segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Análise Fílmica: Os Incompreendidos



Em seu primeiro filme de longa- metragem, François Truffaut buscou referencias em sua própria biografia.

 Em “Os Incompreendidos” (Les quatre cents coups), Truffaut  buscou contar a sua historia de vida, para isso criou um alter- ego, Antoine Doinel, um jovem que como a própria tradução já aponta é incompreendido principalmente por duas das principais instituições da sociedade: A escola e a família.

O primeiro aspecto a ser analisado é a trilha sonora, Truffaut utilizou da música incidental para criar uma criar a atmosfera presente no filme durante grande parte do filme, este elemento contribui para que os telespectadores embarquem no universo fílmico em sua totalidade. A música acompanha o personagem principal de modo que podemos observar outros elementos tais como a Montagem. 

A utilizar a montagem narrativa linear, Truffaut permite que conhecêssemos o enredo sobre a perspectiva do jovem Antoine (Jean-Pierre Léaud), suas angustias e sentimentos.

Neste momento, Truffaut utiliza outro artifício: O movimento de câmera panorâmica acompanha o protagonista, descrevendo o ambiente em que ele se encontra.
 
Para evidenciar o sentimento de inadequação vivido pelo protagonista, principalmente nas cenas ocorridas no ambiente escolar neste momento é utilizada a câmera alta (plongeé) para demonstrar a opressão de Antoine perante seu professor.

Outro momento em que esse recurso é utilizado é quando a mãe de Antoine (interpretada por Claire Murier  vai ao reformatório visitá-lo, para dizer a ele que desistiu dele.

Por outro lado nas cenas em que Antoine aparece cometendo pequenos delitos ou faltando aula, acompanhado pelo amigo René, é utilizado a câmera baixa (contra-plongeé), com o intuito de demonstrar o espírito livre e rebelde de Antoine.

A cena final é no mínimo instigante: Antoine foge do reformatório, a câmera Panorâmica acompanha o seu trajeto, até que ele entra no mar, brinca e o filme termina com Antoine “encarando” o telespectador. É realmente uma maneira singular de terminar o filme.

Segunda parte da análise:
 Incorporar e entender os elementos:

O filme “Os Incompreendidos” é claramente uma obra com um sentido emocional antes de tudo. Ele (O filme) arrebata o espectador pela identificação com o universo fílmico e neste aspecto, a música tem papel fundamental no sentido de que ela “Guia” o protagonista e exprime através do som seus sentimentos e questionamentos.

Porém a música não trabalha sozinha, em conjunto com a montagem (a organização da cena, os planos...) para alcançar o objetivo desejado. A montagem neste caso é linear, o que permite que acompanhamos a vida de Antoine  em “tempo real”, a música então funciona como um “apoio” a montagem e sobretudo ao enredo. A música é um dos principais (se não o principal) responsáveis pelo processo de imersão do espectador no filme.

Com o espectador tendo comprado a idéia (assistir ao filme) , é necessário ambientá-lo.

Para isso entra em ação o movimento de câmera panorâmica que descrevendo os  ambientes pelos quais Antoine passa nos permite compreendê-lo com mais clareza.

Os ângulos de câmera plongeé e contra-plongeé são utilizados para evidenciar os momentos de inadequação ,tanto na escola , quanto na família (plongeé) e os momentos de liberdade ao lado do amigo René . Assim conhecemos as “duas faces” da personalidade de Antonie : por um lado um jovem “rebelde” por outro um adolescente comum a fim de estabelecer laços.Todos estes elementos constituem juntos a beleza de “Os Incompreendidos”.

