quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Cavaleiro Solitário




Franquias e parcerias cinematográficas é algo recorrente em Hollywood e com a Disney não é diferente. Essa é a base promocional de “O Cavaleiro Solitário” baseado em uma série para o rádio que já teve adaptações para a televisão. Unindo o diretor e o produtor da franquia de maior sucesso da Disney “Piratas do Caribe” Gore Verbinski e Jerry Bruckheimer. E ainda o astro daquela franquia Johnny Depp.

Ambientado nos anos 30 em uma terra no oeste repleta de corrupção “O Cavalheiro Solitário” trata de uma improvável união: do índio Tonto (Johnny Depp) e do benfeitor John (Armie Hammer) que busca vingança pelo assassinato do seu irmão sob a alcunha de “O Cavalheiro Solitário” formando com Tonto uma improvável, porém imbatível dupla em busca de justiça.

O diretor Gore Verbinski induz um ritmo acelerado à trama logo no seu inicio investindo em planos abertos e descritivos, pautados sobre um travelling e um movimento de câmera aéreo que garantem um tom épico e heroico á narrativa.

Sendo um filme contado em flashback por um Tonto já de meia-idade, os cortes sobrepostos e os flashbacks bem estruturados por Verbinski necessitariam de uma boa montagem que trabalharia a estrutura narrativa do longa. A montagem acaba por destruir a tensão dramática ao logo nos primeiros minutos do longa cortar ação ao recorrer a uma cena do velho Tonto contando a sua historia a um garoto justo num momento inoportuno.


A trilha sonora de Hans Zimmer investe em canções longas e clássicas, muitas vezes somente instrumentais para construir o pano de fundo para a jornada épica dos protagonistas.

A fotografia de Bojan Bazelli investe em um granulado e uma luminosidade forte nas cenas noturnas. Entretanto, é ai que mora o problema. Bazelli usa uma cor tão escura que acaba por tornar os atores invisíveis em cena.

O roteiro escrito á seis mãos por Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio constrói com cuidado e de maneira gradativa a relação entre os protagonistas Tonto (Johnny Depp) e John (Armie Hammer). Também há um cuidado com a questão temporal do filme, “situando o espectador”. Infelizmente, esse artifício é destruído pela montagem. Uma pena.

Johnny Depp está mais uma vez brilhante na sua atuação. Dessa vez como o índio Tonto. Impressionante como o ator realmente incorpora personagens e aqui não é diferente, pois Depp capta os trejeitos do índio com naturalidade e usando de um humor característico e pelicular.
 Harmie Hammer possui entrosamento e química cênica com Depp além de desempenhar bem seu papel á solo. Porém o ator demora a agir com naturalidade estando muito travado em suas primeiras cenas. Entretanto, quando se solta domina o personagem completamente.

Ruth Wilson interpreta Rebecca a cunhada de John com força cênica.  Além de trabalhar as nuances da sua personagem com maestria. É interessante observar a curva dramática da personagem que começa uma mulher reprimida e depois acaba se tornando forte e combatente. Bryant Prince (Danny) o filho de Rebecca é outro que atua com desenvoltura apesar da pouca idade. Prince atua de maneira singela e pueril. O ator também trabalha a força dramática e a evolução do personagem de maneira naturalista.

Helena Bonham Carter tem uma participação extravagante e marcante como Red uma pin-up do velho oeste –ou seria cafetina? Não isso não é uma personagem saída de um filme do Tim Burton ou de “Planeta Terror” apesar de parecer.

O saldo final de “O Cavalheiro Solitário” é positivo. Um filme envolvente que sobrevive aos percalços no seu caminho e apesar de se revelar demasiado cansativo a partir do terceiro ato eu gostaria muito que “O Cavaleiro” se torna-se uma franquia. Uma pena que isso raramente venha a acontecer.  


 


terça-feira, 16 de julho de 2013

Start Anew



Após a dissolução do Oasis em 2009 os irmãos Gallagher seguiram caminhos diferentes. Enquanto Noel formou o “High Flaying Birds” Liam em conjunto com os integrantes remanescentes Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock o Beady Eye.

