugar. Mas “Edifício Master” é muito mais que um Reality Show, histórias de seus moradores e etc. É um estudo sociológico da evolução não só daquele lugar mas da cidade do Rio de Janeiro como um todo. 

“Edifício Master” tem um aspecto particularmente interessante que é a revelação do aparato cinematográfico. Coutinho juntamente com sua equipe nos revela toda a sua preparação incluindo os instrumentos necessários para realização do filme. Aqui o “por trás das câmeras” é revelado se tornando um elemento extremamente rico que engrandece o documentário.

O documentário atinge diversos campos de compreensão. Ao mesmo tempo que é um filme sobre o retrato de si mesmo e suas histórias, possui um aspecto de resgate histórico. É também, um filme sobre o outro. Sobre a visão que aquele morador tem de seu vizinho e do passado daquele local.


“Edifício Master” é uma experiência múltipla. Um filme que propõe um resgate não só social e histórico mas de si mesmo, do seu interior. É a possibilidade de recordar suas memórias. Concluindo, “Edifício Master”   não é só um documentário é uma experiência de revelação do aparato cinematográfico.


    

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Um Lugar ao Sol




Eu sou um grande fã de Realitys Shows como já mencionei aqui sobretudo aqueles que possuem um caráter confessional semelhante a um estilo soap-opera e a proximidade desses filmes com os documentários. Outro exemplo de documentário nesse estilo é "Um Lugar ao Sol" do cineasta Gabriel Mascaro.


Neste filme Mascaro adentra o cotidiano de moradores de uma luxuosa cobertura no Rio de Janeiro onde propõe um retrato de suas vidas e uma reflexão sobre temas como Status,posição social,luxo,conforto e poder. 


O Diretor Gabriel Mascaro se preocupa em construir uma noção da grandiosidade de seu objeto de estudo no espectador desde o inicio,talvez por isso invista em imagens aleatórias de construções,imagens da rua e planos gerais com a clara intenção de evidenciar que estamos diante de algo magnânimo mas os cortes bruscos, a trilha incidental estridente e chata  e principalmente a montagem torpe que não tem a mínima noção de continuidade acaba por quebrar o eixo narrativo de algo que poderia render muito mais do , que rende.


O que realmente torna "Um Lugar ao Sol" minimamente interessante são os depoimentos dos moradores do condomínio de luxo. através deles podemos ter um reflexo do significado do "Status Social", sua relação com o dinheiro , a ideia de superioridade, a diferença entre luxo e conforto, ambições ,exclusividade e o olhar sobre o outro.


Tendo depoimentos de todos os tipos desde o "novo rico" até aquele com consciência da realidade e do conceito de igualdade social passando por aqueles que revelam uma posição de superioridade inflada presos as suas próprias "bolhas" particulares que a sua situação social lhe permite revelando assim um alto e gravíssimo estado de alienação que chega a níveis tão alarmantes que acaba por assustar o espectador que aquele individuo teve coragem de falar abertamente aquelas insanidades perante a presença de uma câmera. Enquanto outros em contrapartida apesar de cientes da sua posição social privilegiava possuem uma consciência e preocupação com o próximo.
Esta é a "batalha" conceitual de "Um Lugar ao Sol" o filme nada mais é do que um estudo dos estados de consciência e alienação que acomete as classes sociais. Parece que estamos assistindo a um novo episódio de "Mulheres Ricas" ou qualquer programa do gênero mas enquanto o Reality Show tem no humor uma válvula de escape para justificar a extravagância e insanidades cometidas pelos seus "personagens". Aqui, por outro lado não temos humor o que temos é o espetáculo degradante da alienação salvo alguns participantes que se preocuparam em enriquecer também o cérebro e não apenas a conta bancária.


Interessante observar a questão da perda de pudores e exibicionismo versus a intimidade e privacidade. Os participantes tem a clara intenção de desfazer ou reforçar - e quando o fazem é sem vergonha nenhuma os estereótipos que são construídos a sua volta pela hierarquia social a que pertencem. Ou o rico se preocupa em demonstrar sua preocupação com a figura do outro ou reforça sua posição de superioridade.


Gabriel Mascaro imprime(ou tenta imprimir) uma direção pífia ao filme. Investindo nos jogos de câmera que quase destroem momentos cruciais dos depoimentos. Além de quebrar a continuidade com planos gerais desnecessários. Seria melhor se Mascaro fosse apenas um mero ouvinte durante todo o filme e deixasse os reais protagonistas conduzir o documentário.



