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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Se eu Ficar

O que acontece quando o rock e a música clássica se unem? Uma combustão no mínimo. “Se eu Ficar” , baseado no romance homônimo de Gayle Forman é a história de amor da violoncelista Mia(Chloé Grace Moretz) e do roqueiro Adam (Jamie Blackley).

Dirigido por R.J Curtier,  “Se eu Ficar” é um filme de opostos. Não só por abordar mundos completamente opostos quanto a música clássica e o rock(embora o rock não seja assim tão estranho assim para Mia, por causa de sua família), mas principalmente por balancear o melodrama, o romance agridoce e uma certa dose de humor.

Um grande acerto de Curtier enquanto diretor foi envolver o espectador na história dos personagens principais e suas personalidades antagônicas , Adam(Jamie Blackley) e sua rebeldia e melancolia e Mia(Chloé Grace Moretz) e sua doçura , entretanto se sentindo uma “estranha no ninho”. O longa serve perfeitamente como uma alegoria sobre as diferenças se prestarmos atenção.

E por falar em atenção, esse é um fator que o filme exige de seu espectador. Pelo fator da narrativa se desenrolar principalmente em flashbacks e a montagem se utilizar do cansativo-mas eficiente artifício de “idas e vindas temporais”.

A musica é o principal diferencial de “Se eu Ficar”, sobretudo o fato do diretor e sua equipe torna-la um personagem do filme, uma peça fundamental na engrenagem da narrativa.

A direção de R.J Curtier é segura e o diretor se mostra competente em criar uma narrativa que envolva o espectador na tela, demonstrando eficácia ao administrar os inúmeros flashbacks que o filme possui. Curtier demonstra uma destreza impecável ao comandar as cenas de performances musicais do longa, com uma direção ora livre porém segura( nas cenas de Adam) e uma direção intimista e poética (nas cenas de Mia).

A fotografia talvez seja o único aspecto que deixa a desejar- além é claro do final decepcionante, mas vamos deixar isso pro final do texto. Voltando a fotografia, embora as cenas com uso de um granulado que remete a um por do sol extramente belo. Por outro lado, o flashback inicial é tomado por um “nevoeiro” que torna quase imperceptível enxergarmos a cena em sua totalidade. Felizmente, nada que prejudique a narrativa.

Vou tentar falar sobre o roteiro e a música do filme no mesmo parágrafo, por acreditar que estes elementos estão extremamente relacionados no longa.

Primeiramente o roteiro. Adaptado por Shauna Cross do livro homônimo de Gayle Forman, Cross soube imprimir nas entrelinhas questões pertinentes ao público-alvo do longa tais como identidade, sonhos e perspectivas de futuro, além das diferenças.

O fato de os pais de Mia(Chloé Grace Moretz) e seus irmãos serem “roqueiros natos” e a incentivarem a seguir um caminho totalmente oposto, assim como o seu romance com Adam (Jamie Buckley) ser do tipo “os opostos se atraem”.

A construção dos personagens e a próprias referencias musicais , além é claro da trilha sonora composta de um mix de musica clássica e punk tornam-se o diferencial do filme , o impedindo de se tornar “um filme água com açúcar chato”. A trilha do brasileiro Heitor Pereira conta com nomes como Sonic Youth e The Orwells, misturados a musica clássica e as referencias vão de Iggy pop a Bad Religion passando pelos clássicos Beethoven e Bach.

Chloe Grace Moretz construi uma Mia sensível e sonhadora, porém dotada de uma forma interior imensa. Já seu parceiro de cena Jamie Buckley faz de Adam um artista rebelde mas que esconde uma certa melancolia por trás de toda aquela rebeldia e personalidade. Sem dúvida um personagem antagônico em sua personalidade e Buckley arrebentou na construção e interpretação do personagem.

Preciso deixar uma menção honrosa para Jakob Davies como o doce e precoce Teddy, “um roqueirinho de carteirinha”, e Joshua Leonard como o carinhoso pai de Mia , Denny que conserva sua alma roqueira. É através de Leonard que o filme ganha pinceladas de humor irônico, suavizando a dramaticidade da narrativa.

Não tenho muito o que falar sobre “Se eu Ficar”, até porque, ainda estou materializando o filme. mas lhe digo uma coisa: se deem uma chance de ver este filme poético e singelo que trata de temáticas universais como sonhos, diferenças e musica. Lembra-se: as vezes , os melhores perfumes vem nos menores frascos.





quinta-feira, 12 de junho de 2014

Definitely Maybe: The Documentary




Em 2014, se comemora os 20 anos do álbum de estreia do Oasis , “Definitely Maybe” e como infelizmente não teremos uma turnê de comemoração, essa data não poderia passar em branco, o documentário sobre a produção do disco homônimo está sendo relançado.

Sinceramente, devo dizer que esperava mais de um documentário que está sendo relançado pra comemorar uma data tão emblemática para o rock mundial. O documentário é sim interessante para os fãs da banda pois reafirma a posição de renovação que o Oasis trouxe para a música e detalha a composição e produção do cd detalhadamente. Porém, se não fosse o fator curiosidade e nostalgia que assola os fãs da banda, o documentário poderia passar despercebido.

O documentário tem sim preocupação em ressaltar os bastidores da produção do álbum, as histórias por trás de cada música, ressaltando as dificuldades de produção e adaptação da banda ao estrelado mas não sai muito disso.

Sim, o diretor Dick Carruthers lança mão de preciosas imagens de arquivo e tal, deixando qualquer fã da banda empolgado. Mas Charruthers não ousa na estrutura do filme, se assemelhando a um simples documentário ou mais parecendo um talk show americano, onde os convidados respondem as perguntas mecanicamente.