Lançando o seu segundo disco intitulado “BE” em 2013 a banda ganhou o documentário de curta metragem “Start Anew” – mesmo nome de uma das canções do disco. Dirigido por Alex Hoffman.

O documentarista acompanha a banda durante a preparação e pré- divulgação do disco. Hoffman constrói nos 27 minutos do curta um terreno neutro para que a banda possa revelar seu intimo e demonstrar a sua qualidade artística. Hoffman acaba por realizar um panorama do processo criativo da banda.

É claro que as comparações com o Oasis é um tema recorrente do curta e os integrantes deixam clara a liberdade artística que existe na banda- ao contrario do Oasis onde Noel era possessivo e controlador.
Essa mesma liberdade que existe na banda é que o documentarista confere ao curta permitindo assim que os integrantes se expressem tal como são e falem sem rodeios sobre todo e qualquer assunto em um ambiente neutro e descontraído.

Hoffman tem uma opção interessante de não interferir no contexto do filme, sua presença ali é quase imperceptível e que faz toda a diferença no sentido que ele transmite o controle do filme para a banda e da ao espectador uma perspectiva “Backstage”.

O documentário retrata com notável agilidade a pré estreia do álbum e mais os ensaios, a harmonia entre os integrantes, sua ansiedade.

Um aspecto bastante resaltado em “Start Anew” é a diferença entre o Beady Eye e o Oasis e as inúmeras comparações que fazem entre as duas bandas. De fato são projetos bastante diferentes e o Beady Eye é uma banda muito mais evoluída musicalmente e há uma diferença gigantesca na sonoridade e nos riffs e acordes. É uma simbiose harmônica.

O dinamismo e o magnetismo imposto nas imagens em conjunto com a agilidade da montagem acabam por ressaltar a potencia e qualidade musical da banda, funcionando como um registro da sua evolução musical nos momentos que antecedem o lançamento do álbum.

Uma coisa que me impressiona em documentários musicais e em “Start Anew” funciona perfeitamente é o fato do fã ser uma parte integrante do filme para que possam ter todas as perspectivas dentro do filme.

Um fator reforçado pelo documentário é o que o Beady Eye é um projeto único de qualidade artística incomparável e certamente a banda tem uma sonoridade impressionante jamais vista antes. A experiência musical dos integrantes acabou por resultar em uma banda entrosada e com uma sonoridade visceral.

“Start Anew” acaba por se tornar um registro verdadeiro de uma banda que caminha em direção ao sucesso com sonoridade única buscando construir sua marca. Nunca olhar pros bastidores foi tão divertido.










sábado, 13 de julho de 2013

Especial: Filmes de Rock



Hoje dia 13 de julho se comemora o Dia Mundial do rock. A data foi assim intitulada em homenagem ao Live Aid um festival que contou com bandas como Black Sabbath, U2, Led Zappelin, Queen, David Bowie e The Who. Desde então, o dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock.

Pensando nisso elaborei um especial com filmes de rock. Afinal, o cinema e o rock tem uma relação muito próxima. A lista tem origem totalmente afetiva de filmes que eu gosto e queria compartilhar com vocês. E tem de tudo: Comédias, dramas, documentários.

Pra ficar mais fácil reduzi os muitos filmes ao “Top 10”

10) Escola de Rock (Rock of School, 2003)

Nesta comédia de 2003 Jack Black é Dewen Finn um guitarrista falido que se disfarça de professor em uma rigorosa escola preparatória para crianças (uma clara alusão ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”). Finn ao descobrir a aptidão musical das jovens crianças monta uma banda clandestina com a intenção de se apresentarem em um festival local. “Escola de Rock” é uma deliciosa e divertida comédia que mostra como a música pode ser um agente transformador na vida de qualquer pessoa.


