O fan film que produzi, escrevi e dirigi em homenagem ao cineasta Cameron Crowe, ganha mais views dia após dia. mas, na tentativa de que mais pessoas assistam (e entendam o filme), vou esclarecer alguns pontos do enredo. afinal, o meu objetivo é que não só os fãs do Cameron Crowe e do seriado Entourage assistam ao filme, mas que outras pessoas se interessem em assistir ao seriado e aos filmes do Cameron Crowe.
Importante: Irei somente esclarecer a teoria. Antes de começarem a desenvolver a teoria, os protagonistas do curta conversam sobre a gênese narrativa do Cameron Crowe, seu estilo, etc. Pra saber isso, você vai ter que assistir ao filme. Tem spoliers dos filmes e do seriado!
O enredo do curta engloba vários filmes do Cameron Crowe, todos são relembrados ou estão presentes visualmente em algum momento. Mas a narrativa aborda em especial: "Say Anything(1989), no Brasil "Digam o que Quiserem", "Singles-Vida de Solteiro"(1992), "Jerry Maguire- A Grande Virada"(1996) e "Quase Famosos"(2000).
Então vamos a teoria de ligação entre a filmografia do Cameron Crowe e o seriado Entourage,
Na segunda temporada da série, Vince(Adrian Grenier) é contratado para estrelar "Aquamen". Porém, co-protagonista, Mandy Moore é também sua ex-namorada com o qual tem uma relação mal resolvida. E "Tiny Dancer" é a música que marca o relacionamento dos dois devido a grande quantidade de vezes que o ex-casal assistiu "Quase Famosos".
Ps: Pra quem quer rever a clássica cena do filme
2. Também na segunda temporada, Vince tem o seu momento "Quase Famosos" ao reproduzir outra cena clássica do filme. A de Russel(Billy Crudup) pulando na piscina, Compare.
3. Na Segunda Temporada, o super agente Ari(Jeremy Piven) é demitido. Numa última ação, ele tenta levar os funcionários para a sua nova agência, mas só Lloyd(Rex Lee) o acompanha. Exatamente como fez Dorothy( Renée Zellweger) quando Jerry(Tom Cruise) é demitido da agência esportiva em "Jerry Maguire- A Grande Virada". Compare as cenas:
4) Muitos dos atores que participaram da série, estrelaram ou estrelariam os filmes do Cameron Crowe. Como por exemplo, Jeremy Piven. Tem outros atores, mas esses vocês vão ter que assistir pra descobrir.
O que acontece quando o rock e a música
clássica se unem? Uma combustão no mínimo. “Se eu Ficar” , baseado no romance homônimo
de Gayle Forman é a história de amor da violoncelista Mia(Chloé Grace Moretz) e
do roqueiro Adam (Jamie Blackley).
Dirigido por R.J Curtier, “Se eu Ficar” é um filme de opostos. Não só
por abordar mundos completamente opostos quanto a música clássica e o
rock(embora o rock não seja assim tão estranho assim para Mia, por causa de sua
família), mas principalmente por balancear o melodrama, o romance agridoce e
uma certa dose de humor.
Um grande acerto de Curtier enquanto
diretor foi envolver o espectador na história dos personagens principais e suas
personalidades antagônicas , Adam(Jamie Blackley) e sua rebeldia e melancolia e
Mia(Chloé Grace Moretz) e sua doçura , entretanto se sentindo uma “estranha no
ninho”. O longa serve perfeitamente como uma alegoria sobre as diferenças se
prestarmos atenção.
E por falar em atenção, esse é um
fator que o filme exige de seu espectador. Pelo fator da narrativa se
desenrolar principalmente em flashbacks e a montagem se utilizar do
cansativo-mas eficiente artifício de “idas e vindas temporais”.
A musica é o principal diferencial de
“Se eu Ficar”, sobretudo o fato do diretor e sua equipe torna-la um personagem
do filme, uma peça fundamental na engrenagem da narrativa.
