O documentário
Tropicália de Marcelo Machado sobre o movimento tropicalista no Brasil e sua difusão
no mundo é puramente nostálgico.
Nostálgico no
sentido do longa ser pautado nas ricas imagens de arquivo e nos depoimentos
para formar um panorama de que foi este movimento de inovação artística e estética
dos anos 60 que mais tarde faria frente à ditadura militar vigente na época.
O tropicalismo
foi um movimento de inovação musical que dialogou com as demais artes: O cinema
engajado de Glauber Rocha e o teatro experimental de Zé Celso Martinez Correa.
Desse modo, Glauber
e Zé Celso ocupam um espaço importante no documentário para a devida contextualização
da época ao espectador. O mesmo ocorre com o músico Rogério Duarte e com o
maestro Rogério Duprat.
O documentário
é fundamentado essencialmente na figura de Gilberto Gil e Caetano Veloso- os
principais expoentes do movimento e também seus fundadores. Desse modo que eles
guiam o filme.
A agilidade
presente no longa, combinando muito bem com a efervescência cultural do
movimento é resultado da câmera nervosa do diretor Marcelo Machado o que
garante as sequencia um ritmo de frenesi.
Ao abordar
os depoimentos, Machado prioriza o entrevistado de modo que ele protagonize
aquele momento. Sendo assim, o diretor diminui o frenesi presente nas demais
sequências, focalizando única e exclusivamente o entrevistado.
A fotografia
de Eduardo Piagge merece destaque especialmente devido ao tratamento e reconstituição
das imagens presentes no longa.
O tropicalismo
eclodiu para todos os lados. Sendo assim, o movimento foi ganhando novos
adeptos como Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa entre outros.
O movimento teve seu ápice
no festival internacional da canção (um dos melhores do longa, especialmente
devido a performance excepcional e graciosa de Rita Lee). Ali, o tropicalismo
deixaria sua marca na historia da musica brasileira.
O resultado
do documentário é o de um registro fiel e esclarecedor, sem, entretanto se
tornar didático, histórico sem se tornar antigo. Afinal, o tropicalismo deixou
frutos que perduram até hoje e que fazem dele um movimento eterno na historia
cultural do país.
Charlie (Logan
Lerman) é um garoto tímido e introvertido que está desesperado por ter que
começar o ensino médio (o que significa trocar de escola). Charlie tem como único
“amigo”, um diário no qual desabafa seus problemas. Na escola nova, Charlie chama
a atenção do professor de inglês Mr. Anderson (Paul Rudd) que observando a inteligência
do garoto e sua timidez, lhe encoraja a ser mais participativo e se torna uma espécie
de conselheiro para o garoto.
Charlie logo
faz amizade com os irmãos Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller) que fazem
parte de um grupo de “deslocados populares”. Juntos eles apresentam a Charlie
um mundo novo de descobertas, algumas dolorosas outras nem tanto.
Stephen
Chbosky foi o responsável pela transposição do romance de sua autoria para as
telas. Chbosky dirigiu e escreveu o roteiro baseando-se no seu livro.
O diretor optou
por fazer de “As Vantagens de Ser Invisível” um filme “psicológico”. Psicológico
no sentido de que o controle narrativo está na mente do protagonista Charlie (Logan
Lerman).
O diretor
Stephen Chbosky imprimiu ao seu filme um modo de dirigir “inventivo”. Com planos curtos, justaposição de cenas,
elipses e flashbacks cheios de ritmo.
Stephen
centraliza o seu roteiro no protagonista Charlie (Logan Lerman) e seus amigos Sam
(Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller). Além disso, o roteiro explora bem a
relação do protagonista com seu professor Mr. Anderson (Paul Rudd) de maneira
gradual, porém definitiva na vida de ambos.
O elenco é pequeno,
e justamente por isso, Chbosky pode trabalhar as nuances de seus personagens. Garantindo
momentos de destaque para todos.
Dentre eles não
poderia deixar de citar Logan Lerman (Charlie), Emma Watson (Sam) e Ezra Miller
(Patrick).
Logan se
saiu bem interpretando o adolescente, porém, a estatura do jovem é de alguém que
já passou da fase dos 15 anos (o ator tem 20 anos). Contudo, a atuação segura e
convenente de Logan, torna isso quase imperceptível.
Emma Watson
(Sam) e Ezra Miller (Patrick) tiveram dois dos papéis mais difíceis. Emma teve
que demonstrar a evolução da sua personagem de maneira involuntária e a Ezra
coube um desafio: construir uma interpretação com base nas entrelinhas e o ator
se saiu muito bem nesse quesito.