Há sim, uma preocupação com a estética e a montagem do filme, no sentido de ilustrar os depoimentos com as imagens de arquivo e música mas, acaba sempre retomando aquele antigo formato padrão de documentários pautado em entrevistas que cansa.

O documentário conquista o espectador pela nostalgia (seu próprio formato e recursos utilizados evidenciam isto) mas entretanto não se preocupa em conquistar novos fãs. Talvez isso seja um reflexo da data de produção do filme(foi produzido em 2004, quando a banda ainda estava na ativa), por isso não há a preocupação de mostrar o trabalho da banda a uma nova geração.

Duas grandes sacadas do documentário são o de exibir o contexto musical/ cultural na época do lançamento do álbum. E de colocar os especialistas do mercado, equipe da banda e os –na época atuais integrantes Andy Bell e Gem Archer.

O filme também peca por não dar o devido espaço a Liam Gallagher, se centralizando no processo criativo de Noel. Dessa forma, o documentário se revela um retrato belo mas desigual ao não considerar da maneira correta a importância do vocalista.

Pois convenhamos, se Noel compôs as canções FODAS desse álbum, foi a INTERPRETAÇÂO de Liam que contribuiu para eterniza-las no imaginário popular. O diretor até tenta se redimir mais pro fim destacando a figura de Liam Gallagher, não é o suficiente para alguém da sua magnitude.

“Definitely Maybe: The Documentary” é curioso e interessante , mas é mais do mesmo.







domingo, 23 de março de 2014

Não Estou Lá



Encantado. Essa é a melhor definição que eu consigo encontrar pra traduzir a minha reação ao drama biográfico “Não Estou Lá”.


Dirigido por Todd Haynes, o filme dramatiza diversas fases da vida do ídolo folk Bob Dylan. De beleza estética impressionante e uma história riquíssima , o filme consegue ir muito além de uma mera biografia.

O  filme é um exímio exercício de construção de um universo fílmico múltiplo e ainda complementar no qual, na conjunção desses universos formam-se um retrato da persona de seu biografado Bob Dylan. Utilizando uma poética encantadora , o filme consegue desmistificar e conquistar o espectador com as mais variadas vertentes do cantor Folk. Nesse ponto, merecem honrarias os roteiristas Todd Haynes e Oren Moverman por conseguir costurar múltiplos enredos e mais do que lhe garantir a simetria devida fazendo com que todos os plots se unem se tornando uma só narrativa. Embora eles demorem um pouco para unificar esse enredo múltiplo, mas quando o fazem , realizam esse feito com maestria.


Um enredo tão grandioso como esse cabe performances memoráveis. Mas o que se encontra neste glorioso longa é um exercício performático de primeira grandeza no qual 6 atores(Marcus Carl Franklin, Ben Whishaw, Christian Bale, Heath Ledger, Cate Blanchett e Richard Gere.)  Esses atores realizam um exercício performático de retorno a teatralidade carregando as devidas nuances de seus “Personagens” que na realidade são tudo a faceta de uma só pessoa: Bob Dylan.

Todos os atores que interpretam o astro merecem honrarias pelo minucioso trabalho de composição de personagem, sobretudo porque o roteiro e a montagem tem idas e vindas constantes no tempo fílmico , o que faz que os atores revivam a “sua fase” do personagem constantemente durante todo o filme.

“Eu Não Estou Lá” é um filme de conversão. Conversão no sentido de que a estrutura narrativa do filme é mutável quanto as fases que o longa aborda. Podendo ser um Road Movie como a faceta de Dylan defendida por Richard Gere como “Billy The Kid” , se convertendo não só num Road Movie mas assumindo todas as características de autentico faroeste. Ou então, o filme pode assumir uma faceta documental como na fase defendida por Cate Blanchett que dá vida a fase mais excêntrica do cantor como “ Jude Quinn” ou ainda em um filme metalinguístico como Robbie Clark um ator, personagem esse defendido brilhantemente por Heath Ledger que entrega uma interpretação fascinante e deveras difícil considerando que interpreta uma versão de Dylan dentro de um filme onde o personagem interpreta outra versão do cantor em um filme fictício. De perder o fôlego não?


A música de Bob Dylan da o tom a narrativa, tornando-a uma narrativa intimista que através das canções transbordam lirismo e poética , garantindo assim um aspecto transcendental ao longa, mantendo o espectador inerte aquela magia exercida sobre a tela.

A belíssima fotografia de Edward Lanchman também é peça fundamental no efeito inebriante que o filme causa no espectador. De natureza múltipla, a  fotografia se adéqua as diferentes fases, passando do granulado da primeira fase ao contraluz e a belíssima fotografia nas fases defendidas por Christian Bale e Cate Blanchett respectivamente.


“Eu Não Estou Lá” é um grande filme, exímio em concepção e realização cinematográfica, o longa consegue ser altamente multifacetado em sua estrutura transbordando magia, poesia e encantamento , tudo para homenagear as diferentes fases de um artista tão multifacetado quanto Bob Dylan.



  


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Live Forever: The Rise and the Fall of Brit Pop



Eu sou muito fã do Oasis em especial de Liam Gallagher. Mas apesar de considerar o Oasis não só uma grande banda, mas também a última banda de rock genuína em muito tempo (posto que a meu ver só seria desbancado pela Beady Eye (a banda liderada por Liam Gallagher após a dissolução do Oasis) Eu nunca havia relacionado à sua musica a fatores sócio-culturais até assistir o documentário “Live Forever: The Rise and the Fall of Brit pop dirigido por John Dower.