A direção de R.J Curtier é segura e o
diretor se mostra competente em criar uma narrativa que envolva o espectador na
tela, demonstrando eficácia ao administrar os inúmeros flashbacks que o filme
possui. Curtier demonstra uma destreza impecável ao comandar as cenas de
performances musicais do longa, com uma direção ora livre porém segura( nas
cenas de Adam) e uma direção intimista e poética (nas cenas de Mia).
A fotografia talvez seja o único aspecto
que deixa a desejar- além é claro do final decepcionante, mas vamos deixar isso
pro final do texto. Voltando a fotografia, embora as cenas com uso de um granulado
que remete a um por do sol extramente belo. Por outro lado, o flashback inicial
é tomado por um “nevoeiro” que torna quase imperceptível enxergarmos a cena em
sua totalidade. Felizmente, nada que prejudique a narrativa.
Vou tentar falar sobre o roteiro e a
música do filme no mesmo parágrafo, por acreditar que estes elementos estão extremamente
relacionados no longa.
Primeiramente o roteiro. Adaptado por
Shauna Cross do livro homônimo de Gayle Forman, Cross soube imprimir nas
entrelinhas questões pertinentes ao público-alvo do longa tais como identidade,
sonhos e perspectivas de futuro, além das diferenças.
O fato de os pais de Mia(Chloé Grace
Moretz) e seus irmãos serem “roqueiros natos” e a incentivarem a seguir um
caminho totalmente oposto, assim como o seu romance com Adam (Jamie Buckley)
ser do tipo “os opostos se atraem”.
A construção dos personagens e a próprias
referencias musicais , além é claro da trilha sonora composta de um mix de
musica clássica e punk tornam-se o diferencial do filme , o impedindo de se
tornar “um filme água com açúcar chato”. A trilha do brasileiro Heitor Pereira
conta com nomes como Sonic Youth e The
Orwells, misturados a musica clássica e as referencias vão de Iggy pop a
Bad Religion passando pelos clássicos Beethoven e Bach.
Chloe Grace Moretz construi uma Mia sensível
e sonhadora, porém dotada de uma forma interior imensa. Já seu parceiro de cena
Jamie Buckley faz de Adam um artista rebelde mas que esconde uma certa
melancolia por trás de toda aquela rebeldia e personalidade. Sem dúvida um
personagem antagônico em sua personalidade e Buckley arrebentou na construção e
interpretação do personagem.
Preciso deixar uma menção honrosa
para Jakob Davies como o doce e precoce Teddy, “um roqueirinho de carteirinha”, e
Joshua Leonard como o carinhoso pai de Mia , Denny que conserva sua alma
roqueira. É através de Leonard que o filme ganha pinceladas de humor irônico,
suavizando a dramaticidade da narrativa.
Não tenho muito o que falar sobre “Se
eu Ficar”, até porque, ainda estou materializando o filme. mas lhe digo uma
coisa: se deem uma chance de ver este filme poético e singelo que trata de temáticas
universais como sonhos, diferenças e musica. Lembra-se: as vezes , os melhores
perfumes vem nos menores frascos.
O que você faria se tivesse a chance
de voltar a vida de estudante? E melhor ainda, fosse a faculdade? , coisa que
não fez quando saiu do colegial, seus antigos estereótipos sociais fariam você voltar
a velha forma?
Essa é a premissa de “Anjos da Lei 2”,
sequência da versão cinematográfica pra popular serie de TV estrelada por
Johnny Depp nos anos 80.
Com a dupla Phil Lord e Chris Miller
de volta a direção e com o filme novamente estrelado por Jonah Hill e Channing
Tatum como os amigos Schimidt e Jenko, a
continuação consegue ser ainda melhor.
Há claramente uma evolução do
primeiro filme pra este, o que o torna mais atraente , unido é claro a uma
serie de fatores.
Lord e Miller conseguem desenvolver e
evoluir o longa de maneira crescente. Os diretores souberam incluir um maior
ritmo na narrativa fílmica em uma dose maior do que no primeiro filme. há uma
energia, um dinamismo e agilidade em alto nível que foi inexistente no primeiro
longa.