De modo geral podemos dizer que a trilha “nos convida” a assistir , a montagem “nos arrebata” , os movimentos de câmera nos introduz a historia e os movimentos de câmera nos geram compaixão e carinho pela historia


.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Fita Branca



Investigar as origens do nazismo. Esta é o tema proposto em “A fita Branca” (Das Weisse Band), dirigido por Michael Haneke.
O filme se passa em um pequeno vilarejo na Alemanha, onde tudo corria em “harmonia” até acidentes inexplicáveis começarem a acontecer. Digo “harmonia”, porque a violência já está presente, embora não seja explicita aos olhos dos outros.
O filme tem inicio quando o medico da região (Reiner Bock) sofre um acidente ao cair do cavalo, após se enroscar em um arame aparentemente invisível, o desaparecimento misterioso do filho do Barão (Ulrich Takur), Martin (Leonard Proxauf).
Enquanto isso o celeiro é misteriosamente incendiado e o filho do barão é encontrado com marcas de violência também sem explicação.
Acontece que todos esses acontecimentos são utilizados para desviar a atenção dos moradores para os atos cometidos por aqueles que para o povo estão acima de qualquer suspeita, O barão (Ulrich Takur) é um homem frio que acredita na violência como método de disciplina e o aplica sem dó nem piedade em seu lar e no trabalho.
O medico da cidade por sua vez mantêm um caso extraconjugal com a empregada e abusa sexualmente da filha Anna (Roxanne Duran), além de supostamente ter assassinado a falecida esposa.
Outro homem importante no vilarejo é o pastor (Burghart Klaussner) que sem empenha em garantir a pureza de seus filhos, em especial a de gustav (Thibault Série), quando este começa a se masturbar.
A única pessoa que parece enxergar a raiz dos mistérios acontecimentos é o professor de piano da cidade (Christian Friedel), porém suas teorias sobre o verdadeiro autor das atrocidades o levam a ser visto como um louco.
Com uma visível crítica ao moralismo aos métodos disciplinares, a força de trabalho entre outros infinitos assuntos constitui o panorama traçado pela “A fita Branca”, sobre o período anterior a primeira guerra mundial.
O diretor Michael Haneke tem o claro objetivo de nos provocar, e ele consegue isso no bom e no mau sentido e ele consegue isso. Seja pela fotografia em preto e branco que se revela perturbadora e irritante ao telespectador ou pelo ritmo monótono em que avança a narrativa cansando o telespectador propositalmente.
O fato é que Michael Haneke provoca tanto com o objetivo de causar reflexão, que não chega a lugar nenhum.
Ao colocar nas mãos do telespectador o compromisso de acreditar (ou não) na historia contada (como diz o narrador: “eu não sei se a historia que vou contar aconteceu mesmo” .) Michael Haneke instiga o espectador a descobrir a verdade , embora seus objetivos caiam por terra, quando provoca tédio no espectador com a forma de narrativa e artimanhas usadas e isso deve em especial a fotografia utilizada no longa : Escura demais.
Michael Haneke fez essa escolha para colocar a capacidade de condução do longa em seus atores. E ele realmente tem em “A fita branca” atores fortes, com uma densa capacidade dramática. Mas as brilhantes atuações não tiram a sensação de que a historia poderia ter tomado um rumo diferente (dramaturgicamente falando).
O final confirma todas as minhas suspeitas: não há clímax e muito menos uma resolução plausível. Ai eu me pergunto: Foi proposital deixar o fim entreaberto ou o diretor Michael Haneke deu tantas voltas que já não tinha mais pra ir.
A sensação que fica de “A fita branca” é que um tema que deveria ter tido outra abordagem, o tema delicado e interessante foi jogado fora.

