sábado, 21 de março de 2015

Crowe´s World: Os Filmes de Cameron Crowe e a ligação com o seriado Entourage


O fan film que produzi, escrevi e dirigi em homenagem ao cineasta Cameron Crowe, ganha mais views dia após dia. mas, na tentativa de que mais pessoas assistam (e entendam o filme), vou esclarecer alguns pontos do enredo. afinal, o meu objetivo é que não só os fãs do Cameron Crowe e do seriado Entourage assistam ao filme, mas que outras pessoas se interessem em assistir ao seriado e aos filmes do Cameron Crowe.

Importante: Irei somente esclarecer a teoria. Antes de começarem a desenvolver a teoria, os protagonistas do curta conversam sobre a gênese narrativa do Cameron Crowe, seu estilo, etc. Pra saber isso, você vai ter que assistir ao filme. Tem spoliers dos filmes e do seriado!


O enredo do curta engloba vários filmes do Cameron Crowe, todos são relembrados ou estão presentes visualmente em algum momento. Mas a narrativa aborda em especial: "Say Anything(1989), no Brasil "Digam o que Quiserem", "Singles-Vida de Solteiro"(1992), "Jerry Maguire- A Grande Virada"(1996) e "Quase Famosos"(2000).

Então vamos a teoria de ligação entre a filmografia do Cameron Crowe e o seriado Entourage, 

  1. Na segunda temporada da série, Vince(Adrian Grenier) é contratado para estrelar "Aquamen". Porém, co-protagonista, Mandy Moore é também sua ex-namorada com o qual tem uma relação mal resolvida. E "Tiny Dancer" é a música que marca o relacionamento dos dois devido a grande quantidade de vezes que o ex-casal assistiu "Quase Famosos".  





Ps: Pra quem quer rever a clássica cena do filme




2. Também na segunda temporada, Vince tem o seu momento "Quase Famosos" ao reproduzir outra cena clássica do filme. A de Russel(Billy Crudup) pulando na piscina, Compare.



3. Na Segunda Temporada, o super agente Ari(Jeremy Piven) é demitido. Numa última ação, ele tenta levar os funcionários para a sua nova agência, mas só Lloyd(Rex Lee) o acompanha. Exatamente como fez Dorothy( Renée Zellweger) quando Jerry(Tom Cruise) é demitido da agência esportiva em "Jerry Maguire- A Grande Virada". Compare as cenas: 




4) Muitos dos atores que participaram da série, estrelaram ou estrelariam os filmes do Cameron Crowe. Como por exemplo, Jeremy Piven. Tem outros atores, mas esses vocês vão ter que assistir pra descobrir. 

Links do Curta; Vímeo: https://vimeo.com/110432218

Youtube:

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Se eu Ficar

O que acontece quando o rock e a música clássica se unem? Uma combustão no mínimo. “Se eu Ficar” , baseado no romance homônimo de Gayle Forman é a história de amor da violoncelista Mia(Chloé Grace Moretz) e do roqueiro Adam (Jamie Blackley).

Dirigido por R.J Curtier,  “Se eu Ficar” é um filme de opostos. Não só por abordar mundos completamente opostos quanto a música clássica e o rock(embora o rock não seja assim tão estranho assim para Mia, por causa de sua família), mas principalmente por balancear o melodrama, o romance agridoce e uma certa dose de humor.

Um grande acerto de Curtier enquanto diretor foi envolver o espectador na história dos personagens principais e suas personalidades antagônicas , Adam(Jamie Blackley) e sua rebeldia e melancolia e Mia(Chloé Grace Moretz) e sua doçura , entretanto se sentindo uma “estranha no ninho”. O longa serve perfeitamente como uma alegoria sobre as diferenças se prestarmos atenção.

E por falar em atenção, esse é um fator que o filme exige de seu espectador. Pelo fator da narrativa se desenrolar principalmente em flashbacks e a montagem se utilizar do cansativo-mas eficiente artifício de “idas e vindas temporais”.

A musica é o principal diferencial de “Se eu Ficar”, sobretudo o fato do diretor e sua equipe torna-la um personagem do filme, uma peça fundamental na engrenagem da narrativa.

