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domingo, 11 de maio de 2014

O Passado





O Cinema francês é um dos meus favoritos. E uma das coisas que mais me encanta nos filmes oriundos daquele país é sua delicadeza,sensibilidade e ternura. Mais que isso, os filmes franceses se destacam por ter um incrível censo de narrativa e saber que por trás daquela ternura, escondesse poderosas tensões dramáticas.Um simples acerto de contas familiar, com um ex-casal resolvendo as pendências de um divórcio doloroso e amargo ao mesmo tempo.
 “O Passado”, filme do diretor iraniano  Asghar Farhadi é tudo isso e muito mais.Não conheço os trabalhos anteriores de Farhadi mas, pude notar claramente o excelente diretor de atores que é, tamanha a destreza que conduz a narrativa, se apoiando quase que inteiramente no diálogo. Com habilidade realiza os planos contra plano, utilizando-se de duas matérias primas básicas e primordiais a um bom filme: um bom roteiro e bons atores.O fato de a narrativa se pautar pelo dialogo, permitiu ao diretor construir as relações entre os personagens com sensibilidade mas, como o próprio nome diz, “O Passado” esconde mais que aparente trivialidade de sua trama possa aparentar. Construído na forma de uma crônica contemporânea das relações humanas, o longa se desenvolve como um bom novelo, exibindo o charme característico dos filmes franceses e um que de mistério.Asghar Farhadi parece ter prazer de provocar e irritar o espectador. Não contente em estabelecer uma ótima direção de atores,apoiada principalmente no já citado plano e contraplano , suas longas tomadas e cortes oras rentes ora bruscos, o que me faz refletir se a montagem de seu filme não é defeituosa, o cineasta deve no mínimo ter revisitado a diretora Sofia Coppola e seus cultuados “Encontros e Desencontros” e “Um Lugar Qualquer” para provocar o espectador aos mistérios da adivinhação e da leitura labial pra tentar descobrir a conversa que os personagens Marie( a lindíssima e irreconhecível Bérenice Bejo) e Ahmad(Ali Mossafa) e embora acreditem, eu tenha apreciado que o diretor tenha bebido em fontes criativas quantos as de Coppola- e ele tenha ganhado inúmeros pontos com este que vós fala só pela intenção de beber na mesma fonte de uma diretora tão esplendida quanto Sofia devo ressaltar, o resultado atingido foi o oposto e o cineasta submeteu o seu público a um teste de paciência que parecia interminável.Apesar disso, o diretor-roteirista construiu personagens essencialmente humanistas, retratados em uma crônica cotidiana de forma terna, “O Passado” é um filme com raízes calçadas na mais pura narrativa, e embora o diretor nos conceda o direito de amar ou odiar tal personagem, o diretor se da ao direito de colocar caraminholas na cabeça de quem assiste e de fato o diretor iraniano parece gostar de provocar pois não se cansa de surpreender o espectador com inimagináveis pontos de virada.Sua própria forma de dirigir e a estética do longa com longos takes e cores quentes colocam o espectador pra refletir sobre a tensão e as relações ali expostas, bem como o peso de um segredo.


Tendo nos papéis de Marie(Bejo), Ahmad(Ali Mossafa), Samir(Tahar Haim) , os três vértices de um quadrilátero amoroso, formado ainda pela esposa do último e pela filha de Marie, Lucie(Pauline Burieti), jovem atriz com grande atuação e ótima química com Mossafa.
Sendo a fotografia de Mahmoud Kalari outro grande trunfo de sua ternura e poética fílmica, com Kalari dosando sabiamente as cores quentes e frias, “O Passado” é um grande filme, com grandes exercícios de atuação e roteiro. Porém, é esse mesmo roteiro e um leve descuido fatal que leva o longa a um final decepcionante, a menos que a história de Asghar Farhadi não termine aqui, o que eu sinceramente espero que aconteça.




quarta-feira, 12 de março de 2014

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Enter the Void


Oscar(Nathaniel Brown) vive em Tóquio com sua irmã Linda(Paz de La Huerta). Oscar é um traficante de pequeno porte e Linda é Stripper no clube local, mas um acontecimento põe suas vidas em perspectiva.


Quando eu achava que o cineasta Gaspar Noé não poderia mais me surpreender assisto esse “Enter the Void” que não é simplesmente um filme mas sim uma experiência lisérgica e onírica.