O filme remonta o surgimento do que convencionou a chamar de “ BritPop”. Através de um excelente material de arquivo, entrevistas e, sobretudo munido de elementos visuais e sonoros impactantes o documentário reconstrói o surgimento desse movimento pelo nome de duas bandas- Oasis e Blur que se colocaram em lados sociais opostos do ressurgimento da música britânica após o apogeu do grunge nos EUA.

O documentário reafirma essa rivalidade social que havia na música das duas bandas. O Oasis representava a classe trabalhadora e o Blur a burguesia. Mas por debaixo dos  panos havia uma mudança política acorrendo com a saída de Margareth Thatcher o que significava uma mudança e a musica dessas duas bandas representou para as suas respectivas classes a esperança do novo.

O Oasis talvez tenha uma amplitude e aceitação maior porque surgiu em um momento  caótico para a musica mundial após o suicídio de Kurt Cobain e a carência de um novo ídolo genuíno e não pré-fabricado como  o blur era- e ainda é.

O documentário evidencia de forma ágil ou melhor dizendo frenética o surgimento dessas bandas bem como o crescimento da popularidade delas (a medida que sua rivalidade aumentava sendo reforçada pela mídia).

A explosão do movimento se deu quando Oasis e Blur resolveram lançar singles no mesmo dia. Os singles “Roll with it” and Country House respectivamente. Tal fato condicionou as duas bandas a uma posição de dominância do mercado  e acabou colocando todas as outras bandas em compasso de espera ao não tomar partido nessa “Batalha do Brit pop”.

O documentário relaciona o britpop com fatores externos(políticos , sociais e culturais) mas o que faz de “Live Forever: The Rise and the Fall Of Brit pop” é a desconstrução do formato documental engessado. O filme traça um panorama do movimento de forma ágil , utilizando elementos visuais e sonoros em abundância. O filme possui  um ritímo, uma energia vibrante  que pulsa sendo muito bem costurado resultando não só em panorama do movimento mas em um filme cheio de energia vibrante.





Os tempos áureos do Britpop acabaram ou só estão renascendo? Está é a pergunta que fica no final desse ótimo documentário que apesar de ser muito bem costurado como falei anteriormente peca por ser inconclusivo e não abordar o movimento inteiramente.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Agenor- Canções de Cazuza


O cantor Cazuza deixou uma gigantesca obra musical. Não só aquelas gravadas por ele em carreira solo ou na época em que era vocalista do Barão Vermelho, composições suas que foram sucessos na voz de outros artistas. O fato é que o cantor deixou um imenso repertório de “B-Sides” canções pouco conhecidas mas de imenso valor artístico e afetivo.


Resgatar esse “lado B” do cantor tendo sua obra visitada(ou revisitada) pela nova geração essa é ideia do projeto “Agenor- Canções de Cazuza que visa revisitar a obra do cantor pela nova geração da cena independente. Esse documentário de Tatiana Issa e Guto Bessa é o registro dessa empreitada.

Concebido para registrar a experimentação que resultou nesse projeto que rendeu show e cd “Agenor- Canções de Cazuza” foge dos padrões de um documentário exibido exclusivamente na TV e também pela sua estrutura ousada fugindo dos padrões daquele esquema “entrevista- música- flashbacks”. Pelo contrário, os documentaristas não tem medo de registrar o ensaio, a experimentação daquelas canções pelos artistas, o treino, o encontro do timbre, a repetição até encontrar a perfeição. Essa repetição não cansa o espectador por dois motivos: Primeiro pela beleza da musicalidade das canções e pela grandeza artística de cada artista tentar encontrar a sua “voz” dentro da música de Cazuza mas principalmente pela montagem paralela que intercala esses artistas permitindo um mosaico mais abrangente e múltiplo da obra do cantor.


O filme tem um aspecto de resgate não só da memória cultural e artística do país através de uma figura de extrema importância mas também de resgate afetivo daqueles jovens procurando reconhecer suas lembranças da figura do cantor e o primeiro contato com a sua obra. O Filme tem esse viés de resgate , de tributo , de uma homenagem mas por outro lado também tem outras vertentes como apresentar outras facetas desconhecidas da obra de cazuza mas também um projeto ousado de expressão artística genuína e performática assim como redescobre canções do cantor com novas versões tais como “Gatinha de Rua,”Mais Feliz” e “Amor, Amor” por exemplo. Também é um projeto de multi plataforma engrandecedor que rendeu show e cd além do documentário.

A presença de Cazuza ecoa durante todo o documentário. Ele não está ali de corpo presente mas, a força de suas músicas é o que da vigor ao documentário e enaltece a grandeza do projeto encabeçado pela Jornalista Lorena Calabria e do DJ Zé Pedro.



Considero “Agenor- Canções de Cazuza” um excelente documentário por ser ousado e experimental mas, principalmente por prestar ao mesmo tempo um tributo ao um grande artista que merece todas as homenagens como apresentar outras facetas de sua obra.       



sábado, 19 de outubro de 2013

Parents



Eu sou um grande fã da Legião Urbana(o nome desse blog é o nome de uma música da banda). A primeira música da banda que eu ouvi foi “Pais e Filhos” e confesso que nunca tinha imaginado que ela daria um filme assim como “FaroesteCaboclo” mas o mineiro Thales Corrêa imaginou e a metafórica canção da banda inspirou o Curta-Metragem “Parents”.

Produzido nos EUA e inteiramente falado em inglês “Parents” utiliza a canção da banda Brasiliense como inspiração para retratar os conflitos familiares e o despertar de uma jovem garota(Coco Joelle Williams) ao mesmo tempo em que precisa lidar com o caos que se tornou a vida conjugal de seus pais(Ludmila Dayer e Heldane Morris).

O diretor Thales Corrêa induz seu filme ao um terreno metafórico e poético tal qual a canção que o baseia. Thales se revela um diretor atento aos mínimos detalhes e extremamente hábil em utilizar as entrelinhas e simbolismos que existem ali para retratar o universo interno de seus personagens especialmente da Garota (Coco Joelle Williams).

