O Cinema discutido e analisado de forma simples e direta, mas mágica e transformadora.
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Análise Cromática: A Mulher do Lado
* Recomendo que assistam o filme antes para uma melhor compreensão da análise
*Agradecimento especial á minha irmã Roberta Rodrigues que me auxilou na construção da Paleta de Cores
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Especial Diretores: François Truffaut
Há algum tempo tive a ideia de inaugurar um novo espaço no blog,
analisando a vida e carreira dos cineastas, dessa forma além de aprender mais,
posso compartilhar com vocês os meus comentários sobre os filmes.
O escolhido pra inaugurar este espaço foi o diretor francês François Truffaut,
primeiro falarei sobre sua vida e carreira depois comentarei sua filmografia, ou
melhor, parte dela.
Nascido em 6 de fevereiro de 1932, François Truffaut é filho de filho de
Roland Lévy e Jeanine de Montferrand. O menino François jamais conheceu o pai
biologico e foi rejeitado pela mae ,sendo criado pelos avos maternos.
Aos 10 anos truffaut viu a avó falecer e
foi morar com a mae e seu padrastro, que lhe garantiu um sobrenome, porém a
falta de afeto e problemas escolares fez que o menino abandonasse os estudos
aos 14 anos , vivendo de pequenos furtos para sustentar o seu amor pela setima
arte e o cine-clube que
havia criado, o Cercle cinémane o
cine-clube o permitiu conhecer o
crítico de cinema Andre Bazin , que acabaria se tornando
um pai para Truffaut e lhe daria um emprego na revista Cahiers du Cinéma , onde
François se revelaria um crítico de escrita polemica e defensor de uma
constante renovação no cinema francês vigente na época.
Na obra de François Truffaut, há uma
predominância de certos temas abordados nos seus filmes (infância, adolescência,
amor, arte, noir), portanto o especial será dividido por categorias.
Infância e adolescência:
-
Os pivetes (Les mistons) (1957)
Em seu segundo filme de curta metragem
,adaptado da obra de Maurice Pons, truffaut apresenta
um dos temas que seria recorrente em sua obra : a infancia. Os Pivetes conta a
historia de 3 garotos que vivem o seu primeiro amor por uma mulher mais velha. Como são
muito jovens para namora-la, os garotos se dedicam a atrapalhar os romances de
Bernadete. O curta se destaca pela eficiente narração em over.
Em seu primeiro filme de longa-metragem , Truffaut conta uma historia essencialmente auto biográfica. Através de
seu alter-ego Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) Truffaut narra fatos de sua infância e
adolescência como: o desprezo no ambiente familiar, à inadequação na escola, o
inicio da paixão pelo cinema e os pequenos furtos. Este é o primeiro dos cinco
filmes com o personagem Antoine Doinel. Obs: O filme foi dedicado a Andre Bazin,
o mentor de Truffaut. (filme vencedor do prêmio de melhor direção no festival
de Cannes de 1959).
Na serie de curtas de 1962 , cujo tema é o amor . Truffaut
retomou as historias de seu alter-ego Antoine Doinel. Na trama, Antoine vive o
seu primeiro amor não correspondido por colette (Marie-France Pisier). O curta se destaca pela maneira delicada com a qual
truffaut conduziu a direçao e roteiro e pela trilha-sonora.
O menino Selvagem (L'enfant sauvage) (1970)
Baseado em uma historia real , o menino selvagem conta a historia de um
menino criado na natureza sem contato com a civilização que recebe o nome de
Victor (Jean-Pierre Cargol) , não acostumado com a vida em sociedade ,
ele passa a ser estudado pelo Dr. . Jean Itard (François Truffaut) que o adota
como um pai. O filme é uma metáfora para a educação e a adequação social. O
filme traz pela primeira vez o diretor atuando em um papel de destaque.
- Na idade da inocência (L'argent de Poche) (1976)
Novamente ,
François Truffaut retoma um dos seus principais temas: a infância. Desta vez o
diretor concentra a trama em um grupo de crianças e seus problemas particulares
em paralelo a escola. Um filme singelo , aonde menos é mais. Um interessante
exercicio onde direção , montagem e roteiro estão em sincronia.
O amor e
relacionamentos :
- Jules e Jim – Uma mulher para dois ( Jules et Jim) (1962)
Neste longa que conta a historia de dois
amigos que disputam o amor da mesma mulher. Neste filme o diretor reafirma os
principios da nouvelle vague , produzindo um filme essencialmente simples na
estética mas forte em
enredo e atuações.
