quarta-feira, 9 de maio de 2012

Paraisos Artificiais





Paraísos artificiais foca em um tema muito discutido sempre, mas que atualmente tem recebido atenção especial no cinema nacional atualmente: As drogas. E o foco dado ao tema acontece das mais variadas formas. No longa de marcos prado, o foco dado é o da relação jovens-drogas, tendo como palco o universo da musica eletrônica.







O filme aborda a vida de três jovens: o jovem Nando (Luca Bianchi), envolvido com o trafico internacional de entorpecentes, a DJ Erika, uma jovem mãe solteira e Lara (Lívia de Bueno), amiga de Erika com quem acaba tendo uma relação que transcende os limites da amizade.







Constituído em flashbacks, o filme possui um prólogo que mostra o que ocorreu dois anos antes do tempo fílmico-quando o filme inicia de fato. Nele é mostrado Nando (Luca Bianchi) saindo da prisão onde cumpriu pena por trafico internacional de entorpecentes e Erika (Nathalia Dill) como uma DJ de relativo sucesso e jovem mãe solteira.







Já no tempo corrente é mostrado o encontro dos personagens Erika, Nando, Lara e Patrick (Bernardo Mello Barreto) em um festival de musica no nordeste brasileiro. Nando preocupa a mãe Márcia (Divana Brandão) e o irmão Lipe (César Cardadeiro) com seus negócios escusos.







A narrativa do filme é feita de maneira diferente: em modo flashback, o que causa certo estranhamento no inicio, mas é um dos seus grandes acertos depois que você compreende o enredo. Com suas idas e vindas no tempo, com um frequente uso de flashbacks para evidenciar o ponto de vista dos personagens, sendo que cada um trás contribuições importantes ao enredo.



O enredo provocador é mérito da direção dinâmica de Marcos Prado e do roteiro de Cristiano Gualda, Pablo Padilla, além do próprio Marcos Prado. A opção de começar o filme pelo final com um frequente uso de flashbacks com uso de montagem paralela para englobar os mais diversos núcleos dramáticos, de modo descresente até chegar ao clímax final.



A montagem paralela, frequentemente utilizada em todo o filme fica evidente nas cenas dos efeitos do uso de ecstasy. Enquanto Erika (Natalia Dill) vive os picos de excitação da droga durante uma cena de sexo (cenas de sexo alias são frequentes em todo o filme, muito bem cuidadas sem nunca pesar a mão, mais um mérito para Prado), Lara (Lívia de Bueno) vive os efeitos devastadores do uso dos entorpecentes.







O diretor Marcos Prado dirige o filme de modo que se monte um quebra-cabeça na mente de quem assiste: é preciso ficar atento a todas as manobras do roteiro e da direção para não ficar perdido.



A trilha sonora é um elemento essencial no filme e não decepciona, trazendo variados estilos de musicas dentro da cena eletrônica, condizente com o universo ficcional do filme.







A fotografia a cargo de Lula carvalho acompanha a vibe do filme utilizando de planos gerais e cores vivas e vibrantes em suas lentes, mas a fotografia fica desfocada em alguns momentos como nas cenas de transe das personagens Erika (Nathalia Dill) e Lara (Lívia de Bueno), porém isso é proposital já que a cena pede esse desfoque. Importante salientar também, o jogo de luzes utilizado por carvalho nas cenas da rave.







O elenco possui muitos destaques, a começar por Nathalia Dill, neste que arrisco dizer é o papel mais ousado da sua carreira até agora. Ela trabalhou bem as diversas nuances da sua personagem: De um lado uma jovem mãe de família, de outro a DJ descolada e liberal.