sábado, 22 de outubro de 2011

Blow Up-Depois Daquele Beijo


Blow Up – Depois daquele beijo (Blow Up, no original) é um filme de 1966 dirigido por Michelangelo Antonioni. Trata-se de uma adaptação do conto “As Barbas Del Diablo de Julio cortaz.
Blow Up conta a historia de Thomas (David Hemmings), um renomado fotógrafo de moda que apesar de seu trabalho possui um grande apreço por fotografar cenas do cotidiano.
Thomas está preparando um livro com fotos tiradas ao acaso e resolve fazer um passeio a fim de enriquecer seu livro. Ao tirar fotos aleatórias acaba fotografando um casal se beijando. O casal fotografado demonstra-se irritado e a moça fotografada passa a persegui-lo incessantemente. Começa ai a trama de Blow Up – Depois Daquele Beijo.
Thomas se divide entre a preparação para seu livro e o trabalho na indústria da moda. Ao fotografar o beijo do casal acaba se atrasando para sua sessão de fotos com a Top Model Veruschia (em participação especial como ela mesma.)
Agora Thomas tem que lidar com a perseguição de Jane (Vanessa Redgrave), a moça da foto que oferece seu corpo em troca da foto, além disso, Thomas tem que lidar com duas modelos iniciantes, uma delas Patrícia (Sarah Milles) que tentam seduzi-lo em busca de um lugar ao sol.
Intrigado com a insistência de Jane em obter os negativos, Thomas começa a observar as fotos detalhadamente e descobre que pode ter fotografado sem querer um assassinato.
Neste momento começa a curva psicológica do protagonista com sua obsessão pela verdade. Mas de inicio já temos dois problemas: 1) O roteiro é arrastado demais e a trama de “Suspense” demora a se desenrolar. (2) O protagonista Thomas (David Hemmings) é totalmente sem carisma, o que é um erro tendo em vista que a trama do filme se desenrola a partir de seu ponto de vista.
Se a intenção do cineasta Michelangelo Antonioni em seu primeiro filme inglês ele errou feio. Michelangelo pecou em centralizar a historia do filme em um protagonista sem carisma, colocando os outros atores do elenco (que já é pequeno, diga-se de passagem) para atuar como meros figurantes de luxo.
O diretor também não oferece ao telespectador uma linha investigativa a qual ele possa acompanhar e os planos ora longos, ora curtos também não favorecem. A trama de suspense (que a essa altura permeia todo o filme) não tem um final, deixando a desejar.
Também vale comentar a cena deplorável (não existe outra palavra para defini-la) de insinuação sexual protagonizada por Tomas e as duas modelos, eles pareciam animais acasalando (totalmente dispensável)
Enfim Blow Up foi um filme que para mim deixou muito a desejar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cria cuervos


Eu sei , eu sei que eu prometi que o proximo post ia ser sobre "When you´re strange , o documentario sobre a banda The Doors , dirigido por Tom Dicillo . Mas houve uma mudança inesperada de planos: Meu professor pediu que fizéssemos uma crítica sobre "Cria Cuervos" do diretor Carlos Saura como parte dos nossos estudos sobre Cinema Espanhol. Abaixo segue a crítica.