O terceiro filme com o personagem Antoine Doinel. Truffaut construiu uma trama onde o romantismo
esta nas entrelinhas. Tecnicamente falando, o diretor voltou aos primórdios do
cinema mudo ao utilizar vários artifícios dessa época em seu filme como, por
exemplo, escurecer a tela para evidenciar a mudança de planos.
- A Sereia do Mississippi (La sirène du Mississippi) (1969)
Baseado no livro de Cornell Woolrich,
Truffaut levou as telas este interessante jogo de indentidade. Conta a historia
de Luis (Jean-Paul
Belmondo) , um homem
que marca casamento com Julie (Catherine Deneuve) , uma mulher que ele só
conhece por fotografias. Neste filme Truffaut retoma o aspecto Noir que permearam
algumas de suas obras. Podemos dizer que Foi neste filme que Truffaut voltou às
origens na sua maneira de filmar. PS: O filme teve um “remake” em 2001 (de
qualidade inferior), Pecado Original com Antonio Bandeiras e Angelina Jolie.
Arte e cultura:
Adaptado do romance de ficção cientifica escrito por Ray Bradbury , Fahrenheit 451 é um filme pelicular
na filmografia de Truffaut e também o seu primeiro filme em cores. O filme se
passa em um período totalitário onde qualquer tipo de leitura fora proibida. O
primeiro e único filme em inglês do diretor foi um avanço em muitos aspectos,
mas principalmente na sua fotografia, onde o uso de cores quentes nas lentes de
Nicolas
Roeg.
- A Noite Americana (La nuit
américaine)
( 1973)
É um dos filmes de
maior importância do diretor. Neste filme Truffaut utilizou-se da metalinguagem
na sua melhor forma. É o filme dentro do filme . A Noite Americana tem seu
enredo centrado na filmagem do filme Je vous presente Pamela e nos seus bastidores. O diretor
Ferrand (interpretado pelo próprio Truffaut) encontra vários percalços
em seu caminho na tentativa de rodar o seu filme. O filme é uma declaração de
amor de François Truffaut a
arte cinematográfica. A Noite Americana
garantiu o único Oscar da carreira do diretor : de melhor filme em 1974.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Domicilio Conjugal
Em Domicilio conjugal François Truffaut deu prosseguimento às historias de seu mais famoso personagem: O alter-ego Antoine Doinel.
Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) está casado com Christine Darbon (Claude Jade) que é professora de violino, enquanto ele trabalha tingindo flores no pátio do prédio onde moram. Porém Antoine continua o mesmo adolescente de sempre, pulando de emprego em emprego. Quando Christine engravida, a imaturidade de Antoine se evidencia e ele tem um caso com a japonesa Kyoto (Hiroko Berghauer), porém como tudo na vida de Antoine, o relacionamento também entra em declinio.
François truffaut lançou mão de todos os artificios possiveis (e bem trabalhados) para realizar um grande filme. Com a sua habitual sucessão rápida de planos , aliado a uma trilha sonora potente e sensível , aos atores mas sobretudo ao inteligente uso dos elementos de linguagem em seu roteiro(menções a obras literárias ,cinematográficas além de inserir legendas como uma forma de elipse de conteúdo , certamente uma homenagem ao cinema mudo.
A direção de François Truffaut dispensa apresentações , e mais uma vez ele surpreende. Além da sua habitual sucessão rápida de planos presente em seus filmes, Truffaut faz uso aqui da panorâmica e da montagem paralela, por exemplo, uma novidade em seu repertorio até então. Truffaut exprime neste filme suas já conhecidas sensibilidade e agilidade, além de realizar uma primorosa direção de atores.
A trilha sonora a cargo de Antoine Duhamel, parceiro frequente de Truffaut, utiliza-se de musicas instrumentais, o que engrandece a obra como um todo.
No entanto a fotografia de Néstor Alamendros destoa do resto do filme ao adotar um granulado escuro em suas lentes. Este é o único obstáculo que Domicilio Conjugal encontra em seu caminho.
Truffaut optou por centralizar seu enredo em poucos personagens, o que deu ao seu elenco principal a chance de brilhar. Jean-Pierre Léaud mostra, mas uma vez seu talento (já virou lugar-comum elogia-lo). Claude Jade construiu uma Christine Darbon repleta de nuances e sua personagem cresce consideravelmente conforme o filme avança. Claude Jade evidenciou em sua interpretação o amadurecimento físico e emocional de Christine em contraponto ao marido Antoine (Jean-Pierre Léaud). Christine agora é uma mulher adulta responsável ao contrario da menina apaixonada de “Beijos Proibidos”.
Hiroko Berghauer (kyoto ) , o outro ponto do triangulo amoroso , dá a sua personagem presença , sensualidade e um certo magnetismo que serve muito bem para seu papel.