Paul Rudd (Mr.
Anderson) também se destaca pela interpretação afinada e pela relação que constrói
em cena com o personagem de Logan Lerman (Charlie).
Dylan McDermott que interpreta o pai de Charlie não tem um maior destaque
na narrativa. É uma pena, pois Dylan é um excelente ator e seria ótimo vê-lo
com mais destaque, entretanto, o ator tem presença marcante em todas as cenas
em que aparece.
A trilha sonora vai do Folk ao rock, combinando assim com o clima nostálgico
do enredo e “embalando” as tramas dos personagens.
Stephen Chbosky
foi bem sucedido ao representar o ideal de juventude que queria. Foi ousado na
medida certa ao contar uma estória coesa e com atores que defendem muito bem
seus personagens.
Se uma das intenções
de Stephen Chbosky era deixar os espectadores com ânsia de irem atrás do seu livro
(mesmo que involuntariamente), ele conseguiu, pois eu quero conhecer mais
desses personagens.
Foto de Cameron Crowe com a sua estatueta do Óscar de melhor roteiro original por Quase Famosos
Nascido em 13 de julho em Palm Springs e criado em San Diego, Cameron Crowe sempre foi uma criança diferente do normal e um adolescente prodígio.
Em parte isso se deve a sua mãe Alice que empenhada em investir no potencial do filho, fez com que ele pulasse de ano na escola se lhe dizer e omitiu sua verdadeira idade. Em parte por ele sofrer de Nephritis na adolescência, o que acabou o afastando da cultura ensolarada da Califórnia.
Eis então que Cameron descobre duas importantes válvulas de escape: A escrita e a musica(especialmente o rock). Isso aconteceu graças a Irmã Cindy que ao sair de casa por discordar dos métodos disciplinares de sua mãe deixa para Cameron sua coleção de discos de vinil.
Foi o empurrão que faltava para que Cameron desenvolvesse sua escrita e escrevesse artigos de música para publicações como San Diego Doors e Cream magazine. Não demorou muito para que a Rolling Stone se interesse por seus artigos e lhe convidasse para cobrir a turnê do Led Zeppelin com exclusividade para a revista(vide “Quase Famosos”).
Mais tarde, Cameron resolveu voltar a escola para recuperar o tempo perdido e publicar suas impressões no livro “Fast Times At Ridgemont High”. O sucesso foi tanto que o livro virou filme com direção de Amy Heckerling e roteiro do próprio Cameron. Daí das páginas dos roteiros(ele escreveu ainda “Vida Selvagem”), para trás das câmeras foi um pulo.
Desde então , Cameron desenvolveu uma carreira pautada em uma filmografia essencialmente autoral e com características muito particulares e de fácil identificação com o público. Muito dessa identificação se deve aos seus personagens sempre passarem pelo “Rito de Passagem” e é claro, pela trilha sonora, elemento essencial dos seus filmes.
Abaixo, conheça um pouco mais sobre sua filmografia:
Debut de Cameron como diretor. O filme é centrado no amor platônico do pugilista Lloyd Dobler(John Cusack) pela jovem rica e popular Diane(Ione Syke). Cameron aprimora o enredo centrado nos adolescentes já abordado nos seus roteiros anteriores. Com uma narrativa e direção ágeis. É um filme que faz um uso inteligente do “Jogo de Câmera”. É, sobretudo um filme de contrastes pautados nas personalidades distintas de seus protagonistas.
É o filme que representa a primeira evolução narrativa da obra do diretor. Se antes Cameron centralizava seus filmes nos adolescentes e no High School americano, aqui o foco é os jovens adultos vivendo em Seattle em meio a cena grunge do inicio dos anos 90. Singles é um filme simples na sua forma narrativa, mas grandioso em seu conteúdo, se observarmos as entrelinhas. A trilha sonora ocupa um importante espaço narrativo no filme de modo que a mesma se sobressaiu de maneira definitiva.
É o filme que representa a segunda evolução na obra de Cameron Crowe. O filme apresenta uma série de inovações técnicas e narrativas a filmografia do diretor.
É o filme em que podemos observar primeiramente a “metáfora de crescimento” que falei no inicio desse texto e que pode ser observada com mais clareza em seus filmes subseqüentes.