Neste filme dirigido por Alan Moyle que dirigiu “Um Som Diferente” (que eu nunca achei pra assistir, portanto, se alguém quiser deixar um link nos comentários com o filme eu agradeço.) Somos apresentados a um grupo de jovens que trabalham em uma loja de discos ao mesmo tempo em que perseguem seus sonhos. Com trilha eclética e abrangente (Dishwalla, Coyote Shivers, The Cranberries) e com inúmeras referencias musicais como á musica “Crazy” do Aerosmith (que Liv Tyler que esta no filme protagonizou o clipe da música) e ao Alice In Chains. Também foi um dos primeiros filmes de muitos atores que hoje são estrelas como a própria Liv e Renée Zellweger) além de outros astros como Coyote Shivers e Debi Mazar- quem assistiu a série “Entourage” deve lembrar de Debi como a impagável assessora de imprensa Shauna.



Fazer um especial de filmes de rock e não citar um filme do Cameron Crowe é quase um crime. Por essa e por outras inúmeras razoes “Singles” está aqui. A ideia de Crowe foi realizar um filme sobre a cena musical de Seattle (que ele conhecia de perto devido ao seu trabalho como jornalista musical). A principio o estúdio foi contra a ideia, mas com a explosão do movimento grunge decidiram produzir “Singles” com uma trama sobre jovens solteiros que dividem um conjugado de apartamentos em Seattle (notaram onde os criadores daquela série medíocre chamada “Friends” chuparam a ideia? Só trocaram Seattle por NY) estes jovens vivem em meio à explosão da cena musical de Seattle. Filme representativo do estilo Grunge- o único eu acho e com uma trilha sonora perfeita que casa com o universo retratado e se tornou eterna mais até que o próprio filme. O filme conta com participações dos integrantes do Pearl Jam e Alice in Chains. A trilha absolutamente perfeita conta com bandas como os próprios pearl Jam e Alice in chains além do Soundgarden e Paul Westerberg que canta a música tema do filme “Waiting for Somebody”.



Após a cinebiografia de gosto e veracidade duvidosas dirigido por OliverStone. Os integrantes remanescentes dos Doors manifestarem a vontade de ter sua história novamente contada- dessa vez tendo um compromisso com a realidade dos fatos. O documentário narrado por Johnny Depp impressiona pelo tratamento das imagens de arquivo bem pela como condução narrativa que a narração de Depp confere ao filme. Vale resaltar que documentário abrange todos os integrantes da banda como um todo – ao contrário do filme de Stone que prioriza a figura mítica de Jim Morrison.


6) Alta Fidelidade (High Fidelity 2000)

Baseada no romance homônimo de Nick Horby “Alta Fidelidade” nos apresenta a Rob Gordon (John Cusack) um simplório dono de loja que leva um pé na bunda e resolve reavaliar sua vida amorosa elegendo um “top Five”- da mesma maneira que cataloga seus discos preferidos. O filme possui um excelente uso da metalinguagem e das trucagens fílmicas. A trilha é repleta de clássicos que seria injusto citar só uma. Atuação brilhante de John Cusack. Jack Black também esta nesse filme em outro papel impagável.



Acredite ou não Martin Scorsese tem raízes roqueiras. Tendo dirigido alguns documentários sobre rock como esse em que documenta um show dos Rolling Stones. Mas Scorsese fez mais: Matou a curiosidade de todo e qualquer fã dos Stones e abriu o behind the scenes revelando o processo de composição do documentário. Além de ricas imagens de arquivo. Excelente filme.



Quem se não Cameron Crowe seria capaz de produzir um documentário sobre o Pearl Jam? Só o Crowe mesmo. Produzido em comemoração aos 20 anos da banda o documentário revela a formação, os percalços além do sentido de muitas músicas, contextualizando assim o Pearl Jam como um dos principais responsáveis pela solidificação do Grunge. A longa amizade do diretor com os integrantes garante ao filme um aspecto de conversa intima.



Cinebiografia do cantor Cazuza. Demonstra de maneira ficcionalizada o inicio da carreira de Cazuza á frente do Barão Vermelho sua explosão como letrista e o inicio da sua carreira solo bem como o agravamento da AIDS – doença que colocaria fim a sua vida em 1990 aos 32 anos. O filme conta com atuações excepcionais de Daniel de Oliveira como Cazuza, Leandra leal como a cantora Bebel Gilberto amiga do músico, Emilio de Mello como o amigo e orientador Ezequiel Neves (Zeca) e Marieta Severo e Reginaldo Faria como Lucinha e João Araújo os pais do cantor.      