Assistir a um filme de François Truffaut é sempre uma experiência transformadora , uma verdadeira aula. Alia-se a isso um personagem extremamente carismático como Antoine. É uma pena que François Truffaut já faleceu e também que a saga de Antoine está perto do fim. Mas ai eu penso que o motivo de eu amar o cinema é por ele ser eterno e eu posso ver essa obra-prima sempre que quiser.
domingo, 13 de maio de 2012
Crítica; Antoine e Colette
Em 1962, François Truffaut deu prosseguimento as historias do seu alter-ego de “os incompreendidos, Antoine Doinel no curta” Antoine e colette”, parte de uma série de curtas sobre amor na juventude chamada” amor aos vinte anos” (L'amour à vingt ans).
O filme segue os acontecimentos após o fim de os incompreendidos , onde é explicado que Antoine (Jean-Pierre Léaud) foi recapturado e enviado para outro centro de delinquencia juvenil até ter idade para ser independente,hoje antoine tem 17 anos, vive sozinho e trabalha em uma gravadora.
Antonie continua contando com a amizade inseparavel de René (Patrick Auffay) , seu amigo de infancia. Antoine se apaixona pela jovem colette (Marie-France Pisier) , mas não consegue nada além do que amizade dos pais da moça ,sendo constantemente preterido por colette.
Truffaut retomou as historias de Antoine dessa vez nessa
série de curtas sobre relacionamentos na juventude. Utilizando a figura do narrador em “Off”, Truffaut
responde a inevitável pergunta: o que terá acontecido a Antoine dos seus 14,15
anos (período retratado em os incompreendidos), até os seus atuais 17 anos.
Lançando mão da sua já
conhecida sensibilidade, François Truffaut dirige este curta com atenção especial
nos personagens, munindo eles de uma riqueza de detalhes impressionante.
A direção de François Truffaut inspira sensibilidade, como já
dito anteriormente, alternando planos curtos e longos. Desta forma Truffaut ambienta
o telespectador e chama atenção para as mudanças de Antoine doinel, agora mais
velho, mas nem por isso é estável emocionalmente.
A trilha sonora, outro elemento importante e já conhecido dos
filmes de Truffaut, exerce neste filme a função de ambientação do espectador, além
de potencializar a intensidade dramática dos personagens e do enredo.
Quanto ao elenco, Jean-Pierre Léaud, mais uma vez botou o
espectador na palma da sua mão, tal como fez em os incompreendidos. Jean soube
fazer a transição do personagem com graça e beleza, mantendo o ar de inocência e
ingenuidade que o personagem exige.
Patrick Auffay retorna como René, o inseparável amigo de Antoine.
Patrick ganha mais destaque neste filme e deixa claro o crescimento físico e
emocional de seu personagem com uma interpretação sutil e marcante. Contudo é Marie-France
Pisier, a grande supressa deste filme. Marie-France deu a colette os elementos necessários
para marcar a ambiguidade de sua personagem: de um lado, uma jovem romântica e elegante,
de outro, firme e decidida.
O filme, belo ao mesmo tempo intenso e
cativante, reafirma o potencial de Truffaut de contar grandes historias, além
de deixar claro o seu estilo pessoal de filmar e também prova a intensa
capacidade dramática do personagem Antoine doinel (se é que alguém duvidava). Só
é uma pena que seja tão curto, pois “Antoine e collete possui potencial para ser um longa-metragem com certeza, ainda bem que temos mais três filmes com o personagem: Beijos Proibidos,Domicilio Conjugal e Amor em Fuga.segunda-feira, 7 de maio de 2012
Fahrenheit 451
Em seu primeiro filme em língua inglesa, François Truffaut fez uma leve crítica à maneira de como o governo trata as questões da educação e da cultura-ainda que nas entrelinhas. O resultado é outro filme poético do diretor.
Em uma época futura, os livros e toda a forma de escrita são proibidos pelo governo que adota um regime totalitário. Os livros e a escrita são proibidos pelo governo sob o argumento de que estes hábitos fazem as pessoas entrarem em contato com sentimentos ruins. Além disso, os livros segundo o governo torna-se um vicio fazendo as pessoas improdutivas. Para combater as infrações a esta lei, existe um corpo de bombeiros responsável por queimar toda a forma de escrita existente. Porém um destes bombeiros, Guy Montag (Oskar Werner) conhece uma linda e simpática professora, Clarisse (Julie Christie), que o leva a questionar o sistema e a adquirir o habito da leitura. Assim Guy entra em conflito com a corporação e principalmente com a esposa Linda (Julie Christie).