É o filme mais conhecido do diretor e uma de seus melhores filmes na minha opinião. A trama semi-autobiográfica do jovem William Miller(Patrick Fugit) que aos 15 anos viaja pra turnê da banda Stillwater a serviço da revista Rolling Stone se confunde com a vida do próprio Cameron Crowe. É um filme dinâmico, ágil e carregado de emoção. È a declaração de amor de Cameron ao Rock que o acolheu quando ele era um jovem “Uncool” e hoje é fundamental em sua vida. O filme trouxe a Crowe a sua maior consagração na carreira até então, pois lhe rendeu o Óscar de melhor roteiro original além do BAFTA na mesma categoria em 2001.
Ao realizar este remake do filme espanhol “Abra Los Ojos” , Cameron Crowe realizou sua obra Sui-Generis- isto é, única. Única no sentido em que neste trabalho Crowe realizou um filme sem todas as formulas pré-concebidas em seus trabalhos. Foi sobretudo um desafio, afinal em “Vanilla” Crowe realizou um filme com tempos fílmicos simultâneos.
Um trabalho ousado e com múltiplas interpretações, foi um exercício de direção interessante para o diretor que soube imprimir sua “Marca” pessoal no filme. O filme merece ser visto inúmeras vezes devido as inúmeras camadas de entendimento que a trama oferece.
Nesta comédia romântica de 2005 Crowe realizou um filme poético sobre a relação do ser humano com a morte. É talvez o seu filme mais pessoal depois de Quase Famosos.
Cameron intercalou em Elizabethtown o seu dinamismo característico com um certo lirismo ao desacelerar a ação no terceiro ato.
Em Elizabethtown , Crowe trouxe outra inovação narrativa: Pela primeira vez, Crowe deu a um personagem seu a função de narrador da historia.
A trilha sonora da um suporte narrativo a trama embalando o enredo de forma a ambientar os personagens.
Após seis anos sem lançar nenhum trabalho(acredite, para o diretor isso é muito tempo.) Cameron começou 2011 com força total: Lançando três filmes no mesmo ano.
Entre estes filmes está Pearl Jam Twenty, o documentário comemorativo aos 20 anos da banda Pearl Jam. O documentário é alçado em três frentes: imagens de arquivo,entrevistas e shows ao vivo.
Cameron realizou um documentário ágil e próximo dos fãs. Parte disso se deve ao fato do diretor assumir a postura de entrevistador imprimindo naturalidade ao filme.
O filme é essencialmente calçado na banda e na relação dos integrantes com os fãs. Dessa maneira, a própria banda guia o filme de certa forma.
Cameron Crowe realizou em Pearl Jam um mergulho intenso na historia da banda, o que acabou resultando no documentário definitivo sobre o Pearl Jam.
Em Nós Compramos um Zoológico, Cameron Crowe se volta aos dramas familiares. Baseado no livro homônimo de Benjamim Mee, Crowe fez o perfeito filme família. Um filme cativante com uma grande historia e grandes atores.
Aqui, Cameron fez um ótimo uso da excepcional historia e atores que tinha em mãos. O diretor utilizou os closes em takes carregados de emoção. Crowe imprimiu ao longa uma narrativa dinâmica ao mesmo tempo em que garantiu ao longa um lirismo oriundo de suas lentes-lirismo este que se estende a trilha sonora.
Acessem o site oficial do diretor para mais informaçoes sobre sua vida e carreira:
Stacy (Jennifer Jason Leigh) é uma estudante do ensino médio que começa a ter os primeiros questionamentos sobre sexo. Ela trabalha na pizzaria do shopping no seu tempo livre e conta com os conselhos da melhor amiga, a “Pseudo” experiente Linda (Phoebe Cates). Stacy nem imagina da paixão do tímido Mark (Brian Becker) que não tem coragem de se declarar.
Baseando-se no livro homônimo de Cameron Crowe (que também escreveu o roteiro) Amy Heckerling fez no filme um retrato fiel dos desejos e anseios da juventude.
A diretora apostou nos planos mais fechados e na sucessão rápida de planos, o que conferiu ao filme a agilidade e o frisson necessários a narrativa.
A montagem paralela foi utilizada de modo a equilibrar todos os plots do enredo.
Cameron Crowe foi responsável pelo roteiro da adaptação cinematográfica de seu livro homônimo. Crowe foi extremamente hábil na construção do seu roteiro, especialmente na construção dos personagens e seus respectivos plots.
Outro ponto a se considerar é a maneira com que Cameron Crowe trabalhou os diversos plots de modo que eles se “encontram” em determinado ponto da narrativa.
