Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Sex Tape- Perdido na Nuvem



A exposição na internet da intimidade de um casal é algo corriqueiro no mundo atual, e as sex tapes podem alçar pessoas a fama, render prestigio(e estigma) mas também pode dar muita dor de cabeça. Esse é o mote principal da comédia “Sex Tape: Perdido na Nuvem” trata do tema sobre a ótica despudorada do humor.

Um casal, Annie(Cameron Diaz) e Jay(Jason Seguel) tentam “reacender a chama” após anos de casamento com uma sex tape registrando sua maratona sexual e bam , adivinhem, a tal sex tape cai em mãos erradas é claro.

Pronto. Isso é tudo o que você precisa saber sobre o filme dirigido por Jake Kasdan. Falar mais seria entregar o pouco que o filme reserva. Embora, super previsível, o filme consegue divertir – por favor não confunda isso com risadas soltas. “Sex Tape” é um filme divertido e engraçado e sem muitas pretensões.

Mas talvez esteja na falta de intenções ambiciosas a maior força do filme. abusando de toda e qualquer gag pra fazer rir e todo o tipo de efeito sonoro que possa soar cômico o fato é que o filme consegue envolver o espectador mesmo com toda a sua previsibilidade  o diretor consegue de alguma maneira tornar o seu filme uma opção atraente.

Kasdan precisa ser reverenciado em dois pontos, embora tenha nos entregado um filme mais do mesmo(nenhum trocadilho com o titulo deste blog por favor) mas sim, o cineasta soube trabalhar os clichês do gênero de forma eficiente conferindo um ritmo cômico ao longa, o tal tempo da comédia. Kasdan foi um bom diretor de atores garantindo performances cômicas interessantes do seu elenco, sobretudo do seu casal protagonista Annie e Jay( Cameron Diaz e Jason Seguel).

É Seguel, que também um dos roteiristas do longa quem tem o melhor desempenho. Atua com naturalidade e está confortável em papel mais sujo proferindo obscenidades naturalmente e trabalhando de forma confortável no humor negro. E quanto a Cameron Diaz? Bom, a atriz demora um tempo pra estar no mesmo nível cômico do colega mas desde o inicio se mostra a perfeita personificação da porque não “mulher perfeita”: Gostosa, voluptuosa, exuberante e com ótimo senso de humor. Ela e Seguel conseguem ser um casal atraente(em todos os sentidos).

Embora a ação esteja exclusivamente centrada no “dilema” dos protagonistas, o filme ainda tem espaço para que bons personagens coadjuvantes se sobresaiem. O Casal amigo Robbie e Tess(Rob Corddry e Ellie Kemper) são um bom exemplo disso que estou falando. Os atores são um espetáculo à parte no filme , com ótimas gags.

Jack Black, um comediante de primeira linha, também da o ar de sua graça com uma participação pequena mas muito divertida como o dono do site pornô “You Porn”. É hilário, a lição de moral que personagem de Black da em Annie e Jay ao falar das consequências de se fazer um vídeo pornô e citando “estrelas” do pornô caseiro como Paris Hilton e Pamela Anderson. Porra, esqueceu da Kim Kardashian. Rsrs.

E o irreparável Rob Lowe como o chefe pervertido de Annie(Cameron Diaz) em uma empresa do ramo infantil- percebam a analogia , haha. Lowe é incrível ao encarnar estes tipos tarados, pervertidos e despudorados sem nenhum juízo( quem lembra do inesquecível Eddie Nero de “Californication” , sabe do que estou falando).


No fim, “Sex Tape – Perdido na Nuvem” é uma comédia divertida e descompromissada com um tom mais “sujo” e libertário. Não parece a primeira vista atrair muito, mas ganha o espectador pelo seu notável despudor e o desenrolar interessante da sua trama. E por deus, Cameron Diaz é como vinho , fica mais gostosa a cada ano que passa.



  

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Embriagado de Amor



Demorei a gostar de “Embriagado de Amor”, essa comédia esquizofrênica de Paul Thomas Anderson,um dos meus cineastas favoritos. Mas bastou uma segunda visita a essa comédia esquisita, para perceber o quanto eu me identifico com esse filme.

Barry Egran(Adam Sandler) é um cara esquisito, cheio de manias. Berry possui uma incapacidade social,é estranho e mimado por suas sete irmãs mais velhas, porém todo esse mimo também o sufoca socialmente.

“Embriagado de Amor” é a primeira vista um filme estranho, esquisito com uma atmosfera muito “fria” e impessoal mas, toda essa estranheza é um reflexo da personalidade do protagonista Barry(Adam Sandler, em uma atuação estranhamente cômica).