Cria cuervos é um filme espanhol de 1976 dirigido por Carlos Saura. O filme conta a historia de Ana que aos nove anos lida muito prematuramente com a morte de seus pais. Já adulta ela relembra a infância com melancolia e com a com a certeza que a morte é uma constante em sua vida.
Cria cuervos do diretor espanhol Carlos Saura é um belíssimo filme que trabalha a temática da morte através da perspectiva de uma criança Ana (Ana Torrent) que após perder aos pais em um curto espaço de tempo passa a morar junto as suas irmãs Irene (Conchita Peréz) e maite (Mayte Sanchez). Elas passam a morar na companhia de uma tia extremamente ligada aos valores morais e rígidos, Paulina (Mónica rendall), uma avó muda e imóvel (Josefina Diaz) e da fiel empregada da família Rosa (Florinda Chico).
A maneira com a qual Carlos Saura trabalha a questão da morte neste filme é no mínimo interessante. Ao focar a historia em Ana (Ana Torrent), Saura trabalha a perda da inocência e a capacidade de perceber as coisas de uma maneira singular que as crianças possuem.
Um grande acerto de Saura é fazer com que a narrativa aconteça com foco na narrativa de Ana (Ana torrent). Desta maneira ela vai percebendo a fragilidade daquela instituição chamada família, que antes parecia perfeita.
O uso do som no filme é extremamente importante, pois estão diretamente ligadas as emoções da protagonista, desta maneira dando direção e sentido a historia.
Constituído principalmente de flashbacks das lembranças de Ana com a mãe (geraldine Chaplin) em conversas um tanto filosóficas, essas seqüências são carregadas de fatores sobrenaturais. Geraldine alias, interpreta duas personagens : A mãe de Ana e Ana quando adulta.
Os flashbacks às vezes se misturam a narrativa do “tempo presente” até alcançar o clímax. Assim Saura se utiliza da montagem paralela, como forma de contar a historia.
O filme inicia-se de uma maneira interessante e um pelicular: Ana “conta” sua vida através de um prólogo constituído de fotografias, o que eu acredito que tenha sido uma alternativa bastante inovadora para época.
Um detalhe curioso é que Carlos Saura escolheu narrar a historia com foco em Ana (Ana Torrent), a irmã do meio não a mais velha, Maite (Mayte Sanchez). Seria uma justificativa de como foi Ana que presenciou a morte da mãe, essa experiência a tornou mais madura. Afirmando embora nas entrelinhas que são as experiências vivenciadas por uma pessoa ao longo da vida que a fazer ser madura ou não. Deixando claro que idade e maturidade nem sempre caminham juntas.
Ainda em relação à morte dos pais de Ana, a morte do pai Anselmo (Hector alterio) ela não é mostrada, neste caso o diretor utiliza-se de uma elipse de conteúdo, com o objetivo de evitar repetições já que a morte da mãe de Ana já foi mostrada (em cenas bastante fortes, diga-se de passagem). Após a cena da morte da mãe de Ana é dado um “salto” no tempo e mostra Ana e suas irmãs já sobre a custodia da tia Paulina (Monica Randall). Neste momento o diretor utiliza-se do outro tipo de elipses, a elipse de tempo, com o objetivo de ocultar ações sem importância para o desenvolvimento da narrativa.
Enfim, Cria cuervos é um filme que permite reflexão e discussões infinitas. O filme possui muitas metáforas e toda uma relação com a temática da morte muito bem trabalhada.

domingo, 21 de agosto de 2011

The Doors



 Um musico ou um poeta? Os dois. Assim era Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, mais que um musico um símbolo de uma geração, um verdadeiro mito.

È isso que o diretor Oliver Stone procurou mostrar no filme The Doors, que narra à trajetória do grupo e do seu vocalista Jim Morrison.

O filme mostra Jim (Val Kilmer), um estudante de cinema da universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), admirador e escritor de poesia que tem suas ideias incompreendidas, admirador de literatura e usuário de drogas que em conjunto com o colega Ray Manzarek (Kyle lachlan) decide formar uma banda de rock após Ray ouvi-lo recitar os famosos versos “Let´s swin to the moon, let´s climb through the tide, penetrate the evening that the city sleeps to hide”. Eles decidiram então formar uma banda, Juntamente com Rob Krieger (Frank Whaley) e John Densmore (Kevin Dillon).

Para o nome da banda Jim buscou inspiração na obra “The Doors of perception” de Audous Hulex, que por sua vez se inspirou na frase de William Blake “if the doors of perception were cleansed, everything appear to man as it is, infinite” (Se as portas da percepção estivessem abertas, tudo apareceria para o homem como são infinitas.).

Esta frase sintetiza tudo que Jim estava vivendo no momento. 

Vivia perambulando pelos cantos , compondo , escrevendo poesias e principalmente abusando de álcool e drogas ao lado de sua namorada Pámela Courson (Meg Ryan), com o objetivo de alcançar um estado de pureza da mente.
 Quando desponta para o sucesso com um misto de poesia e musica presente em suas letras. O ídolo abominava a fama e a ostentação. Todavia ele literalmente enlouquecia seus fãs com o vigor e apelo sexual que obtinha no palco, mesmo contra a sua vontade. O longa mostra o jovem idealista, questionador se transformar em um ídolo e o ídolo virar um mito com sua morte precoce aos 27 anos.

