sábado, 21 de abril de 2012

Cazuza- O tempo não para



“Vida louca vida, vida breve, se eu não posso te levar,
quero que você me leve”.

Os versos da canção “vida louca vida” sintetizam bem o que
foi a vida de seu interprete, o cantor cazuza, que morreu de complicações decorrentes
da AIDS em 1990.

O filme autobiográfico Cazuza – O tempo não para foi lançado
em 2004 dirigido por Sandra Werneck e Walter carvalho. O roteiro de Fernando
bonassi e Victor navas teve como ponto de partida o livro “cazuza – só as mães
são felizes”, escrito pela mãe do cantor, Lucinha Araujo.

O filme possui uma narrativa ágil e utiliza de elipses de
tempo sempre que necessário, mantendo o dinamismo e a rapidez, porque afinal como
diz a musica que da titulo ao filme, o tempo não para.

Daniel de oliveira é visceral ao interpretar cazuza (desculpa,
mas não tenho outra palavra para definir a atuação de Daniel). O filme
demonstra o jovem cazuza, inquieto e rebelde, a primeira cena já demonstra sua inquietude,
ele procura na atuação seu lugar no mundo e já na cena seguinte se encontra com
os integrantes do barão vermelho, banda da qual faria parte.

Com uma sucessão rápida de planos e o roteiro vai mostrando
quem foi cazuza e qual era seu espaço (amigos, família, etc.).

O filme mostra um fôlego impressionante ao se revelar como um quebra-cabeça que vai se
montando cena após cena, (você só entende a cena seguinte se estiver assistido
a anterior e assim por diante.).

Os pensamentos de cazuza (Daniel de oliveira) são expostos
ao publico conferindo ao filme a figura do narrador over.

O roteiro de Fernando navas e Victor bonassi é inspirado. Os
diálogos são inteligentes e bem colocados com nada fora do lugar, contendo inúmeras
citações de canções do próprio cantor e de outros artistas e ainda referencias
a obras e autores.

A direção do filme feita a quatro mãos por Sandra Werneck e Walter
carvalho é um show a parte.
Enquanto Sandra
Werneck foi habilidosa na direção de atores, Walter Carvalho trabalhou os
planos com maestria, além de ser responsável pela fotografia do filme.

Como dito , Walter carvalho também foi responsável
pela fotografia do filme e talvez esta tenha sido sua maior contribuição ao
longa.
A fotográfia foi fundamental para resssaltar os pontos de virada do filme. Na primeira parte que evidencia a juventude e
a descoberta profissional do cantor é mais solar, por isso predomina o uso de câmera
na mão e eu efeito granular na imagem, no ponto de virada, onde o foco passa a
ser a AIDS e a pressa de viver do cantor, a câmera na mão é deixada de lado
dando lugar ao movimento de câmera circular.

Além de Daniel de oliveira, o elenco possui vários outros destaques:

Marieta Severo que interpreta Lucinha Araujo, mãe de cazuza é talvez o maior
destaque depois de cazuza, além de ser importante na vida de cazuza como mãe, é
de autoria dela o livro em que se baseia o roteiro. Reginaldo faria também ganha destaque como João
Araujo, pai do cantor. Sua interpretação alterna entre a segurança paternal e a
surpresa ao ver o talento do filho desabrochar. Não poderia pensar em outra
pessoa para interpretar João Araujo senão Reginaldo faria.

Cadu Fávero que interpreta Roberto Frejat é um elemento
importante na narrativa, companheiro de banda do cantor e amigo é o único dos
integrantes da banda que se sobressai, embora às vezes seja posicionado
erroneamente como antagonista do cantor, o que não condiz com o real.

Leandra leal e Emilio de Mello são outros grandes destaques.

a primeira interpreta bebel Gilberto, grande amiga e parceira musical de cazuza
(brilhante a cena em que cazuza, bebel e dé palmeira, interpretado no filme por
Arlindo Lopes compõem a canção “Eu preciso dizer que te amo”, grande sucesso da
parceria entre bebel Gilberto e cazuza). Uma pena que não tenha tanto destaque
e tenha sua importância diminuída, mesmo assim Leandra se destaca com sua interpretação
marcante e rouba todas as cenas em que aparece.