Parte desse dinamismo se deve as gags
cômicas, é claramente perceptível o quanto os diretores estão mais confortáveis
com a temática proposta, sendo capazes de tornar a comicidade do enredo algo
mais natural. -As cenas da prisão, da fraternidade e da “viagem psicodélica”de
Schmidt e Jenko são bons exemplos disso.
O fato de Phil Lord e Chris Miller estarem mais confortáveis
com “o tempo da comédia”, bem como o tipo de humor do longa permitiu que a
dupla executasse uma ótima direção de atores , trazendo mais naturalidade para
a narrativa e para própria interpretação de Channing Tatum e Jonah Hill que
puderam elevar sua “química” cênica a um nível muito mais elevado , possibilitando
um notável desenvolvimento de personagens.
Lord e Miller possuem uma destreza incrível
na direção do longa. Não só pelo fato de conferir ritmo e dinamismo ao filme
mas sobretudo, pela própria condução da cenas cheias de ritmo, agilidade, a
habilidade de desenvolver os plots independentemente tendo a sagacidade de
brincar com as gags e com os clichês dos filmes de gênero de forma inteligente.
O trio de roteiristas Oren Uziel,
Rodney Rotman e Michael Bacali(que co-escreveu o argumento com Jonah Hill),
souberem inserir temáticas importantes da juventude sob a ótica inteligente e
leve do humor, tais como: Bullying, diferentes grupos sociais no ambiente acadêmico
e o valor da amizade. O próprio fato de existir uma fraternidade no enredo do
longa, pode ser encarado como uma metáfora para os ritos de passagem e os estereótipos
pelos quais somos tachados na juventude.
Um elemento interessante do roteiro
que se manteve nessa sequencia e em níveis mais altos são as menções a cultura
pop. Citações a série policial de comédia “Troops” e a o homem- arranha são o
ponto alto.
Eu particularmente acho cada vez mais
interessante- e valido , os filmes de comédia adolescente abordarem questões do
cotidiano dos jovens nas suas entrelinhas, sobretudo por três motivos. Os
dilemas pelos quais os jovens passam são universais, o jovem é o principal consumidor
desse tipo de comédia, digamos mais liberal e o próprio humor garante uma
leveza a temática que é muito bem vinda.
A julgar pelo ótimo filme e pelos
créditos finais- eu espero que aquilo não tenha sido uma mera brincadeira- teremos
uma continuação, pela qual aguardo ansioso.
A exposição na internet da intimidade
de um casal é algo corriqueiro no mundo atual, e as sex tapes podem alçar
pessoas a fama, render prestigio(e estigma) mas também pode dar muita dor de
cabeça. Esse é o mote principal da comédia “Sex Tape: Perdido na Nuvem” trata
do tema sobre a ótica despudorada do humor.
Um casal, Annie(Cameron Diaz) e
Jay(Jason Seguel) tentam “reacender a chama” após anos de casamento com uma sex
tape registrando sua maratona sexual e bam , adivinhem, a tal sex tape cai em mãos
erradas é claro.
Pronto. Isso é tudo o que você precisa
saber sobre o filme dirigido por Jake Kasdan. Falar mais seria entregar o pouco
que o filme reserva. Embora, super previsível, o filme consegue divertir – por favor
não confunda isso com risadas soltas. “Sex Tape” é um filme divertido e
engraçado e sem muitas pretensões.
Mas talvez esteja na falta de intenções
ambiciosas a maior força do filme. abusando de toda e qualquer gag pra fazer
rir e todo o tipo de efeito sonoro que possa soar cômico o fato é que o filme
consegue envolver o espectador mesmo com toda a sua previsibilidade o diretor consegue de alguma maneira tornar o
seu filme uma opção atraente.
Kasdan precisa ser reverenciado em
dois pontos, embora tenha nos entregado um filme mais do mesmo(nenhum
trocadilho com o titulo deste blog por favor) mas sim, o cineasta soube
trabalhar os clichês do gênero de forma eficiente conferindo um ritmo cômico ao
longa, o tal tempo da comédia. Kasdan foi um bom diretor de atores garantindo
performances cômicas interessantes do seu elenco, sobretudo do seu casal
protagonista Annie e Jay( Cameron Diaz e Jason Seguel).