A direção de R.J Curtier é segura e o diretor se mostra competente em criar uma narrativa que envolva o espectador na tela, demonstrando eficácia ao administrar os inúmeros flashbacks que o filme possui. Curtier demonstra uma destreza impecável ao comandar as cenas de performances musicais do longa, com uma direção ora livre porém segura( nas cenas de Adam) e uma direção intimista e poética (nas cenas de Mia).

A fotografia talvez seja o único aspecto que deixa a desejar- além é claro do final decepcionante, mas vamos deixar isso pro final do texto. Voltando a fotografia, embora as cenas com uso de um granulado que remete a um por do sol extramente belo. Por outro lado, o flashback inicial é tomado por um “nevoeiro” que torna quase imperceptível enxergarmos a cena em sua totalidade. Felizmente, nada que prejudique a narrativa.

Vou tentar falar sobre o roteiro e a música do filme no mesmo parágrafo, por acreditar que estes elementos estão extremamente relacionados no longa.

Primeiramente o roteiro. Adaptado por Shauna Cross do livro homônimo de Gayle Forman, Cross soube imprimir nas entrelinhas questões pertinentes ao público-alvo do longa tais como identidade, sonhos e perspectivas de futuro, além das diferenças.

O fato de os pais de Mia(Chloé Grace Moretz) e seus irmãos serem “roqueiros natos” e a incentivarem a seguir um caminho totalmente oposto, assim como o seu romance com Adam (Jamie Buckley) ser do tipo “os opostos se atraem”.

A construção dos personagens e a próprias referencias musicais , além é claro da trilha sonora composta de um mix de musica clássica e punk tornam-se o diferencial do filme , o impedindo de se tornar “um filme água com açúcar chato”. A trilha do brasileiro Heitor Pereira conta com nomes como Sonic Youth e The Orwells, misturados a musica clássica e as referencias vão de Iggy pop a Bad Religion passando pelos clássicos Beethoven e Bach.

Chloe Grace Moretz construi uma Mia sensível e sonhadora, porém dotada de uma forma interior imensa. Já seu parceiro de cena Jamie Buckley faz de Adam um artista rebelde mas que esconde uma certa melancolia por trás de toda aquela rebeldia e personalidade. Sem dúvida um personagem antagônico em sua personalidade e Buckley arrebentou na construção e interpretação do personagem.

Preciso deixar uma menção honrosa para Jakob Davies como o doce e precoce Teddy, “um roqueirinho de carteirinha”, e Joshua Leonard como o carinhoso pai de Mia , Denny que conserva sua alma roqueira. É através de Leonard que o filme ganha pinceladas de humor irônico, suavizando a dramaticidade da narrativa.

Não tenho muito o que falar sobre “Se eu Ficar”, até porque, ainda estou materializando o filme. mas lhe digo uma coisa: se deem uma chance de ver este filme poético e singelo que trata de temáticas universais como sonhos, diferenças e musica. Lembra-se: as vezes , os melhores perfumes vem nos menores frascos.





segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Anjos da Lei 2



O que você faria se tivesse a chance de voltar a vida de estudante? E melhor ainda, fosse a faculdade? , coisa que não fez quando saiu do colegial, seus antigos estereótipos sociais fariam você voltar a velha forma?
Essa é a premissa de “Anjos da Lei 2”, sequência da versão cinematográfica pra popular serie de TV estrelada por Johnny Depp nos anos 80.

Com a dupla Phil Lord e Chris Miller de volta a direção e com o filme novamente estrelado por Jonah Hill e Channing Tatum como os amigos Schimidt e Jenko, a  continuação consegue ser ainda melhor.
Há claramente uma evolução do primeiro filme pra este, o que o torna mais atraente , unido é claro a uma serie de fatores.

Lord e Miller conseguem desenvolver e evoluir o longa de maneira crescente. Os diretores souberam incluir um maior ritmo na narrativa fílmica em uma dose maior do que no primeiro filme. há uma energia, um dinamismo e agilidade em alto nível que foi inexistente no primeiro longa.
Parte desse dinamismo se deve as gags cômicas, é claramente perceptível o quanto os diretores estão mais confortáveis com a temática proposta, sendo capazes de tornar a comicidade do enredo algo mais natural. -As cenas da prisão, da fraternidade e da “viagem psicodélica”de Schmidt e Jenko são bons exemplos disso.