Emilio de Mello interpreta “Zeca”, o produtor Ezequiel neves,
amigo e mentor de cazuza. Emilio da a Zeca energia e uma interpretação quase poética,
uma pena que às vezes Emilio oscila entra a energia e a poesia saindo tom e
tornando alguns momentos risíveis.

Infelizmente o filme peca em não se aprofundar em certos
aspectos e personagens como “Dani” Denise
Dumont, jovem com quem cazuza manteve um relacionamento e outros
integrantes do barão que não ganham o merecido destaque.

Analisando o filme como um todo, vimos que ele tem duas funções
primordiais: 1) serve como uma espécie de tributo a este talento que foi cazuza
2) apresentar a vida e obra do cantor às novas gerações. É um filme belo em sua totalidade, uma pena
que não possua profundidade na vida e obra do seu tema, fazendo do livro “Cazuza”-só
as mães são felizes, um bom complemento àqueles que fizeram a operação inversa
(primeiro assistiram o filme e depois leram o livro), contudo pode frustar
aqueles que leram a obra antes de assistir o filme, pelo motivo do livro ser
muito mais rico em detalhes e em profundidade.

Frase que encerra o filme ao som da música “Vida louca vida”

O amor é o ridículo
da vida, a gente procura nele uma pureza impossível... que está sempre se
pondo,indo embora.
A vida veio e me levou com ela...Sorte é se abandonar e aceitar essa ideia de paraíso
que nos persegue..bonita e breve,como borboletas que só vivem 24 horas".

sábado, 31 de março de 2012

Quebrando o Tabu


A legalização e descriminalização é um assunto que precisa ser discutido e reavaliado. A discussão deste tema é o que se propõe o documentário Quebrando o Tabu dirigido por Fernando Grostein Andrade.

Âncorado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o filme busca apresentar alternativas de descriminalização e/ou legalização das drogas tomando como ponto de partida que as drogas sempre existiram e que a medida de combate adotado por alguns governos, sobretudo o brasileiro é falho.

Buscando entrevistar médicos, governantes e usuários de drogas nas mais diversas nacionalidades como a Holanda e Portugal que já evoluíram neste aspecto, cada um a sua maneira.

 
A âncora de Fernando Henrique Cardoso possibilita ao filme uma abertura para falar desse assunto polemico com pessoas importantes como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton entre outros.
Traçando um paralelo entre o uso de drogas, o trafico e a criminalidade, o filme aponta que a legalização enfraqueceria o tráfico e o comercio de armas , pois haveria controle no consumo.
Com depoimentos de personalidades como o escritor Paulo coelho e o medico Dráuzio Varella, o documentário ousa ao desmembrar as vertentes do problema, apresentando exemplos de soluções eficientes em países como a Holanda onde foi adotado o método de cofee shops, além de programas de reabilitação entre outros.

Apesar de inicialmente parecer uma idéia distante da nossa realidade, o documentário mostra que o primeiro passo para se começar a se pensar no assunto é exatamente ao que ele se propõe: O debate e a reflexão.
É questão de se botar na balança e constatar que as atitudes tomadas para tratar desse assunto são ineficazes. “Como bem diz no documentário:” utopia não existe” .


A direção de Fernando Grostein Andrade é ágil, conferindo ao filme um dinamismo muito interessante. A maneira com que conduz a narrativa no filme vai de acordo com os depoimentos e assunto abordado. Há sempre um elo de ligação entre os aspectos antecessor e sucessor, um excelente trabalho de direção e montagem.


Além de depoimentos, visita a favelas, coffee-shops e etc, o filme utiliza de animações sobre o surgimento das substancias ilícitas e imagens do movimento de contracultura por exemplo. Isto quebra o gelo inicial do espectador, que busca um ponto de identificação, ou como o titulo sugere “Quebra o Tabu“.

É importante salientar que o documentário em NENHUM MOMENTO faz apologia ao uso de drogas, apenas apresenta soluções alternativas para que a sociedade lide com o fracasso da guerra as drogas e abre espaço para a formação de opinião própia.