É Seguel, que também um dos
roteiristas do longa quem tem o melhor desempenho. Atua com naturalidade e está
confortável em papel mais sujo proferindo obscenidades naturalmente e trabalhando
de forma confortável no humor negro. E quanto a Cameron Diaz? Bom, a atriz
demora um tempo pra estar no mesmo nível cômico do colega mas desde o inicio se
mostra a perfeita personificação da porque não “mulher perfeita”: Gostosa, voluptuosa,
exuberante e com ótimo senso de humor. Ela e Seguel conseguem ser um casal
atraente(em todos os sentidos).
Embora a ação esteja exclusivamente centrada
no “dilema” dos protagonistas, o filme ainda tem espaço para que bons
personagens coadjuvantes se sobresaiem. O Casal amigo Robbie e Tess(Rob Corddry
e Ellie Kemper) são um bom exemplo disso que estou falando. Os atores são um espetáculo
à parte no filme , com ótimas gags.
Jack Black, um comediante de primeira
linha, também da o ar de sua graça com uma participação pequena mas muito divertida
como o dono do site pornô “You Porn”.
É hilário, a lição de moral que personagem de Black da em Annie e Jay ao falar
das consequências de se fazer um vídeo pornô e citando “estrelas” do pornô caseiro
como Paris Hilton e Pamela Anderson. Porra, esqueceu da Kim Kardashian. Rsrs.
E o irreparável Rob Lowe como o chefe
pervertido de Annie(Cameron Diaz) em uma empresa do ramo infantil- percebam a
analogia , haha. Lowe é incrível ao encarnar estes tipos tarados, pervertidos e
despudorados sem nenhum juízo( quem lembra do inesquecível Eddie Nero de “Californication”
, sabe do que estou falando).
No fim, “Sex Tape – Perdido na Nuvem”
é uma comédia divertida e descompromissada com um tom mais “sujo” e libertário.
Não parece a primeira vista atrair muito, mas ganha o espectador pelo seu notável
despudor e o desenrolar interessante da sua trama. E por deus, Cameron Diaz é
como vinho , fica mais gostosa a cada ano que passa.
"Ensinando a Viver”(Martian Child, no
original) é um belíssimo e emocionante filme, e certamente me inspirou a
escrever sobre ele.
Inspirado no livro “ Martin Child” de
David Gerrold o filme conta a história de um popular escritor de ficção
cientifica, David Gordon(John Cusack – ótimo ) que ficou viúvo enquanto ele e
sua esposa estavam no processo de adoção. Após dois anos , ele se vê encantado
por uma criança com problemas de sociabilidade e acredita ser de marte,
Dennis(Bobby Coleman). Juntos, eles aprendem a conviver um com o outro e
superam as adversidades com o lema de “Nunca nunca nunca nunca nunca desistir”.
“Ensinando a Viver” é um filme tão
perfeito e tocante que eu não sei por onde começar. Vou tentar dizendo que é
bela a forma como o filme constrói e aborda a temática das diferenças e da
aceitação sobre ser quem é através da relação de Dennis(Bobby Coleman) e
David(John Cusack) e do fato do escritor sempre dizer pro filho ser ele mesmo.
A forma natural e comovente com que o
roteiro aborda a relação entre David e Dennis é absolutamente linda. Os atores demonstram química e entrosamento
entre eles é encantadora. John e Bobby conseguem transparecer essa ligação para
os personagens. O amor incondicional e aceitação são fatores abordados de forma
muito naturalista no roteiro através das relações dos dois personagens. O fato
de David(Cusack) abrir o coração para Dennis(Coleman).
É interessante mencionar as metáforas
entisicas a narrativa. Através da relação entre David e Dennis são abordados temáticas
importantes como aceitação, respeito as diferenças, relações familiares e
principalmente afetivas.
Essas metáforas são tão bem colocadas
na historia de maneira comovente através da relação afetiva entre os
protagonista pela belíssima relação entre David e Dennis e pelo fato de David adentrar
o “mundo marciano” de Dennis e não subjugá-lo. Pelo contrário, participar desse
universo ativamente e assim se unir ao seu filho adotivo.