Se cazuza foi um símbolo do rock dos anos 80 Brasília foi o epicentro. Centrado na história de jovens bandas (na época) que influenciadas pelo punk inglês produziram letras de contestação política e social de bandas como Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana. Documentário possui uma direção ágil de Vladimir Carvalho. Maravilhoso.



Cameron Crowe resolveu compartilhar as suas vivencias no mundo do rock com seus espectadores com este filme eternamente delicioso e inspirador. O filme conta a história de William Miller alter-ego do diretor que como ele foi convidado a excursionar com uma banda a serviço da revista Rolling Stone no caso a fictícia Stillwater para publicar uma matéria na famosa revista musical. Eterno e inspirador com uma trilha formidável que vai desde Elton John com a inesquecível cena de Tiny Dancer no ônibus até os clássicos do The Who, The Allman Brothers e Led Zeppelin. Cameron Crowe marcou seu nome para sempre no coração dos fãs de boa musica e popularizou a expressão “Uncool”. Como não se identificar? Um Clássico moderno e inspirador.


Gosta de algum filme que não está na lista , um filme pouco conhecido? Deixe sua sugestão nos comentários
  

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Análise Fotográfica: Reine Sobre Mim

Atenção: Este texto contêm spoliers. 


"Reine Sobre Mim" gira em torno de Charlie (Adam Sandler) que perdeu sua esposa e filhas nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. A dolorosa perda acaba por fazer Charlie se trancar em seu mundo particular para não ter que enxergar a perda. Contudo, após encontrar um velho amigo dos tempos de faculdade Alan (Don Cheadle), Charlie é forçado a encarar seus medos e encontrar o equilíbrio para recomeçar.

O filme de Mike Blinder tem na fotografia de Russ Alsobrook um importante recurso narrativo. De uma forma muito particular ela (a fotografia) acompanha os “Ups” e “Downs” do personagem principal interpretado por Adam Sandler.

Á começar pelo uso de cores frias e um sombreado forte que permeia todo filme justamente por significar o estado de negação que o personagem está enfrentando. A opção por um tom azulado forte e intenso quase estourado exemplifica a intensidade do luto que o personagem esta enfrentando. As cores frias principalmente o azul (que aparece aqui de maneira quase gritante) dão um tom impessoal ao filme.

O jogo de luzes e o uso de um sombreado nas lentes em especial nas cenas noturnas garantem a dramaticidade que o filme necessita. Assim, a tensão dramática da narrativa e a “curva dramática” pelo qual o protagonista Charlie (Adam Sandler) passa durante o filme esta diretamente ligada as mudanças na fotografia.

Quando Alan (Don Cheadle) se aproxima de Alan com o intuito de ajudar o velho amigo de faculdade com o intuito de ajuda-lo a recomeçar a vida, a fotografia muda os tons no sentido de acompanhar as mudanças na vida do protagonista. Porém, tudo é feito de maneira gradativa e lenta.

A partir desse momento de “reintegração social” do protagonista há uma mudança em relação ao esquema de cores utilizadas na fotografia do filme. Há, uma entrada de cores mais quentes e vivas como o vermelho e uns tons em marrom o que acaba por se tornar mais palpável para o espectador, um contraponto interessante ao tom escuro azulado e por vezes acinzentado de outrora. Entretanto, as cores quentes não passam a predominar no filme, elas surgem pelas frestas de maneira gradual e tímida justamente para evidenciar a nova fase da vida do protagonista.

As cenas noturnas impressionam pela luminosidade utilizada nas lentes do diretor de fotografia Russ Alsobrook. Elas ganham uma luminosidade natural ainda densa é claro, mas se tornando mais branda não se interpondo ao rosto do ator e consumindo a tela como antes. A cena onde Charlie (Adam Sandler) é preso por policiais à luminosidade da fotografia na cena noturna se modifica para um tom mais brando com um aspecto mais natural.

