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terça-feira, 9 de junho de 2015

Top Five: Meu aniversário




Resolvi ressuscitar o blog por um motivo bem especial. Hoje é meu aniversario e eu aproveitei os últimos minutos dos meus 22(finados) anos para elaborar um divertido top Five- calma gente , não é o do CQC- pra vocês saberem os meus gostos culturais – entre música , filmes, seriados e livros. Afinal, como os personagens de Nick Hornby, acredito ser possível definir a personalidade de uma pessoa através de seus gostos.



- Filmes:

5) “Escola de Rock” (Richard Linklater, 2001)

Esse é a minha lembrança mais remota de um filme marcante- ao lado do delicioso “Mudança de Hábito”. Sempre fui apaixonado por musica,e ter nesse filme um professor doido e adorável que liberta seus alunos através do rock n´rool é maravilhoso , divertido , com direito a cantar a plenos pulmões a trilha sonora e me divertir com as peripécias do professor interpretado por Jack Black e seus alunos.

4) “Os Incompreendidos” (François Truffaut, 1959)

Um dos principais expoentes da Nouvelle Vague Francesa, trata da estória de Antoine , alter-ego do diretor que como ele foi um incompreendido em todas as esferas sociais: Na escola , na família... Antoine não se encaixava, precisava de afeto e ele encontrou esse afeto na sétima arte. Se faltou afeto a vida do diretor- e consequentemente do personagem, François Truffaut soube deixar nesse filme doses extras de ternura , afeto e amor aos seus iguais. Além disso, possui uma delicadeza comum ao cinema oriundo da frança.

3) Cazuza- O Tempo Não Para(Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004)
Esse foi daqueles filmes “pontos de virada”. Lembro que me apaixonei pela obra do artista, a genialidade e a rebeldia do poeta exagerado. Minhas cenas favoritas do filme são a do encontro com os barões , o rock in rio 1985 e a cena belíssima da composição de “Eu Preciso Dizer Que Te Amo”. Já sei as cenas de cor e salteado.

2) O Lado Bom da Vida(David O. Russel, 2012) e Rock Brasília – A Era de Ouro(Vladmir Carvalho,2011)

Tive que infligir a regra e dividir esse tópico do top Five em 2. O lado Bom da Vida é – principalmente o Pat(Bradley Cooper) é meu espelho em tantos momentos. Na sinceridade cortante, a intensidade , de se sentir bem e confortável na própria pele, sem vergonha de ser ele mesmo. Pat me representa!

“Rock Brasília” foi uma experiência única. Poder mergulhar a fundo na trajetória da  Legião Urbana e do Capital Inicial nesse fidelíssimo documentário. Um retrato de uma época onde se tinha ideais artísticos e sociais, onde os jovens tinham ideais. Sabe aquela frase nasci na época errada? Então bem isso. Esse filme é fúria , amor, história e musica.

1) Quase Famosos(Cameron Crowe , 2000)

Escolher só um filme do Cameron Crowe é covardia. Todo mundo sabe do meu amor pelo diretor, que rendeu até um fan film. Escolhi “Quase Famosos” não só porque foi o meu pontapé inicial na filmografia dele mas também porque ele sintetiza o que o amar e perseguir um sonho acima de tudo. William, o protagonista do filme e alter-ego de Crowe ama a musica e cresce ao meio de uma turnê de uma banda de rock, onde descobre a si mesmo numa viagem regada a sexo, drogas e rock n´rool. Esse filme representa o sonho, mas não só o sonho do William, é o sonho de todos nós fãs de rock que queriam ter a oportunidade de viajar com sua banda favorita.

-Música

5) Oasis

Eles podem ser presunçosos, arrogantes mas são encantadores e talentosos. A banda liderada pelos irmãos Liam e Noel Gallagher atravessa gerações representando os amores, anseios e desejos de jovens de todas as idades. “Wonderwall”, “Supersonic”, Live Forever”, Songbird, “Don´t go away, Champagne Supernova e “Stand By Me” estão entre as minhas favoritas da banda. Eu espero que eles parem logo de besteira e retomem a banda logo.