A questão da união afetiva entre pai
e filho é colocada de forma sem igual. A maneira perspicaz e inteligente que Dennis
coloca em xeque os ideais de David a respeito da ficção cientifica- sendo ela uma
forma fantástica e metafórica da própria vida levando- o a reavaliar suas teorias é brilhante.
O filme trata das relações afetivas e
familiares de forma incrível. E através dela observamos nas entrelinhas, a questão
da incapacidade social, abandono, das formas de se relacionar com a perda, da imaginação
como refugio , crenças.
É difícil dizer porque o filme me
encantou tanto. Particularmente talvez porque trata da aceitação , do ser
diferente, do ser diferente, do ser você mesmo e de nunca nunca nunca nunca
desistir dos meus sonhos. É uma história sobre ser você mesmo e amor genuíno comovente.
Façam um favor a vocês mesmos e se deixem emocionar por esse lindo filme.
É uma tortura psicológica e emocional ler ou assistir qualquer coisa relacionada ao caso “West Memphis Three” onde 3 crianças foram brutalmente assassinadas e três jovens foram falsamente acusados em Arkansas nos EUA.
Foi duro assistir a trilogia de documentários da HBO “Paradise Lost” , assistir ao documentário produzido por um dos acusados Damien Echols depois de deixar a prisão. E certamente, não foi fácil assistir a este caso sendo dramatizado aqui neste “Devil´s Knot” ainda que de maneira esdrúxula e excessivamente estereotipada.
Primeiro, porque a direção de Atom Egoyan começa de maneira promissora nos induzindo ao que seria um “grande filme” , ledo engano, Egoyan nos induz ao suspense com seus movimentos de câmera descritivos e uso da sonoridade, das cenas do pós crime buscando um choque no espectador mas tudo o que consegue é uma repulsa breve e uma incessante vontade de vomitar.
A forma com que o cineasta conduz o filme, conferindo um tom de fábula macabra, descaracteriza totalmente a história séria e poderosa que tinha em mãos. A impressão que se da é que o diretor tenta suavizar o enredo e “poupar o espectador” para assim atingir maior fatia do público. Ora, é impossível suavizar algo de tamanha monstruosidade, a história do caso merecia uma reprodução digna e não uma história medrosa, rasa e com medo de se aprofundar na realidade.
É tudo retratado de forma rápida demais , não dando chances para o enredo se desenvolver como deveria. Entretanto, o diretor não deixa de chocar com o teor macabro do próprio caso que ele acrescenta aqui , mas tudo a conta gotas, superficial demais.
Além de ser raso e inconclusivo no que se propõe ao não se aprofundar na história , convertendo-a em uma novelinha mexicana, Atom Egoyan tem uma parceria na construção dessa história inverossímil dotada de cortes bruscos e superficiais: A montagem. A montagem deixa o espectador confuso pois utiliza de tantos recursos narrativos como flashbacks fora de hora que a acaba por confundir o espectador e tornar o filme uma bagunça.
O roteiro escrito a quatro mãos por Paul Harris Boardman e Scott Derrickson é o maior problema de “Devil Knot”. Em primeiro lugar, eles- os roteiristas descaradamente privilegiam um plot da história - a da mãe de Stevie Brunch um dos garotos assassinados. Pam(Reese Withespoon) em detrimento das outras famílias.
Em segundo lugar , os roteiristas pecaram de maneira severa na construção dos três jovens acusados Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Miskelley (James Hamrick,Seth Meriwether e Kristopher Higgins respectivamente). Construíram um retrato estapafúrdio dos três reais protagonistas do longa. Baseando-se em clichês os retrataram como malucos e débil mentais, claramente se aproveitaram desse retrato errôneo para jogar-los para escanteio dentro da narrativa e fazer deles meros coadjuvantes dentro da própria historia. De modo que a atuação do trio não tem nem chance de se sobressair.