Lívia de Bueno impressiona pela veracidade que deu a jovem Lara. Bernardo Mello Barreto se destaca como Patrick, sua presença é sempre marcante nas cenas das quais participa, sem, entretanto ofuscar os demais atores. Roney Villela marca presença como o hippie Mark, responsável pela viagem psicodélica das protagonistas. César Cardadeiro como o jovem Lipe, irmão de Nando (Luca Bianchi) é outro que tem merecido destaque, sobretudo no terceiro e ultimo ato, quando seu papel, ganha maior intensidade dramática. Porém é Luca Bianchi quem tem o maior destaque já que o seu personagem é o que apresenta maior curva dramática e ele se mantém sempre com uma interpretação excelente.







Paraísos artificiais é uma grata supressa no universo cinematográfico brasileiro. Com uma direção, roteiro e elenco afinados. Não é didático e em nenhum momento procura passar uma lição. Pelo contrario, apoia-se apenas em intensos personagens para contar uma historia comovente, além disso, revela-se um painel realista da juventude.























  


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fahrenheit 451





















Em seu primeiro filme em língua inglesa, François Truffaut fez uma leve crítica à maneira de como o governo trata as questões da educação e da cultura-ainda que nas entrelinhas. O resultado é outro filme poético do diretor.









Em uma época futura, os livros e toda a forma de escrita são proibidos pelo governo que adota um regime totalitário. Os livros e a escrita são proibidos pelo governo sob o argumento de que estes hábitos fazem as pessoas entrarem em contato com sentimentos ruins. Além disso, os livros segundo o governo torna-se um vicio fazendo as pessoas improdutivas. Para combater as infrações a esta lei, existe um corpo de bombeiros responsável por queimar toda a forma de escrita existente. Porém um destes bombeiros, Guy Montag (Oskar Werner) conhece uma linda e simpática professora, Clarisse (Julie Christie), que o leva a questionar o sistema e a adquirir o habito da leitura. Assim Guy entra em conflito com a corporação e principalmente com a esposa Linda (Julie Christie).














Em seu primeiro (e único) trabalho em língua inglesa, François Truffaut adaptou o romance futurista de Ray Bradbury. Fahrenheit 451 foi também o primeiro filme colorido do diretor, elemento bem utilizado no filme. Com seus planos longos e a belíssima musica incidental, Truffaut e os roteiristas Jean-Louis Richard, David Rudkin e Helen Scott centralizaram a trama em poucos personagens: o bombeiro Guy Montag, sua esposa Linda, a professora Clarisse (ambas interpretadas por Julie Christie) e o capitão do corpo de bombeiros (Cyril Cusack).














Com planos longos, uma característica marcante dos filmes de François Truffaut, excessivos flashbacks e uma narrativa linear lenta, utilizada propositalmente. Truffaut utiliza com frequência o movimento de câmera panorâmica, já que o propósito do filme é “acompanhar o personagem”, neste caso Guy Montag (Oskar Werner).



















A direção de François Truffaut é repleta de sensibilidade e delicadeza, Truffaut utiliza dos elementos de linguagem e de uma atmosfera pessimista para recriar o mundo futurista presente na narrativa. Truffaut como já era de se esperar fez uma primorosa direção de atores (talvez esse seja o motivo do elenco ser tão enxuto.).



















Como o filme é centrado principalmente no personagem Guy (Oskar Werner) ele é a figura do narrador “In” presente no filme.









A fotografia a cargo de Nicolas Roeg usou e abusou de cores vivas e bem vibrantes. Inclusive para enfatizar este marco na cinematografia de François Truffaut: seu primeiro filme em cores. Uma pena que às vezes os tons utilizados em algumas cenas destoem do resto do filme.











Fora este pequeno percalço, Fahrenheit 451 é um deleite para aqueles que têm a sensibilidade aguçada, é um trabalho que da ênfase as particularidades humanas (marca recorrente do diretor). François Truffaut também faz uma ode à importância da cultura e uma leve critica aos sistemas educacionais impostos pelo governo-ainda que nas entrelinhas. O resultado é outro filme poético do diretor.