Elevando seu estilo a outro nível fílmico “Enter The Void” é uma obra com inúmeras possibilidades de interpretação. Metalinguística e com forte apelo visual que aqui atingem o seu ápice da carreira de Gaspar Noé.

A metalinguagem aqui exposta na forma do personagem em seu auto-filmar com uma câmera na mão proporciona uma imagem tremida , orgânica a ação onírica e surrealista que o filme proporciona aos seus espectadores uma viagem atmosférica de sonho e lisérgica.  As sobreposições de cenas favorecem a percepção de outro estado de consciência seja pelo uso de drogas ou pelo emocional dos personagens. O fato da câmera de Noé estar sempre em movimento e desbravando os ambientes adentrando-os e também pelo uso de planos gerais que proporcionam uma visão panorâmica da ação vista de cima. Essa tal “visão panorâmica” permite que o diretor adentre outras realidades e espaços fílmicos que se fundem a ação dramática funcionando como objeto de transição de planos muito semelhante ao recurso utilizado no longa “Estrada Perdida” de David Lynch.

Gaspar Noé adentra outros universos fílmicos através de closes promovendo a fusão entre esses dois universos para a criação de um terceiro.  Assim, ele convida o telespectador embarcar nessa viagem com múltiplos significados tendo como pano de fundo a sexualidade tema próprio do seu estilo.  Através de um trabalho minicioso de montagem e roteiro Gaspar Noé converte seu filme em uma sucessão de aparentes flashbacks que se fundem com o tempo corrente do filme. aparente porque se tratando de um filme como esse o espectador perde a noção do que é real e do que é irreal e ai está a grande graça do filme é o espectador construir uma linha de raciocínio através daquelas imagens para o diretor desconstruí-las e fazer seu pensamento virar pó.




Noé investe mais fortemente no poder visual do filme do que nos diálogos . as cenas tem por si só uma grande carga dramática embutida. Noé sabe a força que as cenas tem por isso investe no universo onírico do sonho de uma realidade paralela durante grande parte do filme. O elemento onírico do filme está estritamente ligado ao visual ou seja, a iluminação que aposta em cores quentes e vivas além de expor um fotograma intenso e “a meia luz” como uma lâmpada prestes a se romper. As imagens e o aspecto visual ocupam grande espaço fílmico pois o diretor Gaspar Noé acredita que nem tudo precisa ser explicado e nem tudo tem uma explicação aparente. As imagens colocam o espectador em estado de inércia, vidrado no poder da imagem e deixa o espectador sem a capacidade de esboçar reação. Quaisquer que seja ela.



Gaspar Noé extrapola todos os seus limites, subverte símbolos e formulas além dos próprios elementos do cinema. Tudo isso para deixar o seguinte recado: ” Nem tudo na vida tem a necessidade de ser explicado,as vezes as coisas ultrapassam a explicação. Não importa o que você ouve mas o que você sente. 








quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Irreversível



Minhas experiências com a filmografia do cineasta Gaspar Noé tem sido no mínimo impactantes. Após o chocante media-metragem “Carne” e sua continuação igualmente perturbadora  “Sozinho Contra Todos” sou brindado com outra experiência transformadora com este “Irreversível”.

“Irreversível” é a saga de busca por vingança dos amigos Marcus (Vincent Cassel) e Pierre(Albert Dupontel) pelo estupro de Alex(Monica Bellucci) Namorada de Marcus e ex de Pierre.


Com hiper- violência e realismo visual gritante o filme impressiona primeiramente pelo modo que Gaspar Noé conduz os movimentos de câmera em sentido rotatório. Sua Câmera nunca está estática mas sempre em movimentos em sentido rotário causando impressões de frenesi ao espectador. A câmera é capaz de se mover de modo extremamente ágil evidenciando diferentes pontos da ação dramática Ora a câmera te da a perspectiva de cima com excelentes planos gerais comandados com destreza por Noé, em outros momentos a câmera gira em sentido horário e anti-horário.

Outro aspecto interessante do longa é fato dele ser quase que inteiramente em plano sequencia revela a maneira ousada que o diretor utiliza para realizar as transições entre os planos é genial. Noé adentra em sentido rotatório com sua câmera e sem pedir licença o outro espaço fílmico.