4) Marilyn Manson

O meu amor maior. Eu amo, entendo e me identifico com ele e sua musica. Através de metáforas ele critica os dogmas vigentes na sociedade como a escola, religião e família. Nas suas letras ele expressa toda a minha indignação com a sociedade e sua hipocrisia que tenta nos encaixar em rótulos e ditar regras. Não posso escolher uma música só então, vou escolher um álbum: Mechanical Animals.

3) Legião Urbana, Barão Vermelho, Cazuza e Renato Russo

Dividi de novo esse item porque pra mim essas são as bandas que melhor representam não só a minha pessoa ,mas é o retrato de uma geração.

A Legião é minha vida. Suas musicas são meu reflexo pela linguagem as vezes direta, as vezes através de metáforas. Tempo Perdido, Pais e Filhos, Metal Contra as Nuvens, Eduardo e Monica, Faroeste Caboclo, O Teatro dos Vampiros, Quase sem Querer e Mais uma Vez –essa da carreira solo de russo falam diretamente pra mim.

O Barão Vermelho e o Cazuza tinham – e ainda tem , com Frejat liderando a banda, uma particularidade muito interessante. Conseguiam retratar com delicadeza e romantismo os anseios , dores e amores de todas as gerações.

Minhas favoritas barão com Cazuza: Bete Balanço,Maior Abandonado, Rock em geral, pro dia nascer feliz ,Billy negão,subproduto de rock, todo o amor que houver nessa vida e blues do iniciante.

Cazuza Solo: O tempo não para , ideologia, exagerado, blues da piedade, faz parte do meu show, Ritual, Medieval 2 , Eu preciso dizer que te amo, Um trem pras estrelas e culpa de estimação.  

2) Elis Regina

A pimentinha é a maior cantora brasileira. E ainda hoje mais de 30 anos após sua partida ela continua reinando absoluta na musica brasileira. Elis conseguia unir doçura, energia , fúria e dramaticidade ao cantar.

Minhas canções favoritas: Águas de Março, tinha que ser com você, arrastão, redescobrir , alô , alô marciano, agora tá e o bêbado e a equilibrista.

1) Rita Lee

A rainha soberana do rock brasileiro. Lembro exatamente da primeira vez que a vi – eu tinha 11 anos e fiquei hipnotizado pelos seus cabelos vermelhos. Rita consegue unir o rock roll com um humor e irreverência únicos. Além disso, ela passeia por todos os gêneros musicais , sem deixar o rock de lado.

Meus favoritos:  A DISCOGRAFIA INTEIRA, IMPOSSÍVEL CITAR SÓ UMA.


- Livros


5) On the Road

A bíblia  do movimento beat é um ode a liberdade e o retrato da juventude  e a experimentação dos anos 50. Drogas, sexo, descobertas , musica e jazz estão nesse livro representado por personagens encantadores. Uma coisa é fato:  Dean Moriarty é o nosso anti herói favorito da literatura.

4 )Neuromancer

A obra prima cyberpunk de William Gibson me deixou com varias pulgas atrás da orelha mas certamente é marcante pela construção da Matrix(o ciberespaço) , por colocar elementos como o baixo nível de vida, clinicas clandestinas, personagens enigmáticos e tridimensionais. Todos os hackers ou amantes de tecnologia são um pouco como Case, tornando fácil a identificação com o personagem.  


3) Cazuza- Só as Mães são  Felizes

O Livro que inspirou o filme “Cazuza- O Tempo Não Para” retrata com muito mais fidelidade o que foi Cazuza, o filho amado e carinho, a rebeldia, os amores , a descoberta artística, a coragem em se assumir com AIDS em uma época extremamente preconceituosa e o amor extremado de uma mãe, Lucinha Araújo que não entregou os pontos nem após a morte do filho.