Concluo que o filme é antes de tudo necessário, sobretudo neste momento em que vivemos. A abordagem proposta por Fernando Grostein Andrade em seu filme é clara e objetiva, além disso, “Quebrando o tabu” coloca o diretor como um nome no qual devemos continuar prestando atenção, ele tem muito a dizer, ou melhor, a mostrar e não vai parar por aqui.


sábado, 10 de dezembro de 2011

When You´re Strange



O cinema tem a capacidade de eternizar as coisas. Foi com esse pensamento que os integrantes remanescentes do grupo The Doors, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore, que junto com o diretor Tom Dicillo produziram esta que foi planejada para ser a “Biografia definitiva” da banda, ao contrario do filme dirigido por Oliver Stone lançado em 1991, que acarretou inúmeras críticas dos fãs e integrantes dos doors pela sua falta de compromisso com o real.

O documentário começa de uma maneira inteligente: um fã sósia de Jim ouve a noticia da morte de Jim no radio e logo a câmera salta para uma sucessão de rápidas imagens da banda em ação terminando assim o prólogo do documentário.
O documentário mostra todas as fases da banda, desde o inicio quando Jim e Ray eram estudantes de cinema na UCLA, até o inicio do sucesso repentino.



A narração de Johnny Depp torna tudo ainda mais intenso por assim, quando ele diz “os anos 60 começaram com um tiro” para evidenciar o contexto em que a banda se encaixava no momento em que surgiu: O movimento da contracultura, movimento estudantil, a luta pelos direitos civis, a guerra no Vietnã.

Trazendo imagens raras de entrevistas, bastidores e apresentações, o diretor utiliza de montagem paralela para relacionar a trajetória da banda com os acontecimentos sociais, afinal o The Doors foi à banda de uma geração inteira da juventude dos anos 60 e todos os seus ideais.
O foco desse documentário é o The Doors enquanto banda por isso suas vidas pessoais são pouco mostradas, apenas quando tem alguma relação com o grupo.
A montagem paralela é usada frequentemente no filme, seja para fazer um paralelo com o movimento de contracultura seja para mostrar as noticias que o sósia de Jim ouve no radio sobre sua morte.
Composto de inúmeras imagens era natural que houvesse uma “seleção” do que era seria destaque, para isso Tom Dicillo utiliza a elipse de tempo, pois do contrario, a duração de uma hora e 25 minutos do filme não seria suficiente.

O filme desconstrói os integrantes da banda como mitos, especialmente Morrison, é fiel a realidade em todos os momentos, ao contrario do filme de Oliver Stone que construiu uma versão caricata de Jim e excluiu os demais integrantes da banda do filme, os colocando como “elenco de apoio” na narrativa do filme.

Composto de ricas imagens de arquivos, bastidores, performances ao vivo e gravação de discos, Tom Dicillo foi criterioso na escolha das imagens, priorizando os mais importantes como a apresentação no Ed Sullivan show quando após a banda sofrer uma tentativa de boicote na letra da canção “Light my Fire”, devido ao trecho “Girl, we couldn't get much higher” que em tradução seria: Garota não poderíamos estar mais chapados”, fazendo alusão ao uso de drogas. Jim ignorou o pedido do apresentador e cantou a musica exatamente como ela estava escrita, assim a banda foi banida do programa.

Outros momentos importantes retratados no documentário que é impossível de destacar: os incidentes em Miami e Long Island, sendo o de Miami o mais sério, pois Jim foi condenado por atentado ao pudor e linguagem obscena.

O filme expõe sem pudores a fragilidade de seus integrantes, os problemas de relacionamentos, o vicio em drogas etc.

O álbum “Waiting for the Sun”, que marcou um distanciamento das origens da banda e houve a recusa do produtor em colocar o poema musicado de Morrison “a celebração do lagarto” em um dos lados do disco.

 Mais uma vez Tom Dicillo utiliza a montagem paralela para visualizar o poema narrado por Johnny Depp em off, alias, a narração de Johnny em todos os momentos é absolutamente incrível, foi um grande acerto do diretor chamá-lo para ser o narrador.
A restauração das imagens merece aplausos. Nem parece que as imagens têm mais de 30 anos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Análise fílmica : Beijos proibidos



Beijos proibidos (Baisers Volés) é um filme de 1968 dirigido por François Truffaut, dando prosseguimento as historias do seu alter-ego Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud). Historias estas que começaram a ser retratadas no autobiográfico “Os incompreendidos” (Les quatre cents coups). Este é o terceiro filme no qual o personagem Antoine Doinel é retratado, sendo “L'amour à vingt ans (1962), Domicile conjugal (1970) e L'amour en fuite (1979), os outros quatro filmes com o personagem.