O impacto visual das imagens é extremamente forte. Seja pelas cenas de extrema violência estilística  e escatologia seja pelas cores quentes que a realçam reforçando seu impacto e o magnetismo que causa no espectador sendo impedido de parar a projeção antes do fim, quaisquer que seja o sentimento e reação que o filme esteja te causando. Seja de repulsa ou excitação(como foi o meu caso).

A Verdade é que Noé não economiza no realismo e no grafismo visual das cenas. Apostando no realismo cru das imagens permeados por cores quentes e vivas e por uma iluminação potente o diretor investe na exposição realística e ultra violenta com o realismo e a sujeira latentes.


O som tem grande importância no impacto visual de maneira que engrandece as cenas reforçando o seu impacto com um som audível e latente. Resultado –creio eu- de um excelente trabalho de pós produção que tornou o som um elemento que serve pra impactar uma ação dramática(como no caso dos closes) ou para servir de pano de fundo como nas cenas de transição e ação dramática por exemplo. Os timbres latentes utilizados aproximam o filme a estética do videoclipe pelos efeitos clipados e a agilidade cênica que as cenas que combinadas o seu aspecto mais tremido com a iluminação de uma fotografia excepcional diga-se de passagem constrói um universo estético representativo e condizente com o estilo de Noé.


O trio protagonista Vincent Cassel(Marcus) , Albert Dupontel(Pierre) e Monica Bellucci(Alex) demonstram empatia , entrosamento e química cênica. Estando todos confortáveis com suas posições dramáticas na narrativa do filme e atuando de forma natural.  Cassel arrebenta mais uma vez ao dar o tom certo de ironia e masculinidade a Marcus é realmente um tipo bem masculino reforçado pelo biótipo e inteprertaçao de Cassel perfeito como primeiro vértice desse “triangulo amoroso” Dupontel por outro lado aposta em uma interpretação mais simplista e comedida sendo responsável pela “voz da razão”, a consciência do filme. Monica Bellucci exala sensualidade pelos poros como Alex. Se por um lado a personagem gosta do jeito mais masculino e decidido de Marcus(Vincent Cassel) por outro precisa do jeito mais carinhoso e afável de Pierre(Albert Dupontel). Um “Dona Flor e Seus Dois Maridos” a lá France. Vale ressaltar a capacidade de interpretação que Bellucci imprimiu na cena do estupro magnânima.


Gaspar Noé apresenta mais um filme que supera o excelente. É hipnotizador, impactante e transformador entre inúmeros outros adjetivos.  Noé continua a destilar seu estilo verborrágico, extremamente violento e pecaminoso sem fazer concessões. Assim é Gaspar Noé. Ama ou odeie é impossível ser indiferente ao seu Cinema.








terça-feira, 13 de agosto de 2013

Pauline na Praia




Pauline (Amanda Langlet) uma jovem de 15 anos vai passar as férias em uma praia na costa francesa em companhia da prima mais velha Marion (Arielle Dombasle). Lá Pauline vive o seu despertar sexual e outras descobertas da adolescência enquanto Marion goza da liberdade conquistada com o seu recente divorcio.


Em 1983 Eric Rohmer ainda fazia uso dos preceitos modernos da nouvelle Vague. Prova disso que este filme “Pauline na Praia” que esbanja frescor mesmo tocando em temas densos e sendo extremamente leve ao mesmo tempo.  Mérito do diretor Eric Rohmer que construiu um filme delicado investindo em longos e harmoniosos takes com cortes sobrepostos. Rohmer valorizou seu elenco investindo em closes e na dinâmica ator-texto acabando por conferir ao seu filme um aspecto ambíguo. Se por um lado o filme é terno ao abordar o despertar não só sexual, mas de vida que Pauline (Amanda Langret) vive. Por outro a trama que se desenrola entre Marion (Arielle Dombasle), Henri (Féodor Atkine) e Pierre (Pascal Greggory) toma proporções inimagináveis.


O diretor investe também no subtexto ao explorar as entrelinhas narrativas de seu filme. E é ai que o filme ousa na abordagem, porém quase sempre nas entrelinhas, subtendido. Ao adotar essa dinâmica ator-texto Eric Rohmer se posiciona como um diretor de atores com abordagem cênica ensaiada sobretudo ao extrair todas as possibilidades dramático-narrativas de seus planos. Estabelecendo em seus longos takes com cortes sobrepostos ao instaurar a tensão dramática nas entrelinhas.