O silêncio tem um papel narrativo de grande importância em “Parents”. Ele leva o espectador para o universo interior daqueles personagens ao mesmo tempo que deflagra tanto o despertar daquela menina na difícil tarefa de crescer servindo para dar o tom das suas descobertas quanto retrata o ambiente hostil que a jovem se encontra. O silêncio estabelece e estrutura as relações entre os personagens(ou a falta delas).

O diretor revela uma habilidade em explorar os mínimos detalhes, um exemplo disso é o fato da sua câmera estar quase sempre em movimento a procura de algo, adentrando o cenário sempre com planos descritivos ao mesmo tempo em que utiliza os closes e movimentos de câmera circular para expressar a interação entre os personagens. “Parents” possui cenas recheadas de lirismo e poesia(fato acentuado pela poderosa trilha instrumental) em que a jovem menina se “fecha” em seu mundo particular para escapar dos conflitos que acometem seus pais. Neste e em outros momentos Correa da um tom metafórico e fantástico as cenas como se a jovem estivesse reclusa em sua própria bolha. Bolha esta que é sempre quebrada pelos fatores internos de seu lar.

Thales imprime uma suave agilidade as cenas com a intenção de captar todos os pontos de vista daquele cenário familiar prestes a desabar, para isso utiliza de flashbacks , trucagens e sobreposições de cenas que representam o choque de realidade da protagonista(Coco Joelle Williams) com o seu real conflito familiar.

O fato de o filme ser visto sobre o ponto de vista da menina garante aos espectador um olhar terno e puro sobre a situação que se acomete aquela família.

“Parents” me lembrou muito os longas “Pauline na Praia” do francês Eric Rohmer e “A Deriva” do Brasileiro Heitor Dhalia pela forma com que retrata o despertar da jovem(Coco Joelle Williams).


Agora o que mais me chamou atenção em “Parents” foi a sua bela fotografia. Utilizando um granulado forte e poderoso a fotografia de Tobias Delm ressalta a poesia e o lirismo que permeiam o filme.

Os atores expressam sintonia em cena estando confortáveis e ótimos em seus respectivos papeis. Coco Joelle Williams atua de maneira singela e doce exprimindo graça e ternura em cena. Sua sintonia com Heldene Morris que interpreta seu pai é deliciosa de se assistir.  Heldene, é outra grata surpresa do Curta. Um ator com uma atuação primorosa ao mesmo tempo sensível e delicada.

É ótimo constatar o quão Ludmila Dayer cresceu como atriz. Eu não acompanhava seus trabalhos havia alguns anos e é maravilhsoso ver a sua evolução que acaba resultando em uma atuação segura e controlada bem como a personagem exige. A atriz se empenha em construir a falta de afeto na relação entre ela e Coco Joelle interprete de sua filha. Uma cena em especial me deixou abismado com a capacidade de atuação de Ludmila (que eu não vou contar obviamente mas quando vocês assistirem vão sacar qual é essa cena).


Por fim, concluo que “Parents” é um filme sensível e encantador. Não só por que levou a música da minha banda favorita ao um significado imaginável mas porque a sensibilidade e poesia que Thales Corrêa imprime em seu curta me emocionou.    






sábado, 21 de setembro de 2013

Beady Eye- Rak Them Out





* crítica feita em comemoração ao aniversário de 41 anos do Liam Gallagher, vocalista da Beady Eye.



Eu estou completamente viciado em Beady Eye. A banda se tornou a minha nova obsessão musical portanto quando eu descobri que havia outro documentário sobre a banda logo corri atrás.


“Beady Eye – Rak Them Out” retrata o inicio após a dissolução do Oasis em 2009. A busca por uma identidade musical própria e principalmente realizar uma banda com uma sonoridade de significado muito pessoal onde todos tem o poder de decisão e a liberdade de expressar a sua sonoridade sem controles externos.

É um documentário onde a musica predomina isso fica claro pela opção da Banda(e também realizadora do filme) em se colocar em segundo plano apenas com a narração e deixar a música se sobressair, é como se a música falar por si própria.

Através de uma narração em segundo plano do ponto de vista dos próprios integrantes podemos constatar – e visualizar a evolução musical da banda. Assim, o espectador é convidado a ser testemunha do processo criativo da banda. Assim, podemos constatar a química que existe entre eles, ao adentrar as gravações percebemos a necessidade da busca de uma identidade musical para a banda saindo da “sombra” do Oasis. É onde a “mágica” acontece.


O documentário tem uma estrutura muito pautada na sonoridade do grupo, acabando por se tornar quase experimental sobretudo porque é a musica que dita os caminhos que o documentário vai tomar. Traçando um paralelo com a banda é assim que acontece em sua dinâmica, no documentário fica evidente a pretensão e necessidade da banda em realizar uma sonoridade particular,única e que os represente enquanto banda.

Ao longo de seus 12 minutos, o mini documentário se mostra dono de uma estética bastante ágil impulsionado pela musica principalmente. Adotando uma combinação de um ritmo frenético e telas divididas, utilizando-se de trucagens e efeito “clipado” o que ressalta a musicalidade presente no documentário.
 Além da já citada narração que serve de pano de fundo de modo a demonstrar a evolução e expectativas dos integrantes com o novo projeto que estava nascendo. Quanto ao formato há uma agilidade impressionante considerando a duração de um documentário de curta metragem onde as coisas tendem a ser mais condensadas.


Um aspecto interessante em documentários e que aqui ganha um diferencial é a questão do Ponto de Vista que exemplifica a questão da individualidade e da visão pessoal da banda. Assim é interessante a visão de Gem sobre a qualidade musical de Liam e vice versa. Permitindo assim uma visão particular sobre a química de união de um grupo.