Mas... Eu havia dito que “Reine Sobre Mim” é um filme cheio de altos e baixos. Pois bem, essa cena marca um retrocesso na vida do personagem principal e consequentemente na fotografia. Charlie (Sandler) é preso e internado em um instituto psiquiátrico. Neste momento, a fotografia da um retrocesso gigantesco para evidenciar a instabilidade emocional do personagem. Saem às cores quentes que já eram em menor escala e voltam às cores frias, mas em uma intensidade jamais antes vista no filme, o azul intenso chega a um tom “estourado” quase borrando a imagem. De certa forma, a fotografia vai de encontro ao branco do cenário do hospital psiquiátrico, transpondo assim a frieza do ambiente.

Após esse período de indecisão, Charlie (Adam Sandler) finalmente encontra o equilíbrio desejado. E isso acarreta em uma mudança na fotografia já pelo final do filme que acabe por dosar cores quentes e frias tornando não só a imagem que o espectador vê, mas o cenário com um aspecto mais neutro.




 


terça-feira, 2 de julho de 2013

O Clube dos Cinco








O diretor John Hughes foi o pai das comédias teens dos anos 80 e 90. Seus filmes tratam de diversos temas a cerca do universo adolescente como a questão do estereótipos e a divisão de alunos em diferentes grupos sociais como é o caso do clássico “O Clube dos Cinco”(“ The Breakfast Club”).

Cinco jovens de diferentes grupos sociais devem escrever um texto contendo mil palavras sobre quem vocês pensam que são”. O Problema é que eles não se conhecem mas no decorrer do sábado em detenção uma amizade nasce entre Brian(Anthony Michael Hall) , Andrew(Emilio Estevez), John Bender(Judd Nelson),Claire(Molly Ringwald) e Alisson(Ally Sheedy). Nesse período eles acabam vivendo muitas aventuras em meio ao ócio do ambiente escolar mas principalmente conhecendo a si mesmos.

Rodado inteiramente em plano sequencia , “O Clube dos Cinco” possui uma agilidade narrativa permeada pelo potente jogo de câmera de Hughes. Na primeira cena no interior da escola , o diretor utiliza um contra-plongeê com o claro objetivo de evidenciar o quão sufocante o ambiente escolar é para aqueles jovens. O uso do travelling e da panorâmica conferem uma dinâmica ao longa que narrativamente é muito preso a um só cenário(a escola).

Um dos acertos de Hughes na direção foi o fato de que ele conferiu ao longa uma direção coreografada porém orgânica o que permitiu que o elenco atuasse com naturalidade e com direito a improvisos sem ser maniqueístas. O fato do diretor colocar a câmera muitas vezes no rosto de seus atores permite a ele usufruírem desse artifício diretivo para expressar as angustias de seus personagens e o elenco as expressa com a verdade e naturalidade cênicas necessárias.


A música exerce aqui um papel de expressar as emoções dos personagens sem que eles falem,servindo de pano de fundo para a ilustrar o cotidiano daqueles personagens. A musica -tema do filme “Don´t You(Forget About Me) do Simples Minds  sintetiza os momentos pelos quais os jovens estão passando em detenção e naquela fase da vida.

O roteiro escrito pelo próprio John Hughes chama a atenção pela naturalidade com que descreve o universo adolescente o retratando de forma verossímil. A desconstrução dos estereótipos presentes no ambiente escolar repressor retratado é outro ponto positivo do roteiro de Hughes. E por fim, os diálogos criveis que se encaixam perfeitamente na narrativa são de uma simplicidade brilhante.

O elenco jovem atua de forma natural e convincente. Anthony Michael Hall(Brian), Emilio Estevez(Andrew), Judd Nelson(John Bender), Molly Ringwald(Claire) e Ally Sheedy(Alisson) possuem um entrosamento cênico admirável. Talvez pela aproxímidade dos atores com o universo retratado. Todo o jovem elenco evolui junto com os seus respectivos personagens desabrochando.