É nesse ponto que a montagem de Cécile Decugis se revela não só extremamente habilidosa, mas também uma poderosa aliada do diretor. Pois ela provoca a sucessão dos planos justo quando as cenas estão perto do seu clímax. Longe de desestruturar a narrativa, essa opção é bem trabalhada inserindo um suspense bem-vindo a trama. A direção harmoniosa de Rohmer é pautada em planos longos, cortes sobrepostos e elegantes closes encontra na montagem um equilíbrio para o seu desenrolar e na fotografia de Néstor Almendros uma beleza visual e estética que casa perfeitamente com a harmonia proposta por outros elementos como a montagem e a direção. A opção por um azul claro nas lentes de Almendros ressaltam sua neutralidade e o clima pueril das descobertas de Pauline (Amanda Langlet).

O roteiro de Eric Rohmer se concentra na construção das relações interpessoais entre seus personagens. Relações estas que são abordadas de maneira corriqueira e habitual com personagens profundos e ambíguos envoltos em uma narrativa poética. É interessante observar a forma como Rohmer desenrola seus personagens cheios de conflitos internos os fazendo convergir em dado momento. São todos personagens intensos que guardam segredos e principalmente desejos íntimos.


Amanda Langret interpreta Pauline com a pureza e inocência que a personagem exige. Combinados com uma sedução pueril é através de Amanda e de sua personagem que todo o filme desencadeia.

Arielle Dombasle carrega com força as “tintas internas” de sua Marion. Marion que é do tipo fala uma coisa e pensa outra exigi muito preparo para o psicológico da personagem que é forte, tem presença cênica. Vale ressaltar o despudor de Arielle ao transgredir a todo o momento e principalmente nas cenas de sexo com Féodor Atkine (Henri). Féodor, aliás, constrói um personagem totalmente ambíguo e sedutor. Henri é multifacetado e caminha a passos lentos para seu desfecho surpreendente. O melhor personagem do filme sem duvida. Simon de La Bosse (Sylvain) o namorado de Pauline é dotado de um carisma tão pueril e encantador quanto à da personagem titulo. Algo que eu percebi nas entrelinhas é a relação de respeito e admiração que Sylvain tem pela figura masculina de Henri (Féodor Atkine). Simon e Féodor tem entrosamento cênico atuando de forma a deixar implícito no subtexto essa relação.



“Pauline na Praia” é um filme ousado, provocador, poético e belo. Tantos adjetivos derivam das múltiplas conexões e interpretações que o filme proporciona a respeito do amadurecimento e das relações humanas.








sábado, 3 de novembro de 2012

Uma Jovem Tão Bela Como Eu


 

Ao preparar sua tese de doutorado com o tema “Mulheres Criminosas”, Stanislas Prévine (André Dussollier) se interessa particularmente pelo caso de Camille Bliss (Bernadette Lafont), uma jovem cantora de personalidade dúbia acusada de matar o amante. Prévine se encanta por camille (e por seu caso) que se empenha em provar sua inocência. Entretanto o envolvimento entre os dois transcende os limites do profissional, o que complica a situação do sociólogo.

 

Baseando-se no romance de Henry Farrell, François Truffaut retornou ao universo noir que permeou algumas de suas obras como “A Noiva Estava de Preto” e “A Sereia do Mississipi”. Desta vez, abordando a questão do beneficio da duvida em uma trama calçada no passado.

 

Em uma trama fundamentada principalmente nas lembranças do passado, François Truffaut utilizou os flashbacks aliados à montagem paralela como elementos essenciais na trama.

 

O diretor investiu em planos mais fechados, priorizando os atores na cena como é comum acontecer nas suas obras. Closes nos rostos dos atores são utilizados para captar suas expressões.

 

Como os flashbacks dão sentido da narrativa, Truffaut lhes conferiu agilidade. De modo que o flashback em questão desse o tom de determinada cena.

 

Se tratando de um filme calçado principalmente nas memórias da protagonista Camille (Bernadette Lafont) e no ato de contar a sua vida ao sociólogo Dr. Previne (Andre Dussoller) para sua tese, a presença do narrador se torna indispensável. O narrador em “Off” torna possível que o espectador mergulhe nas lembranças de Camille (Bernadette Lafont) de tal forma que possamos compreender a personagem.

