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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Domicilio Conjugal



Em Domicilio conjugal François Truffaut deu prosseguimento às historias de seu mais famoso personagem: O alter-ego Antoine Doinel.







Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) está casado com Christine Darbon (Claude Jade) que é professora de violino, enquanto ele trabalha tingindo flores no pátio do prédio onde moram. Porém Antoine continua o mesmo adolescente de sempre, pulando de emprego em emprego. Quando Christine engravida, a imaturidade de Antoine se evidencia e ele tem um caso com a japonesa Kyoto (Hiroko Berghauer), porém como tudo na vida de Antoine, o relacionamento também entra em declinio.







François truffaut lançou mão de todos os artificios possiveis (e bem trabalhados) para realizar um grande filme. Com a sua habitual sucessão rápida de planos , aliado a uma trilha sonora potente e sensível , aos atores mas sobretudo ao inteligente uso dos elementos de linguagem em seu roteiro(menções a obras literárias ,cinematográficas além de inserir legendas como uma forma de elipse de conteúdo , certamente uma homenagem ao cinema mudo.



A direção de François Truffaut dispensa apresentações , e mais uma vez ele surpreende. Além da sua habitual sucessão rápida de planos presente em seus filmes, Truffaut faz uso aqui da panorâmica e da montagem paralela, por exemplo, uma novidade em seu repertorio até então. Truffaut exprime neste filme suas já conhecidas sensibilidade e agilidade, além de realizar uma primorosa direção de atores.





A trilha sonora a cargo de Antoine Duhamel, parceiro frequente de Truffaut, utiliza-se de musicas instrumentais, o que engrandece a obra como um todo.

  No entanto a fotografia de Néstor Alamendros destoa do resto do filme ao adotar um granulado escuro em suas lentes. Este é o único obstáculo que Domicilio Conjugal encontra em seu caminho.



Truffaut optou por centralizar seu enredo em poucos personagens, o que deu ao seu elenco principal a chance de brilhar. Jean-Pierre Léaud mostra, mas uma vez seu talento (já virou lugar-comum elogia-lo). Claude Jade construiu uma Christine Darbon repleta de nuances e sua personagem cresce consideravelmente conforme o filme avança. Claude Jade evidenciou em sua interpretação o amadurecimento físico e emocional de Christine em contraponto ao marido Antoine (Jean-Pierre Léaud). Christine agora é uma mulher adulta responsável ao contrario da menina apaixonada de “Beijos Proibidos”.


Hiroko Berghauer (kyoto ) , o outro ponto do triangulo amoroso , dá a sua personagem presença , sensualidade e um certo magnetismo que serve muito bem para seu papel.




Assistir a um filme de François Truffaut é sempre uma experiência transformadora , uma verdadeira aula. Alia-se a isso um personagem extremamente carismático como Antoine. É uma pena que François Truffaut já faleceu e também que a saga de Antoine está perto do fim. Mas ai eu penso que o motivo de eu amar o cinema é por ele ser eterno e eu posso ver essa obra-prima sempre que quiser.


























domingo, 13 de maio de 2012

Crítica; Antoine e Colette






Em 1962, François Truffaut deu prosseguimento as historias do seu alter-ego de “os incompreendidos, Antoine Doinel no curta” Antoine e colette”, parte de uma série de curtas sobre amor na juventude chamada” amor aos vinte anos” (L'amour à vingt ans).


                  

O filme segue os acontecimentos após o fim de os incompreendidos , onde é explicado que Antoine (Jean-Pierre Léaud) foi recapturado e enviado para outro centro de delinquencia juvenil até ter idade para ser independente,hoje antoine tem 17 anos, vive sozinho e trabalha em uma gravadora.



Antonie continua contando com a amizade inseparavel de René (Patrick Auffay) , seu amigo de infancia. Antoine se apaixona pela jovem colette (Marie-France Pisier) , mas não consegue nada além do que amizade dos pais da moça ,sendo constantemente preterido por colette.



Truffaut retomou as historias de Antoine dessa vez nessa série de curtas sobre relacionamentos na juventude.  Utilizando a figura do narrador em “Off”, Truffaut responde a inevitável pergunta: o que terá acontecido a Antoine dos seus 14,15 anos (período retratado em os incompreendidos), até os seus atuais 17 anos.

 Lançando mão da sua já conhecida sensibilidade, François Truffaut dirige este curta com atenção especial nos personagens, munindo eles de uma riqueza de detalhes impressionante.