Um clássico “O Clube dos Cinco” trata de temas atemporais e universais. Com uma produção simples mas esmerada o longa afirma a capacidade de Hughes não só como diretor mas como porta-voz de gerações.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Lixo e a Fúria




Os Sex Pistols tiveram uma curta duração (cerca de 26 meses) e seus talentos e habilidades artísticas eram naturalmente duvidosos. Porém, pode se dizer que eles estavam no lugar certo na hora certa. O ano era 1977 e os Sex Pistols eram o símbolo de revolta e inconformismo contra as leis e principalmente contra a coroa Britânica em um movimento que se tornaria o movimento Punk.

Fechando a trilogia do cineasta inglês Julien Temple sobre a celebre banda “O Lixo e a Fúria” funciona como um retrato do inicio do movimento punk, mas principalmente como um acerto de contas da banda com o seu empresário Malcon McLaren.

Construído a partir de imagens de arquivo e entrevistas com os membros remanescentes vivos e com Malcolm McLaren Julien Temple construiu o documentário com base em uma estética experimental e porque não dizer suja e grotesca o que condiz com a imagem da banda.

Temple imprimiu ao documentário uma agilidade veroz, adotando essa opção estética quase mambembe caracterizada pela falta de tratamento das imagens e apelo visual gritante. De fato as imagens captadas pelo diretor tem um aspecto de colagem das imagens aqui exibidas. Mais do que isso, o documentário de Temple é dotado de uma agilidade narrativa que beira o inasistivel. As imagens são muitas vezes desfocadas acompanhadas por uma fotografia forte que serve aqui como um importante aliado da direção experimental e raivosa de Temple.


Aqui, as palavras de ordem parecem ser velocidade e fúria como o próprio titulo diz. Temple prima pela desconstrução da montagem a todo o momento garantindo ao longa um efeito clipado além de usufruir de diversos elementos para realizar a sua costura sobre a banda tais como: Animações e justaposição de cenas o que fortalece o caráter experimental da obra. O filme possui um frenesi caótico que acompanhado da sujeira visual causam repulsa e desconforto (eu não sei vocês, mas eu não gosto de ver pessoas cuspindo no palco) acabam por marcar o estilo de Temple e da própria banda.

Literalmente o ultimo tiro dos Pistols.










domingo, 23 de junho de 2013

Magnólia



Em Los Angeles vivem um guru sexual Frank Mackey (Tom Cruise), um apresentador de TV Jim (John C. Reily), uma dependente química Cláudia (Melora Walters) e um ex-astro mirim prodígio Kid Donnie Smith (William H Macy). O que essas pessoas têm em comum? Aparentemente nada. Porém suas histórias se desenrolam em meio a uma trama que enfoca a fragmentação das relações familiares e a sociedade do espetáculo.

Magnólia é a primeira vista um filme estranho. Mas realmente essa impressão logo se desfaz quando nos deparamos com a grandiosidade narrativa desse filme magnânimo de Paul Thomas Anderson.

Iniciado com um prólogo sem sentido nenhum a primeira vista. Magnólia nos apresenta a esses personagens de forma ágil reproduzindo quase um efeito clipado. Não se engane os longos takes característicos do diretor estão presentes, porém combinados com um corte estilizado que acaba por “abortar” a ação dramática por alguns instantes.

Com uma direção coreografada, Anderson trabalha os longos takes realizando intersecções e mantendo a câmera sempre próxima do ator colocando-o em perspectiva.
O fato de realizar planos mais fechados permite ao diretor captar a emoção do ator de maneira genuína com mais naturalidade além de imprimir uma tensão dramática eminente utilizando elipses para manter um suspense narrativo enquanto aquele determinado plot fica em “stand by”.

O uso de uma agilidade de planos de maneira sutil em contraponto aos takes de longa duração em que Paul Thomas trabalha a intensidade dramática daquele plot acaba por realizar cortes estilizados para que ocorra saltos na ação dramática de maneira ao espectador acompanharem outro plot de maneira surpreendente o que acaba por induz um suspense á narrativa até que o ponto em que as histórias possam convergir seja alcançado.

A música tem uma  importante função importante na ação dramática. Ela serve para oprimir a própria ação em muitos momentos a própria ação. Além de contextualizar a intensidade das emoções que cercam os personagens.