Em 1991 após 20 anos de tentativas, o diretor Oliver Stone conseguiu levar para as telas um filme sobre a famosa banda dos anos 60 e seu vocalista Jim Morrison. Porém optou por fazer uma versão romanceada dos fatos, distorcendo a realidade, o que acarretou um monte de críticas dos fãs e dos integrantes dos doors por ser inverossímil. Stone retratou Morrison como um louco e Pámela como uma pessoa pura. Morrison não era santo. Mas o filme o retratou como um sociopata descontrolado chegaram a declarar os integrantes remanescentes dos doors. Pámela interpretada brilhantemente por Meg Ryan é retratada quase como uma santa, é calma, caseira, muito família e que principalmente não usa drogas. Um retrato distante do real, pois é sabido que Pámela era uma jovem reclusa, antissocial e com uma vida sexual ativa. Pámela usava drogas tanto que morreu vitima de uma overdose fatal de heroína.


O diretor peca por focar o enredo do filme exclusivamente em Jim Morrison, colocando os outros integrantes dos doors em posições pouco favoráveis dentro da narrativa, tanto que eles só aparecem para fazer “figuração de apoio”. Era mais justo se Stone fizesse um filme sobre Jim Morrison, não sobre os the doors. Certamente soaria mais honesto.



Stone apresentou uma versão estereotipada de Jim Morrison e Pámela Courson, contudo a interpretação visceral de Val Kilmer torna isso quase imperceptível. Já Meg Ryan compra a ideia do diretor e construí uma versão romantizada de Pámela Courson, e fez sua visão de Pámela com afinco e encanto, embora distante da original.  .


Oliver Stone lançou-se de todos os artifícios possíveis para tornar The Doors, um filme de sucesso, para que quando o espectador assistisse ao filme embarcasse em uma espécie de “viagem psicodélica” que não fosse possível parar antes do fim.




















quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Elefante



Bullying, um tema tão na “moda” hoje em dia, mas que existe desde que o mundo é mundo. Discriminação, exclusão, violência verbal, física e psicológica são apenas algumas formas de se praticar bullying. Eu já sofri e mentiria se falasse que não senti vontade de revidar, mas me senti incapaz e diminuído, assim acabei utilizando da autoridade escolar para resolver a questão.
Assim como aconteceu comigo, muitas das praticas de bullying ocorre no ambiente escolar. É o que retrata o filme Elefante (Elephant), escrito e dirigido por Gus Van Sant. Livremente inspirado no massacre de columbie, gus, narra este filme através da perspectiva de 10 jovens, a fase de transição da adolescência. Narra também à motivação de dois jovens Eric e Alex que sofrem bullying na escola, se sentem humilhados e planejam e executem o massacre com o intuito de se vingar.
Os jovens:
- nathan e carrie: Casal de namorados com uma suspeita de gravidez
- Elias: Jovem aspirante a fotografo
- John: Garoto com pai alcoólatra
- Eric e Alex: Dois adolescentes que sofrem bullying e como vingança cometem o massacre.
- Arcádia: adolescente lésbica que freqüenta um grupo de apoio a causa homossexual
- Britanny, Jordan e Nicolle: Garotas com distúrbios alimentares
-Benny: um estudante que pratica atletismo.
- Michelle : adolescente com problemas com a aparencia. Têm dificuldade em praticar esportes.


Gus Van Saint é um diretor com atração por temas polêmicos. Suas obras têm referencias a homossexualidade, depressão, juventude entre outros. Gus retorna ao tema da juventude com este filme, livremente inspirado no massacre de columbine, formando a “death trilogy”, sendo “elefante” o segundo da trilogia, e o terceiro “Last days”, os três baseados em fatos reais.