“Rak Them Out” se torna mais do que um simples documentário de bastidores ao revelar todo o aparato fílmico e musical, neste caso do clipe da música “Bring the Light” dirigido por Charlie  Lightening. Aliás a própria estrutura do videoclipe diz muito sobre a banda como bem lembra Liam no documentário o clipe é dotado de uma estrutura muito simples de modo que a música da banda prevaleça e se sobressaia.



“Rak Them Out” e “StartAnew” (o documentário posterior do Beady Eye , mostrando o processo de lançamento do segundo álbum “BE” são dois filmes que dialogam entre si, representando justamente o antes e o depois da banda. Seria injusto se este ou “Start Anew” são melhor ou pior. O fato é que os dois são bastante representativos no seu período. Pra mim “Rak Them Out” ganha identidade própria enquanto documentário ao adotar o esquema “faça você mesmo”- pelo fato da própria banda estar no comando do filme. É extremamente prazeroso acompanhar os primeiros passos de sua banda favorita ainda mais quando isso provêm do seu próprio olhar.




 *Documentário presente na versão Deluxe do álbum "Different Gear, Still Speeding".





   

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Lord Don´t Slow Me Down





Eu sou um grande fã do Oasis então quando eu descobri que existia um filme sobre a banda, assisti-lo virou questão de honra. “Lord Don´t Slow Me Down” acompanha a Banda na turnê do álbum “Don´t Believe the Truth”.


O documentário dirigido por Balilie Walsh assume uma postura observacional de adentrar com sua câmera indiscreta o cotidiano da banda e de quebra convida o público para ser seu convidado nessa jornada. Fantástico não? Imagine poder olhar pelo buraco da fechadura da sua banda preferida? Eu não sei vocês, mas a mim parece extremamente tentador.

É isso que acontece nesse documentário onde a banda versa sobre a evolução da sua música, os fãs , o sucesso e a sua dinâmica enquanto grupo principalmente na relação entre Noel e Liam Gallagher. Construído de maneira ágil o filme segue essa dinâmica frenética da turnê onde as entrevistas tem um espaço importante e é onde percebemos que a banda nos expõe seu intimo e nos permite adentrar momentos particulares como o aniversário de Liam e o ônibus da turnê por exemplo. O fato da própria banda assumir o controle acaba por resultar em um filme ágil e frenético. Assim os fãs são convidados a embarcar na viagem com a banda e a fazer parte dela.


O ponto de vista é uma questão importante no filme pois assim poderemos saber qual foi a impressão sobre aquele público além de ser ressaltada a sua importância na realização do que o Oasis se tornou. Os fãs são sem dúvida uma parte integrante do filme e para nós isso é extremamente gratificante saber que contribuímos para o Oasis ser o que é.

Mas o gratificante mesmo é presenciar o espetáculo catalisador que a banda nos proporciona no palco. É algo difícil de explicar é algo mágico , místico a química que os irmãos apresentavam em conjunto era algo impressionante, ali todas as diferenças eram colocadas de lado e eles se igualavam musica e fraternalmente, se tornavam um só.

A fotografia do filme é de uma beleza estética excelente. Tornando o filme dotado de um visual maravilhoso e da a impressão de que estamos diante de algo raro e precioso.

É um documentário totalmente aberto e disponível onde somos apresentados á pessoas que se expõe sem pudores como quando Liam e Noel falam sem amarras sobre seus desentendimentos inclusive recordando o passado. Ver Noel reconhecendo o talento de Liam e sua importância e ressaltando sua importância além de expressar sobre a natureza da relação afetiva que os une é de arrepiar. Bem que Noel poderia se lembrar disso e aceitar fazer uma reunião da banda ou até mesmo voltar como a banda em definitivo. Nós fãs iríamos amar e saltitar de felicidade não é mesmo.


Quem é fã gostaria de ter o seu dia “Quase Famosos” e acompanhar a sua banda? Todos eu imagino e mais saber como eles enxergam o tamanho sucesso que conquistaram. Isso fica evidente quando eles tocam em lugares como Hollywood e no Madisson Square Garden. Tópicos como “vocês imaginavam chegar até aqui?” e o que é ser um rockstar pra vocês”? se fazem presentes ressaltando a importância da banda no cenário musical mundial e quando eles chegam ao Japão e podem constatar que sua música realmente quebrou barreiras.

É de fato um privilégio acompanhar a banda nessa viagem, um deleite pra quem é fã assistir a isso e ser colocado do “lado de dentro” é algo impossível de descrever pois me faltam palavras para isso (aliás eu nem sei como consegui escrever esta resenha).


Eles bem que poderiam fazer a nossa felicidade e fazer nem que fosse uma turnê de reunião- e que passasse pelo Brasil evidentemente. Sobretudo porque em 2014 se comemora 20 anos do álbum de estreia da banda “Definitely Maybe”.

Eu amo Oasis pra mim eles são de uma categoria elevada. Suas canções transbordam de maneira visceral e atingem a alma. Infelizmente me faltam dons musicais para expressar a minha adoração pela banda então está resenha.



Obrigado por tudo Oasis e eu aguardo ansiosamente a sua volta pois a esperança é a ultima que morre. De um eterno e incondicional fã, Marcelo. 



terça-feira, 16 de julho de 2013

Start Anew



Após a dissolução do Oasis em 2009 os irmãos Gallagher seguiram caminhos diferentes. Enquanto Noel formou o “High Flaying Birds” Liam em conjunto com os integrantes remanescentes Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock o Beady Eye.