Paul Harris Boardman e Scott Derrickson parecem ter esquecido -ou não leram mesmo que o livro de Mara Leveritt na qual o roteiro deles se baseia ou ao menos deveria se basear, cobre o caso por um todo e da destaque a clemência por inocência dos três jovens.
Reese Withespoon e Colin Firth são os únicos a se destacar verdadeiramente. Primeiro pelo talento da dupla segundo, porque o próprio roteiro os condiciona para isso.
Reese tem uma atuação comovente como Pam Hobbs , mãe de Stevie Brunch e Colin Firth nos presenteia com sua brilhante e obstinada atuação como o investigador particular Ron Lax, obstinado em provar a inocência dos três adolescentes. Firth atua de forma segura , firme e imponente , cativando o público.
Como espectador ou como qualquer pessoa minimamente inteligente, é inaceitável o retrato do caso “West Memphis Three” pintado aqui. Não só pela sua direção e narrativa rasas, pelo favorecimento de suas estrelas Reese Withespoon e Colin Firth ou por tentar emular sem sucesso a estética da trilogia de documentários “Paradise Lost” , mas sobretudo por sua falta de imparcialidade e por retratar Jason Baldwin , Jesse Miss Kelly e Damien Echols de maneira tão estapafúrdia, rasa e envolta em clichês.
Seria cômico se não fosse trágico, a história do caso não precisava disso e muito menos, o magnífico trabalho de Mara Leveritt não merecia tal retratação.
“As
pessoas temem aquilo que não conseguem entender” essa é a principal mensagem da ficção cientifica “Transcendence-
A Revolução” primeira incursão do aclamado diretor de fotografia Wally Pfister
na direção cinematográfica e estrelado por Johnny Depp.
Will Caster(Johnny Depp) é um
cientista famoso por suas pesquisas e experiências no ramo da inteligência artificial
e auto consciência. Entretanto, sua fama atrai a ira de extremistas que tentam
mata-lo. O que o leva a uma experiência de consciência coletiva e regeneração celular.
Em primeiro lugar, “Transcendence-
A Revolução” é o filme certo em todos os aspectos. É o primeiro filme de Wally
Pfister na direção e certamente ele é a pessoa certa pra dirigir um filme tão
visualmente tridimensional quanto essa ficção cientifica cyberpunk. A forma com
a qual Pfister introduz o visual cibernético gradativamente – mérito também dos
roteiristas tornando capaz de o espectador compreender a gênese do enredo antes
de desenvolver a narrativa sci-fi presente no enredo.
A direção de Pfister acompanha o
ritmo do próprio filme. por isso mesmo, começa de maneira tímida, com o
cineasta mantendo sua câmera a espreita , utilizando de agilidade quando necessário
, mas sabendo dosar estes elementos muito bem elaborados no roteiro de Jack
Paglen e transmiti-los visualmente para que o espectador compreenda a raiz da
trama antes de evoluir para a ficção cientifica propriamente dita.
É impossível dissociar o trabalho
de direção tão visualmente “real” com a direção de fotografia – função exercida
pelo diretor anteriormente, e ainda, acredito num trabalho em conjunto entre
Pfister e Jess Hall. A forma com a qual a fotografia cria a ambientação externa
para que o “universo paralelo” possa coexistir é sensacional. Com cores frias e
um uso habilidoso da luminosidade que a fotografia permite , se criou um
ambiente, um universo onde a ficção cientifica presente no enredo pode se
desenvolver de forma mais realista possível. Como o subgênero de Sci-fi na qual
o filme se encaixa-o cyberpunk, o universo cibernético e online é de grande importância
para o desenvolvimento da narrativa, o grafismo virtual se torna parte
integrante do “real”.
Toda essa unidade cientifica
onde o filme se desenvolve, ganha tons mais frios na fotografia de Jass Hall. O
resultado desse trabalho de ambientação do espaço fílmico permite ao diretor
Wally Pfister que consegue traduzir e incorporar na narrativa os elementos tecnológicos.
A maneira com a qual o cineasta desenvolve o filme permite que os elementos ali
expostos soam naturais e principalmente, Pfister consegue quebrar a “quarta
parede” presente no filme permitindo assim que a inteligência artificial de Will
Caster(Johnny Depp) exista, permitindo ao personagem uma existência mais visual
materialmente do que só pela voz.