No fim, "Um Lugar ao Sol" se revela um estudo dos estados de alienação e consciência social. Uma proposta interessante que se aproxima dos Realitys Shows sim mas se perde na própria grandiosidade se revelando um filme vazio.






sábado, 21 de setembro de 2013

Beady Eye- Rak Them Out





* crítica feita em comemoração ao aniversário de 41 anos do Liam Gallagher, vocalista da Beady Eye.



Eu estou completamente viciado em Beady Eye. A banda se tornou a minha nova obsessão musical portanto quando eu descobri que havia outro documentário sobre a banda logo corri atrás.


“Beady Eye – Rak Them Out” retrata o inicio após a dissolução do Oasis em 2009. A busca por uma identidade musical própria e principalmente realizar uma banda com uma sonoridade de significado muito pessoal onde todos tem o poder de decisão e a liberdade de expressar a sua sonoridade sem controles externos.

É um documentário onde a musica predomina isso fica claro pela opção da Banda(e também realizadora do filme) em se colocar em segundo plano apenas com a narração e deixar a música se sobressair, é como se a música falar por si própria.

Através de uma narração em segundo plano do ponto de vista dos próprios integrantes podemos constatar – e visualizar a evolução musical da banda. Assim, o espectador é convidado a ser testemunha do processo criativo da banda. Assim, podemos constatar a química que existe entre eles, ao adentrar as gravações percebemos a necessidade da busca de uma identidade musical para a banda saindo da “sombra” do Oasis. É onde a “mágica” acontece.


O documentário tem uma estrutura muito pautada na sonoridade do grupo, acabando por se tornar quase experimental sobretudo porque é a musica que dita os caminhos que o documentário vai tomar. Traçando um paralelo com a banda é assim que acontece em sua dinâmica, no documentário fica evidente a pretensão e necessidade da banda em realizar uma sonoridade particular,única e que os represente enquanto banda.

Ao longo de seus 12 minutos, o mini documentário se mostra dono de uma estética bastante ágil impulsionado pela musica principalmente. Adotando uma combinação de um ritmo frenético e telas divididas, utilizando-se de trucagens e efeito “clipado” o que ressalta a musicalidade presente no documentário.
 Além da já citada narração que serve de pano de fundo de modo a demonstrar a evolução e expectativas dos integrantes com o novo projeto que estava nascendo. Quanto ao formato há uma agilidade impressionante considerando a duração de um documentário de curta metragem onde as coisas tendem a ser mais condensadas.


Um aspecto interessante em documentários e que aqui ganha um diferencial é a questão do Ponto de Vista que exemplifica a questão da individualidade e da visão pessoal da banda. Assim é interessante a visão de Gem sobre a qualidade musical de Liam e vice versa. Permitindo assim uma visão particular sobre a química de união de um grupo.

“Rak Them Out” se torna mais do que um simples documentário de bastidores ao revelar todo o aparato fílmico e musical, neste caso do clipe da música “Bring the Light” dirigido por Charlie  Lightening. Aliás a própria estrutura do videoclipe diz muito sobre a banda como bem lembra Liam no documentário o clipe é dotado de uma estrutura muito simples de modo que a música da banda prevaleça e se sobressaia.



“Rak Them Out” e “StartAnew” (o documentário posterior do Beady Eye , mostrando o processo de lançamento do segundo álbum “BE” são dois filmes que dialogam entre si, representando justamente o antes e o depois da banda. Seria injusto se este ou “Start Anew” são melhor ou pior. O fato é que os dois são bastante representativos no seu período. Pra mim “Rak Them Out” ganha identidade própria enquanto documentário ao adotar o esquema “faça você mesmo”- pelo fato da própria banda estar no comando do filme. É extremamente prazeroso acompanhar os primeiros passos de sua banda favorita ainda mais quando isso provêm do seu próprio olhar.




 *Documentário presente na versão Deluxe do álbum "Different Gear, Still Speeding".





   

sábado, 14 de setembro de 2013

Rua de Mão Dupla, Pacific e a linha tênue entre o documentário e o reality Show.






Os documentários observacionais tem muitas semelhanças com os Reality Shows mas não os reality de competição populares aqui no Brasil como o Big Brother, falo de um modo diferente de reality. Aqueles conhecidos como “Soap Opera´s” que tem como estrutura narrativa acompanhar a vida e o cotidiano de certa pessoa e expor sua intimidade. Este tipo de reality é muito comum nos EUA em exemplos como “Keeping Up With The Kardashians”, “The Hills” e muitos outros.

Alguns documentários tem se permitido experimentações com essa estética de invasão da intimidade alheia, algo meio voyeur. Um desses documentários é “Rua de Mão Dupla” (2002) de Cao Guimarães.