Lançando o seu segundo disco intitulado “BE” em 2013 a banda ganhou o documentário de curta metragem “Start Anew” – mesmo nome de uma das canções do disco. Dirigido por Alex Hoffman.

O documentarista acompanha a banda durante a preparação e pré- divulgação do disco. Hoffman constrói nos 27 minutos do curta um terreno neutro para que a banda possa revelar seu intimo e demonstrar a sua qualidade artística. Hoffman acaba por realizar um panorama do processo criativo da banda.

É claro que as comparações com o Oasis é um tema recorrente do curta e os integrantes deixam clara a liberdade artística que existe na banda- ao contrario do Oasis onde Noel era possessivo e controlador.
Essa mesma liberdade que existe na banda é que o documentarista confere ao curta permitindo assim que os integrantes se expressem tal como são e falem sem rodeios sobre todo e qualquer assunto em um ambiente neutro e descontraído.

Hoffman tem uma opção interessante de não interferir no contexto do filme, sua presença ali é quase imperceptível e que faz toda a diferença no sentido que ele transmite o controle do filme para a banda e da ao espectador uma perspectiva “Backstage”.

O documentário retrata com notável agilidade a pré estreia do álbum e mais os ensaios, a harmonia entre os integrantes, sua ansiedade.

Um aspecto bastante resaltado em “Start Anew” é a diferença entre o Beady Eye e o Oasis e as inúmeras comparações que fazem entre as duas bandas. De fato são projetos bastante diferentes e o Beady Eye é uma banda muito mais evoluída musicalmente e há uma diferença gigantesca na sonoridade e nos riffs e acordes. É uma simbiose harmônica.

O dinamismo e o magnetismo imposto nas imagens em conjunto com a agilidade da montagem acabam por ressaltar a potencia e qualidade musical da banda, funcionando como um registro da sua evolução musical nos momentos que antecedem o lançamento do álbum.

Uma coisa que me impressiona em documentários musicais e em “Start Anew” funciona perfeitamente é o fato do fã ser uma parte integrante do filme para que possam ter todas as perspectivas dentro do filme.

Um fator reforçado pelo documentário é o que o Beady Eye é um projeto único de qualidade artística incomparável e certamente a banda tem uma sonoridade impressionante jamais vista antes. A experiência musical dos integrantes acabou por resultar em uma banda entrosada e com uma sonoridade visceral.

“Start Anew” acaba por se tornar um registro verdadeiro de uma banda que caminha em direção ao sucesso com sonoridade única buscando construir sua marca. Nunca olhar pros bastidores foi tão divertido.










sábado, 13 de julho de 2013

Especial: Filmes de Rock



Hoje dia 13 de julho se comemora o Dia Mundial do rock. A data foi assim intitulada em homenagem ao Live Aid um festival que contou com bandas como Black Sabbath, U2, Led Zappelin, Queen, David Bowie e The Who. Desde então, o dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock.

Pensando nisso elaborei um especial com filmes de rock. Afinal, o cinema e o rock tem uma relação muito próxima. A lista tem origem totalmente afetiva de filmes que eu gosto e queria compartilhar com vocês. E tem de tudo: Comédias, dramas, documentários.

Pra ficar mais fácil reduzi os muitos filmes ao “Top 10”

10) Escola de Rock (Rock of School, 2003)

Nesta comédia de 2003 Jack Black é Dewen Finn um guitarrista falido que se disfarça de professor em uma rigorosa escola preparatória para crianças (uma clara alusão ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”). Finn ao descobrir a aptidão musical das jovens crianças monta uma banda clandestina com a intenção de se apresentarem em um festival local. “Escola de Rock” é uma deliciosa e divertida comédia que mostra como a música pode ser um agente transformador na vida de qualquer pessoa.


Neste filme dirigido por Alan Moyle que dirigiu “Um Som Diferente” (que eu nunca achei pra assistir, portanto, se alguém quiser deixar um link nos comentários com o filme eu agradeço.) Somos apresentados a um grupo de jovens que trabalham em uma loja de discos ao mesmo tempo em que perseguem seus sonhos. Com trilha eclética e abrangente (Dishwalla, Coyote Shivers, The Cranberries) e com inúmeras referencias musicais como á musica “Crazy” do Aerosmith (que Liv Tyler que esta no filme protagonizou o clipe da música) e ao Alice In Chains. Também foi um dos primeiros filmes de muitos atores que hoje são estrelas como a própria Liv e Renée Zellweger) além de outros astros como Coyote Shivers e Debi Mazar- quem assistiu a série “Entourage” deve lembrar de Debi como a impagável assessora de imprensa Shauna.



Fazer um especial de filmes de rock e não citar um filme do Cameron Crowe é quase um crime. Por essa e por outras inúmeras razoes “Singles” está aqui. A ideia de Crowe foi realizar um filme sobre a cena musical de Seattle (que ele conhecia de perto devido ao seu trabalho como jornalista musical). A principio o estúdio foi contra a ideia, mas com a explosão do movimento grunge decidiram produzir “Singles” com uma trama sobre jovens solteiros que dividem um conjugado de apartamentos em Seattle (notaram onde os criadores daquela série medíocre chamada “Friends” chuparam a ideia? Só trocaram Seattle por NY) estes jovens vivem em meio à explosão da cena musical de Seattle. Filme representativo do estilo Grunge- o único eu acho e com uma trilha sonora perfeita que casa com o universo retratado e se tornou eterna mais até que o próprio filme. O filme conta com participações dos integrantes do Pearl Jam e Alice in Chains. A trilha absolutamente perfeita conta com bandas como os próprios pearl Jam e Alice in chains além do Soundgarden e Paul Westerberg que canta a música tema do filme “Waiting for Somebody”.