Em seu primeiro (e único) trabalho em língua inglesa, François Truffaut adaptou o romance futurista de Ray Bradbury. Fahrenheit 451 foi também o primeiro filme colorido do diretor, elemento bem utilizado no filme. Com seus planos longos e a belíssima musica incidental, Truffaut e os roteiristas Jean-Louis Richard, David Rudkin e Helen Scott centralizaram a trama em poucos personagens: o bombeiro Guy Montag, sua esposa Linda, a professora Clarisse (ambas interpretadas por Julie Christie) e o capitão do corpo de bombeiros (Cyril Cusack).
Com planos longos, uma característica marcante dos filmes de François Truffaut, excessivos flashbacks e uma narrativa linear lenta, utilizada propositalmente. Truffaut utiliza com frequência o movimento de câmera panorâmica, já que o propósito do filme é “acompanhar o personagem”, neste caso Guy Montag (Oskar Werner).
A direção de François Truffaut é repleta de sensibilidade e delicadeza, Truffaut utiliza dos elementos de linguagem e de uma atmosfera pessimista para recriar o mundo futurista presente na narrativa. Truffaut como já era de se esperar fez uma primorosa direção de atores (talvez esse seja o motivo do elenco ser tão enxuto.).
Como o filme é centrado principalmente no personagem Guy (Oskar Werner) ele é a figura do narrador “In” presente no filme.
A fotografia a cargo de Nicolas Roeg usou e abusou de cores vivas e bem vibrantes. Inclusive para enfatizar este marco na cinematografia de François Truffaut: seu primeiro filme em cores. Uma pena que às vezes os tons utilizados em algumas cenas destoem do resto do filme.
Fora este pequeno percalço, Fahrenheit 451 é um deleite para aqueles que têm a sensibilidade aguçada, é um trabalho que da ênfase as particularidades humanas (marca recorrente do diretor). François Truffaut também faz uma ode à importância da cultura e uma leve critica aos sistemas educacionais impostos pelo governo-ainda que nas entrelinhas. O resultado é outro filme poético do diretor.
Ps: Na ultima cena o ator Oskar Werner após se desentender com o diretor François Truffaut , pintou o cabelo para causar um erro proposital de contiunidade.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Análise fílmica : Beijos proibidos

Beijos proibidos (Baisers Volés) é um filme de 1968 dirigido
por François Truffaut, dando prosseguimento as historias do seu alter-ego
Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud). Historias estas que começaram a ser
retratadas no autobiográfico “Os incompreendidos” (Les quatre cents coups). Este é
o terceiro filme no qual o personagem Antoine Doinel é retratado, sendo
“L'amour à vingt ans (1962), Domicile conjugal (1970) e L'amour en fuite
(1979), os outros quatro filmes com o personagem.
Em “Beijos Proibidos”, Antoine Doinel (Jean-Pierre
Léaud) é expulso do exercito por indisciplina. Após ser expulso, Antoine vai
jantar na casa dos pais de Christine Darbon (Claude Jade), a jovem por quem
Antoine é apaixonado. Os pais de Christine lhe arranjam um emprego, no qual ele
não dura muito, e assim Antoine pula de emprego em emprego, sem ter certeza do
que deseja para sua vida, pois ele só cresceu por fora, pois por dentro
continua o mesmo jovem inconsequente de antes.
Truffaut começa o filme de uma maneira espetacular:
o movimento de câmera circular detalha Paris enquanto são exibidos os créditos
iniciais, tudo isso acompanhado por uma trilha sonora instrumental maravilhosa
(aliás, toda a trilha é de tirar o fôlego).
Após a apresentação dos créditos iniciais, o zoom
diminui, enquanto a câmera “entra” no exercito, com Antoine sendo dispensado de
seus serviços.
Truffaut utiliza os planos descritivos à exaustão,
sem que isso prejudique a qualidade do filme, pelo contrario só acrescenta.
O movimento de câmera panorâmica aparece em todo o
filme, com o intuito de acompanhar Antoine, sempre com a cidade de paris como
pano de fundo e é claro com a já citada trilha sonora que é maravilhosa.
A fotografia do filme é essencial para marcar as
mudanças na vida de Antoine. Enquanto o prólogo, créditos e a cena inicial são
permeados com cores escuras e com um aspecto obscuro, as demais cenas após sua
dispensa do exercito , são predominantes as cores quentes, com um aspecto mais
vivaz e colorido.
Um detalhe que não posso deixar de citar, o filme tem planos curtos no
geral e a maneira que Truffaut escolheu para saltar de uma cena para outra é
absolutamente incrível: ele escurece a tela por algum tempo e quando volta ao
“normal” já na cena seguinte. Certamente uma homenagem de Truffaut a época do
cinema mudo e uma alternativa inteligente.