 

A trilha sonora de Georges Delerue é essencialmente dramática, contribuindo para que o suspense da trama se desenvolva de maneira verossímil.

 

O roteiro de François Truffaut e Jean-Loup Dabadie é organizado de forma em que os flashbacks se sobrepõe à narrativa. Assim colocando a prova tanto às evidencias quanto a honestidade da protagonista Camille (Bernadette Lafont), concedendo ao espectador o beneficio da dúvida.

 

Os personagens foram bem delineados pela dupla de roteiristas de modo que a função narrativa de cada um bem claras, exceto por Camille (Bernadette Lafont) cuja personalidade é soturna.

 

A fotografia de Pierre-William Glenn é pautada no uso de sombras e cores frias, combinando com o clima soturno que permeia o filme.

 

A trilha sonora de George Delerue tem cunho dramático e remete ao universo de suspense do filme, conferindo um aspecto sombrio a narrativa.

 

O elenco todo se sobressaiu por excelência. Sobretudo Bernadette Lafont (Camille), que construiu uma personagem dúbia todo o tempo. André Dussollier (Dr. Prévine) construiu seu personagem com características idealistas.

 

De todos os casos amorosos da protagonista, Sam Golden (Guy Marchand) o músico parceiro de Camille é quem mais se destaca. Muito desse destaque se deve ao excelente desempenho do ator que construiu o personagem de maneira sedutora.

 

 

François Truffaut retornou ao universo noir de maneira excelente neste filme. Nessa trama surpreendente sobre o beneficio da dúvida, o diretor revisitou o universo do suspense, onde homenageou o diretor inglês Alfred Hitchcock, um de seus favoritos, além da própria filmografia.
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Intocáveis





 
Segunda maior bilheteria da história da frança, filme exalta as diferenças, o valor da amizade e tem no seu roteiro e em seus dois protagonistas o seu maior trunfo.

 

Driss (Omar Sy) um jovem que acaba de sair da prisão parisiense é expulso de casa pela mãe adotiva. Desmotivado ele vai em busca do seu seguro-desemprego na mansão do rico empresário Philippe (François Cluzet), um viuvo que ficou paraplegico logo após a morte da esposa. Ao contratar Driss como seu enfermeiro eles constroem uma amizade pautada pela verdade , esquecendo as limitaçoes fisicas e sociais que os separam.

 

 

O filme de Olivier Nakache e Éric Toledano começa com o flashforrard evidenciando a amizade dos protagonistas, criando uma expectativa no espectador sobre o que acontecer. Após esse prólogo a ação salta para o tempo presente com o objetivo de construir a relação de amizade que une os personagens.

 

Os diretores Olivier Nakache e Éric Toledano intercalaram em seu filme planos curtos (sobretudo no primeiro ato) e longos (no segundo ato em diante).

 


Olivier e Éric fizeram bom uso da interpretação naturalista dos atores ao abusar (no bom sentido) do uso de closes na narrativa. O uso de contra plongee acompanhado do movimento de câmera panorâmica também é frequente.

 

O roteiro de Olivier Nakache e Éric Toledano concentrou suas forças em construir a relação de amizade entre Driss (Omar Sy) e Philippe (François Cluzet) e suas respectivas trajetórias pessoais. Entretanto essa escolha acaba deixando os demais personagens à margem na trama.

 

O enredo é centrado principalmente nos personagens Driss (Omar Sy) e Philippe (François Cluzet) foram necessários que os atores tivessem duas principais coisas: química para que houvesse um entrosamento natural quando juntos em cena e intensidade dramática para que pudessem trabalhar as nuances de cada um, além das características pessoais de cada um.

 

A julgar pelo desempenho dos atores em cena eu afirmo que a confiança depositada neles foi um grande acerto. François Cluzet (Philippe) soube transmitir com veracidade em interpretação as diversas mudanças que seu personagem passa, já que cabe a François a trama mais dramática do filme sem duvida.

 

Omar Sy (Driss) por sua vez é responsável pelo humor do filme, ainda que seu personagem tivesse um “passado” dramático. É interessante observar como Omar deixou aflorar sua interpretação, deixando seu personagem mais leve conforme o filme avança.

 

A habilidosa fotografia de Mathieu Vadepied se sobressai nas sequencias noturnas. Mathieu adicionou as suas lentes um granulado suave que dão um brilho especial às sequencias.