Cao propôs uma experiência no mínimo instigante a um grupo de pessoas. Que  elas trocassem de casa pelo período de 24 horas e que munidos de câmeras portáteis(e sem nenhuma noção básica de como filmar) registrassem as suas impressões da casa para qual foram designados e sua própria adaptação. O resultado é uma experiência reveladora da necessidade exibicionista do ser humano e da curiosidade pela vida alheia. Você se filmar de forma as vezes constrangedora e degradante leva a questionar até que ponto aquele situação é realmente “real” ou o quanto de encenação há ali naqueles momentos que o “outro” resolve retratar da casa alheia e mais, se aquilo que lhe serve de material fílmico realmente constrói a personalidade do outro. No final acaba por ser muito mais um estudo de uma realidade construída e de escolhas narrativas para criar uma realidade ensaiada. Podendo encontrar semelhanças com o Reality “Troca de Família” onde os participantes não se importam de invadir o espaço do outro, pré montar a personalidade de outra pessoa através de palpites e por contrapartida como diz o próprio nome do documentário de Cao Guimarães permitir que seu espaço seja invadido e que sua pessoa possa ser destroçada pelo outro.  


Já “Pacific”(2009) de Marcelo Pedroso que retrata uma viagem de cruzeiro através das imagens feitas pelos próprios passageiros se aproxima mais da estética do Reality Show ao exibir sem pudores e sem nenhum tipo de auto censura a degradação humana. As imagens feitas pelos próprios passageiros exibem sem nenhum tipo de controle a entrega daquelas pessoas aquela experiência exibicionista e sua necessidade incessante de aparecer. Neste caso, não é a visão sobre o “outro” mas sobre si próprio que prevalece. O exibicionismo e o narcisismo são predominantes aqui. A perda de todo e qualquer puder faz de “Pacific” o documentário que mais se aproxima do universo do reality show.



O Personagem perante a câmera:



Ali no território desconhecido as pessoas deixam sobressair o seu mais brega por assim dizer. Elas criam um personagem sobre quem desejam ser, de alto projeção – e por que não dizer de alto promoção. E assim também é nos Reality Shows as pessoas realmente fazem coisas que possam instigar o espectador. Elas assumem outra persona frente a câmera um personagem sim um personagem homônimo mas ainda sim um personagem. O “Eu” editado.

É claro que há uma seleção previa vinda não só do diretor frente ao extenso –imagino material bruto que conseguiu mas do próprio portador da câmera que seleciona quais partes de sua personalidade ele deseja mostrar. Há uma edição daquela personalidade onde as pessoas deixam transparecer traços nada agradáveis daquele(ela) personagem pré- montado. Como quando uma passageira diz”Isto aqui esta muito chato, eu vou reclamar mesmo,tô pagando” elas perdem o controle da situação ou pelo menos é isso que deixam transparecer ao encarar a câmera como algo trivial.

Ao possuir personagens que se jogam naquele universo sem amarras tendo a câmera como algo inerente ao seu universo de ostentações, de status, upgrade social. É ai que “Pacific” se define e define também a sua relação estreita  com a estética do Reality Show onde igualmente querer demonstrar sua superioridade, se tornar mitos inalcançáveis. Mas na maioria das vezes o que conseguem produzir é uma curiosidade incessante pelos tabus a serem quebrados a seguir, os limites que serão transgredidos em nome da auto promoção. Não vou mentir, é curioso e também altamente viciante você acompanhar a vida alheia mas te leva a questionar se vale a pena , se o ônus é realmente maior que o dito bônus da fama e justamente na sociedade atual onde se produz novos ídolos enlatados na mesma velocidade que as destrói.

Ao assistir “Pacific” por inúmeros momentos pensei estar diante de um episodio de “Keeping Up With The Kardashians” em mais um dos incontáveis e divertidos episódios de férias da mais famosa família dos EUA mas ao contrario desta quando você espera ansioso pelo próximo episodio aqui você espera ansioso pelo fim dessa experiência desagradável , agonizante e que provoca ojeriza mas que sobretudo te leva a refletir sobre os limites do outro para atingir a auto promoção onde a regra é ostentar e parecer mais do que é vide aos Reality´s Shows “The Real Housewifes of Orange Country” e sua versão brazuca “Mulheres Ricas” dadas as devidas proporções com o documentário de Pedroso.

No fundo o interesse tanto por este tipo de documentário quanto pelos Reality´s Shows vem não só da curiosidade – e acredite eles se valem da curiosidade alheia e sim do estudo do outro como objeto social tendo em mente que aquele universo pode ser roteirizado e editado em maior e menor grau. 