Elefante é um filme de temática densa e tem a marca “Gus van Saint” dessa vez se baseando no massacre de columbine, Gus realiza um paradoxo da juventude e da violência presente nas escolas.

A direção de Gus confere ao filme uma atmosfera dinâmica. A montagem paralela utilizada no filme permite que acompanhamos a perspectiva de diferentes personagens ao mesmo tempo. Alias cada vez que o ponto de vista de um novo personagem é apresentado, a tela fica preta e com o nome do personagem do qual acompanharemos o ponto de vista. O elenco aliás é um show a parte, a maioria deles em seu primeiro trabalho no cinema. A falta de experiência do elenco jovem conferiu ao filme uma interpretação mais realista, Todos estão bem em seus respectivos papeis, mas do elenco destaco John Robinson (John, o garoto com pai alcoólatra), Kristen Hicks (Michelle, a nerd que tem problemas com a aparência e dificuldade em praticar esportes, Alex (Alex Frost, um dos jovens que sofrem bullying, planejam e executa o massacre) e Eric (Eric Duelen, o outro assassino que sofre bullying, planeja e executa o massacre como vingança.



Só uma coisa me incomodou no filme: O uso excessivo de Flashbacks. Não há necessidade de tantos flashbacks para evidenciar o que virá a seguir e criar tensão dramática. E o que é pior: 4 flashbacks da mesma cena. Totalmente desnecessário. Mas fora esse pequeno deslize, Elefante é um grande filme, que vale a pena ser visto e re-visto muitas vezes.
Ah, uma informação Importante : Elefante ganhou a Palme d´Or (Palma de Ouro) de melhor filme no festival de Cannes em 2003.