Em “Beijos Proibidos”, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é expulso do exercito por indisciplina. Após ser expulso, Antoine vai jantar na casa dos pais de Christine Darbon (Claude Jade), a jovem por quem Antoine é apaixonado. Os pais de Christine lhe arranjam um emprego, no qual ele não dura muito, e assim Antoine pula de emprego em emprego, sem ter certeza do que deseja para sua vida, pois ele só cresceu por fora, pois por dentro continua o mesmo jovem inconsequente de antes.

Truffaut começa o filme de uma maneira espetacular: o movimento de câmera circular detalha Paris enquanto são exibidos os créditos iniciais, tudo isso acompanhado por uma trilha sonora instrumental maravilhosa (aliás, toda a trilha é de tirar o fôlego).

Após a apresentação dos créditos iniciais, o zoom diminui, enquanto a câmera “entra” no exercito, com Antoine sendo dispensado de seus serviços.
Truffaut utiliza os planos descritivos à exaustão, sem que isso prejudique a qualidade do filme, pelo contrario só acrescenta.


O movimento de câmera panorâmica aparece em todo o filme, com o intuito de acompanhar Antoine, sempre com a cidade de paris como pano de fundo e é claro com a já citada trilha sonora que é maravilhosa.

A fotografia do filme é essencial para marcar as mudanças na vida de Antoine. Enquanto o prólogo, créditos e a cena inicial são permeados com cores escuras e com um aspecto obscuro, as demais cenas após sua dispensa do exercito , são predominantes as cores quentes, com um aspecto mais vivaz e colorido.


Um detalhe que não posso deixar de citar, o filme tem planos curtos no geral e a maneira que Truffaut escolheu para saltar de uma cena para outra é absolutamente incrível: ele escurece a tela por algum tempo e quando volta ao “normal” já na cena seguinte. Certamente uma homenagem de Truffaut a época do cinema mudo e uma alternativa inteligente.


Truffaut construiu mais um filme terno, envolvente e cativante, com um personagem igualmente envolvente e muito bem desenvolvido, Truffaut correu um risco alto a meu ver, afinal fazer varias continuações pode cansar, mas não com um personagem riquíssimo como Antoine é impossível cansar.

Truffaut sabia como ninguém fazer um filme poético, conseguiu manter o frescor daquele personagem que é seu alter-ego, Antonie Doinel e que todos nós temos um pouco dentro de si. Além disso, fez um filme em que tudo se encaixa perfeitamente como um quebra- cabeça é uma pena que seja tão curto.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Análise Fílmica: Os Incompreendidos



Em seu primeiro filme de longa- metragem, François Truffaut buscou referencias em sua própria biografia.

 Em “Os Incompreendidos” (Les quatre cents coups), Truffaut  buscou contar a sua historia de vida, para isso criou um alter- ego, Antoine Doinel, um jovem que como a própria tradução já aponta é incompreendido principalmente por duas das principais instituições da sociedade: A escola e a família.

O primeiro aspecto a ser analisado é a trilha sonora, Truffaut utilizou da música incidental para criar uma criar a atmosfera presente no filme durante grande parte do filme, este elemento contribui para que os telespectadores embarquem no universo fílmico em sua totalidade. A música acompanha o personagem principal de modo que podemos observar outros elementos tais como a Montagem. 

A utilizar a montagem narrativa linear, Truffaut permite que conhecêssemos o enredo sobre a perspectiva do jovem Antoine (Jean-Pierre Léaud), suas angustias e sentimentos.

Neste momento, Truffaut utiliza outro artifício: O movimento de câmera panorâmica acompanha o protagonista, descrevendo o ambiente em que ele se encontra.
 
Para evidenciar o sentimento de inadequação vivido pelo protagonista, principalmente nas cenas ocorridas no ambiente escolar neste momento é utilizada a câmera alta (plongeé) para demonstrar a opressão de Antoine perante seu professor.

Outro momento em que esse recurso é utilizado é quando a mãe de Antoine (interpretada por Claire Murier  vai ao reformatório visitá-lo, para dizer a ele que desistiu dele.