Paul Thomas Anderson reflete a esquisitice do personagem com enquadramentos muito duros, closes dotados de um jogo de câmera com o propósito de causar um desconforto cômico como os embates de Berry com suas irmãs superprotetoras. Anderson foi inteligente ao deixar fluir todo o talento cômico de Sandler. O diretor fica ali a espreita captando todo o humor do personagem.

 Em uma cena em particular, o cineasta utiliza de seu talento e destreza ao utilizar enquadramentos duros e repetitivos em diferentes posições ,focalizando o rosto de Sandler e captando assim, o sufoca mento e a inadequação social e afetiva do personagem.

Paul Thomas Anderson é mesmo um diretor e roteirista muito talentoso e com tamanha inteligência. Só com tamanho talento pra criar momentos cômicos non-sense sem cair no ridículo. Pelo contrario, Anderson cria e estrutura as situações de uma forma naturalmente cômica com exatidão e Adam Sandler numa excelente dobradinha ator-diretor realiza as cenas com uma naturalidade impressionante e principalmente sem cair no ridículo.

O diretor consegue estruturar seu filme com uma narrativa solida, fazendo de seu filme, uma comédia com conteúdo. Com cenas ora ágeis, ora longas, com direito a momentos de Barry em completo ócio  e cortes secos, seguidos por travellings.  A Relação de Berry com Lena(Emily Watson) é construída   com um tom cômico naturalmente embutido.


Eu não sou muito fã de comédias, mas “Embriagado de Amor” me ganhou não só pela inevitável identificação com as esquisitices do personagem de Sandler mas sobretudo pelo afeto com que Paul Thomas Anderson construiu sua historia com inteligência, ressaltando o componente emocional da narrativa e do personagem principal. “Embriagado de Amor” sem dúvida, está longe de ser um filme vazio e caricato , pelo contrário, é um filme com alma.

Anderson construiu sua narrativa sob o personagem de Adam Sandler. O diretor/ roteirista não teve receio de construir as situações, pois certamente , tinha plena certeza de duas coisas: Do talento de Adam Sandler e que todas as situações não eram estapafúrdias, existia sim, uma veia cômica com alguns tons acima em muitas delas porém, tudo isso é justificável se analisarmos a incapacidade social e carência afetiva de Barry(Sandler).

A relação de Barry com Lena(Emily Watson) é construída gradativamente, com cuidado,sensibilidade e principalmente, humor. Importante ressaltar não só a liga entre os personagens Berry-Lena pois ambos se encaixam por serem “fora do padrão” comportamental aceito na sociedade. Talvez, por isso mesmo, Paul Thomas Anderson tenha escolhido uma atriz que foge do padrão estético comum. Emily Watson , é bonita sim , mas está longe de ser uma Julia Roberts por exemplo.
É melhor que a atriz seja assim, se fosse muito bonita, perderia a graça e ficaria inverossímil.


O único ponto fraco foi a inclusão do sub-plot “da máfia do tele-sexo”. isso sim, foi muito manjado e descartável. Mas , tem uma boa justificativa; Tenho certeza que Anderson criou esse plot com o único propósito de ter o seu ator-fetiche , o saudoso Philip Seymour Hoffman abrilhantando seu longa.



Um dos aspectos mais interessantes e que também contribuem para essa estranheza inicial com o longa é a sua fotografia. A cargo de Robert Elswit. Construída predominante com cores frias e uma contraluz natural com luz solar rebatida e também estourada que realça e se justapõe a interpretação dos atores na cena , garantindo algum equilíbrio ao tentar quebrar aquela frieza do protagonista, ao mesmo tempo, essa alta luminosidade nas raras cenas externas no inicio do longa , representa o isolamento social de Berry(Adam Sandler). Interessante notar, que esse artifício é quebrado com a chegada de Lena(Emily Watson).


A trilha dietética de Jon Brion é espetacular, trabalhando em duas vertentes opostas que se completam na narrativa: Primeiro, um instrumental (não é a toa, que Barry “toma” um piano pra si) que reflete o isolamento social e o comportamento pelicular de Barry(Adam Sandler) e o uso de tambores africanos , que representam a trajetória de libertação social do personagem através do amor de Lena(Emily Watson). É como se o amor fosse tratado não só como uma libertação mas como uma razão para celebração.



Adam Sandler impressiona ao compor Barry com vários tiques e esquisitices próprias do personagem e com uma comédia presente a todo o momento, mesmo que nas entrelinhas. Sandler soube pontuar sua veia cômica para que ela surgisse natural e espontaneamente. O ator soube dar alma ao personagem e aos seus dilemas com  carisma e afeto, tornando fácil a identificação com o protagonista.