Ps: Na ultima cena o ator Oskar Werner após se desentender com o diretor François Truffaut , pintou o cabelo para causar um erro proposital de contiunidade.




























domingo, 6 de maio de 2012

Crítica : O diário de um jornalista Bêbado




Novamente Johnny Depp encarna um personagem de uma obra de Hunter S. Thompson. Desta vez, em o diário de um jornalista bêbado, Depp interpreta Paul kemp, um jornalista idealista com uma visão um tanto romântica de seu oficio, com uma personalidade autodestrutiva que tem no álcool um grande apoio.







Paul kemp (Johnny Depp) é um jornalista nova-iorquino, que se muda para porto rico para trabalhar em um jornal local, lá é obrigado por seu editor, Lotterman (Richard Jenkins), a deixar de lado o romantismo e a ideologia de sua profissão, para trabalhar em um jornal “comercial” que luta para se manter aberto apelando para o merchandising. No meio disso tudo, Paul procura o equilíbrio na sua relação com o álcool, e pra aumentar seus problemas intermináveis, precisa administrar seu novo interesse amoroso, Chenault (Amber Heard), noiva de um empresário para quem trabalha Sanderson (Aron Eckhart), que contrata Paul com o objetivo de que ele escreva artigos “comprados” a respeito de negócios imobiliários, contrariando mais uma vez os ideais de Kemp, que demonstra sua inadequação perante o sistema e a perda de seus ideais em noite regadas a rum ao lado do amigo fotografo Bob Sala (Michael Rispoli) e do desequilibrado Moburg (Giovanni Ribisi).







Com um elenco relativamente pequeno, era de se esperar que Bruce Robinson, roteirista e diretor de o diário de um jornalista bêbado, trabalhassem melhor na construção dos personagens e na sua profundidade, mas não é isso o que acontece em “O diário de um jornalista bêbado”.



Não se engane Bruce construiu um Paul Kemp com maestria e Johnny Depp o interpretou brilhantemente, com todas as nuances do personagem e seu espírito transgressor, mas Bruce pecou em construir personagens coadjuvantes superficiais, sem as mesmas nuances que o personagem Paul tem. São personagens que não possuem complexidade, mal construídos a primeira vista.



O mesmo não acontece na direção, Bruce é competente ao criar uma narrativa ágil e dinâmica com sucessão rápida de planos e deixa implícito na tela os sentimentos de Hunter S. Thompson em seu alter-ego.



A direção de arte merece elogios por recriar a atmosfera da década de 1960 com perfeição.



Ao elenco além de Johnny Depp, destacam-se Richard Jenkins (lotterman), Michael Rispoli (Bob Sala) e Giovanni Ribisi como o atormentado Moberg.





O diário de um jornalista bêbado apresenta ao publico, um retrato de Hunter S.

Thompson ainda virginal, porém já contestador e nos ajuda a compreender porque ele faria a revolução que fez ao lançar seu livro mais famoso, “Medo e delírio em Las Vegas”.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sociedade dos Poetas Mortos





Carpe diem (aproveite o dia) é o lema explícito no filme Sociedade dos poetas mortos (Dead Poets Society), dirigido por Peter Weir e lançado em 1989.


O filme enfoca na historia de jovens rapazes que estudam em uma conservadora escola, a academia welton cujos pilares são definidos por seu diretor como:“tradição, honra, disciplina e excelência”


.
 
Estes jovens que anseiam por liberdade e buscam poder escolher seu próprio caminho, têm suas vidas mudadas com a chegada do novo professor de literatura, John keating (Robin Willians), um ex-aluno.


 
John, um professor com métodos de ensino nada tradicionais, apresenta aos alunos a expressão “carpe diem“, uma metáfora os incentivando a aproveitar a vida, pois ela passa rápido. Dessa forma, o professor os encoraja a seguir seus sonhos, despertando também o amor pela literatura em seus alunos.


Os jovens inspirados por seu professor acabam por formar a “Sociedade dos poetas mortos” enquanto perseguem seus sonhos individuais.