Um grande acerto do longa foi
utilizar a tecnologia da maneira certa a favor da narrativa. Ao utilizar de
computadores e outros aparelhos tecnológicos, a câmera consegue captar o
grafismo virtual de forma a incorpora-la naturalmente na narrativa. O que quero
dizer, é que a maneira com a qual esses elementos são captados e inseridos no
filme de forma tão visceral , viva como um espelho para o mundo virtual,
quebrando assim a barreira existente entre os dois mundos. As cenas são
captadas de forma orgânica e natural e por isso mesmo se encaixam perfeitamente
a narrativa.
Parece que coexistir traduz a experiência
fílmica de “Transcendence”. Pois, além de criar este “universo inteligente” , o
diretor precisou imprimir visualmente o outro extremo do filme. O dos
extremistas que são contrários a experiência artificial e usam a violência para
tal liderados por Bree(Kate Mara). Para tal, a direção cinematográfica e de
fotografia se mostraram alinhados mais uma vez criando um ambiente hostil e
evidenciando a luz natural e os granulados. A experiência é tão visceral e
sensorial cinematograficamente que o menor grão se desenvolve de maneira inacreditável
visualmente. Resultado é claro, das experiências de Will Caster(Johnny Depp) e
muito bem recriadas visualmente. Vemos partículas se dissolverem pelo ar e
regerarem literalmente. Tudo isso, aliado a um trabalho de união entre direção ,
fotografia , sonoridade, pois o aspecto sensorial é de grande importância para
o longa e direção de atores naturalista, permitindo atuações criveis mesmo
controlados por uma inteligência artificial.
Tudo parece perfeito em “Transcendence”
de modo que eu não consigo entender porque o público não aceitou bem a
história. Talvez porque requer paciência e necessita pensar e as pessoas tem
preguiça de pensar, querem tudo mastigado.
Wally Pfister conseguiu usar de
sua experiência anterior como diretor de fotografia para criar um universo tecnológico
crível visualmente. Jack Paglen criou um roteiro utilizando com inteligência e
destreza os elementos da sci-fi cyberpunk pura. Porém antes induziu seu
espectador para o universo retratado de maneira gradual. Um acerto. Depois,
desenvolveu a sci-fi e os universos presentes de forma crível e imaginativa,
sempre mantendo um pé na realidade. O problema é que as pessoas não tem paciência
pra esperar o filme se desenvolver. Nem tem o olhar apurado pra entender “além dos
olhos” e as metáforas sobre regeneração vital muito bem colocadas por Paglen.
Povo preguiçoso e alienado.
Johnny Depp volta a escolher bons
papeis e mais uma vez nos mostra porque é um dos melhores atores da atualidade
ao construir todas as fases do personagem com intensidade e mais, conseguir dar
vida ao papel quase que inteiramente pela voz a maior parte do tempo.
Rebecca Hall faz de Evelyn
Caster , a mulher de Will uma mulher totalmente multifacetada. Por um lado, ela
quer recriar o marido e a atriz demonstra a obstinação do papel, por outro se
revela em conflito com os caminhos da ciência e por fim, duvida do próprio marido.
Em todas essas fases, Hall conseguiu dar o tom exato ao papel.
No extremo oposto, está Kate
Mara no papel de Bree, personagem terrorista que vai contra os ideais de inteligência
artificial. Mara expõe toda a força dominadora da personagem, sua obstinação em
aniquilar muito só com o olhar. É lindo ver em uma das sequências finais do
longa, a personagem “desarmar” ao ver que nem tudo é como ela acreditava. A atriz
deu show.
“Transcendence” veio pra mim no
momento certo no qual estou me interessando por Sci-fi principalmente
Cyberpunk. E acabou se revelando um filme incrível. Por sua visceralidade
visual, pela forma com a qual elabora e desenvolve seus universos, por tudo. “Transcendence”
, como o próprio filme diz e é a frase de abertura da crítica, as pessoas temem
aquilo que não conseguem entender.