A direção de François Truffaut inspira sensibilidade, como já dito anteriormente, alternando planos curtos e longos. Desta forma Truffaut ambienta o telespectador e chama atenção para as mudanças de Antoine doinel, agora mais velho, mas nem por isso é estável emocionalmente.

A trilha sonora, outro elemento importante e já conhecido dos filmes de Truffaut, exerce neste filme a função de ambientação do espectador, além de potencializar a intensidade dramática dos personagens e do enredo.

Quanto ao elenco, Jean-Pierre Léaud, mais uma vez botou o espectador na palma da sua mão, tal como fez em os incompreendidos. Jean soube fazer a transição do personagem com graça e beleza, mantendo o ar de inocência e ingenuidade que o personagem exige.

Patrick Auffay retorna como René, o inseparável amigo de Antoine. Patrick ganha mais destaque neste filme e deixa claro o crescimento físico e emocional de seu personagem com uma interpretação sutil e marcante. Contudo é Marie-France Pisier, a grande supressa deste filme. Marie-France deu a colette os elementos necessários para marcar a ambiguidade de sua personagem: de um lado, uma jovem romântica e elegante, de outro, firme e decidida.
O filme, belo ao mesmo tempo intenso e cativante, reafirma o potencial de Truffaut de contar grandes historias, além de deixar claro o seu estilo pessoal de filmar e também prova a intensa capacidade dramática do personagem Antoine doinel (se é que alguém duvidava). Só é uma pena que seja tão curto, pois “Antoine e collete possui potencial para ser um longa-metragem com certeza, ainda bem que temos mais três filmes com o personagem: Beijos Proibidos,Domicilio Conjugal e Amor em Fuga.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Análise fílmica : Beijos proibidos



Beijos proibidos (Baisers Volés) é um filme de 1968 dirigido por François Truffaut, dando prosseguimento as historias do seu alter-ego Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud). Historias estas que começaram a ser retratadas no autobiográfico “Os incompreendidos” (Les quatre cents coups). Este é o terceiro filme no qual o personagem Antoine Doinel é retratado, sendo “L'amour à vingt ans (1962), Domicile conjugal (1970) e L'amour en fuite (1979), os outros quatro filmes com o personagem.

Em “Beijos Proibidos”, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é expulso do exercito por indisciplina. Após ser expulso, Antoine vai jantar na casa dos pais de Christine Darbon (Claude Jade), a jovem por quem Antoine é apaixonado. Os pais de Christine lhe arranjam um emprego, no qual ele não dura muito, e assim Antoine pula de emprego em emprego, sem ter certeza do que deseja para sua vida, pois ele só cresceu por fora, pois por dentro continua o mesmo jovem inconsequente de antes.

Truffaut começa o filme de uma maneira espetacular: o movimento de câmera circular detalha Paris enquanto são exibidos os créditos iniciais, tudo isso acompanhado por uma trilha sonora instrumental maravilhosa (aliás, toda a trilha é de tirar o fôlego).

Após a apresentação dos créditos iniciais, o zoom diminui, enquanto a câmera “entra” no exercito, com Antoine sendo dispensado de seus serviços.
Truffaut utiliza os planos descritivos à exaustão, sem que isso prejudique a qualidade do filme, pelo contrario só acrescenta.


O movimento de câmera panorâmica aparece em todo o filme, com o intuito de acompanhar Antoine, sempre com a cidade de paris como pano de fundo e é claro com a já citada trilha sonora que é maravilhosa.

A fotografia do filme é essencial para marcar as mudanças na vida de Antoine. Enquanto o prólogo, créditos e a cena inicial são permeados com cores escuras e com um aspecto obscuro, as demais cenas após sua dispensa do exercito , são predominantes as cores quentes, com um aspecto mais vivaz e colorido.


Um detalhe que não posso deixar de citar, o filme tem planos curtos no geral e a maneira que Truffaut escolheu para saltar de uma cena para outra é absolutamente incrível: ele escurece a tela por algum tempo e quando volta ao “normal” já na cena seguinte. Certamente uma homenagem de Truffaut a época do cinema mudo e uma alternativa inteligente.


Truffaut construiu mais um filme terno, envolvente e cativante, com um personagem igualmente envolvente e muito bem desenvolvido, Truffaut correu um risco alto a meu ver, afinal fazer varias continuações pode cansar, mas não com um personagem riquíssimo como Antoine é impossível cansar.

Truffaut sabia como ninguém fazer um filme poético, conseguiu manter o frescor daquele personagem que é seu alter-ego, Antonie Doinel e que todos nós temos um pouco dentro de si. Além disso, fez um filme em que tudo se encaixa perfeitamente como um quebra- cabeça é uma pena que seja tão curto.