O que nos proporciona a reflexão: “O que é real na sociedade atual?”.   




 
  



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Lord Don´t Slow Me Down





Eu sou um grande fã do Oasis então quando eu descobri que existia um filme sobre a banda, assisti-lo virou questão de honra. “Lord Don´t Slow Me Down” acompanha a Banda na turnê do álbum “Don´t Believe the Truth”.


O documentário dirigido por Balilie Walsh assume uma postura observacional de adentrar com sua câmera indiscreta o cotidiano da banda e de quebra convida o público para ser seu convidado nessa jornada. Fantástico não? Imagine poder olhar pelo buraco da fechadura da sua banda preferida? Eu não sei vocês, mas a mim parece extremamente tentador.

É isso que acontece nesse documentário onde a banda versa sobre a evolução da sua música, os fãs , o sucesso e a sua dinâmica enquanto grupo principalmente na relação entre Noel e Liam Gallagher. Construído de maneira ágil o filme segue essa dinâmica frenética da turnê onde as entrevistas tem um espaço importante e é onde percebemos que a banda nos expõe seu intimo e nos permite adentrar momentos particulares como o aniversário de Liam e o ônibus da turnê por exemplo. O fato da própria banda assumir o controle acaba por resultar em um filme ágil e frenético. Assim os fãs são convidados a embarcar na viagem com a banda e a fazer parte dela.


O ponto de vista é uma questão importante no filme pois assim poderemos saber qual foi a impressão sobre aquele público além de ser ressaltada a sua importância na realização do que o Oasis se tornou. Os fãs são sem dúvida uma parte integrante do filme e para nós isso é extremamente gratificante saber que contribuímos para o Oasis ser o que é.

Mas o gratificante mesmo é presenciar o espetáculo catalisador que a banda nos proporciona no palco. É algo difícil de explicar é algo mágico , místico a química que os irmãos apresentavam em conjunto era algo impressionante, ali todas as diferenças eram colocadas de lado e eles se igualavam musica e fraternalmente, se tornavam um só.

A fotografia do filme é de uma beleza estética excelente. Tornando o filme dotado de um visual maravilhoso e da a impressão de que estamos diante de algo raro e precioso.

É um documentário totalmente aberto e disponível onde somos apresentados á pessoas que se expõe sem pudores como quando Liam e Noel falam sem amarras sobre seus desentendimentos inclusive recordando o passado. Ver Noel reconhecendo o talento de Liam e sua importância e ressaltando sua importância além de expressar sobre a natureza da relação afetiva que os une é de arrepiar. Bem que Noel poderia se lembrar disso e aceitar fazer uma reunião da banda ou até mesmo voltar como a banda em definitivo. Nós fãs iríamos amar e saltitar de felicidade não é mesmo.


Quem é fã gostaria de ter o seu dia “Quase Famosos” e acompanhar a sua banda? Todos eu imagino e mais saber como eles enxergam o tamanho sucesso que conquistaram. Isso fica evidente quando eles tocam em lugares como Hollywood e no Madisson Square Garden. Tópicos como “vocês imaginavam chegar até aqui?” e o que é ser um rockstar pra vocês”? se fazem presentes ressaltando a importância da banda no cenário musical mundial e quando eles chegam ao Japão e podem constatar que sua música realmente quebrou barreiras.

É de fato um privilégio acompanhar a banda nessa viagem, um deleite pra quem é fã assistir a isso e ser colocado do “lado de dentro” é algo impossível de descrever pois me faltam palavras para isso (aliás eu nem sei como consegui escrever esta resenha).


Eles bem que poderiam fazer a nossa felicidade e fazer nem que fosse uma turnê de reunião- e que passasse pelo Brasil evidentemente. Sobretudo porque em 2014 se comemora 20 anos do álbum de estreia da banda “Definitely Maybe”.

Eu amo Oasis pra mim eles são de uma categoria elevada. Suas canções transbordam de maneira visceral e atingem a alma. Infelizmente me faltam dons musicais para expressar a minha adoração pela banda então está resenha.



Obrigado por tudo Oasis e eu aguardo ansiosamente a sua volta pois a esperança é a ultima que morre. De um eterno e incondicional fã, Marcelo. 



terça-feira, 16 de julho de 2013

Start Anew



Após a dissolução do Oasis em 2009 os irmãos Gallagher seguiram caminhos diferentes. Enquanto Noel formou o “High Flaying Birds” Liam em conjunto com os integrantes remanescentes Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock o Beady Eye.