Por outro lado nas cenas em que Antoine aparece cometendo pequenos delitos ou faltando aula, acompanhado pelo amigo René, é utilizado a câmera baixa (contra-plongeé), com o intuito de demonstrar o espírito livre e rebelde de Antoine.

A cena final é no mínimo instigante: Antoine foge do reformatório, a câmera Panorâmica acompanha o seu trajeto, até que ele entra no mar, brinca e o filme termina com Antoine “encarando” o telespectador. É realmente uma maneira singular de terminar o filme.

Segunda parte da análise:
 Incorporar e entender os elementos:

O filme “Os Incompreendidos” é claramente uma obra com um sentido emocional antes de tudo. Ele (O filme) arrebata o espectador pela identificação com o universo fílmico e neste aspecto, a música tem papel fundamental no sentido de que ela “Guia” o protagonista e exprime através do som seus sentimentos e questionamentos.

Porém a música não trabalha sozinha, em conjunto com a montagem (a organização da cena, os planos...) para alcançar o objetivo desejado. A montagem neste caso é linear, o que permite que acompanhamos a vida de Antoine  em “tempo real”, a música então funciona como um “apoio” a montagem e sobretudo ao enredo. A música é um dos principais (se não o principal) responsáveis pelo processo de imersão do espectador no filme.

Com o espectador tendo comprado a idéia (assistir ao filme) , é necessário ambientá-lo.

Para isso entra em ação o movimento de câmera panorâmica que descrevendo os  ambientes pelos quais Antoine passa nos permite compreendê-lo com mais clareza.

Os ângulos de câmera plongeé e contra-plongeé são utilizados para evidenciar os momentos de inadequação ,tanto na escola , quanto na família (plongeé) e os momentos de liberdade ao lado do amigo René . Assim conhecemos as “duas faces” da personalidade de Antonie : por um lado um jovem “rebelde” por outro um adolescente comum a fim de estabelecer laços.Todos estes elementos constituem juntos a beleza de “Os Incompreendidos”.

De modo geral podemos dizer que a trilha “nos convida” a assistir , a montagem “nos arrebata” , os movimentos de câmera nos introduz a historia e os movimentos de câmera nos geram compaixão e carinho pela historia


.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Fita Branca



Investigar as origens do nazismo. Esta é o tema proposto em “A fita Branca” (Das Weisse Band), dirigido por Michael Haneke.
O filme se passa em um pequeno vilarejo na Alemanha, onde tudo corria em “harmonia” até acidentes inexplicáveis começarem a acontecer. Digo “harmonia”, porque a violência já está presente, embora não seja explicita aos olhos dos outros.
O filme tem inicio quando o medico da região (Reiner Bock) sofre um acidente ao cair do cavalo, após se enroscar em um arame aparentemente invisível, o desaparecimento misterioso do filho do Barão (Ulrich Takur), Martin (Leonard Proxauf).
Enquanto isso o celeiro é misteriosamente incendiado e o filho do barão é encontrado com marcas de violência também sem explicação.
Acontece que todos esses acontecimentos são utilizados para desviar a atenção dos moradores para os atos cometidos por aqueles que para o povo estão acima de qualquer suspeita, O barão (Ulrich Takur) é um homem frio que acredita na violência como método de disciplina e o aplica sem dó nem piedade em seu lar e no trabalho.
O medico da cidade por sua vez mantêm um caso extraconjugal com a empregada e abusa sexualmente da filha Anna (Roxanne Duran), além de supostamente ter assassinado a falecida esposa.
Outro homem importante no vilarejo é o pastor (Burghart Klaussner) que sem empenha em garantir a pureza de seus filhos, em especial a de gustav (Thibault Série), quando este começa a se masturbar.
A única pessoa que parece enxergar a raiz dos mistérios acontecimentos é o professor de piano da cidade (Christian Friedel), porém suas teorias sobre o verdadeiro autor das atrocidades o levam a ser visto como um louco.
Com uma visível crítica ao moralismo aos métodos disciplinares, a força de trabalho entre outros infinitos assuntos constitui o panorama traçado pela “A fita Branca”, sobre o período anterior a primeira guerra mundial.
O diretor Michael Haneke tem o claro objetivo de nos provocar, e ele consegue isso no bom e no mau sentido e ele consegue isso. Seja pela fotografia em preto e branco que se revela perturbadora e irritante ao telespectador ou pelo ritmo monótono em que avança a narrativa cansando o telespectador propositalmente.
O fato é que Michael Haneke provoca tanto com o objetivo de causar reflexão, que não chega a lugar nenhum.
Ao colocar nas mãos do telespectador o compromisso de acreditar (ou não) na historia contada (como diz o narrador: “eu não sei se a historia que vou contar aconteceu mesmo” .) Michael Haneke instiga o espectador a descobrir a verdade , embora seus objetivos caiam por terra, quando provoca tédio no espectador com a forma de narrativa e artimanhas usadas e isso deve em especial a fotografia utilizada no longa : Escura demais.
Michael Haneke fez essa escolha para colocar a capacidade de condução do longa em seus atores. E ele realmente tem em “A fita branca” atores fortes, com uma densa capacidade dramática. Mas as brilhantes atuações não tiram a sensação de que a historia poderia ter tomado um rumo diferente (dramaturgicamente falando).
O final confirma todas as minhas suspeitas: não há clímax e muito menos uma resolução plausível. Ai eu me pergunto: Foi proposital deixar o fim entreaberto ou o diretor Michael Haneke deu tantas voltas que já não tinha mais pra ir.
A sensação que fica de “A fita branca” é que um tema que deveria ter tido outra abordagem, o tema delicado e interessante foi jogado fora.