De fato, Crowe esbanjou talento e criatividade na sua primeira experiência cinematográfica.
O elenco com muitos atores em inicio de carreira como Jennifer Jason Leigh (Stacy), Phoebe Cats (Linda), as duas aliás tem um entrosamento cênico que transparece na tela.
Brian Becker (Mark) e Judge REINHOLD (Brian) se destacam por interpretar o impopular o popular da escola respectivamente. Os dois atores acertaram em cheio ao ressaltar os dilemas dos personagens.
A trilha sonora tem a função de ambientar os personagens do enredo, agindo como uma extensão do ambiente escolar no qual os personagens estão inseridos.
Dessa forma, predominam na trilha sonora o rock e o pop/rock, gênero dominante entre os jovens. E o melhor: A maioria dos artistas compuseram canções especialmente para o filme, o que faz a trilha sonora de “Fast Times At Ridgemont High” ser exclusiva.
“Fast Times At Ridgemont High” é o que chamamos de um feliz encontro cinematográfico: Um excelente roteiro , uma direção segura e habilidosa e atores jovens e talentosos que interpretaram seus respectivos papeis com naturalidade.
O resultado dessa experiência é um filme terno e atemporal que ao retratar dilemas universais acaba tornando impossível que o espectador não se indetifique em algum aspecto.
JerryMaguire (Tom
Cruise) é um bem-sucedido agente esportivo que é demitido após escrever um
relatório propondo uma relação mais pessoal com os clientes. Tal fato acaba
causando a sua demissão da agência onde trabalha. Sozinho, ele conta com o
apoio de Dorothy Boyd (Renée Zellweger) com quem desenvolve uma relação
fraternal que transcende os limites do campo profissional.
Além disso, Jerry precisa estimular o seu único cliente Rod Tidwell (Cuba
Gooding Jr) a jogar com a alma para se consagrar um vencedor.
Em seu terceiro filme como diretor, Cameron Crowe apresentou uma evolução
no que diz respeito à temática e a técnica apresentadas até então em seus
filmes anteriores. Antes ele focava seus filmes em dilemas adolescentes e
jovens adultos (Say Anything e Singles, respectivamente.)
O filme apresentou uma serie de inovações técnicas e narrativas a
filmografia do diretor, tais como: elipses, closes e montagem paralela entre
outras.
O diretor fez uso do contra-plongêe para evidenciar a atmosfera grandiosa
do esporte e sua importância no enredo.
Utilizando-se dos closes, Crowe priorizou o grande elenco que tinha em
mãos destacando-os em suas lentes intimistas.O que acaba fazendo de Jerry Maguire um filme de gestos muito
particulares. Tais características se perduram até hoje na filmografia do
diretor.
A fotografia do filme á cargo de Janusz Kaminski trabalha em duas frentes
distintas:
Na primeira parte do filme predominam cores vivas e cintilantes nas
lentes de Janusz. Após a derrota
profissional de Jerry Maguire, as cores cintilantes dão lugar á um granulado
consistente que evidencia a mudanças sofridas pelo protagonista.
A presença de uma narração em “Over” é talvez a maior inovação do filme
em termos narrativos. Neste caso essa função cabe ao protagonista Jerry Maguire
(Tom Cruise).
A musica, elemento fundamental nos filmes do diretor, assume aqui a
posição de contextualizar o universo fílmico.
A trilha sonora á cargo de Nancy Wilson (ex-parceira habitual do diretor)
se baseia em dois estilos-chave: O rock e o blues. O rock se destaca
especialmente na primeira parte do enredo para demonstrar a ascensão social do
protagonista, posteriormente dando lugar ao blues devido à derrota profissional
de Jerry Maguire (Tom Cruise).
Todo o elenco tem seu respectivo espaço no enredo bem definido, de forma
que todos os atores cumprem afinco a função dramatúrgica de seus personagens
dando-lhes vida.
É impossível não destacar o trabalho de 5 atores em especial. Tom Cruise
(Jerry Maguire) construiu seu personagem de maneira meticulosa, especialmente
no que diz respeito à “curvas dramáticas” de seu personagem.
Cuba Gooding Jr (Tod Tidwell) fez uma belíssima construção involuntária de
seu personagem, isto é de dentro pra fora. Um personagem construído com uma
certa agressividade, aos poucos, Cuba deixa sobressair o verdadeiro “eu” de seu
personagem. A atuação impressionante de Cuba lhe rendeu um merecido Óscar de
melhor ator coadjuvante pelo filme.
