Mostrando postagens com marcador Wagner Moura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Wagner Moura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Elysium



“Até onde você iria para salvar a sua pele?” esse é o mote principal da ficção científica “Elysium”. Max(Matt Damon) é um funcionário de uma industria que é exposto a radiação química e condenado a morte, para se salvar ele deve chegar a privilegiada Elysium.


O filme combina muito bem esses dois universos e temáticas que contrastam entre si mas que funcionam no ideal proposto pelo filme de maneira a representar metaforicamente crítica social, desigualdade social e os ideais de perfeição e utopia. Nesse sentido o diretor Neil Blomkamp foi extremamente eficiente ao construir um filme que representasse universos tão distintos em imagens fortes evidenciando as mazelas e os ideais de perfeição propostos pelo longa. Neil apostou em planos mais abertos e descritivos por um lado buscando evidenciar a situação social vivida na terra por outro movimentos de câmera como plongeê , contra-ploongêe e grandes planos gerais.

Talvez o maior diferencial de “Elysium” aos outros filmes do gênero é que ele trata de um tema muito real, humano e universal. Por este motivo, Neil Blomkamp trabalha o humanismo tanto no roteiro nos aspectos narrativos quanto no trabalho de direção. É claro que há em Elysium toda a parafernália tecnológica e aspecto futurista mas há um humanismo tanto na proposta do longa- há uma crítica social subtendida ao mostrar uma terra cheia de mazelas e um grupo privilegiado deixa claro a questão da desigualdade social por exemplo. Blomkamp parece ter bebido em outras fontes e revisitado filmes do  gênero como “Johnny Mnemonic” para construir “Elysium”.

 O diretor(e também roteirista, informação que só soube depois de assistir ao filme) construiu personagens multifacetados e com intenções bem traçadas dentro da trama. Eles têm seus objetivos e são capazes de burlar certos limites em prol do seu objetivo. O fato do diretor também ser roteirista explica porque a direção e roteiro estão tão bem alinhados no filme.

Neil Blomkamp consegue conciliar dois aspectos do trabalho de um diretor de forma magnânima como muitos de seus colegas tentam mas não conseguem. Ele é um excelente diretor nas cenas de ação , explosões, o aspecto futurístico do filme e mais excelente ainda na direção de atores,ressaltando a interação cênica entre os atores com closes, planos próximos e plano contraplano por exemplo.


A montagem habilidosa fica a cargo de Trent Opaloch chama atenção pelo seu dinamismo impecável. A maneira como as cenas foram montadas deram um ritmo ágil incapaz de cansar o telespectador, sobretudo pela forma que as transições de cenas são feitas ,parece que estamos diante de uma ruptura.



Matt Damon impressiona mais uma vez. É incrível a capacidade que o ator tem de ser camaleônico e ainda por cima de trabalhar as diversas nuances de seu personagem ,estando completamente o oposto de um filme como “Nós Compramos um Zoológico”, (onde conheci seu trabalho mais a fundo e passei a admira-lo) mas ainda humano.

Jodie Foster dispensa apresentações. A presença e a força cênica que a atriz imprime em sua personagem que aqui representa de maneira metaforizada se fizermos um paralelo a ambição de ascenção social sem limites. Jodie está absolutamente estupenda como a secretária Delacourt e ponto final.

Alice Braga está ótima como Frey. A atriz esbanja carisma e principalmente humanismo em uma personagem com potencial carga dramática, Alice faz sua personagem crescer em uma constante e termina como um destaque fundamental no longa. Já Wagner Moura, este em seu primeiro trabalho internacional demora a achar o tom exato de seu personagem “Spider” encontrando ainda algumas dificuldades para estabilizar este tom cênico mas quando o faz por completo acaba por se destacar garantindo assim o passaporte para uma carreira de sucesso em Hollywood.



Eu admito que tinha várias ressalvas com filmes de ficção cientifica por eles serem futurísticos e fantásticos demais e assim tirarem o que considero de mais importante na atuação: O Naturalismo. “Elysium” me conquistou justamente por saber dosar uma temática realista com elemento fantástico impressionante e atuações que transbordam emoção. Precisamos de mais filmes como este pois estamos carentes de “viajar” em um mundo fantástico e mesmo assim se identificar.  





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tropa de Elite 2 : O Inimigo Agora é Outro


Filme evoluiu em comparação ao primeiro filme tanto na proposta, narrativa quanto na construção dos personagens.





Em Tropa de Elite 2, a dedicação extrema do capitão nascimento (agora coronel) ao trabalho tem seus bônus e ônus. O bônus é que graças a uma operação malsucedida aos olhos da sociedade, mas bem sucedida aos olhos do governo. Tal fato lhe garante o cargo de subsecretário de segurança o que o coloca em posição melhor para defender o que acredita, mas lhe custa à relação com Mathias (André Ramiro) e principalmente a relação com a ex-mulher Rosane (Maria Ribeiro) e o filho adolescente Rafael (Pedro Van Held). O fato é que Rosane agora está casada com Fraga (Irandhir Santos), o antagonista de Nascimento tanto na vida pessoal quanto profissional.


Tropa de Elite 2 não é apenas uma simples continuação com a intenção de explorar um filão de destaque no cinema nacional. Pelo contrário. É uma evolução ao primeiro filme, tanto na proposta e temas abordados quanto na construção dos personagens. ( o que talvez tenha faltado ao primeiro filme).


É interessante observar alguns aspectos ali presentes. A questão do tempo na narrativa, à agilidade e a dilatação do mesmo (quando necessário). De fato tropa de elite é um filme ágil tal como foi o primeiro. A diferença aqui é que há uma maior preocupação com os diálogos e a humanização dos personagens (mérito dos roteiristas José Padilha e Bráulio Mantovani). A opção pela montagem paralela que percorre todo o filme com ênfase nas cenas de Fraga (Irandhir Santos) e Nascimento (Wagner Moura) reforça o antagonismo ideológico, mais do que pessoal presente entre eles.


A fotografia de Lula carvalho reforça o contraste entre a milícia e o lado honesto da policia representado por Nascimento (Wagner Moura). Se de um lado há um interessante jogo de luzes e sombras de outro há uma clareza visual representando Nascimento.


Colocar o filme sobre a perspectiva de nascimento conferindo a ele a figura do narrador contribuiu para humanizar o personagem de modo que entendemos suas razões por ele expor seus pensamentos.


  Aliás um dos principais motivos que tornou o personagem mais humano nessa sequência é o fato de que agora coronel Nascimento é pai. A relação atribulada que possui com o filho Rafael (Pedro Van Held). Dois personagens explosivos (cada um a sua maneira) que encontram na luta um elo em comum, uma forma de comunicação. A propósito a cena em que pai e filho lutam juntos expondo o amor e suas fragilidades já vale o ingresso tamanha emoção e verdade cênica transmitida pelos dois atores. É neste momento que Nascimento se permite sair da “casca” que se formou em torno dele mesmo e se expor sem armaduras. A química entre Wagner Moura e Pedro Van Held transcende a tela de modo que não é exagero apontar o jovem ator como a revelação do longa.



Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro evoluiu consideravelmente em relação ao primeiro filme. Não se tratando de uma simples sequencia feita por motivos comerciais. Pelo contrario é uma sequencia que tem razão de existir pela amplitude de temas que apresenta em seu enredo. É uma outra vertente desse tema tão rico, além do filme apresentar uma constante evolução no que diz respeito à estética, narrativa e construção de personagens. É um filme de contrastes temáticos e de extremo cuidado técnico e artístico. Só uma palavra pode exprimir o que “Tropa 2” representa: Perfeição.