Emily Watson faz de Lena a perfeita metade da laranja de Barry. A atriz constrói sua personagem fora do padrão com leveza e encantamento ,além de estabelecer. química cênica com Adam Sandler. Não conhecia o trabalho de Watson, mas a atriz me lembrou Renée Zellweger em “Jerry Maguire”

Philip Seymour Hoffman dispensa apresentações,até porque nem todos os adjetivos do mundo juntos seriam suficientes para descrever o seu talento. Digo apenas que sua atuação neste filme é a prova que um  grande ator brilha em qualquer papel. Não é difícil saber porque era o ator -fetiche de Paul Thomas Anderson, pena que já não está mais entre nós.



Paul Thomas Anderson fez em “Embriagado de Amor” uma comédia deliciosa para nós os desajustados, engraçada mas principalmente com alma e coragem.











.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ted


 

 

Longa encontra sua força na metalinguagem, no humor acido e no carisma de seus “atores” Protagonistas.

 

Na infância, John (Mark Wahlberg) era um menino timido e sem amigos. Em um natal ele desejou ganhar um urso de pelucia que pudesse ser o seu companheiro. Mais que isso, desejou que Ted(voz de Seth MacFarlane) ganhasse vida, jurando que se isso acontecesse ele e Ted seriam amigos para sempre. Ted ganhou vida e é o amigo inseparavel de John. Juntos eles falam de sexo , mulheres ,bebem cerveja e fumam maconha,o problema é que Ted está atrapalhando a vida social de John, especialmente com a sua namorada Lori (Mila Kunis) que lhe da um ultimato: Ou ela ou Ted.

 

O criador de uma familia da pesada Seth Macfarlane resolveu descarregar o humor característico da sua série de TV nas telas do cinema fazendo uma sátira da própria metalinguagem.

 

O filme se inicia com um prólogo explicando o inicio do relacionamento de John com seu urso Ted com o objetivo de situar o espectador do enredo.

 

Após esse pequeno prólogo a historia salta para a atualidade com John interpretado por Mark Wahlberg aos 35 anos de idade. Neste momento o filme ganha agilidade com uma sucessão rápida de planos e situações cômicas que beiram o escracho (no bom sentido)

 

O diretor e roteirista Seth Macfarlane utilizou todos os elementos que estavam ao seu alcance para construir seu filme.  Estão lá os flashbacks e até a montagem paralela aparece em certo momento do filme. Cortes rápidos e precisos dão a narrativa a agilidade e o frenesi necessários. Entretanto closes e câmeras altas e baixas aparecem com frequência. A câmera do diretor prioriza os “Atores” principais a John (Mark Wahlberg) e Ted (com voz do próprio diretor) a todo o momento.

 

Macfarlane utilizou-se da metalinguagem a todo o momento inclusive para criar uma realidade paralela onde Flash Gordon e outros personagens da infância de John e Ted vivem. Para isso Macfarlane utilizou-se da montagem paralela.

 

A propósito a montagem paralela se torna um elemento recorrente no segundo ato quando John e Ted são obrigados a se separar devido ao ultimato de Lori.

 

A presença de um narrador em off permeia toda a trama, oferecendo ao espectador uma visão de fora da historia ali contada.

 

O roteiro escrito a 6 mãos por Seth Macfarlane, Alec Sulkin e Wellesley Wild é repleto de elementos do universo pop (Susan Boyle e Justin Bieber são algumas das personalidades citadas), com um humor ágil e diálogos certeiros. Além de construir magnificamente a relação entre os dois amigos sem soar como uma piada. Pelo contrário a relação entre John e Ted é bastante crível.

 

Os roteiristas optaram por centralizar a trama na relação de John (Mark Wahlberg) com Ted e na reação da namorada de John Lori (Mila Kunis) perante a relação pouco usual do seu namorado com o brinquedo de infância. Deste modo Wahlberg se destaca com uma atuação com uma veia cômica acentuada.

 

 É interessante notar as variações na personalidade de John. Quando está com Ted ele é uma criança ou um adolescente e quando está no trabalho ou com sua namorada é um adulto. Mark Wahlberg trabalha as oscilações de seu personagem com maestria.

 


  As cenas de John com Ted são tão hilárias que é extremamente possível acreditar que Ted é realmente real. Por este motivo a equipe de efeitos especiais merece honras assim como o seu diretor Seth Macfarlane que dubla a voz de Ted tanto pelos efeitos especiais quanto pela dublagem impecável.

 

Mila Kunis (Lori) tem seu devido espaço na narrativa sem, entretanto interferir na dinâmica que acontece entre Ted e John. O carisma e presença que Mila empresta a Lori impede que a personagem se torne uma namorada chata e possessiva. Ainda mais quando Lori entende que os três (ela, John e Ted) podem e (Precisam) coexistir.

 

Com um humor politicamente incorreto, sátira inteligente, bons atores, excelente uso dos efeitos especiais, uma direção criativa (ainda que não seja inovadora em sua maneira de filmar) e ótimo uso da metalinguagem “Ted” é uma comédia excelente, a passo que fico no aguardo do retorno de Ted as telonas em uma continuação já aguardada.