2) Fugalaça 

Satine, alter-ego da escritora Mayra Dias Gomes é uma adolescente em busca de um lugar pra chamar de seu, de alguém que possa preencher os vazios deixados pela morte prematura de seu pai. Há dor , há descoberta, coragem, compaixão , há verdade em Fugalaça. Satine tenta sobreviver ao inferno particular da adolescência, enfrentando dilemas típicos dessa fase, sem ter sarado antigas feridas.  Esse livro é especial pra mim, pois me trouxe a amizade da Mayra, amizade esta que eu valorizo muito.


1)    Feliz Ano Velho

O primeiro livro que falou diretamente pra mim, quase como um reflexo de mim. É o retrato de Marcelo Rubens Paiva após sofrer um acidente. É também a lembrança da sua juventude ate ali com a camaradagem, o amor, sexo, drogas e musica como elementos principais. Além disso, o livro que impressiona pela liberdade narrativa, linguagem coloquial, é também a visão de Marcelo sobre o desaparecimento de seu pai, o deputado Rubens Paiva, desaparecido durante o período negro que foi a ditadura militar.



  -Seriados


5) The O.C

Simplesmente porque a série teen mais verdadeira dos últimos 10 anos. Trata do jovem sem pudores, abordando temas como sexo , drogas, bullying, sexualidade, segundas chances,cultura pop  e família. E o melhor do seriado é a relação entre os irmãos adotivos Ryan  e o nerd Seth Cohen. Devo ao Seth a descoberta do meu lado nerd. The O.C é sobre família e  diferenças sociais. A primeira temporada vale pela série toda.





4) Keeping up With the Kardashians

Ué , reality Show? Eu não vejo diferença entre série ficcional e reality, pra mim é tudo uma coisa só. A única diferença é que os personagens existem. Eu amo a família Kardashian/Jenner. As brigas , as festas, as reconciliações, a carreira das kardashians/jenners , Khloe , a minha favorita e é claro, a momanager Kris e o seu “Kardashian Brand”.





3) Elementary

A versão moderna do Sherlock Holmes se passa na Nova York atual. Além de ter o excelente ator Jonny Lee Miller que construiu um detetive excêntrico, cheio de manias , frases de efeito, inteligente e com um humor ácido(tão eu). Elementary impressiona não só pela capacidade de dedução do personagem e como os pequenos detalhes fazem a solução do caso. A química entre Miller e Lucy Liu que faz a doutora Watson- uma versão feminina do parceiro do detetive, é deliciosa de assistir como os dois personagens antagônicos se completam.

  


2)    Entourage

Uma série sobre amizade e sobre a carreira em Hollywood. Um ator que leva a sua entourage de amigos enquanto precisa lidar com a industria e todos os aspectos do show buissness. Um buraco na fechadura sobre como são feitos os negócios na terra do cinema. Além disso, aborda a amizade masculina, o bromance com todos os aspectos que isso trás, piadas sujas, mulheres, drogas, sexo , festas e humor ácido.


1)    Californication

Livremente inspirada no escritor Charles Bukowski, Californication nos apresenta a Hank Moody , um escritor envolto em uma vida de vícios como sexo , drogas e a maldita falta de inspiração enquanto tenta se livrar do bloqueio criativo e retomar relações com a filha e a ex-namorada. Uma série despudorada em todos os sentidos.







Menções Honrosas

Filmes: Pearl Jam Twenty, We Bought a Zoo, Boyhood, Whiplash, A Teoria de Tudo , X-men: Primeira Classe e Hackers: Piratas de Computador, Um Lugar Qualquer, Intocáveis, Procura-se Amy, Gênio indomável.

Séries: Charmed, Alias, Ray Donavan

Música: Maria Rita , Nenhum de Nós, Beatles, Pearl Jam, Emicida, Eminem, Charlie Brown Jr, The Who, Coyote Shivers,Capital inicial, Beady Eye e The Pretty Reckless.


Livros: Misto Quente, Flores do Mal, Cartas na Rua, Mil e Uma Noites de Silêncio e Feérica. 

sábado, 21 de setembro de 2013

Beady Eye- Rak Them Out





* crítica feita em comemoração ao aniversário de 41 anos do Liam Gallagher, vocalista da Beady Eye.