Após a cinebiografia de gosto e veracidade duvidosas dirigido por OliverStone. Os integrantes remanescentes dos Doors manifestarem a vontade de ter sua história novamente contada- dessa vez tendo um compromisso com a realidade dos fatos. O documentário narrado por Johnny Depp impressiona pelo tratamento das imagens de arquivo bem pela como condução narrativa que a narração de Depp confere ao filme. Vale resaltar que documentário abrange todos os integrantes da banda como um todo – ao contrário do filme de Stone que prioriza a figura mítica de Jim Morrison.


6) Alta Fidelidade (High Fidelity 2000)

Baseada no romance homônimo de Nick Horby “Alta Fidelidade” nos apresenta a Rob Gordon (John Cusack) um simplório dono de loja que leva um pé na bunda e resolve reavaliar sua vida amorosa elegendo um “top Five”- da mesma maneira que cataloga seus discos preferidos. O filme possui um excelente uso da metalinguagem e das trucagens fílmicas. A trilha é repleta de clássicos que seria injusto citar só uma. Atuação brilhante de John Cusack. Jack Black também esta nesse filme em outro papel impagável.



Acredite ou não Martin Scorsese tem raízes roqueiras. Tendo dirigido alguns documentários sobre rock como esse em que documenta um show dos Rolling Stones. Mas Scorsese fez mais: Matou a curiosidade de todo e qualquer fã dos Stones e abriu o behind the scenes revelando o processo de composição do documentário. Além de ricas imagens de arquivo. Excelente filme.



Quem se não Cameron Crowe seria capaz de produzir um documentário sobre o Pearl Jam? Só o Crowe mesmo. Produzido em comemoração aos 20 anos da banda o documentário revela a formação, os percalços além do sentido de muitas músicas, contextualizando assim o Pearl Jam como um dos principais responsáveis pela solidificação do Grunge. A longa amizade do diretor com os integrantes garante ao filme um aspecto de conversa intima.



Cinebiografia do cantor Cazuza. Demonstra de maneira ficcionalizada o inicio da carreira de Cazuza á frente do Barão Vermelho sua explosão como letrista e o inicio da sua carreira solo bem como o agravamento da AIDS – doença que colocaria fim a sua vida em 1990 aos 32 anos. O filme conta com atuações excepcionais de Daniel de Oliveira como Cazuza, Leandra leal como a cantora Bebel Gilberto amiga do músico, Emilio de Mello como o amigo e orientador Ezequiel Neves (Zeca) e Marieta Severo e Reginaldo Faria como Lucinha e João Araújo os pais do cantor.      



Se cazuza foi um símbolo do rock dos anos 80 Brasília foi o epicentro. Centrado na história de jovens bandas (na época) que influenciadas pelo punk inglês produziram letras de contestação política e social de bandas como Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana. Documentário possui uma direção ágil de Vladimir Carvalho. Maravilhoso.



Cameron Crowe resolveu compartilhar as suas vivencias no mundo do rock com seus espectadores com este filme eternamente delicioso e inspirador. O filme conta a história de William Miller alter-ego do diretor que como ele foi convidado a excursionar com uma banda a serviço da revista Rolling Stone no caso a fictícia Stillwater para publicar uma matéria na famosa revista musical. Eterno e inspirador com uma trilha formidável que vai desde Elton John com a inesquecível cena de Tiny Dancer no ônibus até os clássicos do The Who, The Allman Brothers e Led Zeppelin. Cameron Crowe marcou seu nome para sempre no coração dos fãs de boa musica e popularizou a expressão “Uncool”. Como não se identificar? Um Clássico moderno e inspirador.


Gosta de algum filme que não está na lista , um filme pouco conhecido? Deixe sua sugestão nos comentários
  

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Lixo e a Fúria




Os Sex Pistols tiveram uma curta duração (cerca de 26 meses) e seus talentos e habilidades artísticas eram naturalmente duvidosos. Porém, pode se dizer que eles estavam no lugar certo na hora certa. O ano era 1977 e os Sex Pistols eram o símbolo de revolta e inconformismo contra as leis e principalmente contra a coroa Britânica em um movimento que se tornaria o movimento Punk.

Fechando a trilogia do cineasta inglês Julien Temple sobre a celebre banda “O Lixo e a Fúria” funciona como um retrato do inicio do movimento punk, mas principalmente como um acerto de contas da banda com o seu empresário Malcon McLaren.

Construído a partir de imagens de arquivo e entrevistas com os membros remanescentes vivos e com Malcolm McLaren Julien Temple construiu o documentário com base em uma estética experimental e porque não dizer suja e grotesca o que condiz com a imagem da banda.

Temple imprimiu ao documentário uma agilidade veroz, adotando essa opção estética quase mambembe caracterizada pela falta de tratamento das imagens e apelo visual gritante. De fato as imagens captadas pelo diretor tem um aspecto de colagem das imagens aqui exibidas. Mais do que isso, o documentário de Temple é dotado de uma agilidade narrativa que beira o inasistivel. As imagens são muitas vezes desfocadas acompanhadas por uma fotografia forte que serve aqui como um importante aliado da direção experimental e raivosa de Temple.


Aqui, as palavras de ordem parecem ser velocidade e fúria como o próprio titulo diz. Temple prima pela desconstrução da montagem a todo o momento garantindo ao longa um efeito clipado além de usufruir de diversos elementos para realizar a sua costura sobre a banda tais como: Animações e justaposição de cenas o que fortalece o caráter experimental da obra. O filme possui um frenesi caótico que acompanhado da sujeira visual causam repulsa e desconforto (eu não sei vocês, mas eu não gosto de ver pessoas cuspindo no palco) acabam por marcar o estilo de Temple e da própria banda.