Renée
Zellweger(Dorothy Boyd) imprime em sua personagem um carisma e uma sutileza
admiraveis. A relação fraterna que construiu com Tom Cruise em cena é
excepcional. A relaçãomaternal que
estabelece com o filho de sua personagem interpretado por Jonathan
Lipnicki é encantadora.
Por falar em Jonathan Lipnicki , é
preciso destacar a sua notável
atuação junto aos personagens de Renée Zellweger e Tom Cruise. Jonathan é a
grata surpresa do filme devido à naturalidade e carisma que apresenta em cena.
Por fim, menciono Jay Mohr (Bob Sugar) dono de uma interpretação sutil
que passa quase imperceptível aos olhos do espectador, mas que cumpre a sua função
de antagonista da história. Uma pena que não tenha maior destaque.
Jerry Maguire é um belíssimo filme, é aquilo que chamamos de “filme de transição”,
elevando a carreira de seu diretor Cameron Crowe para outro nível. Aqui se
estabeleceu traços que podem ser percebidos até hoje nos filmes de Cameron Crowe,
com maior aprimoramento é claro.
Honório (Marcos Palmeira), Fonsinho (Emilio Orciollo Netto) e Fernando (Bruno
Mazzeo) são três homens á volta com o novo papel da mulher na sociedade.
O machista (ou seria amante a moda antiga?) Honório vive uma crise no
relacionamento com Leila (Dira Paes), o escritor Fonsinho prefere
relacionamentos furtivos com prostitutas e mulheres casadas.Entretanto, tanto desprendimento afetivo está
lhe causando uma crise de inspiração.
O arquiteto Fernando foi deixado
pela mulher vitória (Tainá Muller) e vive a famosa fossa pós-separação, mas a
jovem Gabi (Laura Neiva), inteligente e cheia de vigor lhe devolve a autoestima
perdida colocando mais cor e jovialidade na vida desse homem.
Baseada na peça de sucesso de Marcelo Rubens Paiva, “E ai comeu?” transpõe
para o cinema a famosa “conversa de bar”. O enredo é pautado nas situações cômicas
que surgem no bar, dessa forma se sobressai as demais tramas.
O diretor Felipe Joffily investiu em planos curtos, ágeis e mais abertos
ao mesmo tempo. Utilizando o corte rápido de planos de maneira que se possa desenhar
um retrato das situações apresentadas para o espectador.
Os flashbacks que surgem espontaneamente oriundos das lembranças dos protagonistas
colocam o público a par das vidas dos protagonistas até aquele momento.
A montagem paralela estabelecida no esquema “bar-casa-trabalho-putero” no
caso de Fonsinho (Emilio Orciollo Netto) conferem um dinamismo e uma agilidade
muito bem-vindos nesse caso.
Não podemos deixar de citar a direção espontânea de Felipe Joffily que trabalha
as esquetes cômicas de maneira orgânica e crível. Joffily investe em closes
priorizando seu trio protagonista, dando destaque aos atores nas suas lentes. Entretanto,
o diretor peca ao inserir planos descritivos á exaustão, mas nada que
prejudique a qualidade do filme como um todo e nem seu trabalho como diretor é
apenas um detalhe que poderia ter sido corrigido.
O melhor do filme é sem dúvida o
roteiro.Escrito a quatro mãos por Marcelo
Rubens Paiva e Lusa Silvestre. Trabalhando com maestria na estrutura das esquetes
cômicas. A construção de personagens bem definidos. Os diálogos coloquiais diretos e certeiros,
marca de Marcelo Rubens Paiva beiram o escatológico. Recheados de palavras de
baixo-calão podem assustar os conservadores e falsos moralistas, porém é necessário
observar as entrelinhas dos diálogos de Paiva e Silvestre e perceber que os
diálogos e situações não têm qualquer cunho ou propósito de ofender e sim “homenagear”
o sexo oposto.
A parceria de Lusa Silvestre com Marcelo Rubens Paiva confere ao roteiro
maior embalsamento cinematográfico, enquanto Marcelo foi mestre na transposição
da essência da sua obra teatral, especialmente no que diz respeito aos diálogos
e personagens.
O elenco possuiu muitos destaques, a começar pelo trio protagonista que
exibe excelente química cênica de modo que seria injusto apontar um ou outro,
todos defendem bem os personagens de modo que Marcos Palmeira (Honório), Bruno
Mazzeo (Fernando) e Emilio Orciollo Netto (Fonsinho) merecem aplausos por suas atuações.