O fato de  Phil Lord e Chris Miller estarem mais confortáveis com “o tempo da comédia”, bem como o tipo de humor do longa permitiu que a dupla executasse uma ótima direção de atores , trazendo mais naturalidade para a narrativa e para própria interpretação de Channing Tatum e Jonah Hill que puderam elevar sua “química” cênica a um nível muito mais elevado , possibilitando um notável desenvolvimento de personagens.

Lord e Miller possuem uma destreza incrível na direção do longa. Não só pelo fato de conferir ritmo e dinamismo ao filme mas sobretudo, pela própria condução da cenas cheias de ritmo, agilidade, a habilidade de desenvolver os plots independentemente tendo a sagacidade de brincar com as gags e com os clichês dos filmes de gênero de forma inteligente.

O trio de roteiristas Oren Uziel, Rodney Rotman e Michael Bacali(que co-escreveu o argumento com Jonah Hill), souberem inserir temáticas importantes da juventude sob a ótica inteligente e leve do humor, tais como: Bullying, diferentes grupos sociais no ambiente acadêmico e o valor da amizade. O próprio fato de existir uma fraternidade no enredo do longa, pode ser encarado como uma metáfora para os ritos de passagem e os estereótipos pelos quais somos tachados na juventude.

Um elemento interessante do roteiro que se manteve nessa sequencia e em níveis mais altos são as menções a cultura pop. Citações a série policial de comédia “Troops” e a o homem- arranha são o ponto alto.

Eu particularmente acho cada vez mais interessante- e valido , os filmes de comédia adolescente abordarem questões do cotidiano dos jovens nas suas entrelinhas, sobretudo por três motivos. Os dilemas pelos quais os jovens passam são universais, o jovem é o principal consumidor desse tipo de comédia, digamos mais liberal e o próprio humor garante uma leveza a temática que é muito bem vinda.

A julgar pelo ótimo filme e pelos créditos finais- eu espero que aquilo não tenha sido uma mera brincadeira- teremos uma continuação, pela qual aguardo ansioso.   





domingo, 24 de agosto de 2014

Sex Tape- Perdido na Nuvem



A exposição na internet da intimidade de um casal é algo corriqueiro no mundo atual, e as sex tapes podem alçar pessoas a fama, render prestigio(e estigma) mas também pode dar muita dor de cabeça. Esse é o mote principal da comédia “Sex Tape: Perdido na Nuvem” trata do tema sobre a ótica despudorada do humor.

Um casal, Annie(Cameron Diaz) e Jay(Jason Seguel) tentam “reacender a chama” após anos de casamento com uma sex tape registrando sua maratona sexual e bam , adivinhem, a tal sex tape cai em mãos erradas é claro.

Pronto. Isso é tudo o que você precisa saber sobre o filme dirigido por Jake Kasdan. Falar mais seria entregar o pouco que o filme reserva. Embora, super previsível, o filme consegue divertir – por favor não confunda isso com risadas soltas. “Sex Tape” é um filme divertido e engraçado e sem muitas pretensões.

Mas talvez esteja na falta de intenções ambiciosas a maior força do filme. abusando de toda e qualquer gag pra fazer rir e todo o tipo de efeito sonoro que possa soar cômico o fato é que o filme consegue envolver o espectador mesmo com toda a sua previsibilidade  o diretor consegue de alguma maneira tornar o seu filme uma opção atraente.

Kasdan precisa ser reverenciado em dois pontos, embora tenha nos entregado um filme mais do mesmo(nenhum trocadilho com o titulo deste blog por favor) mas sim, o cineasta soube trabalhar os clichês do gênero de forma eficiente conferindo um ritmo cômico ao longa, o tal tempo da comédia. Kasdan foi um bom diretor de atores garantindo performances cômicas interessantes do seu elenco, sobretudo do seu casal protagonista Annie e Jay( Cameron Diaz e Jason Seguel).

É Seguel, que também um dos roteiristas do longa quem tem o melhor desempenho. Atua com naturalidade e está confortável em papel mais sujo proferindo obscenidades naturalmente e trabalhando de forma confortável no humor negro. E quanto a Cameron Diaz? Bom, a atriz demora um tempo pra estar no mesmo nível cômico do colega mas desde o inicio se mostra a perfeita personificação da porque não “mulher perfeita”: Gostosa, voluptuosa, exuberante e com ótimo senso de humor. Ela e Seguel conseguem ser um casal atraente(em todos os sentidos).