sábado, 22 de outubro de 2011

Blow Up-Depois Daquele Beijo


Blow Up – Depois daquele beijo (Blow Up, no original) é um filme de 1966 dirigido por Michelangelo Antonioni. Trata-se de uma adaptação do conto “As Barbas Del Diablo de Julio cortaz.
Blow Up conta a historia de Thomas (David Hemmings), um renomado fotógrafo de moda que apesar de seu trabalho possui um grande apreço por fotografar cenas do cotidiano.
Thomas está preparando um livro com fotos tiradas ao acaso e resolve fazer um passeio a fim de enriquecer seu livro. Ao tirar fotos aleatórias acaba fotografando um casal se beijando. O casal fotografado demonstra-se irritado e a moça fotografada passa a persegui-lo incessantemente. Começa ai a trama de Blow Up – Depois Daquele Beijo.
Thomas se divide entre a preparação para seu livro e o trabalho na indústria da moda. Ao fotografar o beijo do casal acaba se atrasando para sua sessão de fotos com a Top Model Veruschia (em participação especial como ela mesma.)
Agora Thomas tem que lidar com a perseguição de Jane (Vanessa Redgrave), a moça da foto que oferece seu corpo em troca da foto, além disso, Thomas tem que lidar com duas modelos iniciantes, uma delas Patrícia (Sarah Milles) que tentam seduzi-lo em busca de um lugar ao sol.
Intrigado com a insistência de Jane em obter os negativos, Thomas começa a observar as fotos detalhadamente e descobre que pode ter fotografado sem querer um assassinato.
Neste momento começa a curva psicológica do protagonista com sua obsessão pela verdade. Mas de inicio já temos dois problemas: 1) O roteiro é arrastado demais e a trama de “Suspense” demora a se desenrolar. (2) O protagonista Thomas (David Hemmings) é totalmente sem carisma, o que é um erro tendo em vista que a trama do filme se desenrola a partir de seu ponto de vista.
Se a intenção do cineasta Michelangelo Antonioni em seu primeiro filme inglês ele errou feio. Michelangelo pecou em centralizar a historia do filme em um protagonista sem carisma, colocando os outros atores do elenco (que já é pequeno, diga-se de passagem) para atuar como meros figurantes de luxo.
O diretor também não oferece ao telespectador uma linha investigativa a qual ele possa acompanhar e os planos ora longos, ora curtos também não favorecem. A trama de suspense (que a essa altura permeia todo o filme) não tem um final, deixando a desejar.
Também vale comentar a cena deplorável (não existe outra palavra para defini-la) de insinuação sexual protagonizada por Tomas e as duas modelos, eles pareciam animais acasalando (totalmente dispensável)
Enfim Blow Up foi um filme que para mim deixou muito a desejar.