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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Devil´s Knot



É uma tortura psicológica e emocional ler ou assistir qualquer coisa relacionada ao caso “West Memphis Three” onde 3 crianças foram brutalmente assassinadas e três jovens foram falsamente acusados em Arkansas nos EUA.

Foi duro assistir a trilogia de documentários da HBO “Paradise Lost” , assistir ao documentário produzido por um dos acusados Damien Echols depois de deixar a prisão. E certamente, não foi fácil assistir a este caso sendo dramatizado aqui neste “Devil´s Knot” ainda que de maneira esdrúxula e excessivamente estereotipada.

Primeiro, porque a direção de Atom Egoyan começa de maneira promissora nos induzindo ao que seria um “grande filme” , ledo engano, Egoyan nos induz ao suspense com seus movimentos de câmera descritivos e uso da sonoridade, das cenas do pós crime buscando um choque no espectador mas tudo o que consegue é uma repulsa breve e uma incessante vontade de vomitar.

A forma com que o cineasta conduz o filme, conferindo um tom de fábula macabra, descaracteriza totalmente a história séria e poderosa que tinha em mãos.  A impressão que se da é que o diretor tenta suavizar o enredo e “poupar o espectador” para assim atingir maior fatia do público. Ora, é impossível suavizar algo de tamanha monstruosidade, a história do caso merecia uma reprodução digna e não uma história medrosa, rasa e com medo de se aprofundar na realidade.
É tudo retratado de forma rápida demais , não dando chances para o enredo se desenvolver como deveria. Entretanto, o diretor não deixa de chocar com o teor macabro do próprio caso que ele acrescenta aqui , mas tudo a conta gotas, superficial demais.

Além de ser raso e inconclusivo no que se propõe ao não se aprofundar na história , convertendo-a em uma novelinha mexicana, Atom Egoyan tem uma parceria na construção dessa história inverossímil dotada de cortes bruscos e superficiais: A montagem. A montagem deixa o espectador confuso pois utiliza de tantos recursos narrativos como flashbacks fora de hora que a acaba por confundir o espectador e tornar o filme uma bagunça.

O roteiro escrito a quatro mãos por Paul Harris Boardman e Scott Derrickson é o maior problema de “Devil Knot”.  Em primeiro lugar, eles- os roteiristas descaradamente privilegiam um plot da história - a da mãe de Stevie Brunch um dos garotos assassinados. Pam(Reese Withespoon) em detrimento das outras famílias.

Em segundo lugar , os roteiristas pecaram de maneira severa na construção dos três jovens acusados Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Miskelley (James Hamrick,Seth Meriwether e Kristopher Higgins respectivamente). Construíram um retrato estapafúrdio dos três reais protagonistas do longa. Baseando-se em clichês os retrataram como malucos e débil mentais, claramente se aproveitaram desse retrato errôneo para jogar-los para escanteio dentro da narrativa e fazer deles meros coadjuvantes dentro da própria historia. De modo que a atuação do trio não tem nem chance de se sobressair.

Paul Harris Boardman e Scott Derrickson parecem ter esquecido -ou não leram mesmo que o livro de Mara Leveritt na qual o roteiro deles se baseia ou ao menos deveria se basear, cobre o caso por um todo e da destaque a clemência por inocência dos três jovens.

Reese Withespoon e Colin Firth são os únicos a se destacar verdadeiramente. Primeiro pelo talento da dupla segundo, porque o próprio roteiro os condiciona para isso.

Reese tem uma atuação comovente como Pam Hobbs , mãe de Stevie Brunch e Colin Firth nos presenteia com sua brilhante e obstinada atuação como o investigador particular Ron Lax, obstinado em provar a inocência dos três adolescentes. Firth atua de forma segura , firme e imponente , cativando o público.

Como espectador ou como qualquer pessoa minimamente inteligente, é inaceitável o retrato do caso  “West Memphis Three” pintado aqui. Não só pela sua direção e narrativa rasas, pelo favorecimento de suas estrelas Reese Withespoon e Colin Firth ou por tentar emular sem sucesso a estética da trilogia de documentários “Paradise Lost” , mas sobretudo por sua falta de imparcialidade e por retratar Jason Baldwin , Jesse Miss Kelly e Damien Echols de maneira tão estapafúrdia, rasa e envolta em clichês.

Seria cômico se não fosse trágico, a história do caso não precisava disso e muito menos, o magnífico trabalho de Mara Leveritt não merecia tal retratação.








domingo, 4 de agosto de 2013

West of Memphis




Em 1993 três adolescentes Jessie Misskelley, Damien Echols e Jason Baldwin foram presos acusados do assassinato de três jovens garotos em Memphis no Arkansas Christopher Byers, Steven Branch e Michael Moore. O júri condenou Misskelley, Echols e Baldwin a prisão pelo crime com base em teorias inconclusivas e estapafúrdias como ligação com o oculto por exemplo. Misskelley e Baldwin foram condenados à morte por prisão perpetua e Echols á morte por injeção letal.





A trilogia de documentários “Paradise Lost” produzida pela HBO e o livro “Devil´s Knot” da jornalista americana Mara Leveritt chamou a atenção da mídia e de celebridades como Johnny Depp e Eddie Vedder que passaram a colaborar na defesa do trio. Em 2010, após um longo período de pedidos de revisão do caso com base em novas evidencias um novo julgamento foi realizado libertando Misskelley, Echols e Baldwin após um acordo com o júri.

West Of Memphis reconstitui o caso desde seu principio com base em imagens de arquivo- algumas provenientes dos documentários da HBO. De certa forma “West Of Memphis” joga luz sobre o caso no sentido de que se concentra especificamente na falha judicial e nas provas antes inconclusivas.