O principal ápice de Magnólia diz respeito ao seu roteiro habilidoso que é desfragmentado a todo o momento. A maneira que Paul Thomas Anderson trabalha os personagens dando-lhe tintas e cores bem definidas é de se admirar. Mais ainda, a forma com que Thomas converge esses plots desfragmentados- tão desfragmentados quanto às frágeis relações familiares que o filme retrata-e talvez isso seja uma síntese do tema família tão freqüente nos filmes de Anderson e que aqui aparece na forma de desequilíbrio da relação familiar.

A relação familiar que aqui aparece de forma fragmentada, corrompida traduz em uma análise intima das relações humanas é um tema que ocupa o eixo central do filme e promove uma reflexão a respeito das relações familiares atuais e do significado de família.

O outro tema abordado nas entrelinhas em “Magnólia” é a expansão frenética da sociedade do espetáculo, do preço da fama e das conseqüências da fama precoce bem como os efeitos dela no ceio familiar. Esta metáfora é representada por um grupo de personagens como Frank Mackey (Tom Cruise) o guru sexual. A necessidade incessante que o personagem tem de ser aplaudido, adorado representa sua frágil relação familiar e falta de afeto.

Por outro lado, temos um quiz show no estilo de “Você é Mais Esperto que um Aluno da Quinta Série“. Esse plot demonstra o peso da indústria artística tem sobre a vida dessas crianças que ao entrar nesse mundo de maneira precoce acabam por sofrer demasiada pressão o que nessa idade pode ser fatal para o seu desenvolvimento. Nesse sentido - O filme “conversa” muito com o longa anterior de Anderson “Boogie Nights” numa crítica a indústria da fama.  Podemos observar no personagem de Donnie Smith (William H. Macy) o ex- astro mirim como perder o reconhecimento prematuro do dia pra noite pode ser prejudicial para o seu desenvolvimento. “Podemos observar ainda na figura de Jimmy Gator (Phillip Baker Hall) como ele se encontra exaurido e consumido após tantos anos no Show Business”.

Dessa maneira, a escolha da cidade de Los Angeles para sediar a história tem razão de ser. Afinal é onde fica Hollywood o centro da indústria do espetáculo.


Os atores estão afinados e muito bem em seus papeis sabendo carregar a responsabilidade de seus plots, seu eixo dramático. Tom Cruise atua de forma espetacular ao literalmente incorporar o guru sexual Frank Mackey. Cruise incorpora todos os trejeitos expansivos e o vigor sexual que o personagem pede. Porém, o ator não consegue transmitir emoção mais genuína quando se trata de cenas sutis. Estranho o que leva a questionar se Cruise é apenas um ator de blockbusters e franquias de ação. Não deveria ser afinal ele já emocionou em filmes como “Jerry Maguire” e “Vanilla Sky”. Então o que aconteceu com o ator nesse filme.

Melora Walters (Claudia) é uma atriz que ciente da intensidade dramática que sua personagem carrega a construí de forma destrutiva, dependente e sempre com as emoções cambaleante s. Walthers não é só uma simples atriz, é um furação em cena. Ela arrebenta.

Phillip Seymour Hoffman tem uma das principais atuações de destaque do longa como o enfermeiro Phill. Seu personagem cresce consideravelmente conforme as tramas vão convergindo. Possibilitando ao ator mostrar todo o seu talento. O “parceiro de cena” de Hoffman Jason Robards (Earl) é um caso atípico a ser destacado. Robards consegue transmitir emoção muitas vezes sem falar nenhuma palavra - visto que seu personagem é um doente terminal é surpreendente. A conexão afetiva que o ator estabelece em cena com Phillip Seymour Hoffman é digna de aplausos. Certamente uma boa despedida para Jason Robards que faleceu pouco depois do fim das filmagens.

“Magnólia” é mais que um filme sobre família ou a falta dela. Representa o ápice de Paul Thomas Anderson como roteirista e diretor até então. Anderson promove reflexão e encantamento com essa brilhante obra que ganha na desconstrução do eixo comum.