Truffaut construiu mais um filme terno, envolvente
e cativante, com um personagem igualmente envolvente e muito bem desenvolvido,
Truffaut correu um risco alto a meu ver, afinal fazer varias continuações pode
cansar, mas não com um personagem riquíssimo como Antoine é impossível cansar.
Truffaut sabia como ninguém fazer um filme poético,
conseguiu manter o frescor daquele personagem que é seu alter-ego, Antonie
Doinel e que todos nós temos um pouco dentro de si. Além disso, fez um filme em
que tudo se encaixa perfeitamente como um quebra- cabeça é uma pena que seja
tão curto.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Análise Fílmica: Os Incompreendidos

Em seu primeiro filme de longa- metragem, François Truffaut buscou
referencias em sua própria biografia.
Em “Os Incompreendidos”
(Les quatre cents coups), Truffaut buscou contar a sua historia de vida, para
isso criou um alter- ego, Antoine Doinel, um jovem que como a própria
tradução já aponta é incompreendido principalmente por duas das
principais instituições da sociedade: A escola e a família.
O primeiro aspecto a ser analisado é a trilha
sonora, Truffaut utilizou da música incidental para criar uma
criar a atmosfera presente no filme durante grande parte do filme, este
elemento contribui para que os telespectadores embarquem no universo fílmico em
sua totalidade. A música acompanha o personagem principal de modo que podemos
observar outros elementos tais como a Montagem.
A utilizar a montagem narrativa linear, Truffaut permite
que conhecêssemos o enredo sobre a perspectiva do jovem Antoine (Jean-Pierre Léaud),
suas angustias e sentimentos.
Neste momento, Truffaut utiliza outro
artifício: O movimento de câmera panorâmica acompanha o protagonista,
descrevendo o ambiente em que ele se encontra.
Para evidenciar o sentimento de inadequação vivido
pelo protagonista, principalmente nas cenas ocorridas no ambiente escolar
neste momento é utilizada a câmera alta (plongeé) para demonstrar a
opressão de Antoine perante seu professor.
Outro momento em que esse recurso é utilizado é
quando a mãe de Antoine (interpretada por Claire Murier vai ao reformatório visitá-lo,
para dizer a ele que desistiu dele.
Por outro lado nas cenas em que Antoine aparece
cometendo pequenos delitos ou faltando aula, acompanhado pelo amigo René,
é utilizado a câmera baixa (contra-plongeé), com o intuito de
demonstrar o espírito livre e rebelde de Antoine.
A cena final é no mínimo instigante: Antoine foge
do reformatório, a câmera Panorâmica acompanha o seu trajeto,
até que ele entra no mar, brinca e o filme termina com Antoine “encarando”
o telespectador. É realmente uma maneira singular de terminar o filme.
Segunda parte da análise:
Incorporar e
entender os elementos:
O filme “Os Incompreendidos” é claramente uma
obra com um sentido emocional antes de tudo. Ele (O filme) arrebata o
espectador pela identificação com o universo fílmico e neste aspecto, a
música tem papel fundamental no sentido de que ela “Guia” o protagonista e
exprime através do som seus sentimentos e questionamentos.
Porém a música não trabalha sozinha, em conjunto
com a montagem (a organização da cena, os planos...) para alcançar o objetivo desejado.
A montagem neste caso é linear, o que permite que acompanhamos a vida de Antoine
em “tempo real”, a música então funciona como um “apoio” a montagem e
sobretudo ao enredo. A música é um dos principais (se não o principal)
responsáveis pelo processo de imersão do espectador no filme.
Com o espectador tendo comprado a idéia (assistir
ao filme) , é necessário ambientá-lo.
Para isso entra em ação o movimento de câmera panorâmica
que descrevendo os ambientes pelos quais Antoine passa
nos permite compreendê-lo com mais clareza.
Os ângulos de câmera plongeé e
contra-plongeé são utilizados para evidenciar os momentos de inadequação ,tanto
na escola , quanto na família (plongeé) e os momentos de liberdade ao lado do
amigo René . Assim conhecemos as “duas faces” da personalidade de Antonie :
por um lado um jovem “rebelde” por outro um adolescente comum a fim de
estabelecer laços.Todos estes elementos constituem juntos a beleza de “Os Incompreendidos”.
De modo geral podemos dizer que a trilha “nos
convida” a assistir , a montagem “nos arrebata” , os movimentos de câmera nos
introduz a historia e os movimentos de câmera nos geram compaixão e
carinho pela historia
.
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