Lançando o seu segundo disco intitulado “BE” em 2013 a banda ganhou o documentário de curta metragem “Start Anew” – mesmo nome de uma das canções do disco. Dirigido por Alex Hoffman.

O documentarista acompanha a banda durante a preparação e pré- divulgação do disco. Hoffman constrói nos 27 minutos do curta um terreno neutro para que a banda possa revelar seu intimo e demonstrar a sua qualidade artística. Hoffman acaba por realizar um panorama do processo criativo da banda.

É claro que as comparações com o Oasis é um tema recorrente do curta e os integrantes deixam clara a liberdade artística que existe na banda- ao contrario do Oasis onde Noel era possessivo e controlador.
Essa mesma liberdade que existe na banda é que o documentarista confere ao curta permitindo assim que os integrantes se expressem tal como são e falem sem rodeios sobre todo e qualquer assunto em um ambiente neutro e descontraído.

Hoffman tem uma opção interessante de não interferir no contexto do filme, sua presença ali é quase imperceptível e que faz toda a diferença no sentido que ele transmite o controle do filme para a banda e da ao espectador uma perspectiva “Backstage”.

O documentário retrata com notável agilidade a pré estreia do álbum e mais os ensaios, a harmonia entre os integrantes, sua ansiedade.

Um aspecto bastante resaltado em “Start Anew” é a diferença entre o Beady Eye e o Oasis e as inúmeras comparações que fazem entre as duas bandas. De fato são projetos bastante diferentes e o Beady Eye é uma banda muito mais evoluída musicalmente e há uma diferença gigantesca na sonoridade e nos riffs e acordes. É uma simbiose harmônica.

O dinamismo e o magnetismo imposto nas imagens em conjunto com a agilidade da montagem acabam por ressaltar a potencia e qualidade musical da banda, funcionando como um registro da sua evolução musical nos momentos que antecedem o lançamento do álbum.

Uma coisa que me impressiona em documentários musicais e em “Start Anew” funciona perfeitamente é o fato do fã ser uma parte integrante do filme para que possam ter todas as perspectivas dentro do filme.

Um fator reforçado pelo documentário é o que o Beady Eye é um projeto único de qualidade artística incomparável e certamente a banda tem uma sonoridade impressionante jamais vista antes. A experiência musical dos integrantes acabou por resultar em uma banda entrosada e com uma sonoridade visceral.

“Start Anew” acaba por se tornar um registro verdadeiro de uma banda que caminha em direção ao sucesso com sonoridade única buscando construir sua marca. Nunca olhar pros bastidores foi tão divertido.










sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Lixo e a Fúria




Os Sex Pistols tiveram uma curta duração (cerca de 26 meses) e seus talentos e habilidades artísticas eram naturalmente duvidosos. Porém, pode se dizer que eles estavam no lugar certo na hora certa. O ano era 1977 e os Sex Pistols eram o símbolo de revolta e inconformismo contra as leis e principalmente contra a coroa Britânica em um movimento que se tornaria o movimento Punk.

Fechando a trilogia do cineasta inglês Julien Temple sobre a celebre banda “O Lixo e a Fúria” funciona como um retrato do inicio do movimento punk, mas principalmente como um acerto de contas da banda com o seu empresário Malcon McLaren.

Construído a partir de imagens de arquivo e entrevistas com os membros remanescentes vivos e com Malcolm McLaren Julien Temple construiu o documentário com base em uma estética experimental e porque não dizer suja e grotesca o que condiz com a imagem da banda.

Temple imprimiu ao documentário uma agilidade veroz, adotando essa opção estética quase mambembe caracterizada pela falta de tratamento das imagens e apelo visual gritante. De fato as imagens captadas pelo diretor tem um aspecto de colagem das imagens aqui exibidas. Mais do que isso, o documentário de Temple é dotado de uma agilidade narrativa que beira o inasistivel. As imagens são muitas vezes desfocadas acompanhadas por uma fotografia forte que serve aqui como um importante aliado da direção experimental e raivosa de Temple.


Aqui, as palavras de ordem parecem ser velocidade e fúria como o próprio titulo diz. Temple prima pela desconstrução da montagem a todo o momento garantindo ao longa um efeito clipado além de usufruir de diversos elementos para realizar a sua costura sobre a banda tais como: Animações e justaposição de cenas o que fortalece o caráter experimental da obra. O filme possui um frenesi caótico que acompanhado da sujeira visual causam repulsa e desconforto (eu não sei vocês, mas eu não gosto de ver pessoas cuspindo no palco) acabam por marcar o estilo de Temple e da própria banda.

Literalmente o ultimo tiro dos Pistols.