Literalmente o ultimo tiro dos Pistols.










sábado, 1 de junho de 2013

Faroeste Caboclo




Durante a sua fase Trovador Solitário as letras de Renato Russo se destacavam por serem narrativas, contando histórias. Uma das maiores letras é Faroeste Caboclo que conta a saga social de João de Santo Cristo e Maria Lúcia. Era desejo de o próprio Renato levar sua mítica música ao cinema, agora “Faroeste” finalmente chega aos cinemas pelas mãos do estreante René Sampaio.

Em “Faroeste Caboclo” (o filme) prima pela desconstrução da lendária música da Legião. O diretor René Sampaio opta por desfragmentar a letra inserindo o mítico personagem João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) no cenário brasiliense dos anos 80.

Com um prólogo inicial com ares de Road Movie e esteticamente belo devido a uma fotografia elegante e a um travelling bem orquestrado, o inicio já é prejudicado pela narração maçante do protagonista. Nada, porém, que prejudique o desenrolar do filme, mas é um elemento realmente chato.
Sampaio soube utilizar a energia da música (que já é cinematográfica por si só) a favor dos belos takes. Ele faz mais, introduziu ao filme um vigor e uma agilidade rítmicas além de induzir o suspense inerente à narrativa muito por causa da trilha sonora composta por Phillipe Seabra vocalista da Plebe Rude (que inclusive está presente na trilha).

O diretor alia a sua agilidade com flashbacks muito bem orquestrados que aumentam a tensão dramática além de colocar o espectador pra dentro da ação do filme, contextualizando as ações do protagonista João (Fabrício Boliveira).

O fato de João e Maria Lucia pertencerem a mundos opostos que se convergem é exemplificado pela montagem de Marcio Hashimoto. A opção pela montagem paralela conduzindo as narrativas dos protagonistas simultaneamente até o surpreendente encontro.

A montagem também engrandece os flashbacks que já são muito bem dirigidos de maneira rítmica e intensa pelo diretor René Sampaio. A opção do diretor pelo corte seco e sobreposições de planos antes ou depois dos flashbacks é um recurso que se revela bastante hábil à medida que revela ao espectador mais sobre a trama e os personagens, além de que o diretor soube contrabalançar os altos e baixos do protagonista bem como os lugares que ele frequenta.

A fotografia a cargo de Gustavo Hadba se destaca pelo forte granulado que imprime as imagens reforçando assim os aspectos de “Road movie” e saga social que o filme apresenta. A fotografia de Hadba destaca as belas imagens captadas pelo diretor especialmente no que diz respeito ao travelling e planos aéreos que o diretor utiliza. Só é uma pena que Hadba em algumas ocasiões opte por escurecer demais determinadas cenas tornando os atores quase invisíveis.


O roteiro de Marcos Bernstein e Victor Altherino desconstrói a música desfragmentando-a para depois recompo-lá em cenas. É visível a preocupação dos roteiristas em contextualizar as motivações do protagonista João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira). Os flashbacks, por exemplo, são utilizados principalmente por esta razão.

Os roteiristas dão o embalsamento dramático necessário aos personagens da mítica letra de Renato Russo além de inserir novos. Nas mãos da dupla Bernstein/altherino os personagens e as situações da epopeia dramática ganham força alem da música que inspira o filme.

Os roteiristas reforçam a todo momento as diferenças sociais que separam os protagonistas João (Fabrício Boliveira) e Maria Lucia (Isis Valverde). Além de destacar a rivalidade social e econômica que separam os traficantes Pablo (César Trancoso) e Jeremias (Felipe Abib) que se transformará em uma disputa amorosa por Maria Lucia.

A trilha de Philipe Seabra e Lucas Marcier utiliza-se de diversos gêneros para compor a saga de João de Santo Cristo. A música dotada de certo lirismo dão o tom de Road movie que o filme necessita em muitos momentos. 


O elenco possui boas atuações ao todo com atores que se destacam por menor que seja a sua participação. Fabricio Boliveira soube carregar esse personagem tão mítico na cultura popular e que é o reflexo social do Brasil. Boliveira trabalhou as nuances do seu personagem bem como as suas motivações para torna ló crível. Um talento.

 Ísis Valverde é uma grata surpresa na pele de Maria Lúcia. Tenho que admitir que fui contrario a ideia da atriz interpretar a personagem imortalizada na letra de Renato Russo, mas Isis arrebata o público ao imprimir força na patricinha brasiliense e a atriz foge de todas as armadilhas (e olha que são muitas que seu papel desencadeia). Assim, a atriz foge do lugar-comum ao dar ao seu papel nuances desafiadoras e de bravura extrema.

Felipe Abib constrói Jeremias como um playboy mimado, inconsequente, violento e acima de tudo viciado. Jeremias é dotado de um sentimento de posse e controle sentimentos que Abib imprime ao seu vilão com maestria.

Marcos Paulo que fez sua ultima participação no cinema (ele faleceu em novembro do ano passado) tem uma participação de suma importância na história como Ney, o senador Pai de Maria Lucia (Ísis Valverde). Marcos empresta ao personagem uma grandeza social quase aristocrática sendo responsável pela divisão social que separa Maria Lucia de João (Fabrício Boliveira).
  
César Trancoso dá vida a Pablo o primo traficante de João que o acolhe e o introduz no tráfico assim que ele chega a Brasília. César insere trejeitos ao traficante de gosto duvidoso, tendo o ator uma imensa presença cênica que abrilhanta o filme. A própria dicção do ator de sotaque espanhol da um tom caricatural que é muito bem vindo ao personagem.


A saga social de Renato Russo finalmente ganha um filme a sua altura com uma produção elegante e audaciosa. Tão audaciosa que arrebata o público que implora para que não acabe.