Com um apuro investigativo o documentário tem seu foco nos documentos e na reconstituição das provas não do crime em si. O que eu particularmente achei uma escolha acertada, pois as cenas dos corpos já mostradas em “Paradise Lost” em demasia e aqui quando aparecem são tão dolorosas quanto.

O longa foca na figura de Demien Echols e é a partir dele que o filme se desenrola focando nas novas evidencias- ou seriam evidencias omitidas? do caso. Não só nos exames de DNA, mas também em relatos, fotografias, objetos e falso testemunho. O falso testemunho nos leva a uma reflexão profunda das consequências desse ato, mas também o que leva a este ato. Seria o poder intimidador das autoridades policiais? Seria a incapacidade da justiça ou o preconceito?

De fato inúmeros fatores contribuem para a reflexão e formação desse pensamento sobre quem seria o culpado- “West Of Memphis” nos aponta a Terry Hobbis como um possível culpado e nesse sentido se torna revelador ao evidenciar a personalidade daquele homem e os conflitos familiares dos quais aquele menino passava, mas também me leva a refletir sobre o quanto o uso da montagem e a existência de mise-en-scene me levam a formular essa linha de raciocínio. Veja bem, a inocência de Damien Echols, Jessie Miskelly e Jason Baldwin é algo inegável, mas a necessidade incessante de se apontar um culpado se torna maçante.

Os usos apropriados das imagens de arquivo bem como os dos depoimentos enaltecem o documentário de forma a constituir um panorama geral e mais aprofundado do caso. A maneira como é constituído – vide a montagem oferece aos espectadores clareza para aspectos antes mal explicados ou imperceptíveis do caso.

Esse documentário é mais abrangente e toma um aspecto quase que cientifico do ponto de vista jurídico abordando a evolução do caso ao longo dos anos. A forma que o documentário toma de estruturar suas bases em aspectos judiciais e não mais no filme em si permite que acompanhamos o desenrolar incessante dessa historia.
A maneira com que as evidencias é colocada tornam o caso um objeto de analise e avaliação do espectador. Pela primeira vez o caso ganha um documentário que o analisa de forma quase que inteiramente como um erro judicial e dessa forma acaba por deixar o crime bem como as fotos e reconstituições de lado –as exibindo somente quando necessário.

O uso dos depoimentos atrelado a imagens de arquivo e ao “tempo real” constrói um painel interessante que nos permite conhecer os diversos fatores desse caso que se tornou de comoção mundial. Por exemplo, de um lado penetramos através dos meandros que possibilitariam um novo julgamento e todos os pareceres que levariam a isto. Por outro conhecemos os defensores do trio através de entrevistas e depoimentos reveladores e extremamente humanos.

O documentário foi concebido com a clara intenção de ser o mais abrangente sobre o caso até então e cumpre seu objetivo. Mas “West Of Memphis” vai além: promove uma intensa discussão sobre as falhas no sistema judiciário não só o americano, mas mundial. E que este caso nunca seja esquecido para que injustiças como esta não voltem a se repetir.







Pra quem quer conhecer mais sobre o caso sugiro a leitura dos seguintes livros e artigos:







Ps: A Trilogia de documentários "Paradise Lost" está no youtube.

Ps2: O livro "Devil´s Knot" está sendo adaptado para o cinema em formato de ficção. O filme tem estreia prevista ainda para este ano. 










sexta-feira, 25 de maio de 2012

Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills




 

Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills é um documentário, dirigido por Joe Berlinger e  Bruce Sinofsky sobre o caso West Memphis three, em que três adolescentes foram acusados de assassinato de três crianças Stevie Edward Branch, Christopher Byers e Michael Moore. Realmente um crime bárbaro.
Foram apontados três adolescentes como suspeitos Damien Echols (na época com 18 anos), Jason Baldwin (na época com 16 anos) e Jessie Misskelley, Jr (na época com 17 anos).
O documentário detalha o crime (inclusive mostrando a cena do crime) e nesse momento lança mão da imparcialidade: exibe depoimentos tanto dos acusados e de suas respectivas famílias, quanto das famílias dos jovens assassinados.
Com registros precisos da cobertura jornalística do caso na época, além de muitos outros momentos emocionantes como a reação das famílias, o encontro de mães que tiveram seus filhos assassinados e as entrevistas com os acusados na prisão enquanto aguardavam julgamento (a de jessie especialmente me emocionou muito, talvez pela sua aparente inocência.).
Após esse primeiro ato, o documentário foca no julgamento e nos seus desdobramentos (reunião da equipe de defesa entrevistas com psicólogos, cientistas forenses, além da já citada ampla cobertura jornalística do caso). A partir desse momento, o documentário faz uso da montagem paralela, até o final do filme, sobretudo para a sobreposição de cenas do julgamento /encontro dos advogados e psicólogos.
Em minha opinião, o documentário em alguns momentos (sobretudo durante o julgamento) foca única e exclusivamente na figura de Damien Echols, talvez por ele ter sido considerado o mentor do crime, desta maneira colocando Jason Baldwin e Jessie Misskelly jr em segundo plano.
Damien, Jason e Jessie foram condenados por 18 anos sob alegações falhas, contudo o caso chamou a atenção da mídia e foi possibilitando a realização de exames de DNA através do fundo de defesa criado em prol do caso. A realização do DNA atestou a inocência de Damien, Jason e Jessie, sendo assim eles firmaram um “acordo” com a promotoria e foram libertados.
Ainda sim, fica a pergunta: Por quanto tempo teremos que sofrer com a justiça obsoleta e até quando será mais importante apontar um culpado (a) para finalizar logo o caso em vez de buscar pela verdade?