Do elenco secundário Tainá Muller (Vitória) a ex- mulher indecisa de Fernando
(Bruno Mazzeo) se destaca primeiramente devido ao vigor que empresta a
personagem. Dira Paes (Leila) se destaca ao representar o retrato da mulher contemporânea.
Os grandes destaques do longa ficam por conta de Laura Neiva (Gabi) e
Juliana Schalch (Alana) que humanizam suas personagens, lhes dando alma e não as
deixando cair nos estereótipos de ninfeta e garota de programa respectivamente.
É interessante também notar a evolução das duas atrizes. A de Laura do seu
trabalho anterior no cinema no longa À deriva e a de Juliana de seus trabalhos
anteriores na televisão.
Concluo dizendo que o longa cumpre sua proposta. A de ser uma comédia
inteligente e reveladora sobre o universo masculino. Os atores acertaram em
cheio em suas interpretações.
Aproveito para salientar que novas incursões de Marcelo Rubens Paiva no
universo cinematográfico são sempre bem-vindas de modo que já espero pelo próximo
filme com roteiro de sua autoria.
Ao preparar sua tese de doutorado com o tema “Mulheres Criminosas”, Stanislas
Prévine (André Dussollier) se interessa
particularmente pelo caso de Camille Bliss (Bernadette Lafont), uma jovem
cantora de personalidade dúbia acusada de matar o amante. Prévine se encanta
por camille (e por seu caso) que se empenha em provar sua inocência. Entretanto
o envolvimento entre os dois transcende os limites do profissional, o que
complica a situação do sociólogo.
Baseando-se no romance de Henry Farrell, François
Truffaut retornou ao universo noir que permeou algumas de suas obras como “A
Noiva Estava de Preto” e “A Sereia do Mississipi”. Desta vez, abordando a
questão do beneficio da duvida em uma trama calçada no passado.
Em uma trama fundamentada principalmente nas
lembranças do passado, François Truffaut utilizou os flashbacks aliados à
montagem paralela como elementos essenciais na trama.
O diretor investiu em planos mais fechados,
priorizando os atores na cena como é comum acontecer nas suas obras. Closes nos
rostos dos atores são utilizados para captar suas expressões.
Como os flashbacks dão sentido da narrativa, Truffaut
lhes conferiu agilidade. De modo que o flashback em questão desse o tom de
determinada cena.
Se tratando de um filme calçado principalmente
nas memórias da protagonista Camille (Bernadette Lafont) e no ato de contar a
sua vida ao sociólogo Dr. Previne (Andre Dussoller) para sua tese, a presença
do narrador se torna indispensável. O narrador em “Off” torna possível que o
espectador mergulhe nas lembranças de Camille (Bernadette Lafont) de tal forma
que possamos compreender a personagem.
A trilha sonora de Georges Delerue é
essencialmente dramática, contribuindo para que o suspense da trama se
desenvolva de maneira verossímil.
O roteiro de François Truffaut e Jean-Loup
Dabadie é organizado de forma em que os flashbacks se sobrepõe à narrativa. Assim
colocando a prova tanto às evidencias quanto a honestidade da protagonista
Camille (Bernadette Lafont), concedendo ao espectador o beneficio da dúvida.
Os personagens foram bem delineados pela dupla
de roteiristas de modo que a função narrativa de cada um bem claras, exceto por
Camille (Bernadette Lafont) cuja personalidade é soturna.
A fotografia de Pierre-William Glenn é
pautada no uso de sombras e cores frias, combinando com o clima soturno que
permeia o filme.
A trilha sonora de George Delerue tem cunho dramático
e remete ao universo de suspense do filme, conferindo um aspecto sombrio a narrativa.
O elenco todo se sobressaiu por excelência. Sobretudo
Bernadette Lafont (Camille), que construiu uma personagem dúbia todo o tempo. André
Dussollier (Dr. Prévine) construiu seu personagem com características idealistas.
De todos os casos amorosos da protagonista, Sam
Golden (Guy
Marchand) o músico
parceiro de Camille é quem mais se destaca. Muito desse destaque se deve ao
excelente desempenho do ator que construiu o personagem de maneira sedutora.
François Truffaut retornou ao universo noir de maneira excelente neste
filme. Nessa trama surpreendente sobre o beneficio da dúvida, o diretor
revisitou o universo do suspense, onde homenageou o diretor inglês Alfred
Hitchcock, um de seus favoritos, além da própria filmografia.