 

A trilha sonora a cargo de Ludovico Einaudi possui duas vertentes distintas que representam os protagonistas. Enquanto a música clássica representa Philippe (François Cluzet) e sua personalidade mais fechada e reclusa, a musica “pop” representa a juventude de Driss (Omar Sy) e sua personalidade expansiva.

 

 

O cinema já é uma arte mágica por natureza, o cinema francês por sua vez tem um charme todo especial. Partindo desse principio, eu lhes digo: Assista “Intocáveis” e se permita-se se deixar levar pelos encantos desse filme, pois certamente você sairá modificado da sala de cinema.

 

 

 

 


 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Análise Fílmica: Os Incompreendidos



Em seu primeiro filme de longa- metragem, François Truffaut buscou referencias em sua própria biografia.

 Em “Os Incompreendidos” (Les quatre cents coups), Truffaut  buscou contar a sua historia de vida, para isso criou um alter- ego, Antoine Doinel, um jovem que como a própria tradução já aponta é incompreendido principalmente por duas das principais instituições da sociedade: A escola e a família.

O primeiro aspecto a ser analisado é a trilha sonora, Truffaut utilizou da música incidental para criar uma criar a atmosfera presente no filme durante grande parte do filme, este elemento contribui para que os telespectadores embarquem no universo fílmico em sua totalidade. A música acompanha o personagem principal de modo que podemos observar outros elementos tais como a Montagem. 

A utilizar a montagem narrativa linear, Truffaut permite que conhecêssemos o enredo sobre a perspectiva do jovem Antoine (Jean-Pierre Léaud), suas angustias e sentimentos.

Neste momento, Truffaut utiliza outro artifício: O movimento de câmera panorâmica acompanha o protagonista, descrevendo o ambiente em que ele se encontra.
 
Para evidenciar o sentimento de inadequação vivido pelo protagonista, principalmente nas cenas ocorridas no ambiente escolar neste momento é utilizada a câmera alta (plongeé) para demonstrar a opressão de Antoine perante seu professor.

Outro momento em que esse recurso é utilizado é quando a mãe de Antoine (interpretada por Claire Murier  vai ao reformatório visitá-lo, para dizer a ele que desistiu dele.

Por outro lado nas cenas em que Antoine aparece cometendo pequenos delitos ou faltando aula, acompanhado pelo amigo René, é utilizado a câmera baixa (contra-plongeé), com o intuito de demonstrar o espírito livre e rebelde de Antoine.

A cena final é no mínimo instigante: Antoine foge do reformatório, a câmera Panorâmica acompanha o seu trajeto, até que ele entra no mar, brinca e o filme termina com Antoine “encarando” o telespectador. É realmente uma maneira singular de terminar o filme.

Segunda parte da análise:
 Incorporar e entender os elementos:

O filme “Os Incompreendidos” é claramente uma obra com um sentido emocional antes de tudo. Ele (O filme) arrebata o espectador pela identificação com o universo fílmico e neste aspecto, a música tem papel fundamental no sentido de que ela “Guia” o protagonista e exprime através do som seus sentimentos e questionamentos.

Porém a música não trabalha sozinha, em conjunto com a montagem (a organização da cena, os planos...) para alcançar o objetivo desejado. A montagem neste caso é linear, o que permite que acompanhamos a vida de Antoine  em “tempo real”, a música então funciona como um “apoio” a montagem e sobretudo ao enredo. A música é um dos principais (se não o principal) responsáveis pelo processo de imersão do espectador no filme.

Com o espectador tendo comprado a idéia (assistir ao filme) , é necessário ambientá-lo.

Para isso entra em ação o movimento de câmera panorâmica que descrevendo os  ambientes pelos quais Antoine passa nos permite compreendê-lo com mais clareza.

Os ângulos de câmera plongeé e contra-plongeé são utilizados para evidenciar os momentos de inadequação ,tanto na escola , quanto na família (plongeé) e os momentos de liberdade ao lado do amigo René . Assim conhecemos as “duas faces” da personalidade de Antonie : por um lado um jovem “rebelde” por outro um adolescente comum a fim de estabelecer laços.Todos estes elementos constituem juntos a beleza de “Os Incompreendidos”.

De modo geral podemos dizer que a trilha “nos convida” a assistir , a montagem “nos arrebata” , os movimentos de câmera nos introduz a historia e os movimentos de câmera nos geram compaixão e carinho pela historia


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