sábado, 6 de agosto de 2011

Assalto ao Banco Central


Em 2005 164,7 milhões foram roubados do banco central de fortaleza de uma maneira, no mínimo impressionante. Em uma operação cuidadosamente planejada, Não dispararam tiros, nem alarmes. Ao contrario, cavaram um túnel sobre o banco e roubaram sem serem vistos. O assalto foi considerado cinematográfico e não é pra menos que o fato seja adaptado para o cinema.
Foi o que fez o diretor marcos Paulo em sua primeira experiência como diretor de cinema, ao reproduzir neste filme de ficção baseado em fatos reais, aquele que foi considerado o maior assalto a banco do século. O filme tem argumento de Antonia Fontenelle (que faz uma ponta no estilo “pisca o olho você perde”) e com roteiro de René Belmonte.
A historia começa quando barão (Milhem cortaz) e sua companheira Carla (Hermila Guedes) reúnem um grupo com o objeto de assaltar o banco central de fortaleza. O grupo composto essencialmente por barão, Carla, Léo (Heitor Martinez), e Mineiro (Eriberto Leão). O grupo se esconde na fachada de “empresa de grama sintética”, desta maneira intrigando a policia
O diretor Marcos Paulo (em sua primeira experiência cinematográfica), fez questão de ressaltar que o filme é uma obra de ficção baseado em fatos reais, desta forma se exime de qualquer comparação dos personagens com os criminosos reais, a única semelhança é a função dos personagens dentro do bando.
Com ares de superprodução e com elenco estrelar o filme derrapa já em seus primeiros momentos, onde fica claro o seu argumento inconsistente, afetando, portanto o seu roteiro. Mas nem tudo no filme é ruim, o elenco é extremamente competente com destaque para Milhem Cortaz, que interpreta o chefe do bando com naturalidade e sem caricaturas, construindo um cara ardiloso, um verdadeiro psicopata. Hermila Guedes constrói Carla com uma interpretação cuidadosa, lapidada, o que resulta na interpretação da perfeita “mulher de bandido”, uma verdadeira “bitch”. Eriberto Leão é outra grata surpresa como o bandido Mineiro, embora demore um pouco para encontrar o tom de seu personagem, mas quando isso ocorre vimos um mineiro carismático, articulador e sedutor na medida certa. O que confirma o que eu já sabia: Eriberto é um dos melhores e mais versáteis atores que temos atualmente.
A direção de Marcos Paulo deixa claro a influência televisiva em sua obra. Um grande erro do diretor é o uso excessivo de flashbacks e flashsorwards na montagem, desta forma impedindo que o filme alcance tensão dramática.
A sucessão rápida de planos é prejudicial para a narrativa do filme, pois faz que os telespectadores fiquem “divididos” com a falta de foco na narrativa apresentada.
A montagem como eu já disse é sem duvida o maior erro do filme. Marcos Paulo optou por utilizar montagem paralela (quando ocorrem planos alternados), porém o diretor fez mal uso do estilo de montagem escolhido, pois quando ocorre à sucessão de planos é justamente nas cenas de maior tensão dramática, o que quebra a narrativa do filme, deixando os telespectadores sem entender o que se passa e impede que o filme atinja o clímax.
Outro deslize é o uso de clichês no roteiro (Desde quando para demonstrar a personalidade manipuladora de um personagem é necessário colocá-lo jogando xadrez com caras e bocas no estilo “Rei do crime”)?
Voltando ao elenco não posso esquecer de ressaltar o trabalho de Heitor Martinez, como o violento Léo. Por outro lado o filme desperdiça ótimos atores como Cadu Fávero, Fabio Lago e Gero Camilo por exemplo.
Analisando o filme como um todo, “Assalto ao banco central” acumula tanto pontos positivos quanto negativos. A idéia da realização deste tipo de filme pode ser considerada um respiro na atual produção cinematográfica brasileira, que em sua grande maioria aposta em filmes policiais e suspense com violência explicita e gratuita, talvez inspirado pelo enorme sucesso de “Tropa de Elite”, pois apesar de explorar o mesmo filão segue um caminho completamente diferente. O elenco é outro ponto forte no filme. Reúne vários atores talentosos, é uma pena que alguns deles tenham seu talento desperdiçando.
Dos pontos negativos posso ressaltar principalmente a montagem e o roteiro. A montagem impede que o telespectador crie uma identificação com o filme. Este foi o principal erro do diretor Marcos Paulo em sua estréia na direção cinematográfica. Na tentativa de realizar um “blockbuster” e agradar as massas, ele tentou criar um filme dinâmico, mas Marcos Paulo dá “Um tiro no Próprio Pé” ao eliminar as cenas de suspense justamente quando se pode atingir o clímax. Quanto ao roteiro não preciso dizer muito. apenas que é uma sucessão de clichês sem tamanho que claro são conseqüência de seu argumento inconsistente.
Assalto ao Banco Central é um filme que poderia render muito mais do que rendeu (e ainda rende, pois ainda está em cartaz) se fosse melhor trabalhado e se seu diretor Marcos Paulo tivesse mais experiência. Na minha modesta opinião marcos não deveria ter dirigido um filme de grande porte como esse logo em seu primeiro filme como diretor. Pois dirigir um filme como esse requer experiência, o que obviamente ele ainda não tem. Outro erro do diretor é que ele deixou os vícios provenientes do seu trabalho na televisão interferirem na direção do longa. Mas seremos justos: 1) Marcos Paulo é um grande diretor de atores. 2) A estética utilizada no filme é perfeita. É realmente digno de uma superprodução.
O maior mérito de “Assalto” talvez seja mostrar que o Brasil tem sim competência de realizar uma grande produção. Este é apenas o primeiro filme de Marcos Paulo e até aqui ele contabiliza erros e acertos na mesma medida. Confesso que sai do cinema querendo mais , não completamente satisfeito. Espero pelos próximos capítulos.
Obs: A crítica foi refeita com objetivo de ser apresentada como atividade na universidade onde estudo Cinema.