Eu estou completamente viciado em Beady Eye. A banda se tornou a minha nova obsessão musical portanto quando eu descobri que havia outro documentário sobre a banda logo corri atrás.


“Beady Eye – Rak Them Out” retrata o inicio após a dissolução do Oasis em 2009. A busca por uma identidade musical própria e principalmente realizar uma banda com uma sonoridade de significado muito pessoal onde todos tem o poder de decisão e a liberdade de expressar a sua sonoridade sem controles externos.

É um documentário onde a musica predomina isso fica claro pela opção da Banda(e também realizadora do filme) em se colocar em segundo plano apenas com a narração e deixar a música se sobressair, é como se a música falar por si própria.

Através de uma narração em segundo plano do ponto de vista dos próprios integrantes podemos constatar – e visualizar a evolução musical da banda. Assim, o espectador é convidado a ser testemunha do processo criativo da banda. Assim, podemos constatar a química que existe entre eles, ao adentrar as gravações percebemos a necessidade da busca de uma identidade musical para a banda saindo da “sombra” do Oasis. É onde a “mágica” acontece.


O documentário tem uma estrutura muito pautada na sonoridade do grupo, acabando por se tornar quase experimental sobretudo porque é a musica que dita os caminhos que o documentário vai tomar. Traçando um paralelo com a banda é assim que acontece em sua dinâmica, no documentário fica evidente a pretensão e necessidade da banda em realizar uma sonoridade particular,única e que os represente enquanto banda.

Ao longo de seus 12 minutos, o mini documentário se mostra dono de uma estética bastante ágil impulsionado pela musica principalmente. Adotando uma combinação de um ritmo frenético e telas divididas, utilizando-se de trucagens e efeito “clipado” o que ressalta a musicalidade presente no documentário.
 Além da já citada narração que serve de pano de fundo de modo a demonstrar a evolução e expectativas dos integrantes com o novo projeto que estava nascendo. Quanto ao formato há uma agilidade impressionante considerando a duração de um documentário de curta metragem onde as coisas tendem a ser mais condensadas.


Um aspecto interessante em documentários e que aqui ganha um diferencial é a questão do Ponto de Vista que exemplifica a questão da individualidade e da visão pessoal da banda. Assim é interessante a visão de Gem sobre a qualidade musical de Liam e vice versa. Permitindo assim uma visão particular sobre a química de união de um grupo.

“Rak Them Out” se torna mais do que um simples documentário de bastidores ao revelar todo o aparato fílmico e musical, neste caso do clipe da música “Bring the Light” dirigido por Charlie  Lightening. Aliás a própria estrutura do videoclipe diz muito sobre a banda como bem lembra Liam no documentário o clipe é dotado de uma estrutura muito simples de modo que a música da banda prevaleça e se sobressaia.



“Rak Them Out” e “StartAnew” (o documentário posterior do Beady Eye , mostrando o processo de lançamento do segundo álbum “BE” são dois filmes que dialogam entre si, representando justamente o antes e o depois da banda. Seria injusto se este ou “Start Anew” são melhor ou pior. O fato é que os dois são bastante representativos no seu período. Pra mim “Rak Them Out” ganha identidade própria enquanto documentário ao adotar o esquema “faça você mesmo”- pelo fato da própria banda estar no comando do filme. É extremamente prazeroso acompanhar os primeiros passos de sua banda favorita ainda mais quando isso provêm do seu próprio olhar.




 *Documentário presente na versão Deluxe do álbum "Different Gear, Still Speeding".





   

quarta-feira, 27 de março de 2013

Especial Diretores:Quentin Tarantino




Nascido no dia 27 de março de 1963 em Knoxville no Tennessee Quentin Tarantino é hoje um dos mais populares diretores da geração dos anos 90 com um cinema exclusivamente autoral ainda que munido de referências Tarantino incorpora essas referencias ao seu estilo fílmico.
Criando um universo estético em seus filmes onde predominam as referências que ajudam a definir o estilo dos seus filmes. Estão lá à violência exacerbada, diálogos rápidos, menções a cultura pop, aos quadrinhos e animes.