A direção de Peter Weir é provocadora. Nela se destacam os grandes planos gerais e planos gerais, sobretudo para dar a ideia de submissão que o internato representa. Peter alterna planos curtos e longos, buscando dar agilidade à narrativa linear apresentada. O diretor optou por utilizar no filme a montagem narrativa linear, para que fosse melhor percebido o gradual relacionamento dos alunos com o professor John Keating (Robin Willians). Peter Weir também faz uso da montagem paralela com o objetivo de focar nas ações dos jovens ao mesmo tempo.
 
 


O elenco nos Surpreende com belíssimas atuações no qual destacam-se Robin Willians (John Keating), Robert Sean Leonard (Neil), Ethan Hawke (Todd) e Josh Charles (knox).


O roteiro escrito por Tom Schulman é um dos pontos altos do filme. Tom escreveu o roteiro utilizando a linguagem lírica, além de incluir citações a obras e autores, tais como
Henry David Thoreau, Walt Whitman e Byron.


Tom Schulman não decepcionou ao estrear no roteiro de longas-metragens, capturando a atmosfera repressora da academia welton, construindo diálogos coesos e ao mesmo tempo coerentes com a idade dos jovens protagonistas, contribuindo dessa forma, para que os atores atuassem com naturalidade.
 
 
Todos estes fatores listados acima fazem de sociedade dos poetas mortos, o que ele é hoje: um clássico atemporal que atravessa gerações.

sábado, 28 de abril de 2012

Punk´s not dead



 

“
faça você mesmo” esse era o lema do movimento punk. Jovens que ansiavam por seu lugar no mundo, não se adequavam ao “sistema“, não gostavam de seguir regras e principalmente, não se adequavam com a musica que era executada.

Então eles resolveram fazer eles mesmos um som com o qual se identificassem com forte crítica social e onde o principal não era como se tocava, mas sim o que se cantava.

Bandas como o sex pistols e ramones foram os percussores do movimento punk, seguidos por bandas como NOFX e Bad Religion entre outras.

O gênero musical ganhou adeptos e cresceu consideravelmente saindo das fronteiras regionais, modificou o estilo de se vestir e ganhou subgêneros.

Foi pensando na importância desse estilo musical, que o diretor Susan dyner, um fã confesso do gênero dirigiu esse documentário que traça um panorama do punk rock através de imagens de arquivo, concertos e entrevistas com fãs e bandas, o diretor monta um painel do punk rock desde seus primórdios, evoluções, a chegada ao mainstream...

O diretor Susan Dyner munido de um rico material de arquivo, conferiu filme um dinamismo e agilidade impressionantes.

Susan dividiu o documentário por fases, acompanhando a evolução do punk por meio de bandas representativas do período.

 

As entrevistas acabam recaindo em uma pergunta inevitável: ainda faz sentido ser punk hoje em dia ou a proposta ideológica do principio se perdeu?

Vale ressaltar o trabalho de tratamento das imagens de arquivo. Excelente.

Super recomendo o documentário para todos, sendo fã de punk rock, ou não, pois o filme é além de tudo uma viagem cultural.


sábado, 21 de abril de 2012

Cazuza- O tempo não para



“Vida louca vida, vida breve, se eu não posso te levar,
quero que você me leve”.

Os versos da canção “vida louca vida” sintetizam bem o que
foi a vida de seu interprete, o cantor cazuza, que morreu de complicações decorrentes
da AIDS em 1990.

O filme autobiográfico Cazuza – O tempo não para foi lançado
em 2004 dirigido por Sandra Werneck e Walter carvalho. O roteiro de Fernando
bonassi e Victor navas teve como ponto de partida o livro “cazuza – só as mães
são felizes”, escrito pela mãe do cantor, Lucinha Araujo.

O filme possui uma narrativa ágil e utiliza de elipses de
tempo sempre que necessário, mantendo o dinamismo e a rapidez, porque afinal como
diz a musica que da titulo ao filme, o tempo não para.