Embora a ação esteja exclusivamente centrada no “dilema” dos protagonistas, o filme ainda tem espaço para que bons personagens coadjuvantes se sobresaiem. O Casal amigo Robbie e Tess(Rob Corddry e Ellie Kemper) são um bom exemplo disso que estou falando. Os atores são um espetáculo à parte no filme , com ótimas gags.

Jack Black, um comediante de primeira linha, também da o ar de sua graça com uma participação pequena mas muito divertida como o dono do site pornô “You Porn”. É hilário, a lição de moral que personagem de Black da em Annie e Jay ao falar das consequências de se fazer um vídeo pornô e citando “estrelas” do pornô caseiro como Paris Hilton e Pamela Anderson. Porra, esqueceu da Kim Kardashian. Rsrs.

E o irreparável Rob Lowe como o chefe pervertido de Annie(Cameron Diaz) em uma empresa do ramo infantil- percebam a analogia , haha. Lowe é incrível ao encarnar estes tipos tarados, pervertidos e despudorados sem nenhum juízo( quem lembra do inesquecível Eddie Nero de “Californication” , sabe do que estou falando).


No fim, “Sex Tape – Perdido na Nuvem” é uma comédia divertida e descompromissada com um tom mais “sujo” e libertário. Não parece a primeira vista atrair muito, mas ganha o espectador pelo seu notável despudor e o desenrolar interessante da sua trama. E por deus, Cameron Diaz é como vinho , fica mais gostosa a cada ano que passa.



  

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ensinando a Viver


"Ensinando a Viver”(Martian Child, no original) é um belíssimo e emocionante filme, e certamente me inspirou a escrever sobre ele.

Inspirado no livro “ Martin Child” de David Gerrold o filme conta a história de um popular escritor de ficção cientifica, David Gordon(John Cusack – ótimo ) que ficou viúvo enquanto ele e sua esposa estavam no processo de adoção. Após dois anos , ele se vê encantado por uma criança com problemas de sociabilidade e acredita ser de marte, Dennis(Bobby Coleman). Juntos, eles aprendem a conviver um com o outro e superam as adversidades com o lema de “Nunca nunca nunca nunca nunca desistir”.

“Ensinando a Viver” é um filme tão perfeito e tocante que eu não sei por onde começar. Vou tentar dizendo que é bela a forma como o filme constrói e aborda a temática das diferenças e da aceitação sobre ser quem é através da relação de Dennis(Bobby Coleman) e David(John Cusack) e do fato do escritor sempre dizer pro filho ser ele mesmo.


A forma natural e comovente com que o roteiro aborda a relação entre David e Dennis é absolutamente linda.  Os atores demonstram química e entrosamento entre eles é encantadora. John e Bobby conseguem transparecer essa ligação para os personagens. O amor incondicional e aceitação são fatores abordados de forma muito naturalista no roteiro através das relações dos dois personagens. O fato de David(Cusack) abrir o coração para Dennis(Coleman).

É interessante mencionar as metáforas entisicas a narrativa. Através da relação entre David e Dennis são abordados temáticas importantes como aceitação, respeito as diferenças, relações familiares e principalmente afetivas.

Essas metáforas são tão bem colocadas na historia de maneira comovente através da relação afetiva entre os protagonista pela belíssima relação entre David e Dennis e pelo fato de David adentrar o “mundo marciano” de Dennis e não subjugá-lo. Pelo contrário, participar desse universo ativamente e assim se unir ao seu filho adotivo.

A questão da união afetiva entre pai e filho é colocada de forma sem igual. A maneira perspicaz e inteligente que Dennis coloca em xeque os ideais de David a respeito da ficção cientifica- sendo ela uma forma fantástica e metafórica da própria vida levando- o a reavaliar suas teorias é brilhante.


O filme trata das relações afetivas e familiares de forma incrível. E através dela observamos nas entrelinhas, a questão da incapacidade social, abandono, das formas de se relacionar com a perda, da imaginação como refugio , crenças.


É difícil dizer porque o filme me encantou tanto. Particularmente talvez porque trata da aceitação , do ser diferente, do ser diferente, do ser você mesmo e de nunca nunca nunca nunca desistir dos meus sonhos. É uma história sobre ser você mesmo e amor genuíno comovente. Façam um favor a vocês mesmos e se deixem emocionar por esse lindo filme.