Tarantino é conhecido pelos seus roteiros não lineares e enredos com varias tramas que convergem além de ser autor de grandes e poderosos diálogos e cenas marcantes. Seus filmes são carregados de força visual e de personagens e situações marcantes.

Seu primeiro filme foi “Cães de aluguel” (1992) escrito durante o período em que Tarantino trabalhava em uma locadora de vídeo-o que o influenciou fortemente.

Antes de lançar “Cães de Aluguel” Tarantino escreveu roteiros de filmes com “Amor a Queima Roupa” dirigido por Tony Scott, “Assassinos por Natureza” de Oliver Stone e “Um Drink no Inferno” dirigido por seu amigo e parceiro habitual Robert Rodriguez.

Em 1992 “Cães de Aluguel” finalmente é lançado revitalizando o cinema independente e colocando Tarantino no topo da lista dos cineastas em que se devia prestar atenção.

A consagração final veio com “Pulp Fiction” (1994) com uma historia com varias narrativas que se entrelaçam entre si e dividida em capítulos “Pulp Fiction” garantiu o primeiro Oscar da carreira do diretor o de melhor roteiro original (estatueta que ganhou novamente pelo seu mais recente filme “Django Livre” na mesma categoria).

Tarantino faz parte de uma geração de cineastas que aprendeu sobre a arte de se fazer um filme como espectador os assistindo e não em escolas de cinema, o que fez que ele se apaixonasse cada vez mais pela sétima arte – paixão essa visível em cada filme seu, pois em todos os filmes há um tributo à arte cinematográfica e aos seus múltiplos gêneros.

Abaixo, vamos conhecer mais sobre a sua filmografia aproveitando a data especial de hoje- hoje, dia 27 de março Tarantino faz 50 anos de vida e com uma carreira MUITO bem sucedida.


Cães de Aluguel (1992)

Na estreia de Tarantino na direção, ele nos apresenta a uma trama sobre um grupo de ladrões na preparação para se realizar um assalto e os conflitos decorrentes do mesmo. Um filme constituído principalmente de flashbacks e intersecções fílmicas e narrativas. Destaca-se pelo roteiro não linear, o uso da violência como método narrativo (que se tornaria uma de suas marcas) e inúmeras referências á cultura pop.

Pulp Fiction- Tempo de violência (1994)

Em seu segundo filme, Tarantino continua investindo em narrativas não lineares e no uso da violência como um artifício dramático. Ele aposta em tramas paralelas que se entrelaçam em um dado momento. Ao contar principalmente a história de Vicent Vega (John Travolta) e Mia Wallace (Uma Thurman) utilizando-se de flashbacks e FlashForwards além do usual travelling.
 Vale resaltar que aqui a violência é usada de forma verborrágica e as inúmeras citações a cultura pop presentes no roteiro-que vão de Eminem a Madonna.

Jackie Brown (1997)

Neste terceiro filme, Tarantino retorna ao gênero policial- ele já tinha realizado “Cães de Aluguel” em um tributo ao gênero Blaxploitation. Optando pela desconstrução da montagem e do roteiro e apostando nos flashbacks e FlashForwards com cortes certeiros e um travelling bem utilizado. “Jackie Brown” é um filme no mínimo interessante, ainda que sentimos falta da violência exacerbada de seus outros filmes, pois em “Jackie Brown ela aparece de forma implícita”.


Concebido originalmente como um único filme e dividido em duas partes devido à longa duração, “Kill Bill” nos apresenta a saga de vingança da “Noiva” (Uma Thurman). Tarantino apresenta uma narrativa não linear como é comum em seus filmes. No “primeiro volume”, Tarantino investe mais na ação e nas intersecções fílmicas em detrimento dos diálogos. Porém, no “segundo volume” investe mais nos diálogos e da maior embalsamento dramático aos personagens e a própria história. Tarantino confere ao filme uma direção coreografada e se revela um excelente diretor de atores.