Daniel de oliveira é visceral ao interpretar cazuza (desculpa,
mas não tenho outra palavra para definir a atuação de Daniel). O filme
demonstra o jovem cazuza, inquieto e rebelde, a primeira cena já demonstra sua inquietude,
ele procura na atuação seu lugar no mundo e já na cena seguinte se encontra com
os integrantes do barão vermelho, banda da qual faria parte.

Com uma sucessão rápida de planos e o roteiro vai mostrando
quem foi cazuza e qual era seu espaço (amigos, família, etc.).

O filme mostra um fôlego impressionante ao se revelar como um quebra-cabeça que vai se
montando cena após cena, (você só entende a cena seguinte se estiver assistido
a anterior e assim por diante.).

Os pensamentos de cazuza (Daniel de oliveira) são expostos
ao publico conferindo ao filme a figura do narrador over.

O roteiro de Fernando navas e Victor bonassi é inspirado. Os
diálogos são inteligentes e bem colocados com nada fora do lugar, contendo inúmeras
citações de canções do próprio cantor e de outros artistas e ainda referencias
a obras e autores.

A direção do filme feita a quatro mãos por Sandra Werneck e Walter
carvalho é um show a parte.
Enquanto Sandra
Werneck foi habilidosa na direção de atores, Walter Carvalho trabalhou os
planos com maestria, além de ser responsável pela fotografia do filme.

Como dito , Walter carvalho também foi responsável
pela fotografia do filme e talvez esta tenha sido sua maior contribuição ao
longa.
A fotográfia foi fundamental para resssaltar os pontos de virada do filme. Na primeira parte que evidencia a juventude e
a descoberta profissional do cantor é mais solar, por isso predomina o uso de câmera
na mão e eu efeito granular na imagem, no ponto de virada, onde o foco passa a
ser a AIDS e a pressa de viver do cantor, a câmera na mão é deixada de lado
dando lugar ao movimento de câmera circular.

Além de Daniel de oliveira, o elenco possui vários outros destaques:

Marieta Severo que interpreta Lucinha Araujo, mãe de cazuza é talvez o maior
destaque depois de cazuza, além de ser importante na vida de cazuza como mãe, é
de autoria dela o livro em que se baseia o roteiro. Reginaldo faria também ganha destaque como João
Araujo, pai do cantor. Sua interpretação alterna entre a segurança paternal e a
surpresa ao ver o talento do filho desabrochar. Não poderia pensar em outra
pessoa para interpretar João Araujo senão Reginaldo faria.

Cadu Fávero que interpreta Roberto Frejat é um elemento
importante na narrativa, companheiro de banda do cantor e amigo é o único dos
integrantes da banda que se sobressai, embora às vezes seja posicionado
erroneamente como antagonista do cantor, o que não condiz com o real.

Leandra leal e Emilio de Mello são outros grandes destaques.

a primeira interpreta bebel Gilberto, grande amiga e parceira musical de cazuza
(brilhante a cena em que cazuza, bebel e dé palmeira, interpretado no filme por
Arlindo Lopes compõem a canção “Eu preciso dizer que te amo”, grande sucesso da
parceria entre bebel Gilberto e cazuza). Uma pena que não tenha tanto destaque
e tenha sua importância diminuída, mesmo assim Leandra se destaca com sua interpretação
marcante e rouba todas as cenas em que aparece.

Emilio de Mello interpreta “Zeca”, o produtor Ezequiel neves,
amigo e mentor de cazuza. Emilio da a Zeca energia e uma interpretação quase poética,
uma pena que às vezes Emilio oscila entra a energia e a poesia saindo tom e
tornando alguns momentos risíveis.

Infelizmente o filme peca em não se aprofundar em certos
aspectos e personagens como “Dani” Denise
Dumont, jovem com quem cazuza manteve um relacionamento e outros
integrantes do barão que não ganham o merecido destaque.