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Devil´s Knot



É uma tortura psicológica e emocional ler ou assistir qualquer coisa relacionada ao caso “West Memphis Three” onde 3 crianças foram brutalmente assassinadas e três jovens foram falsamente acusados em Arkansas nos EUA.

Foi duro assistir a trilogia de documentários da HBO “Paradise Lost” , assistir ao documentário produzido por um dos acusados Damien Echols depois de deixar a prisão. E certamente, não foi fácil assistir a este caso sendo dramatizado aqui neste “Devil´s Knot” ainda que de maneira esdrúxula e excessivamente estereotipada.

Primeiro, porque a direção de Atom Egoyan começa de maneira promissora nos induzindo ao que seria um “grande filme” , ledo engano, Egoyan nos induz ao suspense com seus movimentos de câmera descritivos e uso da sonoridade, das cenas do pós crime buscando um choque no espectador mas tudo o que consegue é uma repulsa breve e uma incessante vontade de vomitar.

A forma com que o cineasta conduz o filme, conferindo um tom de fábula macabra, descaracteriza totalmente a história séria e poderosa que tinha em mãos.  A impressão que se da é que o diretor tenta suavizar o enredo e “poupar o espectador” para assim atingir maior fatia do público. Ora, é impossível suavizar algo de tamanha monstruosidade, a história do caso merecia uma reprodução digna e não uma história medrosa, rasa e com medo de se aprofundar na realidade.
É tudo retratado de forma rápida demais , não dando chances para o enredo se desenvolver como deveria. Entretanto, o diretor não deixa de chocar com o teor macabro do próprio caso que ele acrescenta aqui , mas tudo a conta gotas, superficial demais.

Além de ser raso e inconclusivo no que se propõe ao não se aprofundar na história , convertendo-a em uma novelinha mexicana, Atom Egoyan tem uma parceria na construção dessa história inverossímil dotada de cortes bruscos e superficiais: A montagem. A montagem deixa o espectador confuso pois utiliza de tantos recursos narrativos como flashbacks fora de hora que a acaba por confundir o espectador e tornar o filme uma bagunça.

O roteiro escrito a quatro mãos por Paul Harris Boardman e Scott Derrickson é o maior problema de “Devil Knot”.  Em primeiro lugar, eles- os roteiristas descaradamente privilegiam um plot da história - a da mãe de Stevie Brunch um dos garotos assassinados. Pam(Reese Withespoon) em detrimento das outras famílias.

Em segundo lugar , os roteiristas pecaram de maneira severa na construção dos três jovens acusados Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Miskelley (James Hamrick,Seth Meriwether e Kristopher Higgins respectivamente). Construíram um retrato estapafúrdio dos três reais protagonistas do longa. Baseando-se em clichês os retrataram como malucos e débil mentais, claramente se aproveitaram desse retrato errôneo para jogar-los para escanteio dentro da narrativa e fazer deles meros coadjuvantes dentro da própria historia. De modo que a atuação do trio não tem nem chance de se sobressair.

Paul Harris Boardman e Scott Derrickson parecem ter esquecido -ou não leram mesmo que o livro de Mara Leveritt na qual o roteiro deles se baseia ou ao menos deveria se basear, cobre o caso por um todo e da destaque a clemência por inocência dos três jovens.

Reese Withespoon e Colin Firth são os únicos a se destacar verdadeiramente. Primeiro pelo talento da dupla segundo, porque o próprio roteiro os condiciona para isso.

Reese tem uma atuação comovente como Pam Hobbs , mãe de Stevie Brunch e Colin Firth nos presenteia com sua brilhante e obstinada atuação como o investigador particular Ron Lax, obstinado em provar a inocência dos três adolescentes. Firth atua de forma segura , firme e imponente , cativando o público.

Como espectador ou como qualquer pessoa minimamente inteligente, é inaceitável o retrato do caso  “West Memphis Three” pintado aqui. Não só pela sua direção e narrativa rasas, pelo favorecimento de suas estrelas Reese Withespoon e Colin Firth ou por tentar emular sem sucesso a estética da trilogia de documentários “Paradise Lost” , mas sobretudo por sua falta de imparcialidade e por retratar Jason Baldwin , Jesse Miss Kelly e Damien Echols de maneira tão estapafúrdia, rasa e envolta em clichês.

Seria cômico se não fosse trágico, a história do caso não precisava disso e muito menos, o magnífico trabalho de Mara Leveritt não merecia tal retratação.