Grindhouse: A Prova de Morte (2007)

Nesse longa, parte integrante do projeto Grindhouse, Tarantino presta homenagem aos filmes de horror dos anos 70. O diretor nos apresenta uma história que começa tímida, mas se desenvolve de maneira surpreendente. Uma direção de atores excelente e com o uso inteligente do corte seco. A construção de outro universo fílmico que de certa forma é uma representação da primeira história funciona, mas no inicio deixa o espectador meio perdido. Além das inúmeras referências e citações a outros filmes o destaque fica para a auto referência que Tarantino faz á própria obra.


A primeira vista pode parecer que “Django” é um filme “normal” em relação aos filmes anteriores do diretor no sentido que “Django” conta uma única historia (embora com diversos plots). Mas a força do filme esta na historia e personagens impactantes.  Apostando em uma direção ágil e em flashbacks bem constituídos ele realiza um filme nada menos do que épico ao prestar tributo ao gênero “Western”.



Curta metragem "Tarantino´s Mind" com Selton Mello e Seu Jorge onde eles divergem sobre as teorias de ligação entre os filmes de Tarantino.
     



  




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Barfly-Condenados pelo vicio




Ontem, 16 de agosto foi aniversário de Charles Bukowski, esta resenha é em homenagem a ele. O escritor Charles Bukowski, ganhou notoriedade pelo o seu estilo realista (às vezes até demais). Sua obra possui caráter autobiográfico e é extremamente corrosiva, no sentido de que a obra do autor retrata a sociedade pela sua escória, garantindo assim uma linguagem simples e direta.







Algumas das obras de Bukowski são centradas no personagem Henry Chinaski, o alter-ego do autor.  A popularidade de seus escritos foi tanto , que Charles Bukowski foi convidado a levar seu mais famoso personagem as telas do cinema no filme Barfly– Condenados pelo vicio.



Henry Chinaski (Mickey Rourke) é um sujeito das ruas, passa os dias perambulando os bares, arranjando brigas e vivendo em quartos de hotéis baratos. É na escoria da sociedade que Henry encontra inspiração para escrever seus contos é lá também que Henry conhece Wanda (Faye Dunaway), com quem tem um relacionamento destrutivo. Porém com a descoberta dos contos de Henry pela agente Tully (Alice Krige), tudo ganha maiores proporções.



Barbet Schroeder foi o responsável por levar o alter-ego de Charles Bukowski as telas do cinema e o faz mantendo a essência da obra do velho safado. Berbet Schroeder predominou os planos gerais e plano médio. Além da câmera panorâmica na condução do filme, priorizando a escolha de locações externas com cenários realistas das ruas, indo de encontro com a obra de Bukowski, para isso utilizou elementos como o contra-plongeê, dando a atmosfera crua das obras de Bukowski.


A fotografia de Robby Müller, não recebeu maior aprimoramento estético. Mas talvez esta escolha de “Sujar” a imagem tenha sido intencional, indo de encontro com a atmosfera da trama.


Um acerto do diretor foi incorporar no filme, a figura do narrador over. Neste caso aos pensamentos e textos do protagonista Henry Chinaski (Mickey Rourke).


O roteiro de Barfly é de autoria do próprio Bukowski. Tal fato garantiu ao longa personagens criveis um enredo aproximado da literatura nua e crua, sua marca registrada. Além de diálogos memoráveis.


Quanto ao elenco, Mickey Rourke se entrega ao seu papel de maneira sem igual, garantindo assim uma interpreçao visceral. Tal como ele Faye Dunaway, (Wanda) empresta ao seu papel força dramática (embora de maneira mais comedida). Cabe a Alice Krige (Tully), a outra ponta do triangulo o equilíbrio e Alice imprime exatamente essa nuance ao seu papel.


J.C. Quinn (Jim) e Frank Stallone (Eddie) são outros que se destacam.


Barfly ganha força a ser analisado como um reflexo da obra de Charles Bukowski (ou dele próprio, afinal sua obra é essencialmente autobiográfica). Acabando por se tornar um “Cult movie” ao longo dos anos marcado por um realismo gritante.


Obs: A experiência a frente do roteiro de Barfly, inspirou bukowski a escrever o romance “Hollywood” (que não pude ler ainda).