Analisando o filme como um todo, vimos que ele tem duas funções
primordiais: 1) serve como uma espécie de tributo a este talento que foi cazuza
2) apresentar a vida e obra do cantor às novas gerações. É um filme belo em sua totalidade, uma pena
que não possua profundidade na vida e obra do seu tema, fazendo do livro “Cazuza”-só
as mães são felizes, um bom complemento àqueles que fizeram a operação inversa
(primeiro assistiram o filme e depois leram o livro), contudo pode frustar
aqueles que leram a obra antes de assistir o filme, pelo motivo do livro ser
muito mais rico em detalhes e em profundidade.

Frase que encerra o filme ao som da música “Vida louca vida”

O amor é o ridículo
da vida, a gente procura nele uma pureza impossível... que está sempre se
pondo,indo embora.
A vida veio e me levou com ela...Sorte é se abandonar e aceitar essa ideia de paraíso
que nos persegue..bonita e breve,como borboletas que só vivem 24 horas".

sábado, 31 de março de 2012

Quebrando o Tabu


A legalização e descriminalização é um assunto que precisa ser discutido e reavaliado. A discussão deste tema é o que se propõe o documentário Quebrando o Tabu dirigido por Fernando Grostein Andrade.

Âncorado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o filme busca apresentar alternativas de descriminalização e/ou legalização das drogas tomando como ponto de partida que as drogas sempre existiram e que a medida de combate adotado por alguns governos, sobretudo o brasileiro é falho.

Buscando entrevistar médicos, governantes e usuários de drogas nas mais diversas nacionalidades como a Holanda e Portugal que já evoluíram neste aspecto, cada um a sua maneira.

 
A âncora de Fernando Henrique Cardoso possibilita ao filme uma abertura para falar desse assunto polemico com pessoas importantes como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton entre outros.
Traçando um paralelo entre o uso de drogas, o trafico e a criminalidade, o filme aponta que a legalização enfraqueceria o tráfico e o comercio de armas , pois haveria controle no consumo.
Com depoimentos de personalidades como o escritor Paulo coelho e o medico Dráuzio Varella, o documentário ousa ao desmembrar as vertentes do problema, apresentando exemplos de soluções eficientes em países como a Holanda onde foi adotado o método de cofee shops, além de programas de reabilitação entre outros.

Apesar de inicialmente parecer uma idéia distante da nossa realidade, o documentário mostra que o primeiro passo para se começar a se pensar no assunto é exatamente ao que ele se propõe: O debate e a reflexão.
É questão de se botar na balança e constatar que as atitudes tomadas para tratar desse assunto são ineficazes. “Como bem diz no documentário:” utopia não existe” .


A direção de Fernando Grostein Andrade é ágil, conferindo ao filme um dinamismo muito interessante. A maneira com que conduz a narrativa no filme vai de acordo com os depoimentos e assunto abordado. Há sempre um elo de ligação entre os aspectos antecessor e sucessor, um excelente trabalho de direção e montagem.


Além de depoimentos, visita a favelas, coffee-shops e etc, o filme utiliza de animações sobre o surgimento das substancias ilícitas e imagens do movimento de contracultura por exemplo. Isto quebra o gelo inicial do espectador, que busca um ponto de identificação, ou como o titulo sugere “Quebra o Tabu“.

É importante salientar que o documentário em NENHUM MOMENTO faz apologia ao uso de drogas, apenas apresenta soluções alternativas para que a sociedade lide com o fracasso da guerra as drogas e abre espaço para a formação de opinião própia.


Concluo que o filme é antes de tudo necessário, sobretudo neste momento em que vivemos. A abordagem proposta por Fernando Grostein Andrade em seu filme é clara e objetiva, além disso, “Quebrando o tabu” coloca o diretor como um nome no qual devemos continuar prestando atenção, ele tem muito a dizer, ou melhor, a mostrar e não vai parar por aqui.